Notas iniciais
Música: Hana Pestle – Make you hurt

Ela estava fria, não importava o quanto eu a sacudisse, Yuuki permanecia imóvel. Eu me desesperei. A peguei nos braços e disparei para meu carro. O que ela tinha? Estaria muito doente? Eu a coloquei no banco do carona e afivelei seu cinto de segurança. Enquanto corria com o carro eu segurei suas mãos frias e suadas. Senti algo cortar minha face. Lágrimas? Nem lembro quando foi à última vez que chorei, no enterro de Ichiru. E era por ela, por me preocupar com o bem estar de Yuuki que eu agia tão desesperado.

...

Yuuki estava na emergência. Eu esperei irado na cadeira da sala de espera. Não sei que horas eram, mas Shizuka já havia ligado pelo menos duas vezes para o meu celular. Enquanto Yuuki era tratada eu pensava. Eu não tinha mais dúvidas do que sentia, eu amava a garota. Eu não iria me permitir errar. Eu ficaria com ela e ponto. Que se dane o restante! Mas não ia ser fácil, eu sabia. Shizuka era instável.

-O senhor está acompanhando a senhorita Kuran, não é mesmo? –A enfermeira chamou. Prontamente eu despertei da letargia e levantei.

-Sim. Onde ela está? Eu posso vê-la? –A enfermeira pareceu um pouco alarmada com meu desespero. Ignorei.

-Sim. Ela está bem, está em um apartamento. Logo poderá ir.

-O que Yuuki tinha?

-Bem senhor eu creio que deva falar com o médico responsável pela senhorita. Acompanhe-me.

Foi difícil caminhar sabendo que logo a encontraria. Ela estava deitada na cama de um apartamento qualquer, conversava com um médico. Quando entrei no local, ofegando, a conversa cessou. Yuuki olhou-me aturdida por alguns instantes, mas depois me deu o sorriso mais bonito que eu já havia visto.

-Bem senhorita Kuran, fique aqui esta noite. Amanhã poderá ir. –Os dois, paciente e médico, se olharam durante poucos segundos, um olhar cheio de significado. Então ele saiu, eu estava a sós com Yuuki.

-Hmmm... Professor, o que faz aqui afinal? Como o senhor... –Eu encurtei rapidamente a distancia entre nós sem me importar com o que Yuuki pensaria de minha conduta. Sentei-me na cama e a abracei tão apertado que pude sentir que Yuuki não respirava, mas eu estava sendo naquele momento egoísta demais para pensar em seu bem estar. Tudo o que eu queria era abraçá-la, senti-la em meus braços bem. Yuuki ficou parada, demorou um pouco para corresponder ao meu abraço, mas quando o fez eu me senti, mesmo com um ato tão pequeno, o homem mais afortunado da face da terra. Suspirei de contentamento.

-Fiquei tão preocupado com você! Quando a vi caída no chão eu... Você... Você está bem? –Eu me afastei e a encarei, minhas mãos em seu rosto. Yuuki pareceu chocada com a intensidade dos meus sentimentos.

-Eu... Eu estou sim.

-Mesmo? Não está mentindo para mim? O que o médico que a atendeu falou? –Eu não conseguia ser ponderado, meus sentimentos estavam transbordando e eu nada podia fazer. Yuuki parecia estar maravilhada com minhas ações.

-Eu estou bem, só um pouco fraca. Não tenho me alimentado muito bem. –Eu suspirei. Sentia-me aliviado. Eu voltei a abraçá-la.

-Seja mais prudente com sua saúde. Não tem idéia do quão preocupado eu fiquei.

-Não precisa ficar assim por minha causa professor e... Para ser mais direta, nem ao menos precisaria estar aqui visto que não possuímos nenhum vinculo. –Eu estaquei. Ela falou esse pequeno discurso com tal frieza que cheguei a pensar que eu não tinha ouvido direito, mas eu tinha. Eu me afastei e a olhei com incredulidade. Yuuki também não parecia muito feliz com suas palavras.

-Yuuki...

-Obrigada pelo que fez por mim, mas voc... Quero dizer, o senhor precisa ir. Não quero trazer mais problemas por isso...

-Cale a boca Yuuki. Não diga mais nada, está me ouvindo? –Ela me olhou espantada e eu tentei conter o surto de ódio que me dominava.

-Mas profeso... –Tapei seus lábios com meu dedo.

-Não me chame assim, não você. Pare de me chamar de professor! Eu sou tudo para você, menos professor! –Eu estava tendo um ataque de ira e Yuuki... Bem... Ela apenas sorria.

-Então como quer que eu o chame?

-Zero.

-Não posso chamá-lo assim. Afinal de contas você é só o meu professor e...

-Eu não sou apenas o seu professor! Esqueça essa historia de professor!

-Se quer que eu esqueça e o trate por “Zero”, você sabe o que deve fazer.

-Tem razão Yuuki, eu sei. –Eu coloquei minhas mãos em sua nuca e a puxei para beijá-la, Yuuki não protestou, muito pelo contrario. Ela beijava-me com vigor.

...

-Tem certeza que está bem?

-Estou Zero. –Yuuki fez menção de sair, mas eu segurei sua mão.

-Eu me decidi. Essa noite mesmo eu conversarei com Shizuka.

-Que bom. –Ela se aproximou e beijou-me. –Estarei esperando por você. –E assim Yuuki saiu do carro. Eu queria ir até ela e passar a noite ao seu lado, mas eu tinha um assunto a tratar.

...

-Oi meu amor! Por que se atrasou? Fiquei preocupada. –Shizuka cozinhava o jantar, ela estava tão feliz... Não! Eu não poderia fraquejar! Yuuki não merecia isso, nem ela, nem eu e tampouco Shizuka.

-Desculpe o atraso.

-Tudo bem. Quer comer? Estou fazendo algo muito gostoso!

-Shizuka, precisamos conversar.

-Sobre o que? –Ela se virou retirando o avental.

-Sobre...

-Olha meu amor se é sobre os custos do casamento você não precisa se preocupar, ta?

-Não é sobre isso. –Eu fui até ela e peguei sua mão. A guiei até a sala. Shizuka parecia alheia a tudo. Então eu disse sabendo que essas palavras seriam decisivas em minha vida.

-Shizuka... Acabou.