Adão e Eva, numa galáxia distante
18 Cap. 18. Fim do caminho
Notas iniciais
O planeta “X de BETA” era composto de pessoas com inteligência baixíssima. Ainda não conheciam a eletricidade, as ruas eram de pedras, o sistema de governo era primário, com servos e escravos que os serviam homens poderosos. A agricultura era trabalhada por homens esqueléticos e mulheres doentes. Enquanto os ricos usavam roupas lindas, a pobreza passava frio com roupas esquálidas, que mal tampavam os corpos. E assim como havia castelos de pedras para os mais afortunados, os coitados se amontoavam em casarios de panos e tábuas, em buracos embaixo da terra, cavernas, e havia os que dormiam nas ruas ao relento. A média de vida desse mundo era de 30 anos.
Adão e Eva percorreram ruas, como quem busca ouro no meio da lama, e se deram por vencidos em curto tempo. Nenhum filho deles podia estar nesse mundo. Por mais lento que tivessem evoluído, por ser Adão um homem inteligente, era impossível ter um descendente naquele lugar. Além do que, o fedor das fezes espalhadas pela rua estava sufocando-os. Eva dilatou as pupilas de seus olhos e desintegrou a merda humana e dos bichos, num raio de 500 km. Depois chamaram Fernando, para serem içados pelo raio.
Dentro da nave, uma chuva de água os rodeou na antecâmara, e em seguida um vento os secou. Mesmo assim eles correram para a suíte a tomar um banho, e desintegraram todas suas roupas.
Fernando, que ria deles por causa desse cheiro do esterco, contava-lhes que cruzariam o último mundo com vida humana, o planeta “Y”, superlotado de gays. Afinal, eles iam encarar ou não? Adão mudou os planos, deixou Evita nas alturas e convidou Fernando a filmar esse mundo de perto. E ele aceitou encantado. Desceram num parque numa linda cidade, muito desenvolvida, construção de metal e cimento armado, com pessoas bem-vestidas, iluminada com lâmpadas elétricas. Os carros nas ruas eram elegantes e os assassinos escassos. Havia parques com árvores frondosas, caminhos com gente correndo esportivamente, outras passeando seu cachorrinho, e Fernando filmava tudo, pois era uma vida encantadora. Foi entrando com a filmadora em lugares mais escuros, e enfocou para um casal que fazia sexo, escondido no matagal desse lugar. Havia um rapaz de 18 anos com outro de 20, com ambos se masturbando mutuamente, enquanto beijavam-se na boca.
Depois visitaram num prostíbulo, pois nesses antros se pagava para olhar os casais nos quartos. Fernando aprontou as câmaras, e filmou três mulheres fazendo amor. Era lindo de se ver. Adão elevou as ondas telepáticas para fazer contagem da natalidade e da mortalidade desse mundo. E ficou sabendo que morriam mais pessoas do que nasciam por causa da baixa natalidade. Essa civilização moderna, com uma taxa mínima de criminalidade estava se extinguindo, pela escolha sexual. Os casais tinham dificuldades para adoção, pois não existiam orfanatos. Os meninos eram muito amados, mas esses casamentos heterossexuais eram escassos, pois 70 % da humanidade eram gays. E eles ainda ignoravam as experiências com bebês de provetas, e a inseminação artificial.
De regresso a nave, os quatro amigos hipnotizaram os três filhos para dormir, e Fernando colocou a fita daquele mundo na TV. Evita e Mônica olharam as mulheres se lambendo, e os machos se beijando, “pasmas”, pois por incrível que fosse eles se amavam. Homem gostava mesmo de seu parceiro, e as mulheres eram apaixonadas umas pelas outras.
Depois dessas cenas de amor homossexual, e o possível destino dessas almas, Fernando colocou um filme de seu casamento, no “Mundo de C”, onde os homens mediam em média 2,50 metros. Fernando mostrou a família, quem era quem, as pessoas dançando em salões elegantes, numa sociedade onde a ocupação principal era o estudo das artes em todas suas formas. Em seguida Evita colocou um vídeo de seu casamento, levando Fernando ao delírio de gargalhadas, quando viu o concurso de bichos.
E para colocar fim a essa viagem, com troféu de ouro, fizeram os filhos dormirem por uns 10 dias. Fazer amor noites e dias sem descanso, seria coisa do passado, em poucos dias a mais.
Evita subiu no cavalo, e em pouco tempo cavalgava com seu homem quais índios pelo mato, rodeado de imagens de Atalanta, projetadas pela televisão, dando a sensação gostosa de estar em seu mundo. E no fim dessa maratona sexual, Adão o desintegrou. Saber que em seu novo mundo havia cavalos magníficos encheu seu peito de felicidade. Lembrou-se de Belzier. Seu coração doeu. O olhar de seu bicho, arrasado pela separação, havia doído fundo. Teria sido melhor chorar escandalosamente, como Evita, abraçada a suas panteras.
Na suíte de Mônica, ela foi seduzida contra a parede acolchoada, desde o primeiro instante, pois era nessa posse que Fernando dava bramidos, como uma orquestra de instrumentos de ar.
Quando o “Mundo de Z” ficou do tamanho de uma ervilha, essa nave se deteve, e ficou estacionada, boiando no espaço, com uma tripulação de robôs na espera de instruções.
Os quatro saíram das suítes vestindo uniformes, curiosos com a chegada.
Adão acordou as crianças, tomaram um desjejum suculento para repor as energias e em seguida olharam pelas janelas, pois o novo mundo estava ali, e um novo lar estava à espera de todos.
O planeta era bem pequeno, minúsculo, o menor que haviam visitado durante essa longa viagem e à medida que se chegava perto, ele tomou a cor azul. Assim que ficaram ainda mais perto, uma Lua minúscula, pequeníssima, lhes cortou o passo. Sobre sua superfície estavam espalhadas todas as naves de “L”, desacopladas, enfileiradas, brilhando embaixo do Sol escaldante, pois essa Lua não possuía atmosfera.
E desceram ao planeta, à procura de Abel e os construtores.
Começaram a girar ao redor do mundo, em busca desse acampamento, como quem garimpa minúsculas pedras de ouro brilhando ao Sol. Olharam o enorme oceano, que ocupava a maior extensão desse mundo e entenderam o porquê dele ser enxergado azul desde o Cosmos. Era água por todos os lados, com atóis de muitas ilhas paradisíacas, onde havia homens nus.
Percorreram os Polos Norte e Sul observando as geleiras, que controlavam os níveis das águas e as acharam simplesmente maravilhosas. Gigantescas montanhas de gelo flutuavam em redor dos mares do Sul, como ilhas flutuantes, carregadas de bichinhos que se lançavam ao mar em busca de comidas. Havia focas, baleias, e pássaros que suportavam o frio, mas que não voavam, caminhavam nos dois pés, verticalmente, de forma engraçada.
Depois viajaram perto dos trópicos. Avistaram pontos de cor laranja, azuis e verdes, fosforescentes o suficiente para serem vistas desde o alto. Era o acampamento de Abel, construindo a cidade perto do mar. Imediatamente, voaram a mil pés, depois a 500, até chegar a 100 metros e passar sobre eles num voo rasante e acenando para todos. Em seguida olharam para a selva impenetrável, em cujo lugar só se vislumbravam as copas das árvores.
Tudo era verde nesse planeta.
Encontraram alguns desertos, onde a terra respirava e o Sol fazia brilhar o chão. Na verdade era um belo planeta. Pequeno, mais belíssimo. Sobretudo a cadeia montanhosa era majestosa. Linda. E em todo lugar havia as vilas com pessoas formando os primeiros grupos humanos desse mundo.
E continuaram voando, girando, até Adão ser cativado por um Continente muito verde, que chamou sua atenção, pois as manadas de animais selvagens corriam dando um belo espetáculo. Havia zebras em bandos, aos milhares, correndo enlouquecidas com manadas de leões famintos querendo caçá-las. Encontraram elefantes, pastando em meio do mato, girafas de pescoços enormes, e os leopardos manchados. Assim que ainda viu os felinos quis se deixar cair imediatamente. E Fernando começou a girar, buscando um lugar para descer. Viu um lago gigante na beira de um vulcão com neve no cume, e esticou as patas metálicas.
Enquanto essa nave atingia o chão, um povo seminu começou a lhes acenar com a mão, gritando, correndo, e lhes pedindo para descer junto. Adão e ainda gritavam ao lado dos filhos quais crianças. Pareciam primitivos. Já estavam se ambientando ao lugar. Fernando deteve os motores, abriu a porta inferior, e deixou-os cair pelo raio branco. Inês e Amon-rá olhavam com curiosidade em redor, pois um grupo de garças começou a rodopiar em redor deles, sem medo dos estranhos. Imediatamente Mônica pegou a filmadora, pois esses índios eram magníficos. Altos, de pele negra como o ébano, trajando peles de leopardos, enfeites multicoloridos na cabeça, armas simples, que levantavam no ar dando gritos e berros ensurdecedores.
Fernando ficou atento, pois nesse mundo existia o canibalismo. Viu com atenção seus amigos caminhar até os silvícolas, que não davam mostra de ter medo do perigo, abraçados com seus filhos. Depois observou os negros. No centro de um grupo de 500 índios, havia dois reis, com cocares coloridos, além de joias de sementes, que os olhavam com emoção. A um sinal do casal, todos os silvícolas se ajoelharam no chão, cantando em coro uma canção de agradecimento aos ancestrais.
Como Adão estava mudo, com os olhos úmidos de emoção, quase chorando, ainda perguntou-lhe:
—Quem são esses reis, meu amor?
—Meus verdadeiros e queridos pais, descendentes diretos dos homens das cavernas. Esta é a tribo dos Khoisans! Chegamos ao nosso lar, meu amor... À nossa amada Terra! Foi neste continente africano onde nós nascemos pela primeira vez, há milhões de anos atrás...
Depois de controlar a emoção, Adão pediu a Fernando descer com sua família, pois não havia perigo algum. Estavam em família. Em seguida, os quatros foram caminhando em direção dessa tribo, para abraçar todos eles, um a um, enquanto Fernando mexia a cabeça, e não entendia “nadinha de nada”.
E é assim que termina esta história.
Com a chegada dos Deuses à Terra, há uns 3.000 anos AC.
Fim
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