Adão e Eva no berço dos anjos. Terceira parte
6 Regresso ao lar
Notas iniciais
O planeta “V de BETHA”, que visitaram depois que abandonaram a Terra, era algo surreal para quem já vivera nele.
Da pré-história desse mundo não existia nada. A guerra nuclear envenenara o ar, e Nestor mandara desintegrar os edifícios, assim como avião, carros, barcos, e não sobrara nada de nada daquilo que Mario ou Tiago lembrasse. Sequer um museu com relíquias.
Mas a geografia continuava a mesma.
Então percorreram as ilhas, os continentes, as montanhas magníficas, as quedas de água, e a selva onde cidades encantadas se elevavam como agulhas, além da altura das árvores! No topo, uma bolha de cristal abrigava pequenos edifícios. No resto do mundo, havia cidades em meio dos desertos, onde os homens cultivavam pequenos Oasis encantados sobre as areias. E em todos os Oasis, uns 10 edifícios gigantes, que se auto abastecia de tudo. Como Nestor durante a pacificação jamais permitiu a invenção do dinheiro, os homens compartilhavam o conhecimento e os bens materiais qual um mundo superior, desde ó inicio da Nora Era, inaugurada depois da guerra.
O grande aeroporto intergaláctico recebia visitas de outros mundos com naturalidade. Desde a Terra chegavam cientistas em busca de novas descobertas, ou para fazerem congresso aonde se conversava de tudo um pouco, e havia também os solteiros em busca de esposas.
Desiludidos, Tiago e Mario olharam pela última vez, pois sequer convertido em energia havia algo que pudessem carregar como um souvenir. Nina cortou flores, recolheu sementes, derramando uma lágrima, pois a “guerra nuclear” chovia na cabeça de todos com sua miragem arrepiante. E os quatro haviam lutado até serem os últimos soldados sobreviventes dessa loucura.
Fernanda foi à única que conseguiu falar alguma coisa:
— Nosso planeta verdadeiro é o Mundo das cobras. Este foi o nosso inferno em vida.
Mario completou:
— É verdade! Aqui eu só conheci o ódio entre os homens...
E, como Ênio já estava chamando-os aos berros, eles partiram sem nenhuma saudade desse mundo. Nada a ver com a partida da Terra, onde todos os terráqueos beijaram o chão com lágrimas escorregando, ao disser adeus ao planeta.
Quando Ênio encontrou o túnel, deu um assobio. Um a um os casais foram chegando, se posicionando, embrulhando-se como casulos, e partiram. Adentraram no túnel, adormeceram, e quando saíram já se estava no lugar mais luminoso da imensidão. Onde tem que se fecharem os olhos, pois eles doem com tanta luz.
Descarregaram a “muamba” rindo entre todos, pois a escultura de Moisés foi junto, no momento em que uns anjos chegaram correndo a se oferecer para repartir as coisas nos seus respectivos lares. Adão agradeceu, ao tempo que as mulheres começaram o falatório: — Este é meu, este aqui também, etc.! Nossa! Mulher jamais mudava. Era assim pela eternidade. Consumista eterna.
Quando a fumaça começou a mostrar figuras negras, eles caminharam nessa direção. Pouco a pouco o caminho ficou nítido e o castelo de “00” no fim da estrada se fez cada vez maior.
Mas, desta vez as portas estavam fechadas.
Adão achou que fosse piada. Alguém lhe gritou ao passar para bater e se fazer anunciar. E bateu forte, e escutou um: — Quem e? E falou forte que era Adão e seu grupo, de regresso.
Imediatamente as portas se abriram, e uma música começou a tocar, com anjos soprando cornetas, teve os que ascenderam luzes pisca-pisca, enquanto “00” no meio dessa bagunça dava suas mais escandalosas gargalhadas. Havia uma festa de boas vindas, igual à festa surpresa para aniversariantes. E “00” queria ser o primeiro a abraçar os que chegavam.
Adão se abraçou na figura, que sempre o surpreendia, e perguntou se estava satisfeito com seu trabalho. E ele disse:
— Muito! Eu diria que os Infernos acabaram. Daqui em diante só vamos ter animaizinhos evoluindo. Apenas isso. E tudo graças a vocês... Como é que foram me inventar de enviar os matadores, em doces mínimos, para tudo quanto é canto?
— Surgiu do nada! Eu escutei todos falando, dando palpites, acho que escutamos a voz do coração, apenas isso.
— Gostei! E pode pedir o que quiser, que desta vez pode ficar a eternidade jogando futebol com seus amigos...
— Na verdade eu só quero regressar para casa, e ter mais uma dúzia de filhos...
— Ótimo! Tem uns recém-chegados, e todos querem nascer como filhos de Adão... São bem pretos... Eu os invitei para a festa, mas estão encabulados. Estão todos esperando lá atrás. Escondidos.
Adão deu uma examinada com dificuldades, pois o castelo estava cheio de anjos perguntando de tudo para sua equipe, e não havia esperança de sair dali tão cedo. Essa missão havia remexido com todos. Até Yasodhara dava detalhes das coisas. Ela estava radiante, e sentia-se uma heroína. Madalena então dava discursos para a plateia. Pior do que elas, só Jesus e José, que contavam sobre os romanos em detalhes.
E finalmente os viu.
Havia uma tribo de africanos, vestidos a caráter. Altos, magros, vestindo suas roupas multicoloridas. Alguns com batuques nas mãos, prontos para fazer uma farra de índios. Adão acenou com a mão, e foi ao encontro. Ada-Eva foi atrás. Eram todos da tribo dos Khoisans. Velhos amigos da Terra, de milênios atrás, que viajaram para outros planetas, mas sempre carregando junto de si, sua cultura milenar.
Mas como eram uns 300 deles, Adão gritou para todos:
— Eu sou anjo, não sou coelho, caras! Vão ter que fazer sorteios... Mas eu vou ser pai de todos se for necessário...
Depois foi chegando Paulo, Moisés, Gautama, pois dividindo entre filhos, netos, bisnetos, dava para nascerem todos eles. Em seguida, os incentivaram a se unir à farra. Adão pegou um bombo gigante, Paulo mais um, Moisés outro, e chamaram atenção dos donos desse castelo, pois iam escutar um som diferente.
E o centro do Universo soube finalmente, o que era o ritmo dos tambores!
Os doces dias angelicais dos anjos haviam chegado ao fim...
Os negros africanos estavam finalmente lá, para agitar a todos de sentimentos profundos! Dessa emoção que sai do âmago dos tambores, e das mãos dos homens negros, que carregam no âmago uma paixão sem igual.
Desta feita dos Khoisans! Um antigo clã da Terra, descendentes diretos dos macacos em evolução...
Fim
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