Ad Vindictam
1 Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem!
O sol fazia reflexo em meu relógio. Seria quase possível afirmar que aquele apetrecho em meu pulso, era um espelho, nele eu via um rosto arredondado, com as maçãs do rosto salientes, madeixas de um cabelo de cor indefinida, que cobria parte de um dos olhos que me observavam com temor.
Com a mão em forma de concha, pude ver que faltavam cinco minutos para o meio-dia. “O tempo estava acabando”.
Já estava na plataforma para embarcar no trem, ao longe, conseguia ver um pequeno borrão vermelho, “Seria a última vez que andaria nesse trem”, pensei.
Antes que pudesse me instalar em minha poltrona no primeiro vagão, precisaria passar por todos, para conferir se “Elas” estavam nos lugares corretos. Durante os seis primeiros vagões tudo correu bem, mas quando estava no sétimo, senti que alguém estava puxando minha mão.
-Oe, onee-san – Disse uma menininha com cabelos escarlates, que iam até o meio de suas costas- Você me ajuda a achar minha mãe? Eu me perdi dela.
Vi que a garota sorria, apesar de ter seus olhos úmidos, por lágrimas que ela lutava para segurar. Ela deveria ter por volta de sete ou oito anos, mas isso não importava. Precisava me livrar dela, mas não podia agir de modo suspeito, poderiam me reconhecer.
- Onde ela estava, quando você se perdeu? –Perguntei, já planejando diversas maneiras de sair daquele lugar.
A menina pareceu ficar indecisa, ou talvez preocupada. “Será que ela realmente se perdeu da mãe? Ou ela apenas quer andar de graça no trem?”. Muitas vezes crianças órfãs, fugiam de seus orfanatos, e usavam os trens para se esconderem, pedindo muitas vezes a adultos ajuda, para que os inspetores pensassem que eram seus responsáveis.
- Eu não me lembro, mas ela me disse pra encontrá-la no oitavo vagão. – Disse a menina, com um ar de vitória, talvez por tem uma informação útil, ela não parecia mentir, na verdade a pequena de cabelos escarlates transmitia algo mais como confiança, em poucos minutos eu já estava arrependida do que havia pensado dela.
- Qual é seu nome? –Perguntei, mas dessa vez também com um sorriso.
-Meu nome é Erza, Erza Scarlet.
“Então seu nome era Erza, ‘a menina que eu conhecera antes de completar minha última missão’, no mesmo momento pensei se não poderia ao menos salva-lá, “não haveria problemas, é apenas uma criança”.
- Venha comigo, Erza. Vamos achar sua mãe.
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A mãe de Erza provavelmente estaria no oitavo vagão como ela havia me dito. Após mais algumas perguntas, a garota me contou que, sua mãe, assim como ela, possuía cabelos ruivos. Eu tinha certeza que nos vagões anteriores não havia nenhuma pessoa assim, por isso seguimos para o oitavo vagão.
Eu já tinha um plano, já sabia o que deveria fazer só me faltava à oportunidade. Se achássemos a mãe de Erza antes de eu conseguir completá-lo... Bem era melhor não pensar nisso, “O futuro da menininha depende disso”, pensei. Irônico, não? Ficar tão preocupada com a garota, sendo que a única ameaça à vida dela sou eu mesma.
Na divisa entre o sétimo e o oitavo vagão, havia um pequeno banheiro, “Perfeito”, disse a mim mesma.
- Erza, você não quer ir ao banheiro? –Perguntei
-Hm, pode ser... Já volto -Disse ela, entrando no banheiro.
No mesmo momento em que a garota entrou, tranquei-a lá, coloquei alguns empecilhos, caso alguém tentasse “libertá-la”. Saí normalmente, esperando que ninguém houvesse visto o que acabara de fazer.
Após alguns pequenos ajustes na posição “Delas”, para que Erza ficasse segura, segui meu caminho, terminando rapidamente meu percurso por todos os vagões do trem. Sentei-me na primeira cadeira, do primeiro vagão, e entreguei minha passagem ao inspetor.
~~/~~
Faltava menos de uma hora para chegarmos à estação, “Estava na hora”. Eu estava vestindo uma calça preta comprida, e um sobretudo marrom, o qual possuía três bolsos, dois deles eram para colocar as mãos, e um deles ficava bem abaixo ao coração, e, nesse bolso, tão próximo ao meu coração, era onde eu guardava aquilo que me destruiria. “O controle para ativá-las”
Peguei o controle com cuidado, ele estava envolto em papéis de cor marrom, desembrulhei-o, um pequeno pedaço, de um material cinza claro, e bem ao centro um botão, vermelho. Enquanto segurava o controle, me perguntei se aquilo realmente valeria à pena.
“É para o ‘bem maior’”, apertei o botão.
As explosões começaram.
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