Adeus minha querida Hazel Grace
1 Augustus
Notas iniciais
Vejo o reflexo que está parado em frente ao espelho. Olho para aquela coisa pálida, de olhos avermelhados e vestindo meu traje de funerais.
"Que deveria ser usado apenas no meu". Estou me segurando a mais ou menos 40 minutos, mas esse pensamento me invade como um temporal, fazendo meu muro de resistência desabar. Caio de joelhos no chão de carpete do meu quarto, as lágrimas já rolando pelo meu rosto, não as contenho.
–Por quê?... -repito aos berros. Começo a soluçar alto, intercalando palavras com soluços até que não faça mais nenhum sentido.
Ouço passos na escada, alguém está descendo até o porão. A última coisa de que eu preciso agora é de companhia.
–Gus -chamou a minha mãe enquanto chegava ao final da escada. Ela finalmente desvia a atenção dos degraus e se vira para mim. Ela anda até onde estou e pousa uma mão em minhas costas.
–Vai ficar tudo bem querido -ela sabia que não ficaria tudo bem, mas disse isso apenas para me confortar, então eu simplesmente me viro para fitar seus olhos. -o Isaac chegou, suba logo.
Balanço a cabeça em concordância, ela entende e vai embora.
Levanto e me olho no espelho novamente, arrumo a gravata e ajeito o cabelo. Então subo correndo as escadas.
–Isaac! -grito assustando-o e o fazendo derrubar um vaso com sua bengala.
–Desculpe! -fala ele, ao ouvir o barulho de porcelana se quebrando no chão.
–Pode deixar -minha mãe diz sorrindo, embora Isaac não possa ver seu sorriso.
–Vamos, vamos -digo enquanto o pego pelos ombros e o guio até a porta.
–Tchau -diz ele, levantando uma das mãos e acenando.
Andamos até o meu carro e eu o ajudo a sentar no banco do carona. Faço a volta no carro, abro a porta do motorista e entro.
Coloco o cinto de segurança e ligo o carro.
–Você está bem? -Isaac pergunta.
–Na medida do possível, meu amigo -respondo — na medida do possível.
Eu e Isaac entramos no salão da Ingreja, bem na frente dos bancos está o caixão dela. vou até ela e lhe dou um beijo, uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Seus pais estão parados ao lado do caixão, eu os cumprimento com apertos de mão e abraços. Afasto-me e vou me sentar, enquanto Isaac vai até o caixão. O salão da Igreja está lotado com um monte de pessoas chorando, aparentando estar em tristes. Isaac volta e senta-se ao meu lado. Esperamos.
Algum tempo depois chegou um pastor, que começou a falar e a orar, mas eu não acompanhava. Finalmente ele diz:
–Vamos ouvir algumas palavras do amigo especial de Hazel.
Levanto-me e caminho até a frente de todos, quando chego eu ao palco eu digo:
–Eu era o namorado dela. -embora seja um momento triste, isso arranca algumas risadas das pessoas.
Sabia que o meu discurso planejado só traria mais tristezas para todos, então improvisei.
–Hazel uma vez notou em minha casa o seguinte encorajamento: sem dor não conhecemos o prazer.
Continuei citando coisas ridículas como essa, sabia que era o melhor para todo mundo.
No meio do funeral, alguém cutuca minhas costas. Era Peter Van Houten.
–Vim apenas devolver a sua carta garoto -ele tinha um tom de pesar -acho que não vai mais precisar de mim.
Ele levanta e vai embora. Levanto-me e saio correndo da Igreja, seguindo-o até onde consigo. Logo me encontro sozinho em um beco estreito. Me encosto em uma parede úmida.
Lembranças dela me invadem como uma avalanche. Seu sorriso, seus olhos, seu humor e seu gosto para leitura. A presença dela em mim é muito forte.
Automaticamente levo minha mão até meu bolso e retiro um cigarro. Coloco-o na boca.
"É apenas uma metáfora". Pego meu esqueiro no bolso e acendo o cigarro. "Não é mais".
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