Adorável Estranha
9 Até as duas horas será minha esposa
Notas iniciais
Eu sabia o que aconteceria, eu sabia como proceder, mas estava com medo. Como um maldito pré-adolescente que terá sua primeira vez, era assim que eu estava me sentindo. Ninguém havia tocado Yuuki, ela certamente estava mais nervosa do que eu, mas ainda sim ela parecia segura, mesmo que suas mãos estivessem tremendo. Fomos em silêncio de mãos dadas para o seu quarto onde um dia foi o quarto de sua mãe. Quando chegamos lá e Yuuki fechou a porta atrás de nós e finalmente encaramos um ao outro. Yuuki sorriu e então eu não tive mais dúvidas do que faríamos. Quem se importava se era certo ou errado? Se eu podia perder meu emprego e minha noiva com isso? Meu mundo caiu quando eu a conheci, quando meus lábios tocaram seus lábios, quando confessei de forma indireta o que sinto por ela. E então ela esperou pelo meu primeiro passo. Dei alguns passos em sua direção e tomei calmamente seus lábios. Os braços de Yuuki envolveram meu pescoço e os meus envolveram sua cintura. Caminhamos lentamente para a cama e caímos.
-Yuuki... Você quer? –Eu sussurrei incapaz de conter a excitação do momento. Yuuki sorriu.
-Você ainda é meu marido então... Maridos não pedem permissão para fazer amor com suas mulheres. –Eu sorri e me entreguei de cabeça nessa insanidade.
...
Segunda-feira. Hora de levantar para mais um dia. Mas este não era como qualquer dia, pois cobrindo o meu corpo estava o corpo macio, perfumado e quente de Yuuki. Eu não conseguia sair dali da prisão de seu corpo. Afastei-me, sem vontade alguma de sair dali, beijei Yuuki nos lábios e a deixei dormir.
...
Eu sempre havia pensado em casamento como algo idiota. Duas pessoas cometem o maior erro de suas vidas juntas e acabam com o seu relacionamento assim que trocam alianças. Agora eu sabia que estava enganado. É claro que coisas como a rotina, a convivência acabar com um relacionamento eram verídicas, mas isso só ocorria para pessoas que verdadeiramente não se amavam, não era assim comigo e com Yuuki. O que eu mais queria, mesmo agora sabendo que logo a veria na escola, era estar com ela. Mas Yuuki não foi para a aula. Algo normal, ela ainda dormia quando a deixei na cama. E a promessa de que ainda seria minha esposa até as duas horas da tarde era a única coisa que me mantinha com um meio sorriso nos lábios. Isso até eu ver Yuuki na escola, na certa chegara ao segundo horário. Ao seu lado o professor de literatura interessado nela. O mesmo lhe oferecia algo, um embrulho. Era a hora do intervalo, muitas pessoas passavam por aquela parte do corredor, eu estava tomado pela cólera enquanto via o idiota tentar tocá-la e Yuuki amavelmente se afastava tentando ser imperceptível. Eu passei pelos dois tentando parecer normal. Fiquei em um corredor que não era movimentado e esperei que Yuuki passasse pelo mesmo. Felizmente, após minutos de conversas, ela veio na minha direção sem o professor, ele havia ido para a direção contrária.
Eu estava furioso então não pude conter minha fúria quando Yuuki passou pelo lugar onde eu estava. Eu a peguei pelo braço e a levei até o almoxarifado onde não íamos ser interrompidos.
-Professor! O que está fazendo? –Ela estava alarmada pela minha atitude, por alguém ter visto algo. Eu não estava nem ai.
-O que você estava conversando com aquele idiota da literatura? –Eu tentava me controlar, eu não queria ser áspero com Yuuki, mas essa era uma tarefa difícil enquanto eu a via segurando o embrulho.
-Estávamos falando sobre literatura, ai ele me deu esse presente.
-Por que você o aceitou? Não é prudente um professor e... –Yuuki me olhou divertida. Quem era eu para lhe dar uma bronca por aceitar um simples presente de um professor quando eu havia tirado sua virgindade? –Eu sei. Estou sendo bem hipócrita, mas caso não se lembre eu serei seu marido até as duas, então não estou a repreendendo como professor. –O sorriso de Yuuki foi ainda mais radiante.
-Eu recusei o presente e tentei devolve-lo, mas ele disse que eu poderia jogá-lo fora se não quisesse e foi embora.
-Então... O que está esperando para jogá-lo fora Yuuki? –Enquanto eu tinha um ataque de ciúmes Yuuki apenas ria.
-Eu não tenho coragem de jogar um livro fora assim. Se você tem essa coragem Zero então peço para que faça isso por mim. –Eu nem hesitei. Peguei o livro de suas mãos.
-Eu farei isso com maior prazer. –Yuuki olhou para um relógio no seu pulso.
-ESPERA!
-O que?
-Já se passou duas horas Zero. Não é mais meu marido. Então passa o livro pra cá! –Ela o pegou enquanto tentava conter um riso. Eu não deixei que passasse, a peguei pelo pulso.
-Você disse que eu ia ser seu marido as duas de amanhã, mas não falou quando exatamente era esse amanhã. Poderia ser hoje, amanhã, depois de amanhã... –Ela conteve um riso. Devolveu o livro que a pouco havia pegado de minhas mãos.
-Não posso ir contra isso. Você está certo. Então se você ainda é o meu marido não se importaria se eu fizesse isso, não é? –Yuuki beijou-me. Eu não pude negar a ela o beijo mesmo sabendo o que me custaria caso alguém nos pegasse. Foi um beijo rápido, mas com a mesma intensidade que os beijos que trocamos enquanto fazíamos amor. Logo Yuuki saiu tomando todo o cuidado de não ser vista e sai em seguida. Essa era a doce rotina que eu queria para mim para o resto de minha vida.
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