Notas iniciais
Amon-rá nasceu no fundo do mar, onde Evita o empurrou como uma bala, com bolsa e tudo. Adão o pegou nos braços, desintegrou-lhe a placenta e o cordão, tudo de uma vez e colocou-lhe o dedo no umbigo para fechá-lo. Depois, abraçado com a mulher, que pela sua vez carregava o filho no colo, nadou para a superfície. Amon-rá deu suas primeiras respiradas e foi para baixo da água novamente. Voltaram à superfície os três para respirar, mergulharam mais uma vez, e ficaram na água até que Amon-rá nadasse como um peixinho entre os dois. Uma vez na suíte, Evita o envolveu com panos descartáveis e deu-lhe de mamar enquanto as lágrimas corriam pelo rosto, dela e de Adão, que não tinha fala para decifrar a alegria de ver o primeiro filho nascido.

A lua de mel de Evita e Adão foi uma viagem pelo mar visitando as Ilhas desse mundo, uma a uma, sem data para voltar, pois “00” havia mudado a data da missão para mais uns 4 anos, cujo motivo ninguém sabia. Na bagagem, levaram filmes sobre encarnações vividas no passado, enviadas pelos Sacerdotes, como presente de casamento. Elas haviam sido vasculhadas frente ao espelho e interpretadas por atores de “C de BETA”.

Nos comandos do navio, três robôs vestidos de marinheiros supervisionavam essa viagem e pilotavam o fogão para que nada faltasse aos humanos.

A pequena embarcação se abastecia com o calor do Sol, a energia das águas do mar e a força dos ventos marinhos. Nada faltava aos humanos numa embarcação como essa. Havia água limpa correndo e entrando das piscinas, das torneiras e apenas na patente do banheiro não havia tubulações, pois as fezes eram desintegradas com um olhar.

As mordomias eram cinco suítes com cama flutuante, piscina térmica embaixo da cama, tampada com um vidro azul, TV panorâmica, música ambiental e roupas apropriadas para passeio, incluindo roupas para mergulhos profundos. Na coberta havia duas piscinas enormes com água doce, rodeadas por pequenos arbustos e plantas nas beiradas, que cresciam em vasos com água e pedras coloridas. Por cima da cabine de comandos estava a horta, dentro de uma cúpula de cristal redonda, mantida no alto por quatro mastros altos. Dentro desse terreno as plantas se reproduziam, dando aos tripulantes o alimento necessário para as viagens. Os robôs diariamente recolhiam verduras frescas, faziam saladas e cozidos acompanhados de massas, além de sobremesas deliciosas com frutas cozidas, ou desidratadas. Os arranjos frutíferos recém-recolhidos também os havia em todo lugar. Tinha bandejas de frutas frescas ao lado das piscinas, nas suítes, na cozinha, nos corredores, era só estender o braço e comer. Ao ficarem murchos com o calor, os robôs trocavam-nas, e em seguida as levavam para desidratação, separação das sementes, armazenamento, pois em civilizações superiores nada se perde. O que vem da terra, para terra volta, seja como adubo, seja para gerar novas árvores.

Adão adorou esse barco assim que subiram. Pegou um cacho de uva, e começou a engolir enquanto tentava abrir os botões do vestido. A vontade era fazê-lo desaparecer, como fazia Nestor nos truques de magia, mas em Atalanta infelizmente a desintegração não tinha volta. Riu lembrando as palhaçadas dele. Depois puxou o vestido para baixo beijando sua mulher em todo canto. Concentrou-se como médico. Incentivou as glândulas mamárias e os seios começaram a crescer, madurando as glândulas mamarias. Depois amadureceu um óvulo na barriga de Eva e assim que o sentiu maduro e pronto para fecundação, abraçou-a, apertou-a contra si com força, parados ao lado da piscina. Dentro da piscina sentaram sobre uma cadeira macia, com a água na altura da cintura, colocou nesse útero sêmen abundante para gerar um filho.

Quando saíram da água, Adão colocou o ouvido na barriga de Evita. Nada de nada! Amadureceu outro óvulo, e desta vez caiu no mar com Evita agarrada nele gritando alto.

Os robôs, acostumados às extravagâncias humanas, pararam os motores, deixaram cair âncora no mar, acenderam 10 faróis sobre a água, e foram até a cozinha a preparar um banquete.

Evita se soltou de Adão e mergulhou até um cardume, cujos peixes dourados a rodearam até ela de perder de vista. Adão nadou atrás dela, agarrou-a pela cintura com as mãos, em seguida agarrou-se como um sapo. Ela nadou e nadou, com ele beijando-lhe o pescoço e mordendo-a, enquanto as mãos a acariciavam. Quando saíram para respirar, um robô alcançou-lhes uma cama flutuante, e em seguida uma cesta com frutas e água para beber. Eles sentaram de frente sobre essa cama macia, iniciando mais uma rodada de amor, entrelaçados de pernas, e comeram sorrindo, pois essa farra erótica estava apenas no começo. Como a noite estava negra como nunca, subiram ao barco para dormir na suíte nupcial, abraçados por cima de outra cama, que flutuava no ar. Antes de caírem no sonho reparador, Adão colocou o ouvido no abdômen, e lembrou que ele estava completamente estéril. Deixou a gravidez para o dia seguinte, pois estava decidido a fecundar Evita no mar profundo. E, como médico, devolveu a fertilidade para si mesmo com uma breve massagem nas suas partes íntimas.

Ao amanhecer, ambos prontos para procriar, saltaram para o mar de cabeça para baixo. Evita se estendeu nas areias do fundo do mar, e Adão cobriu-a por completo, abraçado nela, deixando que o mar os balançasse na dança do amor. Depois Evita deu cambalhotas até cansar. Foi então que Adão mudou de posição, ficando de costas com os braços abertos, flutuando sobre as águas. Evita subiu nele, como se monta sobre uma prancha, e remou com os braços, rumo à primeira Ilha que se avistava no horizonte.

Quando chegaram à praia, os robôs lhes falaram que podiam continuar nus, pois ali não havia ser humano algum. Eles caíram de bruços na areia, cansados, pois nadar e fazer amor no mar eram desgastantes. Adão olhou para as palmeiras em busca de cocos com água doce. Levitaram um dez cocos, abriram-nos, beberam e comeram a carne branca. Em seguida, rolaram sobre as areias macias, num namoro calmo, lento, de muitas horas. Nadaram no mar, correram entre as ondas, e quando a noite chegou dormiram olhando para as estrelas, abraçados, boca com boca, cobertos por um cobertor trazido pelos robôs, que os cuidavam que nem crianças.

Ao amanhecer percorreram essa Ilha.

Ascenderam até o topo de uma montanha e caminharam até a cratera aberta, em cujo túnel negro não se enxergava o fim. Subiram num carrinho voador estacionado na beira do abismo e desceram pela escuridão da cratera cujas paredes eram de rocha maciça. Adão acendeu os faróis, para admirar os bichos que acordavam com a luz e com a presença dos humanos. Entraram por outro túnel que atravessava a montanha na horizontal, e saíram pela parte posterior dessa Ilha. Deixaram o carrinho onde o encontraram e fizeram amor na beira desse vulcão extinto, deitados entre a grama. Entre suspiros, Evita perguntou:

—Já estou grávida, meu amor?

—Já, e vai ser um garotinho...

—Igual a você em tudo...

—Não, meu amor, como meu irmão... Vai ser o rei dos piratas...

—Já pensou? Um terremoto ambulante bagunçando nossas vidas?

—Já... E vou amá-lo tanto como amo o mágico... Lembra-se dele?

—Hum... Eu não imaginava que ele era tão superdotado...

—Pois é... Resultados da masturbação desde pequenininho... Como vamos chamar nosso filhinho?

—Amor!

—Rã! Engravidei você como uma rã...

—Hum... Amon-rá!...Será que os sacerdotes de Atalanta nos deixam?

—Lógico que sim... Ele está na primeira encarnação... É um anjinho nunca antes nascido...

—Por quê? Cadê os nossos filhos das vidas passadas na Terra?

—Todos em mundos mais embaixo... Caim está em “L”, os outros não faço nem ideia... Eu quero encontrá-los a todos durante nossa missão. Antes de chegar a “Z de BETA” vamos descer nos mundos inferiores para procurá-los. O que acha?

—Que “00” não vai deixar...

—Não vamos contar para ele, pronto...

Nos meses que se sucederam, eles navegaram visitando apenas as Ilhas onde não havia construções para humanos. Todas pequeninas, onde os homens chegavam, comiam as frutas, e partiam sem deixar rastos de sua presença, pois as fezes eram desintegradas para não poluir a natureza. Em todos os vulcões que abaixaram acharam coisas similares, túneis sem fim, cascatas cristalinas em algumas, piscinas subterrâneas em outras, cavernas, onde Adão recolheu algumas pedras preciosas e pedaços de ouro para fazer joia.

Em alto-mar, mergulharam até 40 metros com equipamentos de mergulhos. Conheceram peixes exóticos, e de longe avistaram algumas entradas para cidades subterrâneas que os homens construíam embaixo da areia. A maioria para pesquisas científicas e para o estudo das camadas inferiores do planeta.

Na intimidade da suíte, eles também assistiram aos filmes com as vidas anteriores na enorme TV cuja telão era em 180°. Foi dessa maneira cheia de arte, pois as imagens eram deslumbrantes, que ficaram sabendo do passado vivido durante 3,5 milhões de anos num pequeno planeta de uma Galáxia muito distante, que eles lembravam com o nome de Terra. As filmagens se iniciavam contando que eles nasceram pela primeira vez de símios negros, gigantescos, e que haviam dado início ao “Homo Ereto”. Haviam evoluído pacificamente durante 300 encarnações, sem nunca conhecer o sofrimento, com dez filhos nascidos deles inúmeras vezes. Infelizmente, espíritos vindos de outro mundo, chegaram a encarnar nesse paraíso terrestre. Eles eram briguentos, invejosos, e com o passar do tempo se converteram em assassinos. Na última encarnação, Evita fora estuprada por 5 machos e Adão morrera enforcado tentando defendê-la. Após a morte deles, seus meninos foram feitos escravos. Depois dessa vida terrível, Adão e Evita haviam encarnado em outros mundos, onde eles evoluíram rapidamente enquanto os seus meninos evolucionavam mais lentamente. Adão e Eva foram levados para os “Mundos Superiores”, onde conheceram Nestor e a Gangue, e finalmente haviam chegado ao “Mundo de A no Sistema BETA”, como coroação a uma união eterna. Os pais verdadeiros de Evita eram João e Dina, duas almas gêmeas iguais a eles, nascidas como símios fazia quatro milhões de anos, no mesmo planeta Terra. Os pais verdadeiros de Adão se presumiam que estavam num mundo inferior desconhecido.

Amon-rá nasceu no fundo do mar, onde Evita o empurrou como uma bala, com bolsa e tudo. Adão o pegou nos braços, desintegrou-lhe a placenta e o cordão, tudo de uma vez e colocou-lhe o dedo no umbigo para fechá-lo. Depois, abraçado com a mulher, que pela sua vez carregava o filho no colo, nadou para a superfície. Amon-rá deu suas primeiras respiradas e foi para baixo da água novamente. Voltaram à superfície os três para respirar, mergulharam mais uma vez, e ficaram na água até que Amon-rá nadasse como um peixinho entre os dois. Uma vez na suíte, Evita o envolveu com panos descartáveis e deu-lhe de mamar enquanto as lágrimas corriam pelo rosto, dela e de Adão, que não tinha fala para decifrar a alegria de ver o primeiro filho nascido.

Quando o menino dormiu, Adão cuidou de sua mulher com capricho. Entrou um dedo na sua vagina para recuperar a firmeza dos tecidos. Depois passou cremes sobre a barriga e foi diminuindo-a até deixá-la dura e lisa. Acabou com a hemorragia, reduziu o útero, e ele próprio se esterilizou novamente, com um toque nos testículos.

No dia em que Amon-rá completou 50 dias vividos, Nestor e Ana saíram em busca deles num comboio voador. Partiram com eles Adônis com Mariuska e os filhos de ambos, Tathiane e o namorado Percis, e a Gangue em peso. Vários amigos já estavam casados, tentando ter o primeiro filho. Pularam no navio dos noivos como piratas de mundos selvagens, gritando e falando todos ao mesmo tempo, terminando de vez com a paz dessa lua de mel. Depois, nos braços do tio Nestor, Amon-rá deu seu primeiro sorriso para o público, mostrando o primeiro dentinho. Os gêmeos de Mariuska entregaram os brinquedos que trouxeram de presente ao primo, e em seguida saltaram na piscina a brincar e nadar, com um robô-babá que cuidava deles desde que nasceram. Amon-rá entrou na água, mergulhando, rindo, iniciando um laço familiar com os gêmeos, que eram iguais e ele mesmo, bagunceiros, e riam o tempo todo.

Enquanto as crianças se divertiam e Evita permanecia no meio das irmãs, abraçadas por longo tempo, Nestor articulava com Adão, com telepatia em circuito fechado, para ninguém ouvir:

—Me faz menstruar a Ana, pois tenho que partir, cara...

— Vais viajar imediatamente?

— Depois de derrubar 10.000 desafiantes, cara... Os professores da Escola Esportiva não sabem o que inventar para fazer o desafio...

— Gostei! Isso dá mostrar a mulher seminua para todo o planeta... Corridas, cara... De Esparta até Atalanta tem 150 km...

— Mas, não tem coração que aguente correr tanto, cara...

— Com minha ajuda vai dar... É só envolver teu coração com energia pura. Ele não vai bater acima da média, nem correndo a 200 km por hora... E Ana tem quantas desafiantes?

— Nenhuma... O que há de errado em mim, afinal?

— Trinta centímetros entre tuas das pernas... Aliás, que todo mundo viu na TV...

Nos dias seguintes, esse barco viveu seus dias mais loucos. Ao amanhecerem, todos caíam no mar a fazer concurso de quem encontrava o peixe maior, ou a concha maior, ou a pedra mais linda, e assim ia. Nas Ilhas faziam-se corridas, para preparar Nestor para o desafio, e as montanhas eram escaladas correndo e escorregando em meio de tombos. Adão e Evita ficavam na suíte escutando-os de longe, enquanto Amon-rá saía nos braços do robô-babá a passear pela areia com os gêmeos.

Quando chegaram a Atalanta, Amon-rá estava com oitenta dias de vida, Ana menstruava como mulher adulta e Nestor continuava estéril. Ele não iria viajar a uma guerra com um bebê no colo.

João e Dina os receberam no porto, com os pais de Adão disputando-lhes o neto. Depois dos abraços, foram para a casa de João, onde um banquete os esperava, junto a quatro panterinhas, filhas das panteras de Evita, prontas para brincar com Amon-rá. Também havia um pônei branco pequenino que havia chegado por ali sozinho.

E Amon-rá adorou os bichos. Tanto por cima do cavalo como das panteras ele gargalhava alto, para mostrar sua felicidade.

E a festa foi como todas as festas de sempre. Mariuska sentada no colo de Adônis, Tathiane sentada no colo de Percis, Evita no colo de Adão, as crianças brincando com os robôs ao lado, e Ana e a Gangue cantando e bailando rock pesado. No meio da noite, Adão abandonou a festa carregando o filho dormindo. João levou-os para casa de carro, abrindo trilhas entre esse mato fechado, enquanto Belzier, o pônei e as panteras os acompanhavam correndo lado a lado.

E a casa estava diferente. Dina tinha-lhes feito um jardim maravilhoso em redor, e João construíra uma piscina para o neto. Também existia um carro voador por cima do telhado, flutuando. Havia cercados para o pônei branco e para as panteras, e uma cavalariça para Belzier e namoradas. Evita deu um beijo no João, pois ele era assim mesmo, fazia de tudo pela felicidade das filhas.

Depois entraram a inaugurar esse lar se beijando. Hipnotizaram Amon-rá para dormir umas 20 horas, na sua cama flutuante, e começaram a namorar depois de acender essa lareira com lenha abundante. Uma nova vida esteva começando, naquele dia. Uma vida só para o amor, pelo menos por enquanto.

o.

Notas finais
João e Dina os receberam no porto, com os pais de Adão disputando-lhes o neto. Depois dos abraços, foram para a casa de João, onde um banquete os esperava, junto a quatro panterinhas, filhas das panteras de Evita, prontas para brincar com Amon-rá. Também havia um pônei branco pequenino que havia chegado por ali sozinho. E Amon-rá adorou os bichos. Tanto por cima do cavalo como das panteras ele gargalhava alto, para mostrar sua felicidade. E a festa foi como todas as festas de sempre. Mariuska sentada no colo de Adônis, Tathiane sentada no colo de Percis, Evita no colo de Adão, as crianças brincando com os robôs ao lado, e Ana e a Gangue cantando e bailando rock pesado.