Addicted To You
10 Capítulo 8 - The monster awoke on his Face.
Notas iniciais
Um monstro, um monstro, Eu estou virando um monstro Um monstro, um monstro, E está ficando cada vez mais forte – Imagine Dragons,Monster.'Indicação por Fabby Cullen'
Minha mente girava, juntamente com o ódio e a mágoa trazidas de volta ao mundo através de um buraco no subterrâneo que se abriu com a volta dela. Virei-me de frente, abrindo os olhos para a escuridão presente no beco aonde eu sabia que ainda me encontrava, mas a única pergunta que rondava a minha mente ainda absorta no torpor de minha sonolência forçada era o porquê dela não ter me matado quando tivera a chance em mãos, já que ela sonhara tanto com isso em sua prisão da qual eu fui o principal causador.
Mas esta era uma pergunta da qual eu em breve saberia ou não, porque de uma coisa eu tinha certeza, ela ainda viria atrás de mim. Levantei-me com um pouco de dificuldade, ainda com as pernas dormentes pelo claro anestésico que ela me injetou, quando uma vaga impressão se passou pela minha mente, e claro que eu não pude me conter em dar ouvidos a ela. Tateei meus bolsos em busca de algo que de mim fora levado, mas tudo estava em ordem: Carteira, chaves do carro e recibos de posto de gasolina. Se ela não me matou, era porque estava em busca de alguma coisa, e se estava em busca de alguma coisa, claro que ela iria me revistar e colocar tudo no lugar para não dar nenhuma pista do que estava a procura. Katherine sempre foi boa em acobertar pistas, mas não tanto quanto um bom observador que sou, se ela estava em busca de alguma coisa, eu descobriria.
Tateei meus bolsos mais uma vez em busca de ter certeza que tudo estava no lugar, e aparentemente estava, exceto por um detalhe. Algo que eu guardava dobrado no bolso detrás de minha calça social e sempre levava comigo. A foto de Elena havia sumido. Apertei minhas pálpebras fortemente e me recostei na parede ao meu lado:
– Merda – resmunguei, pensando em mil formas de como reverter à situação, se a conhecia tão bem, agora, todo o cuidado seria pouco quanto a minha vingança, que em questão, tinha uma peça essencial, e esta, era Elena, mas que agora, além de ser a minha pedra preciosa, ela teria que ser o meu tesouro mais bem guardado...
.......................................................................................................
... Narração: 3ª Pessoa ...
A mulher observava o movimento dos carros alheios com uma taça brincando entre os dedos. Ela mordeu os lábios tingidos de vermelho e pegou a foto amassada ao lado de sua bolsa nas mãos, analisando o conteúdo do papel. Grunhiu irritada, tornando a largar a foto ao seu lado.
– Como ele pode me trocar por essa... Coisa – a mulher asiática ao lado, dirigiu o olhar a amiga, a observando com cautela e atrevendo-se a questioná-la, o que sabia que seria mais uma advertência.
– Senhora? Está bem? – ela indagou a Katherine, que apenas dirigiu o olhar em puro desdém e desprezo pela inconveniência de sua velha amiga.
– Eu pareço bem, Pearl? – Katherine perguntou, o veneno de sempre escorrendo pelo canto de seus lábios, Pearl reteve-se, culpada pela pergunta que sabia que seria renegada por sua chefe, que mais considerava sendo como sua amiga – Certo, não responda – a loura voltou-se para sua vista, os vidros fumês do carro que a transportava rumo à casa que iria se esconder até tudo se ajeitar em seu devido lugar, como gostava, ao seu modo. Por fim, enquanto tamborilava a ponta de seus dedos impaciente na porta do carro, pegou a foto e jogou de mau jeito sobre o colo da asiática, que se assustou e segurou a foto entre as mãos logo após o ato, Katherine a olhou, indicando a foto com a cabeça – Veja o que consegue descobrir sobre a garota da foto, e não quero desculpas do tipo não há informações, consiga! Quero resultados – Pearl assentiu sem pestanejar, temerosa de que se sua resposta fosse receosa por conta de todo o trabalho que já tinha nas costas, perdesse seu emprego, e pior, lhe custasse sua própria vida.
Katherine sorriu com a resposta imediata de sua subordinada e retornou a o seu antigo ato. Os olhos vidrados na movimentação fora do carro, completamente concentrada nas luzes dos prédios, e no seu próprio plano mirabolante. A cabeça arquitetando sua mais pura essência de malícia e maldade, afinal, seja quem fosse à garota da foto, na cabeça de Katherine, ela nunca seria substituída. Nunca. E ela iria garantir a qualquer custo, que seu posto não fosse ocupado...
..............................................................................................................
... Elena Gilbert ...
Eu ainda segurava o maldito jornal em mãos, meu rosto banhado de lágrimas que carregavam uma dor tão grande que quase me tirava o ar, e eu ainda não podia acreditar que as palavras naquele jornal, fossem realidade. Por fim, enojada, larguei o papel amassado antes pelos meus dedos no chão, levantando-me, andando alguns passos para trás, as mãos uma em meu estômago que se embrulhava cada vez mais com cada informação obtida mesmo que acidentalmente, e outra na boca, contendo que soluços claros de horror ecoassem por minha garganta. Viro-me em direção ao ranger da porta da sala se abrindo, sabendo quem era o indivíduo que passaria pela porta, e mesmo tendo em mente que eu deveria correr eu não o fiz, não me importando que as consequências fossem absurdamente perigosas se continuasse ali, eu apenas queria saber se toda a sujeira contida no maldito jornal era realidade.
Entretanto, minha ideia destemida ganhou um quê de cautela ao presenciar o que via na minha frente. Damon adentrou o recinto, o olhar contendo uma fúria borbulhante que brincava faceira em seus olhos, eu engoli em seco, respirando como se o ar queimasse meus pulmões. Ele virou-se em minha direção, olhando-me de cima a baixo, e nos seus olhos pude ver a surpresa e a raiva se misturarem numa química perigosa. Seus passos vagarosos me fizeram andar para trás proporcionalmente ao passo que ele se aproximava. Vagarosos, tais qual um felino faminto e sua presa indefesa, o que no caso, eu ocupava fielmente o papel da presa.
– Como você se soltou? – ele me indagou com sua voz baixa, rouca e podia até me arriscar em palpitar que de certo modo se encontrava controlada. Porém, não me deixei levar pelo meu medo momentâneo e determinada a tirar a limpo o que estava me deixando a beira de um colapso de dúvidas, me pus a um passo a frente enquanto o observava jogar de mal jeito a chave da casa em cima da mesinha de centro da grande e monumental sala. Ele retornou a olhar para mim, centrado e duro, presumi que esperando por minha justificação, entretanto, ela seria substituída pela pergunta que queria ter feito no instante em que toquei meus dedos do áspero papel do jornal.
– Isso é verdade? – sua expressão adquiriu um toque confuso e o seu corpo se locomoveu para mais perto de mim, enquanto minha pergunta era processada de um modo desentendido. Ele olhou nos meus olhos, logo os desviando para o chão, enquanto se colocava tão perto de mim que quase podia sentir correndo venenosa pelo seu corpo sua fúria em me ver livre das amarras em que ele me prendera.
– Responda a minha pergunta – ele exigiu com suas duras palavras, porém, minha forma perdida em sua frente me cegava e me fazia não ser cautelosa quanto às consequências que eu poderia acarretar se fosse adiante com minha busca por respostas, e mesmo tendo em mente que no final de tudo, eu poderia ter sérios problemas, eu prossegui.
– Responda a minha primeira – Damon revirou os olhos e grunhiu, virando-se de costas e passando as mãos por seus cabelos tão negros quanto à noite.
– Eu não faço a mínima ideia a que você está se referindo Elena – ele ditou de má vontade, e foi de seu deboche por minhas dúvidas que meu peito foi tomado por um ódio avassalador que me fez agachar no chão e juntar o jornal amassado em mãos empurrando contra seu peito com força assim que ele se virara novamente em minha direção.
– Estou falando disso Damon – quase que de imediato, a coloração de seus olhos escureceu, dando lugar a um azul escuro de um puro sentimento que não pude identificar, mas que de um certo me intimidou a andar dois passos para trás enquanto seus olhos rolavam pelas palavras e seus dedos amassavam as pontas do papel antigo. Sua próxima reação foi esperada por mim, entretanto, o que não queria dizer que amenizou meu susto quando ele jogou para o lado o jornal com força fúria desnecessárias e tomou meus braços assim que seus passos duros quebraram a distância entre nossos corpos. Ele sacudiu meu corpo, me fazendo fechar os olhos e as mãos em torno de seus braços enquanto ele colava nossos corpos e aproximava nossas respirações.
– Abra os olhos! – ele exigiu, apertando meus braços com força, de imediato atendi ao seu pedido, mantendo minha pose firme e sem expressão, eu estava determinada a levar minha pergunta até o fim, porém, não sabia se estava pronta para depois de obter minha resposta – e se adquirisse, claro – arcar com minhas consequências – Você não tinha o direito de ter lido aquilo – ele me soltou com força proporcional a raiva que presumia que corria por seu corpo, me fazendo desequilibrar sobre minhas próprias pernas e ceder ao chão. Ele puxou os fios de seus próprios cabelos entre os dedos novamente e se sentou na poltrona a poucos metros de mim, a mão direita sobre seu queixo, pensativo, como se o seu cérebro processasse que houve uma falha assombrosa em seu plano mirabolante. Eu soltei um riso nasalado em deboche, o que logo atraiu sua atenção para mim novamente, foi nessa deixa que me pus de pé buscando apoio na mesinha de centro.
– Adquiri direitos assim que o nome do meu pai foi posto no meio dessa mentira suja – Damon grunhiu e gargalhou perigosamente, prolongando seu sarcasmo, entretanto, sua posição logo mudou ao bater com os punhos fechados sobre a mesa ao seu alcance, levantando-se e pondo-se na minha frente enquanto erguia as mangas de sua blusa social.
– Acha que tudo o que está escrito naquele papel é mentira? Acha que seu pai é digno de misericórdia? Acha que ele é inocente? – ele gritou aos meus ouvidos, enquanto se aproximava cada vez mais em passos seguidos de palavras e o ódio que escorria por suas orbes azuis perigosas. Mas suas palavras não me intimidavam, eu estava ciente de que meu pai nunca faria isso, ele não seria capaz, ou seria? A esse ponto só o que pairava pela minha cabeça era a dúvida, e por isso eu me mantinha firme e forte, pronta por uma resposta – Você sem dúvidas é a pessoa mais ingênua que eu conheço Elena – sua última palavra eu levei pelo meu cérebro como uma ofensa, e enraivecida pelo seu deboche a minha situação, levantei meu braço direito, levando e impactando a palma de minha mão contra sua bochecha, ocasionando em todo o local um som estalado pelo tapa, e uma coloração avermelhada a sua pele branca.
– Meu pai nunca faria uma coisa dessas, ele era um policial honesto, coisa que você nunca será – ele virou seu rosto agora rubro e delineado, marcado pelos meus dedos, em seus olhos marejados, uma mágoa — que nunca vi surgir em uma pessoa — despontava. Recuei de imediato enquanto ele sorria doentiamente sem dentes.
– Minha mãe também era uma mulher honesta Elena, e o que o seu amado pai fez? Assistiu enquanto o merda do meu padrasto a estuprava e em seguida a mim e o pior de tudo ... – ele pausou, segurando em um de meus pulsos e o apertando com força – Ele gostou do que viu Elena, eu podia ver em seus olhos enquanto ele ajudava a espalhar a gasolina por cada canto daquela maldita casa – recusei a continuar fixa em seus olhos e enojada por tudo o que ele me falava, me virei de costas, me encolhendo minimamente e abraçando meus próprios braços assim que pude soltar meu pulso de sua prisão – Ele não teve pena do pequeno órfão que passou por várias casas de adoção, sendo ouvido por vários psicólogos que só diziam que ia passar e que eu ficaria bem, sendo recusado por vários casais porque eu era problemático, ele não teve pena Elena! — entretanto, o que não surtiu muito resultado assim que ele me virou de frente para si, continuando sua tortura verbal a mim, me fazendo imaginar o quanto ele deveria ter sofrido, porém o que eu não conseguia assimilar levando em conta a pessoa que tinha a minha frente.
– Acha que isso é honestidade Elena? Me diga! Nada passou, e eu continuo sem minha mãe – ele exigiu aos berros, tento me soltar de suas mãos, mas elas se apertam mais em torno de meus pulsos, me impedindo de furar sua pressão – Nunca se perguntou sobre a morte repentina de sua mãe? Acha mesmo que ela estava doente de verdade? – imediatamente meus olhos retornaram aos seus enquanto um sorriso perverso brincava em seus lábios, as lágrimas que a seguir viram cortantes sobre meu rosto vieram carregadas de um ultraje sem igual, como ele tinha a capacidade de insinuar tal coisa? Estapeio seu peitoral em busca de liberdade, porém, suas mãos que me manipulavam como um boneco marionete me trouxeram de encontro ao meu alvo, nos grudando e me fazendo encarar seu olhar de mágoa banhado de lágrimas que para mim seriam verdadeiras se não fosse pela pessoa que as estava derramando.
– Não espalhe suas calunias sujas contra o meu pai pela minha mente Damon, o único psicopata aqui é você – grunhi minha resposta a sua injuria entre dentes, ele me jogou contra o sofá, sentando-se em cima de minha cintura logo que tive a consciência de tentar fugir do debate que se seguia entre nós.
– Por que acha que tudo o que eu digo é mentira? – ele me indagou, forçando seus lábios vermelhos em um bico decepcionado, cuspo em seu rosto, fazendo-o fechar os olhos e grunhir para logo em seguida ditar a minha resposta.
– Por que você é sujo! – ele riu, limpando com uma de suas mãos o que eu fizera.
– Isso não foi nada educado my precious – em seguida, sua mãos direita se apossou de meu maxilar, me fazendo olhar em seus olhos e me forçar a aguentar a câimbra e a dor do aperto e da pressão de seus dedos sobre o osso – Me ouça bem, porque eu mentiria sobre minha mãe? Ela foi à pessoa que eu mais amei no mundo inteiro e você deve saber bem como é perder um ente importante para você, então porque eu mentiria? Eu era só um garoto Elena – ele perguntou, olhando tão concentrado nos meus olhos que senti a verdade transpassada por suas palavras, e mais uma vez eu estava ali, perdida e sem chão. Em quem eu deveria acreditar? No homem que me criou a vida inteira? Ou naquele que me sequestrara para fazer parte de um plano que eu nem sabia se tinha fundamento. Entretanto, mesmo sob a carapaça de maldades que Damon tinha, sua voz me transmitia verdade, e foi por essa verdade que percebi, que me mantive calada.
– Ótimo! Foi o que eu pensei – porém, esta tolerância a sua verdade logo sumiu quando repentinamente o tom vitorioso tomou conta de sua voz mais uma vez, me fazendo retomar minha posição defensiva.
– Eu ainda não acredito em você e em nada de que você fale, e não me importa seu passado, sei que perder sua mãe deve ser traumatizante, e ainda mais passar por toda a situação que você foi forçado a presenciar e a participar, mas colocar a culpa em pessoas inocentes por um crime que já faz mais de anos é algo injusto com as pessoas envolvidas na sua paranoia – seu sorriso de vitória sumiu aos poucos dentre uma carranca perigosa e fechada enquanto minhas palavras fluíam, e lá estava novamente o Damon perigoso que tanto me amedrontava, o monstro que surgia sobre sua face imperial. Ele levantou-se e andou de costas para o seu intento, desaparecendo dentre a sombra que a pilastra da sala proporcionava, bloqueando que luz do lustre se espalhasse até um pouco mais adiante na sala de jantar. E só o que restou na penumbra em que ele se encontrava foi o seu sorriso ardiloso e o seu olhar penetrante de ódio.
– Você é uma vadia cega mesmo Elena! – Damon se virou para a pilastra, grunhindo e meneando a cabeça para o lado enquanto socava o mármore com as mãos fechadas em punho, o que ocasionou sobre o ambiente um som tenebroso que se estendeu aos meus tímpanos, me fazendo sobressaltar sobre o sofá – Paranoia- ele soltou uma risada nasalada — Seu pai ... – ele pausou, controlando o teor de suas palavras, mas mesmo assim, eu via nos traços de suas veias pulsantes da testa, o como ele queria falar tudo o que pensava, e naquele momento, vendo o quão o tinha provocado, percebi o quão tinha ido longe para defender uma verdade que eu nem sabia se tinha fundamentos reais – Aquele filho da puta – Damon gritou, torturando suas próprias mãos com violência absurda enquanto permanecia socando de todas as maneiras a pilastra da sala, como se aquilo aliviasse uma possível angustia, para em seguida vir até mim e me segurar pelo braço, me erguendo sobre minhas pernas adormecidas e me puxando contra si, me fazendo ofegar de olhos arregalados sobre sua reação – Eu o observei a minha vida inteira, todos os seus passos e conquistas adquiridas por coisas sujas e sei que ele não é nenhum inocente Elena — Damon pausou, enquanto a ponta de seus dedos passeava pelo meu rosto, delineando meus lábios e me fazendo engolir em seco uma de suas reações mais revoltas as minhas inúmeras provocações – E eu vou provar isso para você my precious – seu sorriso e olhar perdidos e aterrorizantes retornaram a sua expressão vazia, mas que logo foram substituídas por uma concentração encharcada de pretensão, enquanto arrastava pelos degraus da escada em direção ao corredor de portas. Aperto minha mão livre de sua pressão em seu braços que me segurava.
– Damon? Para aonde você está me levando? – indaguei desesperada por algo que ao menos me fizesse perceber qual seria meu preço por desafiar o perigo mais letal que meu caminho poderia ter cruzado.
– Para a sua solitária my precious – ele declarou, enquanto me puxava cada vez mais. Seu intento final chegou quando se pôs de frente para as portas duplas de sua suíte, me empurrando para dentro, para logo em seguida, antes que eu pudesse me levantar do chão para reagir, fechá-las. Meu desespero se elevou graus acima, e num ato que não surtiria muitos efeitos, levanto-me ainda cambaleante e bato com os punhos cerrados contra a porta.
– Damon! – grito, apenas escutando o som da tranca sendo acionada possivelmente pela chave – O que você vai fazer? – exijo um pouco mais de minha voz, entonando o meu medo enquanto batia desesperadamente contra a porta, ocasionando uma pequena dor sobre os ossos de minha mão, ouço apenas sua risada nasalada em resposta.
– Eu vou começar minha vingança Elena! – Damon declarou com a voz abafada pela porta, e no minuto instante a sua resposta, meus olhos se arregalaram, perdidos num banho de angustia sem igual, perdido no que ele poderia dizer, ele gargalhou – Vamos marcar nosso casamento amanhã Elena! Sem falta – ele bateu palmas, se distanciando da porta, o que presumia pelo som de seus passos cada vez mais longe, batendo despreocupado pelo piso lustroso da mansão. Eu deslizo contra a porta, sentando-me no chão, puxando meus joelhos até a altura de meu peito, apoiando meus cotovelos contra os joelhos flexionados, enterrando minha mãos contra os fios de meus cabelos e os segurando fortemente.
– Eu te odeio Damon, eu te odeio – sussurro antes de segurar um breve soluço enquanto minhas lágrimas insistiam em vir, deslizando sôfregas pelo meu rosto. Agora era definitivo e não teria volta. Percebi então que minhas consequências não seria sua fúria decaindo sobre mim, a dor física que ele poderia me causar ou a tortura mais sórdida que ele poderia fazer, e sim, algo que eu nunca imaginei provocar com minha busca por respostas. Algo que seria minha prisão sem esforços. Meu pior castigo seria pertencer a ele. Eu seria de Damon, e este fim, era inevitável ...
..............................................................................................................................
... Damon Salvatore ...
Sento – me no sofá, inclinando minha cabeça para trás, fechando meus olhos em busca de algum sossego momentâneo para aplacar toda a raiva que eu sentia transbordar pelas bordas de meu limite, que por hora, era representado como uma taça de vinho, porém, em minha representação ela estava sempre cheia, nunca parava vazia. Recobro um pouco de meu controle, voltando a me inclinar para frente com os cotovelos apoiados em meus joelhos, olhando para a pasta de arquivos em minha frente, aquela que continha todas as provas que podiam incriminar John Gilbert, aquele que tinha tudo para ter impedido a morte do ente mais querido de minha vida, mas que não moveu nenhum músculo para fazê-lo.
Inclino-me lembrando-me de uma das pautas de minha discussão que ocasionou minha última decisão nos tempos difíceis que percebi que estava enfrentando e procurei pelo arquivo do qual havia me referido, enquanto ainda refletia sobre a escolha que havia tomado. Começar com minha vingança seria a solução e a saída para meus dois problemas. Minha vingança sendo cumprida e a provável ameaça de Katherine a Elena, se bem a conhecia, em sua mente ela estava se sentindo trocada, e Katherine trocada era como um felino ameaçado pronto para atacar de garras abertas e afiadas.
Encontrei o arquivo, puxando o papel áspero com a ponta dos dedos e o colocando ao meu lado no sofá enquanto ajeitava a pasta no mesmo lugar. Fazer Elena saber do motivo pelo qual eu queria cumprir minha vingança contra seu pai não era uma de minhas alternativas, pelo menos não até fazê-la perceber tudo o que lhe era escondido por baixo dos panos, tomando como por exemplo a ida repentina de seu irmão para outro estado ou até mesmo a morte súbita de sua mãe, da qual eu analisava o arquivo mais uma vez dentre aqueles meses em que localizei o desgraçado em seu covil depois de muitos anos após ele me balear naquele beco.
Elena alegava que eu era o monstro da história, mas não fazia a mínima ideia do que seu querido pai escondia debaixo da cama enquanto dormia como se fosse um cidadão honesto, mas que muito em breve eu provaria ser o pior e mais sujo de todos eles. Puxo o laudo da morte da mãe de Elena entre os dedos, analisando mais uma vez horrorizado pelos atos do homem que eu tanto odiei por toda a minha vida.
‘’ Gilbert,Miranda – Laudo da Morte —
– Causa da morte: Intoxicação alimentar/Envenenamento por elementos químicos desconhecidos.
– Exame de Delito – Leves escoriações sobre os pulsos e pescoço, arroxeado superficial coberto de base de maquiagem sobre o rosto, vermelhidão por elementos desconhecido sobre as costas, costela deslocada por pressão excessiva de algum peso e feridas mal cicatrizadas feitas por cigarro na pele um pouco acima do joelho. Marcas claras de digitais — pertencentes ao marido ( John Gilbert) – em cada um dos hematomas que se seguiam pelo corpo do cadáver ‘’ – Laudo por Carmen DiLaurentis, Legista Chefe do departamento de policia estadual da Califórnia.
“ ... ‘’
Fecho o documento, enojado por cada ação que eu imaginava ter sido cometida a Miranda, assim como a minha mãe. Se Elena estava cega, eu a ajudaria a enxergar o monstro que a tinha criado. Eu prometi a mim mesmo acabar com a vida de John Gilbert, e é isso que eu vou fazer, custe o que custar, eu acabaria com ele...
.................................................................................................................
... Narração em 3ª Pessoa ...
... Dia Seguinte, Hotel Delírio ...
Faixas amarelas interditavam o local do crime, um dos muitos quartos no hotel chinfrim de beira de estrado cujo nome era mais clichê do que qualquer outro. Os policiais trabalhavam em capturar todos os ângulos através das lentes das câmeras, o corpo estirado na cama banhado por um lago de sangue que se estendia do colchão tingido de rubro ao chão se espalhando para até o canto das paredes mal cobertas pelo papel sujo e amassado de estampa lisa e chula.
O volvo prata estacionou a frente do local, em uma das vagas restritas e reservadas somente ao uso policial, entretanto, a chegada não fora muito bem vista pelos mesmos do qual trabalhavam arduamente em busca de alguma pista.
O delegado local bufou e virou-se de costas, levando a caneca cheia até os lábios e enquanto degustava do líquido, ela saiu do carro, pisando seus pés cobertos pelo seu típico sapato alto, fechando a porta do carro logo em seguida, para andar elegantemente e bater contra as costas de seu ex-chefe, que quase se engasgou ao notar que a presença da mesma não era um de seus pesadelos. Logo o legista se sobrepunha sobre a situação, pronto para falar que a área local não estava destinada a civis, entretanto, a mesma o cortou, elevando uma de suas mãos e mostrando seu distintivo.
– Evelyn Carter, agente especial do FBI, vim averiguar o caso, fique tranquilo – sem mais pretextos para expulsá-la, voltou-se ao seu trabalho, analisando o corpo enquanto a mesma voltava sua atenção para o delegado.
– Evelyn, por favor, estamos tentando trabalhar – a garota assentiu, virando-se de frente, cruzando os braços sobre o peito.
– Eu sei, eu também, assim que soubemos por intermédio de um de seus colegas de trabalho sobre esse assassinato me designaram para vir para cá averiguar o caso, e pelo que estou vendo, isso é assassinato cinco estrelas – o mais velho virou-se para ela perplexo enquanto a mesma dava de ombros, certa de que sua constatação era a melhor solução desdê já.
– Está insinuando que há um assassino serial soltou por aí? – ela riu em desdém, fingindo-se de ofendida.
– Vingança de ex-namorado inconformado com repentina separação é que não é – ela deu de ombros, passando por baixo da fita e chegando perto da cama, analisando o corpo com seus olhos clínicos.
– Isso é ultrajante Evelyn, acha que não saberíamos se tivesse indicações de um assassino em série por aí? – ela assentiu, abaixando-se ao lado do corpo e abrindo sua boca, absorvendo o gosto da vitória brincando entre os lábios.
– Ela se afogou no próprio sangue Harold, isso é trabalho de mestre meu velho, e dos bons, vai ser difícil pegar – ela se levantou, passou pelas fitas, mas não antes de dar suas ordens finais – Eu quero todos os arquivos desse caso, novos indícios e novas provas se vocês acharem, e também quero pronto em mãos até amanhã de tarde o exame de corpo de delito e todas as informações possíveis sobre a vítima,esse caso a partir de agora é do FBI – ela declarou, enquanto passava pelas restrições e dava um pequeno afago no braço do ex-chefe que grunhiu e jogou a caneca no chão. A morena abriu a porta do carro, mas não entrou, jogou um pequeno sorriso para o delegado que fechou o rosto numa carranca – Escreva o que eu digo Harold, eu vou pegar esse canalha, te prometo – ela ditou, antes de entrar no carro e dar a partida até o seu próximo destino ...
................................................................................................................................
... Elena Gilbert ...
Abro meus olhos, encontrando o teto branco de gesso sobre minha cabeça, me viro minimamente, tomando um susto e sobressaltando meu corpo ao encontrar as orbes centradas e admiradas de Damon me observando a cada movimento. Seus lábios se curvam em um pequeno sorriso enquanto a ponta de seus dedos se ocupou em fazer um leve carinho em minha bochecha, este do qual me esquivei e me recusei em receber.
– Oh my precious, você anda tão arisca, mesmo quando quero apenas dar-lhe um mimo – ele levantou-se, espreguiçando-se e retirando sua blusa enquanto retesava os músculos de suas costas, me fazendo revirar os olhos enquanto me apoiava pelos cotovelos vagarosamente, sentindo as fisgadas de uma noite mal dormida no chão percorrerem meus membros cheios de nós e pontos de tensão.
– Dispenso seus mimos Damon – ele gargalhou, balançando sua cabeça para os lados e virando-se de frente para mim enquanto abaixava sua calça moletom, que deslizou por suas pernas, me dando visão total de seu corpo nu, o que me fez de imediato ignorar a dor em meus músculos e me virar abruptamente na direção oposta de sua nudez.
– Felizmente, quando nos casarmos, você mudara seus hábitos – ele garantiu, enquanto rumava para o que eu presumia ser o banheiro apenas com o som de seus passos, completamente desprovido de roupas do qual me recusei também a olhar, logo me sentei no colchão do qual percebi só até aquele momento que havia sido posta, obviamente logo após ter adormecido no chão frio de mármore o que se seguiu logo ao ser presa a contragosto – O que está esperando? – sua voz me despertou de meu debate interno, me fazendo virar em sua direção para indaga-lo ignorando dificilmente sua nudez.
– Para que? – ele revirou os olhos, se virando de frente me fazendo encarar seu membro excitado, este do qual me fiz desviar o olhar.
– Para tomar banho com seu futuro marido meu anjo – eu ri em puro desdém de suas palavras, escorregando pela lateral da cama para em seguida me colocar de pé enfim, cruzando os braços em frente de meu corpo.
– Bem, para tomar banho apenas estou esperando sua presença desagradável sair do banheiro – Damon revirou os olhos, pegando a toalha em sua mão e a jogando por sobre o ombro; Estranhamente a seguir, sua única ação foi girar a maçaneta, para em seguida abrir a porta do quarto, mas não antes de se aproximar de mim e colar nossos corpos me pegando desprevenida e me fazendo sentir sua pele quente e totalmente nua, algo que não pude evitar devido à surpresa de seus atos e minha perplexidade ao ver que ele atenderia a um de meus pedidos mesmo depois de tudo o que eu disse para ele, empurrei minhas mãos contra seu tórax enquanto que as suas se apossavam de minha cintura, a apertando com força.
– E mesmo que eu queira te castigar, eu simplesmente não consigo Elena, entretanto, tenho que admitir que você tenha dado sorte, devido eu ter acordado de bom humor esta manhã – ignorei suas palavras e virei meu rosto quando seus lábios se aproximaram perigosamente dos meus, fazendo-o encostar os próprios sobre meu rosto.
– Jura? Pensei que estaria louco para me massacrar como você faz com suas vítimas logo após tudo o que eu disse – Damon afundou seu rosto contra meu pescoço, apertando o pano de sua blusa social que eu usava até o momento entre os dedos e me puxando mais contra si. Eu podia sentir sua raiva presente em cada célula do sangue que pulsava por suas veias, mas havia algo a mais que só ela. Ele riu, aspirando um perfume do qual eu desconhecia, sua respiração tão próxima de minha pele que foi inevitável eu ignorar o arrepio que se seguiu por minha espinha, fazendo todo o meu corpo tremer brevemente sobre suas mãos e fechar os olhos em deleite. Pois mesmo que fosse quem fosse que me tivesse em mãos, mesmo que eu tivesse um nojo repulsivo de Damon, eu não podia ignorar que a sensação deveras boa.
– Elena, o seu pior castigo não são boas palmadas, o que eu julgo que você queira devido ao fato de tanto você me atiçar com a sua petulância... – ele beijou minha pele para logo em seguida mordê-la minimamente, puxando-a entre os dentes. Ele soltou uma das suas mãos para puxar meu maxilar em sua direção, fazendo-me olhar em seus olhos antes que pudesse estapear seu peitoral em protesto as suas ações – Mas na verdade, só o que você consegue é me deixar mais louco por você, portanto... – ele roçou nossos lábios, não me dando muita escolha, pois recuar não era uma opção por conta de minha prisão, que eram seus dedos e sua pressão me impedindo de realizar meu intento – Seu pior castigo é me ter para sempre — e no estante seguinte, seus lábios se apossaram dos meus, os sugando tão avidamente, não dando-me tempo de eu friccionar os meus um no outro, impedindo sua entrada.
Sua língua voraz me entorpeceu e numa menção clara que a minha loucura evoluiu de tamanho, eu estranhamente... Retribui. Num frisson momentâneo que tomou meu corpo, o fazendo sorrir dentre o beijo enquanto uma de suas mãos se desprendia de minha cintura e se atarefava em pegar uma das minhas, deslizando-a contra seu corpo, me fazendo sentir cada traço de um caminho desconexo para então coloca-la sobre um seus ombros.
Damon me puxou mais fortemente, esfregando nossos corpos o que me arrancou um ofego por sua excitação livre em meu baixo ventre. Seus lábios passaram nos meus, roçando as carnes com luxúria enquanto sua língua voluptuosa se encarregava de escorregar macia por cada canto inexplorado de minha boca, dançando com a minha numa melodia insana e sem igual, me puxando para a beira da insanidade enquanto eu apertava seus ombros com a ponta dos dedos.
Suas mãos subiram se apossando de minha nuca e enterrando seus dedos em meus cabelos, aproximando mais nossos rostos enquanto nossas respirações se misturavam a cada passada e os nossos narizes se encontravam a cada girar de nossos rostos em busca de aproveitar e explorar cada segundo daquele absurdo ato.
O bater de nossos dentes, o roçar de nossos lábios, o calor de nossos corpos, tudo contribuía a mim minha respiração ofegante, quando depois de uma leve mordida que puxou meu lábio inferior, seguida de uma sugada indecente ele soltou meus lábios, tocando nossas testas e sorrindo vitorioso por minha fraqueza. Mas fazia tanto tempo sem contato físico. Eu grunhi, arranhando sua pela com minhas unhas o que o fez gemer desejoso.
– Não faça isso, eu não quero violá-la agora, muito embora eu saiba que por debaixo de toda a sua recusa, há uma Elena pronta para mim – ele declarou, me fazendo empurrá-lo para longe de mim, Damon cambaleou para trás, andando aos poucos e vagarosamente em direção a porta, ainda sorrindo vitorioso.
– Vai para o inferno Damon – ele deu de ombros, delineando os próprios lábios enquanto ainda nu, se colocava para fora do quarto aos poucos. A essas horas, a minha raiva superava minha certa vergonha em vê-lo nu.
– Você não pode reverter o processo Elena, agora seu gosto está em mime pelo resto do dia – Damon se virou de costas, andando pelo corredor com um sorriso jocoso estampado no rosto – Se eu for pro inferno assim, irei bem satisfeito – solto um pequeno grunhido, me jogando na cama e segurando meus cabelos fortemente entre os dedos em forma de punição, ocasionando uma ardência sem igual em meu couro cabeludo, me perguntando-me a mim mesma, quando eu havia me tornado tão fraca.
Tratei de ignorar tal indagação mental enquanto rumava para o banheiro, ligando o registro e me autodesligando do mundo alheio assim que tranquei a porta e fiz a blusa que me acompanhou na noite tensa que ontem fora, deslizar por meu corpo em direção ao chão. Entro no Box, sentindo toda a tensão do dia anterior se esvair com a água que escorria pelo ralo, levando toda a angustia e todo o teor contido naquela conversa pelo ralo, lavando meus membros doloridos e amenizando a dor dos nós em cada junta, entretanto, não levando o que eu mais queria que fosse embora, o mar de dúvidas que insistia que eu questionasse se tudo o que me fora dito por várias respostas que eu pedi, fosse verdade.
Decidi por tentar deixar de lado tal pauta e por apenas em mente que precisava terminar meu banho. Determinada a não me demorar, em poucos minutos após me sentir devidamente relaxada, completei minha higiene pessoal. Abri a porta do banheiro enquanto segurava a tolha firme contra o corpo com as pontas dos dedos da mão direita. Na cama, um vestido leve e de estampa floral, este que provavelmente deva ter sido colocado por Damon no centro da cama.
Reviro meus olhos pensando em o quão pior eu teria que vestir, porém, na falta de escolhas e desprovida de minhas coisas que ficaram alojadas em algum lugar da casa dentro de minhas malas, apenas rumei para a gaveta que sabia que retinha tudo do que precisava e passei o vestido por meu corpo. Ao contrário do que eu pensava a textura e a estampa até transmitiam um eu agradável, delineando o meu corpo e me fazendo parecer no mínimo uma garota normal que passearia com seu namorado muito provavelmente, entretanto, se bem me lembrava das palavras de Damon na noite anterior, hoje seria o dia de minha sentença. E dentro daqueles minutos, eu estava a passos de marcar a data de minha prisão definitiva.
Um pigarro atrás de mim me despertou da imagem que eu fitava no espelho, fazendo-me virar para trás ainda de pés descalços e encarar um Damon de cabelos molhadas e bem penteados, vestido em seu típico traje social. Ele analisou-me dos pés a cabeça como se aprovasse sua própria escolha, o que eu poderia afirmar que não era de tão mal, afinal, podia afirmar ao menos que ele tinha um bom gosto para roupas. Ao fim de sua expedição pelo meu corpo ele indicou o pé da cama com a cabeça, cruzando seus braços sobre o peito e retesando os músculos enquanto dobrava suas juntas.
– Não encontrou o par de sapatos ao pé da cama cinderela? – ele indagou ironicamente enquanto se aproximava, parando a poucos metros de mim com sua expressão de imprevisibilidade. Revirei os olhos e simplesmente me agachei, pagando o par de sapatos em mãos, calçando-os logo em seguida para mais do que apressadamente passar pela porta, ou melhor, tentar, o que não aconteceu devido a sua mão que me prendera no lugar e me puxara novamente para dentro do quarto.
– Poupe-me de seus trocadilhos Damon – seu tórax firme se fez presente as minhas costas, enquanto que a ponta dos dedos de sua mão esquerda tocou sinuosamente a pele de meu braço a acariciando sem pressa e delicadamente. Um arrepiou gelado soprou minha nuca fazendo todos os meus pelos se arrepiarem como uma ação química imediata.
– Você nem arrumou os cabelos, para que tanta pressa my precious? – ele tocou o emaranhado encharcado que se transformara meus cabelos, o segurando com a mão livre que não executava o seu método de sedução barata.
– Para que esperar se nós podemos acabar logo com essa merda toda – imediatamente ele me virou de frente, me segurando pelos ombros e analisando minha face com seu típico sorriso escárnio.
– Como disse antes, você anda muito arisca, entretanto o que posso fazer se sua ansiedade em se ver em meus braços é mais forte do que sua importância com sua própria aparência – rio na mesma proporção que o seu desdém, contornando o mesmo pegando a toalha de cima da cama, tornando a tirar o máximo de excesso possível de água.
– Bem, já que é assim acho que não se importara se eu demorar a eternidade para estar pronta para marcar nosso casamento querido – semicerrei meus olhos demonstrando o quanto eu repugnava aquela escolha, ele meneou a cabeça para o lado, negando enquanto se virava em direção à porta e sumia por ela.
– Se demorar, a única reação que irá me causar será o prazer que terei em te buscar... – ele pausou, como se desenhasse as palavras em seus lábios provocadores — ... pelo seus lindos cabelos – ao fim de suas palavras, minha única ação pensada foi me jogar na cama a minha frente, esquecer que sou quase um adulta formada e agir com birra como uma criança mimada, entretanto, isso seria ridículo demais até mesmo para os padrões de afronta de minha situação. Não me demorei muito mais do que o necessário, apenas para desembaraçar os cachos desconexos que se formaram, corri contra o tempo mais do que pude, e ao fim, rumei sem mais delongas até a sala, descendo as escadarias sem pressa alguma enquanto os dedos impacientes de Damon tamborilavam sobre sua própria perna, sentado em sua poltrona, que mais parecia o trono de seu reino obscuro e doentio. Um perfeito príncipe do terror.
– O que está esperando? – perguntei logo ao bater a porta da casa atrás de mim, logo sendo seguida por sua figura impetuosa, e ele não se demorou em ultrapassar-me os passos, abrindo a porta do carro para que eu entrasse. Quem olhasse isso como uma cena normal julgaria que tinha ouro nas mãos, entretanto, seu gesto de gentileza não me faria esquecer tudo o que ele era. Revirei os olhos e sem demoras me pus a contragosto para dentro do BMW amassado por um motivo que bem me lembrava, ele fez o caminho inverso, dando e volta no carro, se colocando sentado ao meu lado, tomando o lugar do motorista e dando a tão temida partida em direção a minha sentença.
A viagem demorou menos do que eu queria, e em pouco mais do que trinta minutos de uma reflexão sobre tudo o que eu queria realizar antes de me prender a uma paixão num casamento, mas eu não teria a mesma sorte do que muitas outras pessoas. Eu estava fadada a carregar sobre as costas a jaula que me prenderia a um maníaco, e só por um milagre seria digna de salvação.
Fui tirada de meus devaneios mais profundos quando o vento do outono chocou-se sobre meu rosto, quando meus olhos se focaram, vi a porta do BMW aberta e as orbes azuis eletrizantes de Damon me fitando com uma ansiedade venenosa. Me ponho para fora a contragosto, meus calcanhares como se presos por correntes pesadas cuja a chave fora jogada muito além de meu alcance.
Ele sorriu lateralmente enquanto seguia na frente, subindo a pequena escadaria e passando pela porta da igreja do qual muito me admirava por ter escolhido tão rápido e com tanta eficácia, já que a mesma era muito bela. Porém fui impedida de seguir seus passos quando duas mãos me puxaram por ambos os braços, fazendo-me desequilibrar e cair do primeiro degrau da escada que se seguia até a entrada da igreja, de imediato me ponho em minha posição defensiva, porém, ao virar de frente, a única coisa que sinto é a sensação de segurança e felicidade assim que os olhos ternos de meu pai se encontram com os meus.
– Papai, como... como me achou? – pergunto ainda presa no abraço que me entreguei, um sorriso claro e verdadeiro, um dos poucos que em muito tempo não dava, este repleto de saudade.
– Com muito esforço, tenho que te garantir – ele me soltou, seus olhos espertos e parecendo que compreendendo a gravidade de nosso contato nesta altura do campeonato,mas uma fisgada recuperou-me de minha saudade e me fez andar dois passos para trás, encostando meus calcanhares na escadaria da igreja. Um turbilhão de perguntas duvidosas bombardeavam minha mente, e o debate que tive anteriormente com Damon retornou, fazendo com que o benefício da dúvida retornasse a mim, meu sorriso sumiu e minhas mãos logo se recolheram do carinho leve que meu pai fazia nelas, chamando sua atenção por completo na direção de meus olhos – O que houve? – neguei com a cabeça, abraçando meus próprios braços enquanto meu olhar se tornava obscuro e o vento soprava carregado a minha volta – Não importa, ouça-me, não temos muito tem...- porém, antes que pudesse terminar sua frase, uma voz imperativa o cortou enquanto chamava meu nome, e esta, eu sabia a quem pertencia sem ao menos virar-me para averiguar a resposta.
– Elena! – Damon escorregou sua mão de meu ombro a minha, entrelaçando nossos dedos de um modo carinhoso, me dirigi ao seu rosto e um copioso sorriso forçado que eu poderia jurar ser verdadeiro surgiu dentre seus lábios – Devo imaginar pelo teor da conversa que esse é o Senhor Gilbert – o olhar alarmado de meu pai se arregalou, entretanto ele não deixou de estender a mão e forçar um sorriso na mesma proporção que o de Damon.
– Sim, sou eu, e você é? – ele confirmou as suas peitas de Damon, e curioso meneou a cabeça com um olhar perigoso mortificado. Damon sorriu jocoso como sempre, beijando-me a maçã do rosto enquanto apertava vigorosamente a mão de meu pai com uma tolerância admirável depois de tudo o que me disse ter sofrido, e por eu ainda mais por eu saber que ele tinha um auto controle incrível.
– Eu sou o futuro marido de sua filha, Senhor Gilbert – o sorriso de meu pai se desfez de imediato,como uma nevoa desfeita pelos raios solares perigosos de um sol fervente, assim que a voz entonada de prazer ecoou por nossa pequena bolha pessoal. Eu imaginava o prazer de Damon ao citar tais palavras e o meu sangue congelou em minhas veias assim que dirigi meu olhar para os dois homens que se mantinha ao meu redor como pilares, enquanto meu pai se mantinha sério e visivelmente surpreso de uma forma nada agradável, Damon se mantinha centrado, analisando o meu pai, que segundo ele era o causador de seu piores pesadelos.
Naquele momento senti que aquele encontro era como Dr.Frankstein e o seu monstro, o criador do monstro que despertava sobre sua face ao cair da noite ...
Fale com o autor