Era dia, eu estava em uma rua muito longa e larga, mais pareci ser uma avenida.

Eu não sabia ao certo onde estava, mas sentia que já havia estado naquele lugar.

Tinham algumas árvores dos dois lados da rua. O lado esquerdo dessa rua era repleto de loja de roupas de marca e algumas lanchonetes. E do lado direito, tinha uma praia, com areias brancas, famílias fazendo piqueniques e crianças brincando. O mar estava bem agitado. Reconheci o motivo de tal agitação quando olhei no horizonte. Havia uma tempestade se aproximando muito rapidamente.

Procurei um lugar para me proteger da chuva que se aproximava, mas nenhuma das lojas ou lanchonetes tinham uma marquise para eu ficar de baixo, nem estava aberta. – O que me pareceu bem estranho.- Então decidi ir caminhar “sem rumo” para ver se encontrava algum lugar para me abrigar.

Mas a coisa começou a ficar estranha. –Não que já não estivesse.- Porque naquela “avenida” não tinha nenhuma outra rua paralela, ou coisa do tipo. –Existia só aquela rua, apenas.- Então, como não tinha outra opção, comecei a andar e tentar arrumar um jeito de sair daquele lugar esquisito de uma vez por todas.

Comecei a andar feito um idiota. Mas mesmo assim continuei achando mesmo que chegaria em algum lugar. E foi ai que comecei a perceber: Eu já estava caminhando a bastante tempo e reparei que estava passando pelas mesmas lojas e pelo mesmo casal que estava deitado em uma canga forrada na areia da praia. –Será que aquele casal não percebeu que uma tempestade se aproximava?.

Me lembro de ter visto aquele mesmo casal umas três vezes, mas não tinha dado muita importância na hora. E foi ai que eu pensei: -Será que eu estou andando em círculos? – O que me deixou mais confuso ainda.

A tempestade alcançou a praia. O mar ficou descontrolado e as pessoas que ali estavam começaram a juntar suas coisas e saíram correndo. Junto com a tempestade, surgiu também uma rajada muito forte de vento, muito forte mesmo. Ficsei o olhar em um ponto mais a frente e naquele ponto vi que estava se formando um furacão.

O vento estava tão forte que me empurrava para trás. Vi que se eu não fizesse alguma coisa rápido seria sugada pelo tal furacão.

Tentei ir na direção de uma das árvores mais próximas para tentar me segurar. Porém, é bem mais complicado do que se imagina caminhas, correr ou tentar fazer qualquer outro tipo de movimento quando se esta no meio de um vendaval, com um furacão se formando perto de você, com o vento te empurrando e a chuva açoitando seu rosto como se fossem chicotadas.

Eu lutava contra a tempestade, quando ela repentinamente começou a reduzir. – O vendaval não estava mais tão forte, nem a chuva, e os furacões haviam simplesmente parado de se formar.

E na minha frente o dia começou a ficar mais claro, as árvores que a tempestade havia destruído começaram a florescer, o dia estava ficando lindo e o ar estava ficando até mais puro daquele lado.

Mas logo atrás de mim, não era bem isso que estava acontecendo. O céu estava escuro, em um tom avermelhado e repleto de nuvens negras de tempestade. Chovia, as árvores estavam mortas e o ar estava bem pesado, poluído. Não parecia ser possível existir vida ali.

Eu já estava ficando louco com toda aquela situação. Então, do lado claro, no final da avenida, surgiu uma mulher. Mas não era só uma mulher, ela parecia mais uma deusa. Ela era linda, tinha cabelos loiros com algumas mechas negras. Seu rosto era angelical e ela usava um longo vestido branco com detalhes em prata e dourado. Ela tinha um olhar bondoso. Admito que me senti em paz só de estar olhando para aquela mulher.

Então, um vento forte e quente bateu nas minhas costas. Me virei. Distante, caminhava em minha direção um homem de mais ou menos meia idade, cabelos pretos, pele pálida, bem vestido –Ele usava um terno preto e uma gravata dourada, que estava um pouco frouxa.- Seus olhos eram completamente vermelhos, parecia arder em chamas. Mas na presença dele, a sensação que eu tive foi outra. Senti um vazio, apenas um vazio, como se a vida tivesse me deixado. Aquele homem definitivamente não era bom.

Eles continuaram a caminhas. E quando chegaram a aproximadamente três metros um do outro, pararam. Simplesmente pararam. Eu deduzi que eles iriam começar a discutir ou algo do tipo. Mas não, eles ficaram ali, parados por um bom tempo. Acho que estavam conversando telepaticamente, ou sei lá.

Então, a aura deles começou a brilhar. A da mulher em prata e a do homem em um vermelho intenso. Senti de longe o poder que aqueles dois estavam irradiando.

Eles se afastaram.

A mulher olhou diretamente pra mim, que esta ali parado e extremamente chocado com toda aquela situação, e movimentou os lábios como se estivesse dizendo algo. Consegui lê-los. Ela disse “Eu te amo”.

E de repente uma luz enorme de poder foi jogada uma contra a outra. Uma vermelha e a outra prata saiu das mãos de cada um. O encontro dos dois poderes foi tão forte que senti uma forte onda de energia se aproximando de mim, e quando ela me tocou, eu acordei.

Tudo aquilo não havia passado de um sonho. Um sonho bem estranho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.