Notas iniciais
Acharam que eu estava derrotada, quem achou estava errada!! Eu voltei!!!!!!!

Era fim de noite e todos tinham retirado-se para seus aposentos quando Sam Evans convidou Quinn Fabray para sentar-se com ele próximo ao calor da lareira. Era uma noite nebulosa e fria que parecia imitar o que se passava ali dentro...

Mais cedo, naquela noite, os hospedes e os anfitriões haviam reunido-se para o jantar. Entre Brittany e Santana transcorria uma conversa sobre variações linguísticas. Vez ou outra, enquanto ouvia a espanhola, Brittany direcionava olhares para Quinn. Desde que chegara à casa a enfermeira sentira uma certa curiosidade acerca da loura silenciosa que passava boa parte do tempo entre a leitura e a escrita.

Os olhares de Britanny Pierce não passaram despercebidos por Santana Lopez:

— Há algo em Quinn Fabray tão interessante para que não retire os olhos de sobre ela, Brittany? — perguntou a espanhola em alta voz, finalmente ganhando a atenção de todos. — Creio que ainda ninguém lhe tenha confidenciado, mas é interessante que você saiba que além do belo rosto, Lucy Quinn Fabray possui algo mais que você não conhece.

— E-Eu... não posso imaginar o que seja. — A enfermeira parecia confusa e levemente constrangida com o rumo da conversa; havia algo implícito.

A Espanhola virou-se para Quinn Fabray esperando que ela dissesse algo, mas Quinn nada disse. Tornou a alimentar-se como se estivesse só à mesa, provocando a ira de Santana Lopez, que prosseguiu com sua provocação:

— Vamos, Fabray, conte a ela. Você deixará Britanny sem uma resposta? Realmente não vai dizer o que você tem? Bom, se não sente-se bem em falar, talvez possa nos mostrar...

— BASTA, SANTANA! — O grito de Sam Evans foi ouvido por todos.

A espanhola olhou para o marido. De seus olhos transbordava ira. Enraivecida por ter sido repreendida diante dos empregados, abandonou a mesa sem nada dizer.

...A lenha continuava queimando com vigor enquanto Sam Evans e Quinn Fabray guardavam-se em silêncio. Nenhum sentia-se confortável, mas o homem sentia-se pior. Estava com a cabeça baixa, profundamente envergonhado com o comportamento da esposa. Então, sem poder refrear-se, disse:

— Se você está partindo por conta do que disse minha esposa, peço que desconsidere as palavras que ela proferiu no calor da emoção.

Lucy Quinn respirou cansada.

— É melhor que ocorra desta maneira. Não quero voltar a me desentender com Santana, e nem criar um mal estar. Assim é melhor: volto para o Circo até quando permanecer na Cidade. Afinal, estou a poucos dias de voltar para Nova York, minha família me espera. Minha mudança não é realmente algo surpreendente.

— Entendo você. — disse o homem, e após um suspiro confidenciou: — Não consigo compreender o que levou minha esposa a agir daquela maneira.

— A sua esposa tem um humor peculiar. Compreendo perfeitamente. E eu a perdoo. — falou a mulher buscando acalma-lo com profunda sinceridade.

— Obrigada, Quinn. — disse o homem aliviado.

Lucy Quinn deixou Sam Evans com o calor da lareira para trás quando percebeu que o homem havia dormido. Subiu as escadas em busca de seu aposento. Mas de repente pensou em Santana. Talvez ela quisesse se retratar, explicar o comportamento atípico. Àquela hora a espanhola estaria a dormir, então teria de acordá-la para que pudessem conversar.

Caminhou suavemente até o quarto da mulher. Quando aproximou-se do quarto viu que a porta estava entreaberta. Nesse instante ouviu vindo de dentro do recinto vozes sussurradas que misturavam-se de forma tensa e contida. O inconfundível sotaque espanhol de Santana Lopez estava lá:

— Vi como olhou para a Fabray. Nada passa por mim. Não se atreva a me trair. É melhor mesmo que eu esteja errada, porque não quero precisar me preocupar com algo desse tipo. Mantenha-se longe de Quinn Fabray para o seu próprio bem estar, e para o dela também.

Lucy Quinn mal pôde crer nas palavras da mulher. Então tudo pareceu encaixar-se. As duas mulheres estavam tendo um caso. E os ciúmes tinham sido responsáveis pelo que acontecera com Santana Lopez. A forma como a mulher lhe tinha tratado fora por conta dos ciúmes.... De repente ela sentiu-se muito mal.

Depois de um longo silêncio onde as duas mulheres pareciam ter ido dormir, a voz de Brittany fez-se presente perguntando à espanhola algo que Quinn não pôde ouvir. E Santana voltou a falar com uma voz que parecia normal, quase risonha:

— Acredite, Rachel verdadeiramente achou que eu a estava ajudando por caridade, por importar-me com como sua vida é triste e miserável. Bom, felizmente ela não desconfia nem de longe que fiz tudo o que fiz para afastá-la de meu marido e de mim. E o mais engraçado em tudo isso é como as coisas aconteceram perfeitamente em ordem: Quinn Fabray apaixonou-se por Rachel, que tem uma voz encantadora, algo que Quinn tanto anceava. E agora Rachel irá embora de minha vida, aquela camponesa bastarda irá para longe. A sombra da pessoa que poderia arruinar meu casamento finalmente vai nos deixar. E o melhor? No fim de tudo isso: eu serei o anjo em sua vida.

Brittany falou, e sua voz demonstrava preocupação:

— Você acha que isso era mesmo necessário? Quando Rachel for embora, Finn Hudson saberá e buscará por ela. Talvez até por vingança. Você pode ter colocado a vida dela e de Quinn Fabray em perigo.

Santana Lopez suspirou alto antes de dizer:

— Oh, Britt, não pense que me orgulho. Mas Rachel possui muita informação para que eu corra o risco de mante-la por perto. Além do mais, faço algo de bom. Convenci Quinn a levá-la consigo, o que Rachel mais queria. Acredito que ela ficará bem. A Rachel Não correrá nenhum perigo, e meu casamento também não.

Lucy Quinn deixou as duas mulheres e caminhou para seus aposentos. Durante toda noite não conseguiu dormir com os pensamentos na conversa que ouvira.


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Na manhã seguinte, Lucy Quinn fez a refeição matinal junto aos outros, porém seu olhar em nenhum momento encontrou o de Santana Lopez. Ela sabia que se o fizesse não teria como esconder o que sentia. Tão logo pôde, retirou-se.

E daquele momento até o fim do dia ninguém mais a viu. Resguardou-se em seu aposento. Pensava em Rachel Hudson, em tudo que tinham conversado... Apanhou papéis para escrever. Era hora de pensar em como sairiam dali.

O crepúsculo dava seus primeiros sinais quando Santana Lopez e a enfermeira apareceram após caminharem pelo campo aberto. Quando as duas mulheres entraram na casa estranharam ao ver que Quinn Fabray estava sentada em frente a lareira. Esperaravam não ver mais a mulher, já que a mulher loura prometera partir tão logo a luz do dia tivesse ido embora.

— O-olá, Fabray. — Santana Lopez se viu pega completamente de surpresa ao ver Quinn Fabray ali; imediatamente soltou a mão da enfermeira que estava entre as suas.

— Nós precisamos ter uma conversa, Santana. Nós duas. Somente nós duas! — disse Quinn Fabray enfaticamente para a espanhola, olhando dela para a enfermeira como que excluindo-a.

— Claro. Venha...

Lucy Quinn deu espaço para que Santana Lopez entrasse e esperou que ela sentasse, mas ela mesma não o fez; não tinha pretensão alguma de prolongar sua estadia ali além do necessário. De pé, olhou para a espanhola com uma seriedade nunca vista.

— Vou direto ao ponto, pois não creio que deva fazer rodeios com um tipo de pessoa feito você: Quero que saiba que ontem eu ouvi enquanto você conversava com sua enfermeira, ou sabe-se lá o que vocês são. Ouvi absolutamente tudo! Como você manipulou Rachel, a mim, ao seu marido. E como o tem enganado com essa mulher que você trouxe para cá.

De repente a espanhola perdeu a cor. Levantou-se bruscamente para protestar, mas Quinn Fabray não estava disposta a ouvi-la.

— NÃO FALE! Pois não quero ouvir nada que tenha a dizer. Qualquer explicação descabica que tenha a me oferecer, por mais inventiva que seja, por melhor que seja terá o mesmo valor que nada para mim... Tudo o que você precisa saber de mim, e que faço questão que saiba, é que nossa amizade acaba aqui, Santana.

A Espanhola pareceu ficar abalada por um momento. Mas então fechou os olhos com força para logo depois abri-los, e então parecia mais calma. E para a surpresa de Quinn Fabray, um sorriso tranquilo surgiu entre os lábios da mulher. E finalmente revelando-se, disse:

— Você devia agradecer-me, pois tudo o que tem agora, me deve. Você e ela deveriam agradecer-me. É errado pensar um pouco em mim? Você está feliz agora, não está, Fabray? Pois agradeça-me... E sabe qual a melhor forma de agradecer? Manter tudo que ouviu em segredo. Ou eu posso acabar com seus planos de levar a camponesinha com você para Nova York. Pense sobre isso.

Lucy Quinn aproximou-se de Santana Lopez com os olhos cheios de decepção:

— Nada direi a Sam, deixarei que você própria o faça se um dia tiver dignidade para tal. E, ouça bem o que vou dizer: eu espero que você não aproxime-se mais de Rachel em hipotese alguma. Ou então eu posso esquecer a mulher que sou hoje e trazer a tona a mulher que fui quando precisei sobreviver naquele Circo. E aquela mulher era capaz de tudo. Tenha isso em mente. Adeus, Santana.