Adão e Eva, numa galáxia distante
5 Cap. 5. O rapto
Notas iniciais
O rapto
N
o quarto de repouso, do hospital de Atalanta, Carlão estava preocupado.
Todos os amigos da Gangue vieram visitá-lo, pois seu membro másculo ficou enorme depois dessa cirurgia e crescera três cm. E, como o fato havia cruzado essa cidade, os machos faziam questão de ver ao vivo o “pinto operado” cada vez que interrompiam a paz dessa clínica.
Mas, Carlão estava nesse mundo para outras coisas mais importantes, além de fazer amigos. Ele tinha que casar, urgentemente, para enfrentar uma longa viagem até o Mundo de “V” nos confins do Sistema BETA. Assim que percebeu que roubar Evita de Adão era impossível, ele ficou encrencado. Afinal, todas as mulheres de Atalanta eram “Deusas Vivas”, algo que em seu Mundo só aparecia em revistas interespaciais, ou em romances de ficção. Quem ia se apaixonar por ele, assim, do dia para a noite?
Enquanto devaneava, Nestor e Adão chegaram a visitá-lo por motivos mais sérios. Nestor queria saber tudo sobre os homens do “Mundo de V”, desde o que eles comiam até o que eles defecavam, se é que eles também faziam isso, e Adão queria saber se podia ir junto para ajudar o irmão.
Carlão olhou para ambos e caiu na gargalhada.
—Vocês não se enxergam, não, caras?
—Como assim, lindos, gostosos, e quentes?
—Não, cara! Vocês são em meu Mundo heróis! Gênios! Meus mestres os apontaram como Deuses vivos, reencarnações perfeitas, e “00” lá no alto não vai dar-lhes sossego. O mais provável é que Adão seja designado para Missão “Z de BETA”. Mas isto é minha opinião, confidencial, pois “00” gosta de escolher seus Comandantes em pessoa.
E Adão perguntou-lhe:
—Mas, como é que tu sabes disso?
—Eu sou um Espião, cara! Não deu para perceber ainda?
Nestor interrompeu-os:
—Que chocante! E o que é que um Espião faz?
—TUDO! Percorremos os Sistemas de ALPHA até ÔMEGA, de “A” até “Z”, olhamos ali e aqui, e depois “00” baralha as informações, e distribui os trabalhos entre os Mundos Superiores. Neste momento, temos duas encrencas universais, uma em “V BETA” onde vai acontecer um Holocausto Nuclear, e outro em “Z de BETA”, onde estão chegando os piores assassinos da 6º Dimensão a reencarnar. Sem deixar de falar que depois do Holocausto Atômico de “V de BETA”, todos os espíritos desse planeta vão encarnar em “Z”, para tentar explodi-lo numa segunda guerra nuclear, daqui a mais uns milênios.
Como Nestor e Adão haviam ficado “mudos”, Carlão continuou a falar:
—O pior de tudo é que eu tenho que sair desta cama, cruzar todo o Sistema BETA até a ponta, e não posso partir porque não tenho mulher... “00” quer que eu tente uma sabotagem nos laboratórios dos cientistas malucos de “V” de BETA...
E os irmãos, falaram atropeladamente:
—A Joana!
—Não, a Mariuska, cara!
—A Joana, cara. Adônis já está de olho na Mariuska, e ela está gamada nele!
—Poxa! Eu levei minha vida toda para conquistar a Ana e Adônis faz uma mulher se apaixonar por ele do dia para noite? Diz-me, como é que em teu mundo o homem conquista uma mulher?
—Não conquista. Nós as roubamos, cara... Acham mesmo que tenho chances com a Joana?
-Com a nossa ajuda, tu as tens! Não tenta entender que é segredo entre irmãos... Agora vamos te deixar... E o desafio? Estás em Atalanta, não podes violar nossos costumes...
-Isso ali eu resolvo. Segredo de Espião, cara...
Enquanto os irmãos saíam do hospital, Carlão elevou as ondas telepáticas para espionar a cabeça de Joana. DROGA! Estava completamente fechada para paquera de homens! Deu voltas na cama e começou a dormir. Quando abriu os olhos, viu que ela estava chegando, com um vestido semitransparente, cujas curvas perfeitas realçavam contra luz. Um decote deixava metade dos seios à vista. O cabelo loiro até a cintura esvoaçava enquanto caminhava até ele e ela estava totalmente “hipnotizada”, andando como robô com controle de longa distância. Ele podia fazer com ela o que quisesse, quem sabe um sexo selvagem de 10 horas e acordá-la para tomar o café da manhã. Melhor, trazer sua nave, fazer funcionar o raio branco, subir com ela, e acordá-la quando estivessem chegando a “E” para casar frente a seus pais, como Carlão havia lhes jurado fazer.
Mas preferiu acordá-la e beijá-la na boca docemente.
Quando Joana saiu do transe, lembrou estar sentada na beira da piscina. Quando Adão e Nestor chegaram a namorar suas irmãs, no jardim de casa, ela havia cometido a burrice de olhar para os dois sem-vergonhas. Droga! Havia caído na pior artimanha que os homens de Atalanta usavam para cantar mulher. Eles convertiam as namoradas em robô, e depois as seduziam, longe, no meio do mato, onde não havia como fugir do conquistador. Para o cúmulo não existia em Atalanta uma única mulher arrependida. Elas viravam “escravas sexuais” desses machos pelo resto da vida.
Como Joana não reagia, Carlão continuou a beijá-la e beijá-la num abraço apertado, um frente do outro, sentados na cama. Telepaticamente, falou-lhe que estava apaixonado por ela e queria raptá-la desse lugar, e se perder com ela numa viagem pelo resto de sua existência.
Joana, que havia beijado uns 20 homens na sua história de vida, começou a respirar ofegante, pois a boca dele tinha o poder de esquentar seu sangue. Parecia que ela havia esperado toda sua vida por esse homem puro. Era como nos seus sonhos! Ela havia-o beijado em sonhos desde sempre. Ou, em vidas anteriores talvez. E ela falou com telepatia, mas com firmeza:
-Eu só vou ser sua se jurar, neste instante, que nunca mais vai olhar sequer para outra mulher. Jure!
-Juro pela minha mãe, meu pai e pelo meu gatinho...
Começaram a rir. Olharam-se nos olhos, onde só havia desejos, e juntaram-se para continuar com os beijos e carícias. Carlão fechou a porta, hipnotizou todas as pessoas desse hospital, e se amaram com paixão até o amanhecer, quando o Sol começou a iluminar a janela.
Desta maneira, o desafio de Carlão e Joana aconteceu à alvorada.
Eles falaram para uma plateia pequeníssima que queriam se casar, e que se existia alguém nesse mundo que fosse contrário a essa ideia que falasse agora ou se calasse para sempre.
Como nenhum homem e nenhuma mulher falaram NADA, pois em Atalanta, e no planeta inteiro, os rapazes estavam todos acometidos de “mudez telepática temporária” e outros com um sono pesado, a TV fez o registro para a posteridade, e ambos desceram do palanque indo direto para o altar. Entraram no templo a falar com “00”, o espírito do amor, que os abençoou, e depois subiram numa nave para passeios. Voaram para o mato fechado a continuar com os beijos, abraços, estendidos nas areias macias de um lago. Ao anoitecer, foram até a casa de João, a uma festa de casamento “improvisada”.
Ao amanhecer do dia seguinte, antes que João reagisse sequer à ideia que nunca mais ia ver sua filha, Carlão trouxe a nave preta do espaço. Ela voou calmamente e ficou voejando por cima da casa com o raio branco aceso. Depois dos abraços de despedida, tomou a noiva nos braços, e subiu pelo ar com ela, raptando-a para sempre desse mundo, dessa cidade e dessa família.
Mariuska, perdida no meio do mato, e que passava pela mesma experiência do primeiro encontro numa barraca de acampamento, sentiu a partida de Joana de longe e ficou petrificada. Coitada da mãe! Ela estava arrasada. Para cúmulo ela e Adônis não conseguiam resolver onde é que iam viver depois do casamento. Adônis queria levá-la para Esparta em cuja cidade se encontrava sua família, seus amigos, e Mariuska não queria se separar de sua raiz. Rindo, optaram por construir uma “casa voadora” para estar sempre nas duas cidades, e para evitar o sofrimento dos velhos.
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