Notas iniciais
Outra mudança importante foi com a maneira de vestir. Diana explicava que os seios soltos eram empecilho na hora do ataque, portanto era necessário usar o sutiã. Amarrava um tecido ao redor dos peitos, e ensinava usar uma saia curta, e botas altas, para usar as pernas como arma e fazer longas caminhadas. Com peles de animais, elas costuravam as botas, sempre rindo, pois elas eram pessoas cheias de doçura. E um dia, já convertidas como bravas guerreiras, começaram a patrulhar a selva em busca dos canibais. Subiam nas árvores, espionavam com lentes de longa distância, e quando os “caçadores de homens” apareciam na mata, as flechas certeiras cruzavam o ar. Os invasores morriam, sem nunca saber de quem, nem por que motivo.

E a grande aventura começou.

Diana, acompanhada de Peter, sua namorada Miriam, uns 15 homens e mais oito amigas, iniciaram a viajaram para a América do Sul, num território que era somente selva. O verde se estendia desde a atual Colômbia até o Chile. Na Cordilheira dos Andes, os pumas se misturavam a uma infinita gama de bichos. E os mais belos animais estavam na grande Amazônia.

A vista do grande rio, de mais de 6.000 quilômetros de extensão, fê-los interromper o voo para admirá-lo. Um emaranhado de Ilhas, no meio do rio, mostrava uma paisagem tão linda, mas tão linda, que os hipnotizou. Desceram lentamente para o Sul, entre o Rio Madeira e o Rio Cumumã, examinando desde longe as tribos, pois existiam naquela época mais de dois milhões de silvícolas, em diversos agrupamentos humanos.

Mas a beleza tinha surpresas terríveis.

No lugar onde hoje fica a “Vila Isabel”, uma tribo de Guaranis estava sendo atacada sem pena por índios Tupis, que os chacinavam com superioridade numérica. Além de matá-los, os esquartejavam, pois eles só comiam as pernas e os braços dos prisioneiros.

Quando Peter viu desde a nave o primeiro corpo esquartejado, desmaiou no chão e Miriam caiu junto, pois foram pegos de surpresa. As outras mulheres começaram a gritar e se descabelar, enquanto Diana só teve uma ideia clara na cabeça. Gritar para seu pai por “SOCORRO”.

Adão e Eva se deixaram cair de sua nave com uma espada primitiva nas mãos. Só então Diana e seus amigos juntaram-se a eles com os 20 robôs, pegando em armas. Diana começou a disparar suas flechas, Peter a matar com esgrima, e os outros com o que encontraram na corrida. Muitos pegaram as armas indígenas, porretes pesados de madeira e pontas de pedra, que arrebentavam cabeças com maestria. Quando a carnificina terminou, os médicos deixaram as armas de lado e começaram a examinar os restos mortais dos Guaranis, pois os Tupis terminaram sendo derrotados e seus corpos desintegrados. Não sobrou nenhum canibal desse confronto de morte.

Adão colocava o vidro vermelho e examinavam de cima para baixo. Olhava para o cérebro, coração, pulmão, fígado, pâncreas, e baço. Se esses órgãos estavam inteiros, o cadáver era içado para a nave, para ressurreição. E Peter, os trazia de volta juntos aos amigos como assistentes. E por último, contaram os sobreviventes. Eram 80 mulheres velhas e 40 homens velhos, que conseguiram se salvar. Só. O resto era uma pilha humana, com corpos pela metade, e pedaços de corpos, de cabeças, que eram a miragem própria do horror.

De repente, começaram a chegar os que estavam escondidos no meio da mata, em buracos cavados no chão. Mais de 220 mulheres, cada uma com um média de 5 filhos cada. Todas elas viúvas, chorando desconsoladas, berrando, puxando os cabelos, e pela primeira vez, Adão nem ninguém dos presentes sabiam o que fazer.

Peter repartiu uma injeção com calmantes, que foram colocando nas mulheres, nas crianças, todas em idades entre um e dez anos, pois os adolescentes de 12 anos entraram na luta com os adultos e não haviam sobrevivido.

Enquanto os corpos queimavam e os sobreviventes dormiam, Adão e os médicos se preparavam para evacuar esse povo. Levá-los-iam mais ao norte, entre o rio Amazonas e a Colômbia, pois os canibais estavam todos no Sul desse rio. Essas mulheres poderiam fazer parte de outras tribos, e as crianças maiores de 5 anos as levariam para Lemúria.

Mas Diana foi contra essa ideia. Ela achava que separar os assassinos dos homens pacíficos estava errado. Havia que combatê-los, e ficar nesse lugar esperando o contra-ataque. Os Guaranis amavam essa região. Adoravam esse mato, esses bichos, eram filhos dessa terra. Além do que, se ela ficava, podia ensiná-los a se defender dos agressores. Eva gritou:

— Sabia! Eu não falei? Ela quer ser a rainha da selva... Enlouqueceu, filha?

Imediatamente, Adão interveio:

— Calma, querida! Pense com a cabeça e não com o coração. Além do que, só vai ser por um tempo. Levamos os meninos para estudar em Lemúria por 10 anos. Quando eles voltarem, Diana não vai precisar mais ficar por aqui. Verdade, filha?

— Isso! Vai ser só por um tempo, mãe. Fico com os robôs para que me protejam.

Eva se deu por vencida. Claro que ela tinha razão. Ninguém ia matar uma campeã de tiro com arco e flecha, campeã de espadas, campeã de boxe, de sumô, de karatê, e de todas as lutas inventadas em Lemúria. Eva abraçou-se em Diana, pois no fundo estava cheia de orgulho. Diana era uma guerreira como o pai, como o tio, como Amon-rá e como ela mesma.

E foi assim que Diana ficou só. Pediu para Adão enviar-lhe um “pombo-correio” com roupas, botas, arco e flechas, e espadas japonesas. Ficou olhando seus pais e amigos partirem, carregando as crianças.

Depois hipnotizou as mães desses guris, pois essas aborígenes eram dramáticas. Choravam e berravam por tudo. Os filhos viviam agarrados nelas, como macacos da floresta. Tirar a filharada delas só foi possível através da hipnose.

Nos dias seguintes, colocou os robôs aos cuidados dos mais velhos e dos menores de 5 anos. Ela começou a percorrer a mata seguida por uma fila de mulheres que caminhavam em silêncio. Elas em nada se pareciam aos alegres silvícolas Khoisans.

Quando chegou ao rio Madeira, Diana examinou os pedregulhos. Dilatou as pupilas, cortou pedras de 50 cm cúbicos, e foi empilhando-as. Tomaram banho, e deram início às aulas da natação e mergulho. Uma a uma, elas começaram a rir e brincar como crianças, pois essas mulheres haviam casado com 12 anos. Nenhuma delas tinha mais do que 18 anos, envelhecidas pela maternidade de 9 em 9 meses. Depois das aulas de natação, as fez correr, para que entrassem em forma.

Voltaram para a Aldeia carregando cocos, pinhão, mandioca, e alguns peixes gigantes que Diana matou com suas flechas certeiras. Enquanto peregrinavam, a mata rasteira desaparecia num raio de 5 metros, afastando as cobras, as sanguessugas, as aranhas, os escorpiões, os mosquitos da febre, as moscas, tudo que podia envenenar com uma mordida.

Nos dias subsequentes, além de fazer exercícios, as mulheres aprenderam a construir. Diana desintegrou 300 quilômetros de diâmetro de floresta rasteira e de arbustos, deixando apenas as arvores gigantes em pé, pois elas davam o pinhão, além de outros frutos como tucumã, abricó, buriti, pupunha, physalis, cacau, açaí, e muitos outros. Podaram algumas árvores, para deixar entrar o Sol, e construíram a sua cidade. Os robôs levantaram o muro de proteção, de pedra sobre pedra, numa altura de 5 metros de altura com 4 torres altas de vigia. Entre as pedras, as mulheres foram colocando terra com sementes, que floresceram com plantas aéreas, das mais diversas. Bromélias, samambaias e orquídeas começaram a brotar ao mesmo tempo em que esse muro crescia. Quando ficou pronto ele era “invisível”. O paredão florido se confundia com a mata virgem.

Dentro desse círculo protetor, as casas de pedra sobre pedra foram levantadas de igual maneira. Cada mulher construiu a sua casa. E no centro, ergueu-se a grande Escola, onde havia um Ginásio, sala de Alfabetização, uma torre com telescópio para ver as estrelas, um laboratório para estudar plantas medicinais e o refeitório. O povo gostava de comer junto. Ao redor da Escola, levantaram tendas abertas, com telhados de folhas, e no chão estenderam tapetes de taquara trançados, como antigamente.

E uma vida primitiva, mas encantadora, começou.

Todos juntos comiam os bijus, as papas de milho cozinhadas entre folhas do mesmo milho, papas de mandioca, e os peixes assados na brasa. De sobremesa desfrutavam dos cestos de frutas frescas, dos sucos dentro de cabaças ocas, e de bolos, que Diana também ensinara a fazer. Os mais velhos preparavam o banquete e os mais jovens traziam da selva os suprimentos.

As crianças, à medida que cresciam, aprenderam a plantar flores, a fazer horta de legumes, o pomar de frutas, e criar bichinhos. Jabutis, lagartos, gatos do mato, preguiça-de-coleira, corujas pretas, iguanas, mico-leão-dourados, passeavam dentro e fora do muro com naturalidade. As emas, araras, periquitos entravam e saíam num desfile sem fim. Era mesmo um paraíso terreno, maravilhoso, pois a cantoria dos bichos enfeitiçava o ambiente.

Os meninos também aprenderam fabricar chocalhos, flautas, e a entoar músicas. As mulheres velhas voltaram a dançar e os homens também. Suas amigas continuaram a tecer cestos de taquara, lindíssimos, para mil e uma utilidades. Havia os que serviam para guardar roupas, os que carregavam os menores nas costas, os que se colocavam no rio, para pesca de peixes, os que carregavam água, pois elas os impermeabilizavam por dentro com cera de abelhas.

A cerâmica já era conhecida, e as mulheres mais velhas as fabricavam com arte. Coziam as cumbucas em meio de fogueiras que ardiam desde o amanhecer ate o pôr do Sol. Eram enormes, para fazer a sopa de legumes, menores para comer individualmente, e copos para água. Diana se lembrava de sua mãe. A perfeição dessas peças dispensava o torno, pois eram lindas por si só.

A felicidade desse povo foi aumentando aos poucos, pois eles estavam agradecidos. Os mais velhos reuniam a tribo à noite ao redor da fogueira, para contar suas histórias, como faziam os Khoisans da África. As lendas mais faladas eram sobre “O grande dilúvio”, que invadiu a terra para castigar os homens. Também falavam de um lugar, que chamavam de “Terra sem males”, onde crescia a comida, como mágica, e onde não existia o sofrimento. Havia lendas sobre bichos que viravam homens, mulheres que moravam no meio dos rios enfeitiçando os machos. Diana escutava as histórias e em seguida as escrevia, registrava, e ensinava a escrita para as mulheres com símbolos do sumeriano, a língua mãe da terra.

E o tempo começou a passar.

Enquanto os filhos varões cresciam e aprendiam a ser bravos guerreiros aos cuidados dos mais velhos, Diana ensinava duelo para as mulheres. A primeira coisa foi aprender a puxar o arco, apontar as flechas e atingir os alvos. Depois aprenderam a se defender com lanças, enormes, pesadas, de madeira e ponta de pedra lascada. Finalmente instruiu-as na luta corpo-a-corpo, usando pernas, punhos, cotovelos, cabeça, em disputas diárias.

Outra mudança importante foi com a maneira de vestir. Diana explicava que os seios soltos eram empecilho na hora do ataque, portanto era necessário usar o sutiã. Amarrava um tecido ao redor dos peitos, e ensinava usar uma saia curta, e botas altas, para usar as pernas como arma e fazer longas caminhadas. Com peles de animais, elas costuravam as botas, sempre rindo, pois elas eram pessoas cheias de doçura.

E um dia, já convertidas como bravas guerreiras, começaram a patrulhar a selva em busca dos canibais. Subiam nas árvores, espionavam com lentes de longa distância, e quando os “caçadores de homens” apareciam na mata, as flechas certeiras cruzavam o ar. Os invasores morriam, sem nunca saber de quem, nem por que motivo.

Para matar a fome de sexo, muitas índias faziam amor com os robôs, ótimos amantes. Mas, havia aquelas que preferiam um homem de verdade. Por esse motivo, elas passaram também a espionar tribos pacíficas, como kadiwéus, tapajós, que saíam de suas tribos em busca de caça. Elas os seduziam em meio do caminho, os namoravam, e depois davam um soco na cara para desmaiá-los. Quando os homens acordavam, elas haviam desaparecido. Além do mais, essas aventuras amorosas com homens produziam filhos, que recebiam com carinho e felicidade.

E a fama delas cruzou a selva de Sul a Norte e de Leste a Oeste. Eram descritas como as mais belas mulheres da selva, que apareciam e desapareciam sem deixar rasto.

Quando a lenda cruzou o grande rio Amazonas e chegou à tribo dos Ianomâmis, Aruma, um guerreiro alto, cheio de musculatura, líder de seu povo, começou e ter estranhos devaneios. Ele previa uma mulher de cabelos cor do Sol, que lhe aparecia em sonhos para torturá-lo. Para o cúmulo havia os que juravam que a tinham visto. Nunca mais conseguiu sequer olhar para outra mulher, e se negou a escolher esposas.

Para dar fim a esses pesadelos, Aruma formou um grupo de machos fortes que nem ele, e levou junto Tana, seu irmão. Atravessaram os 15 quilômetros de água do grande rio, que o separavam dessas mulheres extraordinárias. Adentraram pelo rio Madeira, remando, remando, em busca do lugar onde elas apareciam.

Diana, percorrendo a selva em busca de ervas, acompanhada de dez mulheres, viu Aruma e sua turma impedindo-lhes o passo. Todos gigantes de quase dois metros. Pacíficos, inteligentes, cuja intenção era apenas conhecê-las. Sentaram junto aos homens, riram, e a maioria se perdeu logo no mato para uma farra de sexo. Tana e Sira se apertaram contra uma árvore, onde o índio mostrou-lhe o que era um macho de verdade.

Diana não sabia o que fazer com o grandão. Correr era o mais sábio. Pular para uma árvore e cruzar as alturas de galhos em galhos também. Mas foi com ele até o rio tomar banho, nadar, comer peixe cru, que Aruma cortava em pedacinhos com uma faca de madeira queimada, afiadíssima, e dava na boca. Ele também subiu num coqueiro e lhe lançou cocos deliciosos. Abriu um buraco nos cocos com uma pedra, colocou um canudinho de taquara, para ela beber. Depois acendeu uma fogueira, e se estendeu ao lado contando histórias. Em pouco tempo, ela sabia que ele era filho do chefe Ianomâmi, no outro lado do grande rio, que nunca se apaixonara por uma mulher, e que havia se aventurado na selva em busca da mulher de cabelos cor do Sol. Ou seja, ela mesma. Quando ele chegou mais perto, Diana sentiu uma vontade louca de perder sua virgindade. Estendeu-se para trás, subiu os braços, e se entregou a paixão.

Quando Aruma dormiu, Diana se aprontou para a fuga. Infelizmente, ela caiu dentro de um buraco no chão, de uns dois metros, de paredes lisas e escorregadias. Depois viu Aruma jogar dentro desse buraco peixes, frutas, peles, e ele pulou junto. Atracou-a contra a parede, e desta vez foi bruto.

Mas os robôs apareceram antes do pôr do Sol. Puxaram Diana para o alto, carregaram-na para Aldeia, e Aruma, o grande guerreiro, foi desmaiado com um soco e abandonado na beira do rio Madeira. Ficou estendido na areia. Acordou com água no rosto, quando seu irmão Tana o encontrou, contando-lhe atropeladamente que haviam perdido o rasto das mulheres. Tana estava apaixonado até a alma e jurava que não voltava para sua Aldeia sem sua Sira, a mais bela índia desse lugar. Aruma não falou nada. Estendeu-se nas areias olhando para o céu, e falou para ele mesmo que ela viria em sua busca. Lá no fundo, sabia que Diana havia gostado dele de verdade.

Depois de sete dias, Diana e essas dez mulheres continuavam a falar daqueles homens. Para o cúmulo do incrível, outras mulheres, amigas delas, os procuraram para fazer sexo, se ofereceram com sorrisos cativantes, e foram ignoradas. Eles estavam acampados na beira do rio Madeira, esperando por Diana e suas amigas, dispostos a tudo. Raptá-las para o outro lado do rio, pois estavam todos deslumbrados. Os mais exaltados eram Aruma e Tana, que só perguntavam por elas.

Diana, por sua vez, nunca mais dormira em paz. Assim que o sono chegava, aquele índio lhe aparecia para torturá-la. Sentia sua boca ardente e enorme afogando-a, e seus fortes braços aprisionando-a. Ela acordava gemendo, com um fogo que não a deixava em paz. Experimentou um robô, pela primeira vez na vida. Mas, faltava aquela boca. Faltava aquele beijo. Esses braços. As mordidas no cangote. O calor desse corpo. Faltara tudo na verdade. Elevou as ondas telepáticas, contando para sua mãe que estava apaixonada por um silvícola nu e preto como a noite. Riu alto. Eva desmaiou dura no chão.

Diana reuniu suas amigas e perguntou quem gostaria de casar com esses homens. Todas levantaram a mão, inclusive ela própria. Em seguida, falaram com o chefe da tribo, um velho de 70 anos, que as escutou sorrindo. Estava na hora de trazer homens jovens para dentro dessa cidade. E o chefe organizou uma reunião com os machos, para chegar a um consenso.

Os velhos da tribo saíram em busca dos Ianomâmis. Quando os encontraram, começaram a dialogar. Aruma queria levar as fêmeas para sua tribo. O chefe guarani queria que eles ficassem, explicando que nessa cidade estava cheio de mulheres sozinhas. Podiam casar até com cinco esposas cada um. Aruma disse que ele só queria uma. Tana também. Os demais falaram a mesma coisa. O chefe podia viajar para o outro lado do rio, onde homens como eles os receberiam com carinho. Podia escolher os guerreiros que quisesse para essas consortes.

O chefe Guarani aceitou, mas impôs uma condição. Entrariam na cidade de olhos fechados, e sairiam sempre dela de olhos tampados. Só isso. Colocou uma venda em cada um, e os guiou pela floresta.

Quando Aruma abriu os olhos, ele estava num lugar estranho. Malocas gigantes, de pedra, em ruas com pedrinhas pequeninhas no chão, jardins floridos, e crianças correndo sadias, fortes, lindas, com mães maravilhosas. Todos vestiam roupas diferentes. Os meninos, tangas de tecidos de algodão, as meninas, saias curtas e sutiã, também de algodão. Eram perfumadas, e não havia uma sujeira nem um cheiro podre em lugar nenhum. Comiam em mesas, sentados em cadeiras, usavam guardanapos para limpar mãos. Os cabelos brilhavam, pois penteavam com escovas de crina de cavalos. Afinal, que lugar era esse?

Quando viu Diana, esqueceu todas as perguntas. Correu a abraçá-la, apertar firme, e dar um beijo de língua. Depois, seguiu como autômato para uma casa, onde havia um colchão de algodão, estendido no chão, e atacou sua deusa como uma onça.

Durante meses, eles só fizeram amor a toda hora. Aruma saía dessa casa para ir ao banheiro, onde os homens faziam as necessidades num buraco seco. Espalhava folhas secas, para tampar o fedor, tomava banho de ducha, passava sabão nos cabelos e corpo, e voltava para casa onde Diana o atendia como um rei. Ela preparava sopas de legumes, peixes com verduras, mandiocas cozidas, e colocava em panelas de argila, por cima de mesas. Ela comia tanto quanto ele. Depois dormiam a sesta, faziam amor, e repetiam tudo mais uma vez.

E teriam sido felizes “para sempre”, se Aruma não começasse a questionar a vida dessa cidade, onde tudo era perfeito. Seu tormento se iniciou com as respostas que Diana lhe dava sobre ela mesma, sobre Lemúria, sobre seus pais que chegaram de outro mundo, e por causa de sua grande sabedoria. Era médica, preparava remédios, sabia os mistérios da selva, das estrelas, e ele era só um ignorante que vivia no mato como um bicho.

E começou a sofrer. E sem saber o que fazer, Aruma aconselhou-se com os mais sábios, para ter uma luz ao seu problema. E os mais velhos o aconselharam viajar, estudar, para ser um grande feiticeiro como sua mulher.

Quando Aruma decidiu partir sozinho para Lemúria, Diana sorriu. Ia ser a sensação do ano nessa Escola e não se falaria de outra coisa por longo tempo. Elevou as ondas telepáticas para sua mãe, solicitando uma nave, cuja finalidade era enviar seu marido para estudar. Depois gargalhou alto. Coitada da mãe. Ia desmaiar de novo. E para causar boa impressão na sua família, costurou uma camisa de algodão, semiaberta, uma bermuda, e suas amigas costuraram sandálias de couro. Aruma colocou os colares de dentes de porco do mato, pois isso era seu talismã da sorte. Também atravessou uma pena no nariz, declarando que nunca ia beijar outra mulher. Abraçou-a com doçura, afirmando que no seu regresso, ela ia ter orgulho dele.

Depois da partida de Aruma, Tana foi escolhido pelos mais velhos como chefe da tribo. Ele e Sira, sua esposa, começaram a viajar pela selva visitando outras tribos, sempre levando com eles as fêmeas que estavam a fim de casar. Uma a uma foram regressando com homens das mais diversas tribos, que entravam na cidade de olhos vendados.

Com o passar dos anos não havia mais mulheres viúvas naquele lugar e essa tribo se tornou a civilização da América do Sul.

Notas finais
E teriam sido felizes “para sempre”, se Aruma não começasse a questionar a vida nessa cidade, onde tudo era perfeito. Seu tormento se iniciou com as respostas que Diana lhe dava sobre ela mesma, sobre Lemúria, sobre seus pais que chegaram de outro mundo, e por causa de sua grande sabedoria. Era médica, preparava remédios, sabia os mistérios da selva, das estrelas, e ele era só um ignorante que vivia no mato como um bicho.