Notas iniciais
Eu achei esse capítulo estranho. Não sei se vocês vão pensar o mesmo.


No fim do alvorecer do domingo quando Quinn Fabray atravessou os portões do Templo, os raios solares erradiavam no alto de sua cabeça. Diferentemente de outras manhãs, o sol não escondia-se caprichosamente por detrás de nuvens que era anúncio da proximidade de outra estação. Lá estava a estrela da manhã a brilhar intensamente em todo seu esplendor, que assim como Medusa, estava disposta cegar quem lhe ousasse olhar.

O Templo de construção em referência às igrejas anglicanas*, era espaçoso por onde corria a visão, mas era vazio de ornamentos, além de trazer em suas paredes cores profundas.

Dos dois lados da área ampla que o Templo tomava, havia confortáveis acentos feitos a partir de mogno (era possível saber pela escuridão de sua madeira), alcochoados com couro.

Nesses acentos estavam mulheres de postura ereta que, vestidas em vestidos de corte fino, tinham leques em mãos que moviam incessantemente na intensão de afastar o calor. As que não eram viúvas estavam na companhia de maridos engravatados, os quais uma parte demonstrava um falso interesse, e outra parte era de maridos que não tinha problema em mostrarem-se fadigados.

Ao passar pelo pátio que era caminho para o altar, Quinn Fabray sentiu todos os olhares sobre si. Uns curiosos, de pessoas que queriam saber quem era aquela bela desconhecida; outros, que reconheciam a mulher da noite no Circo e olhavam com uma mistura de indiferença e repúdio. Ignorando a todos, ela correu os olhos pelo lugar. Um espaço estreito entre duas mulheres de idade avançada e pouco receptivas (as idosas demonstraram irritabilidade com a possibilidade de dividirem espaço com a visitante) fizeram-a recuar. Por fim, Quinn concluiu que o melhor seria permanecer de pé encostada em um pilar, afastada de olhares furtivos.

De repente, por todo Templo fez-se silêncio. No altar, pôde ser visto um homem de meia-idade e pele rosada, de braços, pernas e tronco roliços; ele tinha um sorriso calmo entre as bochechas rechonchudas. Com as palmas das mãos erguidas, ele disse ao público:

— Bons irmãos e irmãs, hoje encerraremos nossa celebração que, ressalto, foi imensamente abençoada por nosso Senhor, sob o cântico que melhor expressa o quão gratos nós todos somos por termos podido ser resgatados do julgo do pecado e vistos como filhos do Pai pela graça do nosso Senhor, digam amém.

"AMÉM", disseram todos em uníssono.

Houve uma grande movimentação entre as pessoas que estavam sobre o altar atrás do homem. Um grupo de jovens, todos vestidos igualmente com batas, aglomerou-se de forma coordenada, todos de pé. Quando eles pareciam estar perfeitamente organizados, o homem prosseguiu:

— Nossa irmã, agraciada por nosso Senhor, que vem entoando louvores há tanto tempo em nome de nossa congregação, terá como honra, novamente, cantar um cântico aos céus por toda nossa comunidade. Por favor, irmã Rachel Hudson, venha até aqui.

Poucos e nada entusiasmados aplausos foram ouvidos, seguidos por becejos e olhos revirando por parte da platéia quando a esposa de Finn Hudson tomou o centro do altar (grande parte das pessoas que ali estava eram os prejudiacados pelos altos juros cobrados pelo Hudson, e por esta razão tinham a mulher dele em péssimo conceito.)

Bem distante dos pensamentos mordazes que as pessoas dentro do Templo exprimiam, ao pousar os olhos sobre a mulher, tudo o que Quinn Fabray pensou foi: "Por deus, quão linda é em toda plenitude diferença de sua beleza!"

Todas as mulheres debaixo do teto do Templo eram parecidas: peles leitoras de traços delicados, bochechas rosadas, ângulos retos, olhos azuis (dentre várias tonalidades, sempre azuis), e, em sua maioria, cabelos loiros. Seriam bonecas de porcelana não fosse a humanidade habitando em seus corpos. E entre elas, havia Rachel Hudson; que contrariava toda aquela similaridade. Que por suas íris grandes e escuras como amêndoas, lábios vivos e fartos e um nariz similar ao de mulheres da península arábica, jamais passaria despercebida nem pelo observador mais desatento.

Mas Rachel Hudson não era somente a mulher que sobressaía entre vultos de rostos iguais. Na psique silenciosa da mulher que mantinha-se escusa, de pé entre os acentados, era o grande pecado confidencial. A dona de feições que subvertiam era quem Quinn Fabray cobiçava em um lugar previlegiado de sua psique. Nos jantares ou passeando pelos jardins, indefesa quando não podia ter controle ao anoitecer, a face da mulher casada surgia feito espectro. À quem Quinn Fabray não afastava, por adorar sempre todas as vezes que surgia para tomar-lhe os lábios, para segredar juras cálidas.

Era uma mulher pecadora. De um pecado que temia confessar. Do qual não arrependia-se...

Rachel Hudson viu-se diante dos olhares da platéia. A primeira vez que estivera diante daquelas pessoas, ficara apreensiva; lembrava-se de como a saia de seu vestido parecera bastante interessante a época, tamanha sua retração. Após anos convivendo com aqueles olhares todos os domingos, acabara por adaptar-se a cada um deles, dos que deveriam ser seus "irmãos em cristo". Contudo, naquela manhã de domingo, novamente seu vestido era muito mais interessante que qualquer outra coisa. Assim que subira ao altar, esquadrinhara todo o Templo, buscando por alguém em especial. E quando seus olhos encontraram o que procuravam, seu corpo sobressaltou-se.

De pé, Lucy Quinn Fabray poderia ser descrita como uma pintura renascentista maculada. A face que outrora transmitira paz em meio ao caos, era 'agora' intranquila apesar da calmaria do Templo. Trazia a estranha expressão de alguém incerto sobre a resolução de uma complicada teoria filosófica (com os olhos presos na mulher sobre o altar.) Criando ritmo próprio, o coração da mulher casada passou a pulsar tão rápido quanto as asas de um pássaro que luta para não não ser morto pelo predador. Porque se Lucy Quinn estava lá era para vê-la, para julgar o que podia mostrar. As palavras escritas por Santana Lopez flamaram através de sua memória como as labaredas que incineraram sua carta.

Por tantas vezes cantara diante daquela mesma platéia sem nunca ter inspiração que fosse capaz de arrancar seu melhor! O fazia sempre para dar prazer a si própria, nunca por alguém. Nem o Ser que estava sobre todos fora capaz de arrancar-lhe louvores que fossem do profundo desejo de sua alma entoar.

Agora, contudo, não existia inspiração maior que a presença de Lucy Quinn.

O Coral formado pelos jovens cristãos balbuciava os primeiros sons do cântico sob uma melodia suave. A mulher fechou os olhos concentrando-se em sua respiração, controlando-a e a si própria, dizia repetidamente internamente: "Seja mais do que você é!" E, quando os jovens cristãos do coral fizeram uma pausa silenciosa, soube que era sua hora...

Amazing grace,

(Maravilhosa Graça,)

Oh how sweet the sound. That saved a wretch like me

(Oh quão doce é o som. Que salvou um miserável como eu)

I once was lost, but now I'm found

(Eu estava perdido, mas agora eu me encontrei)

Was blind, but now I see

(Eu estava cego, mas agora eu vejo.)

When we've been there ten thousand years. Bright shining as the sun

(Quando estivermos lá há 10 mil anos, Brilhantes como a luz do sol,)

We've no less days to sing God's praise. Then when, when we first begun

(Não teremos menos dias para cantar louvores a Deus. Do que quando, quando começamos no princípio.)

Through many dangers, toils and snares, I have already come

Por muitos perigos, labutas e armadilhas, Eu já passei)

Jesus' grace that brought me safe thus far, and grace will lead me home.

(A graça de Jesus me trouxe seguro, tão distante, E a graça me levará para casa.)

Amazing grace, oh how sweet the sound

(Maravilhosa Graça, Oh quão doce é o som)

To save a wretch like me

(Que salvou um miserável como eu.)*

Quando as derradeiras notas musicais cantadas pela voz de Rachel Hudson beijaram os ouvidos do público, foi como deitar sobre a multidão um lenço perfumado: Cada um dos que antes zombaram ergueu-se para aplaudir-la; o ensurdecedor som de palmas eufóricas foi aos poucos substituído por grande furor. Ecoaram pelo Templo gritos de "Aleluia!" e "Louvado seja nosso Senhor!"... O Homem corpolento fez um sinal para que os jovens do coral entoassem um outro louvor, prosseguindo naquela devoção.

Longe do furor que tomara os fiéis como fogo sobre folhas secas; tão distante da hipocrisia inconsciente de todos... estava Quinn Fabray, dominada por um abalo que era físico, mas completamente dona de suas faculdades mentais, pensava na voz de Rachel Hudson...

Tantas foram as vezes que andara pelas ruas de Nova York, tão escuras quanto os becos de uma Londres lúgubre, sempre procurando por AQUELA voz. Por vezes deixara à reveria outras vozes boas, mas que não assemelhavam-se ÀQUELA. A que imaginara por tantas vezes (após cada busca frustrada) poder ouvir.

No entanto, hospedada numa cidade de pouco progresso, onde o encanto do diferente era visto com disprezo; subvertendo todas as possibilidades, era ali onde SUA voz estava. A voz capaz de recitar Os Lusíadas e levar lágrimas aos olhos de Vaz de Camões.* Ou até alegrar o coração angustiado de Hamlet... Essa era a proporção do encanto que tinha aquela voz.

Depois de incontáveis anos sendo fiel a sua incredulidade, Quinn Fabray inclinava-se ao delírio de crer no que sempre considerara insanidade: o transcendental. Porque não podia crer que algo tão significativo pudesse ser obra do determinismo. Fosse o que fosse, aquele era seu milagre. A dona da voz mais preciosa a que pôde ouvir era seu milagre, sua graça.*

Tal qual Saulo de Tarso derrubado pelo resplendor, Quinn Fabray caiu sobre os joelhos, prostrada ao chão, com as mãos cobrindo as lágrimas... Arrependida por ter desprezado, ter desacreditado tanto da dona da mais linda entre todas as vozes, derramava-se em pranto.

(No fim, Santana Lopez tinha razão ao dizer que a mulher de Finn não necessitava mais do que queria, pois tinha tudo.)

Rachel Hudson era seu pecado abissal. E era o seu grande milagre. Uma ambiguidade complementar...

Tão suave quanto as folhas que caem sobre o orvalho, Quinn Fabray sentiu-se tocada nos ombros. Temeu que fosse um anjo de justiça. Ou um anjo caído, a estrela do amanhã.*

Por detrás da cortina de lágrimas que enuviaram sua vista, deparou-se com a face de seu milagre; a face que olhava para si com as feições contorcidas por preocupação.

— Srta. Fabray! Está tudo bem?

Foi somente então, olhando em volta, que Quinn Fabray percebeu que a peculiar cena entre as duas era acompanhada pelas pessoas que deixavam o Templo. Desnorteada, questionou-se por quanto tempo tinha estado ali. Questionava-se, porque aquelas pessoas não tinham sido tão profundamente arrebatadas pela voz da mulher quanto fora. No fundo, pensou consigo, eram tão vazios quanto o lugar ficaria quando todos não mais estivessem ali.

Ao atentar erguer a mulher do piso, Rachel Hudson viu-se empedida veementemente pela própria, sob um olhar de devoção.

— Não tome lugar que não lhe convém. É-lhe pertencente estar neste lugar que agora fez-se seu: acima de mim. A Senhora, Sra. Hudson, deveria ter noção disso. Pergunto-me por qual razão não tem-o.

As faces de Rachel Hudson tornaram-se rubras com tão intenso elogio.

— Um grão de areia é o que sou. Por acaso não viu todas essas mulheres? Todas elas estão acima de mim. E você, estando acima delas, como estaria eu acima da Senhorita, Srta. Fabray?

Quinn Fabray riu-se do descabido comentário.

— Julga muito mal, Sra. Hudson.

Por fim (e para alívio de Rachel Hudson), Quinn Fabray pôs-se de pé. Sem que tivessem noção, as duas ficaram muito próximas. A inesperada proximidade fez com que o corpo da mulher casada respondesse freneticamente.

Mas Quinn Fabray não pareceu notar qualquer diferença. Com os olhos fixos em algum ponto sobre os ombros da mulher casada, ela andou alguns passos naquela direção.

Quando virou-se para ver o que de tão chamativo a mulher via, Rachel Hudson percebeu que os olhos dela estavam fixos no lindíssimo e bem produzido mosaico que ficava por detrás do altar, em uma espécie de clarabóia onde fora retratada parte da Sexta-Feira das Dores*.

Na imagem Quinn Fabray via as últimas e melancólicas horas de vida humana do Filho de Deus. Era uma cena fatídica o suficiente para nunca ser lembrada. No entanto, ali, diante de seus olhos, a imagem estava retratada como a mais bela forma de arte, e exposta no topo do Templo, como um prêmio, a exemplo de guerreiros de guerra, que tomavam uma prova de vitória sobre o derrotado. Tais pessoas não eram respeitosas sequer a divindade a qual prestavam culto. Faziam escárnio de seu Deus em seu momento de dor, em sua derrota.

— Crê nisto?

A esposa de Finn imaginou que Lucy Quinn estivesse a fazer uma anedota, pois para tal pergunta a resposta parecia retórica. Nunca sua fé em seu Senhor fora tão intensa quanto naquele momento em que estava diante da pessoa por quem fizera orações imploradas, e aparentemente fora respondida. Porém o rosto da mulher mostrava o contrário, não havia qualquer sinal de riso; era realmente uma questão a ser respondida, o que causou-lhe estranheza. Mas apesar de não compreender quais as razões para tal dúvida, respondeu por fim com honestidade.

— Sim. Creio! Agora, creio mais que antes.

Diante disto, Quinn Fabray virou-se para a mulher por quem se encantara muito além da voz; por quem já no primeiro toque sentira curiosidade e desejo. A mulher que além da voz que acreditara ser impossível encontrar, tinha poder para subverter tudo aquilo em que crera. Tentou encontrar na mulher um motivo para não fazer o que faria, para não caminhar diretamente para o abismo, e não havia nenhum. A mulher era um convite... Com um sorriso conformado, pediu:

— Podemos ter um momento de conversa, Sra. Hudson? Há algo que necessito dizer-te.

Lado a lado, as duas sentaram em um dos acentos; seus rostos voltados para o mosaico. De forma singela, Rachel Hudson olhou para Quinn Fabray. Tão próxima a si, parecia uma pintura de Botticelli que ganhara vida para sentar-se a seu lado. Tinha medo de desviar os olhos daquele rosto e acordar ao lado do marido tendo que sorrir como esposa que era... Então Quinn Fabray pegou-lhe uma das mãos que repousava no colo provando-se real. O toque da mulher era macio e a pele branca feito neve era um lindo contraste com a sua própria pele.

— Tal qual a história retratada no mosaico, há outras. Outras que assemelham-se muito a essa. Mas esta possui particularidades que são boas o suficiente para exemplicar o que penso em relação a você. — Disse Quinn Fabray. E apontando a imagem que formava-se no mosaico, seguiu: — As escrituras relatam que Deus, vendo seu povo destruir a si próprio e caminhar para o abismo, por amor, para salvá-lo, tornou humano Seu Filho. O povo sabia desssas verdades pelas profecias, e ainda assim esse povo desprezou, humilhou, e matou seu próprio Deus*.

E, finalmente olhando para os olhos de Rachel Hudson...

— Os cidadãos deste lugar nunca receberam profecias, mas isso não os exime do erro que estão cometendo. Eu vi como tratam você. Os aplausos, o furor, nada foi para você. Foi para sua voz, não para você. Aplaudem o quadro quando quem dá contornos a obra é o artista. Você tem um talento muito acima do que este lugar pode compreender. É talentossíma e ninguém importar-se com isso. As pessoas deste lugar fazem do seu talento como fazem com prostitutas: desfrutam quando querem e desprezam feito uma qualquer. Mas, a senhora, Sra. Hudson, pode ser tudo, exceto uma pessoa qualquer. E eu gostaria que a SENHORA pudesse compreender isso: que seu talento merece ser visto por quem pode compreendê-lo e admirá-lo como deve ser.

As lágrimas de Rachel Hudson desceram pelas faces uma pós outra. Nunca antes alguém dissera-lhe palavras similares àquelas. Nem mesmo de Finn, quando, no primeiro ano de casamento, o marido era rômantico, ouvira quando costumava destilar elogios tão falsos quanto seu amor.

Das faces da mulher Quinn Fabray enxugou as lágrimas com a ponta dos dedos, os seus lábios esticaram num sorriso calmo:

— Bom, de forma clara, quero agora propor-lhe que venha para Nova York comigo. Para um lugar onde poderá explorar os seus talentos sem ser por ninguém criticada, pelo menos não de forma pejorativa, onde será incorajada, terá independência, será admirada...

Rachel olhou para Quinn com um sorriso que iluminou tudo ao redor. Não pôde deixar de imaginar-se em qualquer lugar longe dali, ao lado da loira de olhos indecifráveis, vivendo seu talento. Não havia uma outra resposta que não fosse "SIM" a ser dada. E a resposta seria dada.

Não fosse...

— QUERIDA? Oh Querida!

Finn Hudson, com o chapéu em mãos e um sorriso nos lábios, caminhava através do corredor do Templo na direção das mulheres. O homem ficou aliviado ao avistar a esposa, mas logo o alívio tranformou-se em confusão ao ver que a esposa estava acompanhada pela amiga de Santana Lopez. A esposa de Finn não conseguiu esconder a surpresa com a presença do marido.

— Finn? O que faz aqui?

— Foi o mulato. Sem saber a razão de sua demora, e por não ter permissão para entrar aqui, correu até nossa casa para relatar-me sobre sua demora. Senti-me na obrigação de verificar o que se passava. Não me perdoaria se algo de mal lhe acontecesse. — Disse de forma cálida para a esposa, que desviou o olhar (a bofetada desferida não havia sido esquecida). Na tentativa de dissipar o clima, cumprimentou com um gesto de cabeça muito simples a amiga de Santana Lopez.

— Olá, Hudson. — Cumprimentou Quinn Fabray de volta, olhando profundamente para o homem; a lembrança das palavras de Santana sobre as razões pelas quais Rachel Hudson queria partir para longe dali fez com que ela quizesse pôr os braços em volta da mulher ao seu lado e não permitir que ela fosse com o homem.

Finn Hudson percebeu que o olhar de Quinn Fabray não era amigável, e perguntou-se se a esposa teria compartilhado alguma coisa sobre a agressão com a desconhecida. De repente uma fúria rubra surgiu dentro do homem. E pensou consigo que era melhor a mulher não ter contado absolutamente nada, ou...

Virou-se para a esposa com a expressão fechada:

— É melhor irmos para casa. Adeus, Srta. Fabray.

E assim, Finn se foi.

Lucy Quinn acompanhou a homem sair do Templo sem olhar para atrás. Quando já não existia resquícios dele, aproximou-se de Rachel Hudson. Desejou poder abracá-la, confortá-la... E deixar para trás aquele momento parecia um quebra nozes pressionando-lhe o coração. Vê-la novamente seria preciso, havia uma resposta a ser dada.

— É uma pena que precise ir.

Assim como Lucy Quinn, Rachel Hudson não podia mais ficar sem ter a prensença da mulher. Mesmo sabendo que corria riscos, não dava importância. Que valor teria sua vida se não pudesse vivê-la?

— Vá até minha casa visitar-me. Vá nos próximos dias. Meu criado de confiança pode mostrar o caminho.

Lucy Quinn alegrou-se tão intensamente que o sorriso em seu rosto poderia facilmente ter-lhe rasgado os lábios! E, esquecendo qualquer comedimento, pegou o rosto da mulher entre as mãos para dizer olhando-a nos olhos:

— Tão anciosa quanto a terra seca anceia pela chuva, eu estarei por reencontrá-la!

A esposa de Finn Hudson tirou as mãos de Lucy Quinn de suas faces para depositar os lábios sobre elas. Então pôs o véu e partiu ao encontro do marido...

Notas finais
N.D.A *1 Igrejas Anglicanas: são igrejas tradicionais da Inglaterra *2 Amazing grace: música composta por John Newton em 1773 *3 Vaz de Camões: escritor português autor de Os Lusíadas *4 Graça: favor recebido sem merecimento *5 Estrela do amanhã: pode ser usado para nomear Satanás ou como um adjetivo para descrever Jesus *6 Sexta-feira das dores: referente ao dia da crucificação de Cristo