Notas iniciais
Adão recobrou sua sabedoria de médico, veterinário, guerreiro imbatível, e tudo que aprendera na Escola de Espionagem. Sequer sentiu dores de cabeça. Mas a vivência do passado deixou-o atônito, pois se explicava a si mesmo tantas questões incompreensíveis das vidas já vividas. O trabalho oculto dos anjos ficava claro desta vez. O holocausto desse mundo que descobrira com seus irmãos na última encarnação, cheio de morte, fora obra dos anjos. Eles haviam exterminado 6 bilhões de homens num passe de magia, por algum motivo incompreensível. Mas, não teve coragem de encarar o mestre, para não ofendê-lo, ou chama-lo de assassino.

Num outro acampamento de jovens, os irmãos trigêmeos Adão, Ênio e Viktor relembraram do passado, fazendo as mesmas viagens astrais, para “E do Sistema ALPHA”, onde todos eles tiveram uma vida de aventuras. Para felicidade de Ênio, Madalena desta vez estava ao seu lado, e se reconheceram assim que abriram os olhos. Deram um show de beijos em público, pois Madalena pulou por cima como uma gata, enquanto Ênio caia para trás, agarrado nela com braços de aço. Mais calmos, sempre abraçados, tentaram escutar as palavras do mestre. Mas, para Ênio foi difícil continuar nessa meditação. Seu coração batia como um tambor e só queria beijar Madalena a toda hora.

O mestre os enviou então a pernoitar numa mesma tenda, mas com a condição de que acordariam ao amanhecer, para fazer a saudação ao Sol. E correram de mãos dadas, enquanto os amigos assobiavam, riam, pois esses ali nunca mais se lembrariam de nada. Seriam anjos burros. E dali em diante eles foram à gozação dos amigos, e a inveja de Adão e Viktor que nada sabiam de suas esposas. Ênio, em lugar de relembrar do passado, caia no sonho, roncava, pois virava a noite namorar e namorar sua amada. Não dormiam nada, e as bocas ficavam inchadas de tanto se esfregarem.

Adão recobrou sua sabedoria de médico, veterinário, guerreiro imbatível, e tudo que aprendera na Escola de Espionagem. Sequer sentiu dores de cabeça. Mas a vivência do passado deixou-o atônito, pois se explicava a si mesmo tantas questões incompreensíveis das vidas já vividas. O trabalho oculto dos anjos ficava claro desta vez. O holocausto desse mundo que descobrira com seus irmãos na última encarnação, cheio de morte, fora obra dos anjos. Eles haviam exterminado 6 bilhões de homens num passe de magia, por algum motivo incompreensível. Mas, não teve coragem de encarar o mestre, para não ofendê-lo, ou chama-lo de assassino.

Viktor relembrou sua astúcia na engenharia comercial, advocacia, administrador de empresas, gênio das finanças, geologia, e ria às gargalhadas, pois nesse planeta só havia mato. E em quase todas suas encarnações ele havia sido milionário e o gênio das finanças. No Mundo dos iguanas fora tão rico, que na sua casa desfilavam 50 serviçais e ele se vestia com roupa cravejada de diamantes.

Ênio, avaliado como o último aluno em aprendizados, um dia conseguiu finalmente recobrar seus conhecimentos de guerreiro, de Astrônomo, e tudo que estudasse em “E de ALPHA” como Espião.

E Madalena relembrou seu passado de guerreira invencível ao lado de Eva, e de piloto espacial. Mas o que a fez chorar como bebê foram às visões da Terra. Conhecera Adão quando o mestre Jesus enfrentou o Império Romano, e deixara uma nova filosofia para os homens desse planeta. E ela abraçou as palavras de Jesus, e depois de sua morte foi sua sucessora. E agora, com Adão como seu cunhado, um dia veria Jesus renascendo. E ela seria sua tia muito amada. E choramingava abraçada de Adão, que lacrimejava junto, pois a Terra os unira pela eternidade. Só faltava encontrar Eva para fazer Jesus nascer.

Quando os três irmãos voltaram para casa, Ludmila começou a preparar a festa de casamento de Ênio ao lado dos pais de Madalena. Enquanto isso, Sergei perguntava para Ênio como gostaria que fosse sua casa. E os irmãos riram em conjunto, que dava gosto.

Adão perguntou-lhe:

— Pai, eu nunca vi uma construção em andamento em lugar algum. Afinal, como se levantou uma cidade?

Viktor acrescentava:

— Pois é, pai! Quem fez esta casa para você? Ela é toda de azulejos, vidraçarias, espelhos, de onde veio este material? E estes móveis? Quem entalhou as cadeiras, as estantes? Nossa! Esta mesa é toda de carvalho, pai. E no mato não existem madeireiros, e menos ainda as serrarias...

E Sergei não lhes explicou nada. Puxou quatro óculos esquisitos de um armário, e os invitou a percorrer o mato.

Assim que adentraram na floresta, viram uma fileira de casas. Puxaram os óculos, pois ali não havia nada. Riram em coro. O que era isso, afinal? Casas fantasmas? Sergei explicou-lhes:

— Estas casas chegam aqui trazidas pelos anjos quando regressam de suas missões. As carregam em redes fluídicas, e as vão espalhando por aí. Quando um casal quer moradia, então se faz o processo de energização. E a casa aparece como por arte de magia. E não só as casas, temos carros, joias, móveis, tapeçarias. Estão em todo lugar. É só vasculhar em meio do nada. Quem quiser abundância, pode tê-la. Viver no luxo é bom! Não há nada que o impeça. É pegar e levar.

Adão perguntou:

— E como se faz a energização de algo tão grande? Só aprendemos a transmutar pedras! E bem pequeninas!

— Por agora temos que solicitar aos mestres! Eu nunca consegui aprender sequer transformar casca de ovo em pérola.

E pai e filhos caíram na gargalhada juntos. Afinal, gênio era gênio pela eternidade, e gente burra a mesma coisa. Sergei falava tudo isso entre gargalhadas, pois sempre fora um homem de trabalho braçal. Que nem João. Só era campeão em beijos. Amava seus guris e lhes tascava beijos barulhentos a toda hora, desde que nasceram.

Ênio e Madalena escolheram uma habitação que ficava na beira de um lago, num lugar rico em tudo, principalmente nos pomares sem fim. Seria uma casa de campo. Havia em redor pasto para animaizinhos, quadra para jogar bola com os amigos, e uma paisagem parecida a aldeia em que nasceram na vida anterior.

Cinco anjos velhos energizaram essa casa para que ela tomasse forma e aparecesse para a vida como por encanto. Adão tentou aprender com eles desta vez, pois queria para sua futura esposa algo como o Taj Mahal da Terra. Posicionou-se a 5 metros em redor dessa moradia, e viu os mestres girar o corpo numa posse de gazela, abrir os olhos como serpente, e lançar energia fluídica através da palma das mãos. Uma luz envolveu essa mansão e ela foi aparecendo aos poucos em meio dessa névoa luminosa.

Viktor perguntou para esses anjos se podiam cobrir as paredes de ouro. Os mestres riram em coro. Se a mansão fosse toda de granito, sim. Mas, era de tijolos desta vez. Não dava, não. Mas, havia muitas igrejas cobertas de ouro em meio do mundo. E riram mais alto desta vez, pois os anjos novos sempre perguntavam coisas hilariantes.

Dias seguintes os três irmãos percorreram a floresta a cavalo, em busca de mobílias. Acharam camas redondas, outras que eram flutuantes, outras bem primitivas com cortinas e véus coloridos em redor. Junto das camas encontravam guarda-roupas gigantes, banheiras, enfim. E Adão e seus irmãos davam vida aos objetos desta vez. Principalmente Adão, que até conseguiu energizar um pequeno aviãozinho de passeio. Tudo para sua futura esposa. Mas, podia emprestar por enquanto.

Ludmila e Madalena plantaram mudas de rosas, margaridas, antúrios, deixando o lugar em redor dessa casa ainda mais belo. Quadros, esculturas, os tinha na cidade ao vivo e a cores. Museus possuíam depósitos com obras maravilhosas, pois a arte era o trabalho principal dos anjos desse planeta. Podia-se tomar tudo quanto se quisesse sem pedir licença para ninguém. E o avião de Adão se encarregou de tudo. Traslado de camas, obras e arte, que ajudava a energizar, levitar, colocar, pois era rápido em tudo isso. Parecia mesmo um mágico da Terra.

E a decoração dessa casa ficou perfeita. Ludmila e Madalena distribuíram obras magníficas enquanto Ênio reclamava a gritos que os preparativos desse casamento estavam por demais demorados. Mas, ia colocando tudo ao gosto de sua mulher. Sempre reclamando que a única coisa que desejava era essa lua de mel, e mais nada. Para consolá-lo, Madalena o invitava a dar uma cavalgada no fim do dia e dar uns beijos longe dos olhares da família.

E para que a festa desse casório fosse perfeita, Ludmila foi ao teatro a pedir para os bailarinos que dançassem para os noivos.

E foi assim, que Alain e Eva chegaram nessa casa de campo, junto a uns 30 bailarinos e 20 músicos. E quando todos os invitados e os noivos estavam na mesa, num semicírculo, eles mostraram seu talento.

E com o coração batendo, Eva descobriu Adão sentado ao lado dos irmãos, sem prestar atenção em nada além de seus pensamentos conturbados. Por incrível que fosse ele não a estava reconhecendo. Pensava em Eva morena, cabelos cacheados caindo em cascatas pelas costas, boca vermelha como fogo, olhos azuis, e curvas exuberantes. E Eva estava ainda mais linda desta vez. Seus cabelos loiros avermelhados e os olhos cor cinza claro, fazia suspirar muitos anjos dessa cidade. Homens que Eva ignorava na busca de Adão.

E no fim dessa festa Eva foi embora com Alain, tentando controlar as emoções. Adão tinha que encontrá-la através do amor, como lhe falara o mestre. Não tinha graça nenhuma ir correndo, se atirar nos braços, pois com certeza umas dúzias de fêmeas já tentaram fazer isso sem conseguirem nada.

O que é que ia fazer?

Sua ocasião de conquistar a paixão de sua existência apareceu no dia que Adão e Viktor entraram no teatro estudar música. Eva se fez de anfitriã, lhes mostrou as salas de regência, as salas com aprendizado de flautas, lhes apresentou os mestres de percussão, a sala das cordas, rindo com cara de anjo, e olhando só para Adão. Sabia o ciumento que era. No dia que descobrisse que ela era ela, ia cobrar cada mirada sobre outro homem. Ainda bem que Alain era seu irmão. Mesmo assim, quando Alain chegou correndo e lhe tascou um beijo no rosto, Eva explicou que era seu irmão muito amado, e estavam ensaiando uma nova coreografia. Inclusive queriam publico, e invitaram os irmãos a visitá-los.

Como o teatro era um mar humano de cantores de opera, atores, diretores, regentes, músicos e bailarinos, Adão e Viktor ficaram circulando, pois quem sabe a sorte lhes mostrava suas esposas perdidas. Olharam uma peça de teatro, a seguir escutaram um concerto, e bisbilhotaram Eva e Alain num salão com barras e espelhos nas paredes, ensaiando um baile. Eva, entre rodopiadas, lhe enviou seu melhor sorriso. Sorriso de anjo.

Viktor falou:

— A dançarina está dando bola para ti, cara! Os olhos dela brilham quando te vê!

— Eu sei! O corpo dela se parece com Eva! A mesma fisionomia, peitos gigantes, cabelos cacheados. Pernas maravilhosas! Nossa! Estou imaginando coisas... Vou ficar louco, cara...

— E eu? Estou mais doido ainda. Tem gente se beijando na busca... Dar um beijo na bailarina não poderia ser tão ruim assim...

— Isso porque tu não és casado com uma guerreira, cara! Cada beijo com outra mulher ia me custar no mínimo um pontapé entre as pernas...

— Mas Mirim foi guerreira, cara. Lutou junto com tuas filhas, te lembras?

— Na guerra dos três mundos? Mas tu não eras guerreiro nem espião!

— Claro que não, cara. Eu era um cabeludo troglodita em meio de uma guerra terrível. Quando ela me deu bola, eu nunca mais fui dono de meus pensamentos. Nossa! Eu nunca vou esquecer esse dia, cara! Nossa primeira dança, nosso primeiro beijo, e depois quando ela me levou para esse motel... foi como morrer e renascer no paraíso. E tu, como é que foi teu primeiro encontro?

— Eu a abusei como um selvagem... Eu era um gorila, cara...

E caminharam abraçados, gargalhando alto. A vida era afinal, um mar de episódios engraçados. Viver era como escrever um livro da sua própria história, dividida em muitas e muitas vidas, vividas e morridas.

E dali em diante Adão passou estudar regência, e Viktor violoncelo.

E cada vez que se cruzavam, Eva dava um beijo no rosto de Adão, um abraço em Viktor, e os invitava para tudo. Apresentações, festa entre amigos, só não os invitava conhecer seus pais, pois João ia desmascará-la. E Eva queria que Adão se apaixonasse por ela, como ela era. Tinha que o conquistar. E para a eternidade. A única coisa que não conseguia dissimular era a mirada. Olhava Adão como se olham os anjos dentro dos templos. E agora ele era realmente um anjo. Ria com ela mesma.

Viktor encontrou Mirim num dia de passeio a cavalo, atravessando a floresta para visitar Ênio e Madalena. Mirim estava de quatro no chão, nádegas levantada, examinando alguma coisa com lentes especiais na cabeça. Ele se abaixou junto, examinando-a, controlando sua vontade de se transformar em num gorila abusivo desta vez. E escuto-a a falar:

— Não faz barulho, que estou a ponto de pegar com a pinça uma superbactéria...

— Nossa! Para quê?

— Iniciar à vida... Mas, quem é você, afinal?

— Estudante de violoncelo. E um inútil. Descobri que não sei fazer nada além de ser milionário. Já ouviu falar de riquezas?

— Já! Fui casada com um ricaço, três vezes, em três mundos distintos...

— Mas, sempre com o mesmo homem?

— O mesmo! Mas ele sempre encarnava diferente! Quando o conheci era moreno, barbudo, e ciumento doentio. A segunda vez ele era verde, olhos vermelhos, com cara de iguana. Na última encarnação era o homem mais belo do Universo. Alto, forte, sorriso maroto, nossa, era um príncipe estelar. E agora, cansei de buscar. É mais fácil achar um micro-organismo do que ele...

— Quem sabe tem forma esquisita. Nasceu com a cara de outro homem, por exemplo...

Mirim sentou na grama finalmente, fechou um vidro, subiu as lentes para cima da testa, e olhou para seu interlocutor:

— Pois eu achei que fosse o Ênio, mas ele casou com outra. Mas agora que vejo, tu é igual a Ênio...

— E igual a Adão! Somos trigêmeos.

— Adão? Tu nasceste irmão de Adão?

E Mirim começou a rir que saiam lágrimas. Olhando para Viktor, ele era tão belo quanto Adão, apenas com cabelos claros, que o fazia o mais belo dos três. E levantou os braços para um abraço. Depois Viktor beijou-a suavemente, pois sua tortura havia terminado. O casamento o estava esperando, e desta vez teriam seus filhos e seus netos iguanas, que com certeza esperavam impacientes pelo casório, para formar uma grande família. E como num sonho bom, escutava sua amada repetir como num canto celestial o quanto o amava, e que para ela o rosto não significava nada, pois o amaria com cara até de lagarto, ou lagartixa, ou carrapato, fazendo Viktor rir. Ele a olhava, tão linda como na vida anterior, cabelos longos como a seda, olhos cristalinos, boca vermelha como fogo, e um corpo perfeito. E a noite estendeu seu manto, sem que Mirim nem Viktor conseguissem separar as bocas, pois o encontro os enlouqueceu. Namoraram sobre a grama úmida, até o amanhecer do dia seguinte.

Enquanto seus irmãos eram felizes, Adão permanecia como um solteirão no teatro estudando as notas. Como possuía memória fotográfica, aprendera de cor todos os concertos, em tempo mínimo. E com emoção, começou a dirigir a orquestra dos jovens. Escolheu um conjunto de partituras, e se dedicou a ensaiar. E um dia, ele foi destinado a tocar para os bailarinos. Recebeu a partitura, com seis atos, e começou os ensaios com seus músicos, e depois teve que ensaiar com os bailarinos no palco.

Naquele dia, Eva cruzou o palco dando piruetas, como uma gazela, enquanto seus cabelos dourados e soltos, giravam em redor dela como um emaranhado que enfeitiçava pela beleza. Seu corpo escultural realçava seus seios dentro de um sutiã rendado, sua barriga estava à mostra, e com a saia levantada dava para ver duas pernas bem contornadas, nádegas firmes, na verdade era a mais bela mulher desse planeta. Foi sendo rodeada por outros bailarinos, até que Alain entrou em cena. Eva deu um pulo no ar, e Alain a manteve no ar com a mirada, levitando-a, boiando, e caindo como uma leve pena no ar. Eva girou o corpo com varias piruetas, enquanto sua roupa balançava, seu corpo se curvava com movimentos sensuais, olhando Adão com sedução. Sorriu para ele, e assim que tocou o chão começou a dar saltos, corridas, enquanto a música subia o tom, arrepiando o ambiente. Adão parecia hipnotizado. Na verdade era uma bela peça. A melhor. E os ensaios estavam perfeitos.

Adão sentiu lá no fundo, no âmago, que se ela fosse Eva, seria o homem mais feliz do Universo. Ela era tão linda, que uma dor golpeava no peito. E abstraído na música, percebeu pouco a pouco que nada sabia da bailarina. Sequer o nome. Apenas que tinha um irmão ciumento, que a cuidava como cão de guarda, e uma dúzia de bichos que a esperaram em redor desse teatro. Eva e Alain possuíam carro aéreo, e dentro dele viajavam mais bestas do que pessoas. Eram gatos, cachorros, e até duas panteras pretas como a noite. Alain falava que seus bichinhos eram parte da família. Nossa! Família esquisita. Afinal, quem seriam eles?

E foi por isso, que a invitou para a festa da orquestra. Sozinha. Sem panteras em redor. Eva deu um beijo na cara de Alain e gritou:

— Não fica preocupado, que estou em boas mãos... E não te esquece de levar as pretas a comer no mato...

Depois seguiu Adão, caminhando entre uma turma agitada, atravessando um parque florido, onde uns bandos de gaivotas barulhentas borbulhavam no ar. Ambos beberam vinho doce, grosso, delicioso, num canto de um bar aberto da cidade, aonde a juventude se reunia fazer bagunça. Conversaram e riram com os músicos, pois gostavam de contar piadas noite adentro. Eva olhava Adão cinicamente, olhos brilhando de sedução. Examinava sua cara, seu perfil perfeito, sua boca sensual, seu sorriso de anjo, e suspirava com dissimulo. E se negava a falar seu nome, alegando que ele tinha que adivinhar onde a conhecera em reencarnações já vividas. Escutou-o falar o quanto era apaixonado pela sua mulher, o quanto a procurava, e que estava desesperado, pois queria iniciar sua prole. Contava que tinha uns 10 filhos para trazer a esse mundo, e que ser pai era a maior felicidade em todas as vidas. E Eva perguntou-lhe:

— Como ela é? Linda?

— Nem tanto quanto tu. É mais bem doce, ela tem um encanto especial...

— Tens que começar a beijar! Fecha os olhos, beija, e vai descobrir com a boca o que teus olhos não enxergam! O mestre falou isso para mim! Mas, eu nunca beijei ninguém, juro. Sou virgem de boca, de corpo, de tudo. Nunca olhei para homem, só para ti!

E rindo, Adão esquivou-se com educação, pois essa história do: — tem que beijar, já escutara de cinquenta amigas apaixonadas por ele.

Tarde da noite foram caminhando, e sentaram numa praça vazia, onde Adão sentiu a tentação do beijo. Sem compromisso. Só queria ensaiar. E sentiu. Essa loira ofegava como Eva, mexia a língua que nem ela, o acariciava na nuca com o mesmo toque de mãos, e cheirava forte, pois dançara tarde toda. Nossa! Esquecera-se de analisar o cheiro! Sândalo, suor, que o excitaram tanto, ao ponto de querer tê-la imediatamente. E apertou-a tanto, mais tanto, até escutar o que desejava saber: — Tá me reconhecendo, querido? E Adão parou o beijo, olhou-a com atenção, e disse: — Doida, sua doida! você queria era me torturar? porque não falou que era você?

E Eva começou a gargalhar alto. Depois se beijaram de novo, mas desta vez com paixão, pois Eva mal respirava. Adão tinha os braços em redor como garras. E ambos ficaram ali, até o dia clarear. Quem os viu de longe, eram dois adolescentes bem comportados, se beijando sobre um banquinho de madeiras com respaldo alto. Não dava para ver que estavam numa relação amorosa, que durou a noite inteira, durante a qual Eva engravidou de Amon-rá.

Notas finais
Naquele dia, Eva cruzou o palco dando piruetas, como uma gazela, enquanto seus cabelos dourados e soltos, giravam em redor dela como um emaranhado que enfeitiçava pela beleza. Seu corpo escultural realçava seus seios dentro de um sutiã rendado, sua barriga estava à mostra, e com a saia levantada dava para ver duas pernas bem contornadas, nádegas firmes, na verdade era a mais bela mulher desse planeta. Foi sendo rodeada por outros bailarinos, até que Alain entrou em cena. Eva deu um pulo no ar, e Alain a manteve no ar com a mirada, levitando-a, boiando, e caindo como uma leve pena no ar. Eva girou o corpo com varias piruetas, enquanto sua roupa balançava, seu corpo se curvava com movimentos sensuais, olhando Adão com sedução.