Adeus, A Deus.
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura!
A dor da partida é agridoce. Ela trás consigo milhares de dores escondidas e enclausuradas dentro de si. Partir é o último estágio de uma jornada dolorosa, de um caminho cheio de espinhos. Partir é deixar ir. Partir é deixar-se ir. E nada disso é fácil. Na vida, não imaginamos que um dia, traremos fim a coisas que, quando começaram, achávamos que seria eterno, maravilhoso. Dar fim nas coisas dói e machuca mais do que qualquer outro processo. É como tentar tapar com as mãos, um buraco dentro do próprio peito, que pulsa o sangue para fora sem parar. Partidas, todas elas, vem carregada de dor, independente do motivo.
Há diversas razões e contextos diferentes para a partida. Uma pessoa que almeja começar o novo e sai de sua casa, de sua cidade, de seu estado e até país. Tem a partida triste e sofrida de relacionamentos, sejam eles românticos ou não. Tem a partida da jornada da vida, uma das mais dolorosas e inexplicáveis partidas que existem. E no meio de tantas partidas, também tem as partidas mais inesperadas e difíceis de se explicar. A nossa partida de nós mesmos. De nossos sentimentos, de nossas histórias, de nossos ciclos. Quando nos forçamos a dizer adeus e entregar a Deus aquilo do qual estamos nos retirando. Sejam sentimentos, pessoas e lugares. Nem todas as partidas tem o mesmo motivo ou a mesma dor. Algumas são mais definitivas, outras são temporárias. Algumas nós sequer imaginamos que é uma partida. E todas elas carregam um peso maior do que palavras podem expressar.
Acho que conceituar o ir, ou ir-se, de alguém, de nós mesmos, é apenas uma tentativa racional de agir. Acreditar no que está acontecendo por persistência, apenas porque precisamos lidar com isso, dói; a dor é inegável. Porque geralmente, ela acompanha cicatrizes, marcas e manchas. Como lidar com isso quando somos programados para imaginar apenas o “para sempre”? A resposta é simples, não lidamos bem. Não lidar bem não é apenas quebrar tudo ou jogar fora, não é apenas gritar e chorar, não é apenas xingar e ter raiva de tudo. Ficar calado, com os próprios pensamentos e sentimentos, deixando que aquilo machuque, confunda e afogue seu coração também é "não lidar bem".
Mas, como tudo na vida, a dor da partida um dia para de doer. A ferida um dia se fecha, a mancha um dia fica mais clara, um dia nós olhamos para as dores com uma perspectiva diferente e um dia, um sentimento de gratidão aparece em nosso coração. Gratidão por ter acontecido aquele momento, por termos conhecido aquela pessoa, gratidão pelos sorrisos trocados, pelas brincadeiras e pelos momentos. E quando esse dia chega, lidamos com a parte agridoce da partida… A saudade. No entanto, nem sempre é ruim. Ela dá um apertinho e até uma pequena dor, mas existe para nos mostrar que antes da partida, também houveram bons momentos, boas histórias e boas lembranças. E é nesse momento que aceitamos a partida, dizemos adeus e entregamos a Deus todos os sentimentos que temos sobre aquela pessoa ou aquela situação. E é nesse momento que florescemos. Por isso, mesmo que partir doa, lembre-se, um dia, quando você menos esperar, só restarão as coisas boas. Apenas boas lembranças. Apenas bons sentimentos.
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