Notas iniciais
Enquanto Eva admirava a cidade em pé nessa varanda, pois a civilização tinha seus encantos, Adão abraçou-a por atrás, beijou pescoço e começou a abrir o zíper do vestido. E puxar as roupas não foi tão complicado assim. Terrível foi desmanchar o penteado de Eva. Eram quatro tranças enroladas, cruzando sobre a cabeça em forma artística. Adão puxava os grampos do cabelo com delicadeza, mas mesmo assim doía. Quando todas as tranças estavam desenroladas, Eva estava com uma baita dor de cabeça e seu couro cabeludo avermelhado. Entrou na banheira, submergiu virada para baixo. Conseguia flutuar, com os braços estendidos. Sentiu o malandro sobre ela mordendo seu cangote, beijando-a, e se aprontou a ser amada mais uma vez.

Enquanto Adão e Eva percorriam tudo com olhos arregalados, ingressando em corredores sem fim, foram encontrando rapazes de regresso, pois aluno ocioso era devolvido logo para as aldeias do planeta. Nenhum mestre perdia tempo insistindo em colocar conhecimento em cabeças de gente burra. Mas, ninguém voltava triste, não. Tinha os que riam, e falavam-lhe ao passar junto de Eva: — coitadinha, não sabe o que lhe espera! Já outras gurias a abraçavam e lhe diziam aos ouvidos: — a nota mínima é “um” amiga, não esqueça! E corriam para se deixar cair na luz que os levitava como folhas ao vento, e os colocavam em meio dos amigos, da família, das paqueras, pois a maioria eram jovens descompromissados.

Quando essa nave ficou lotada de calouros, e depois de banir os repetentes, os mestres da Lua se apresentaram e lhes falaram que veriam um filme sobre o lugar para onde estavam viajando. Imediatamente uma tela gigante mostrou uma Lua branca com muitas cúpulas de vidro azul. Todos gargalharam. Parecia uma bola para bater com o pé, com pontos azuis pintados nela. A seguir a câmera foi mostrando mais de perto as cúpulas transparentes por sobre as cidades, e por último o que havia dentro delas. Observaram edifícios com apartamentos, com pessoas em cada janela aberta. Dava para ver sacadas com casais tomando Sol, de biquíni, pois ali não era permitido o nudismo. Entre eles, serpenteando como cobras, o metrô da cidade fazia piruetas nas ruas aéreas mostrando toda a beleza da civilização. Foi quando o primeiro UAI saiu de todas as bocas.

A seguir os mestres os invitaram a se dividirem, pois homens teriam os cabelos cortados, e as damas aprenderiam a pentear as cabeças de formas diversas. Também deveriam usar outras roupas e colocar nos pés sapatos adequados. E duas fileiras começaram a se locomoverem em duas direções diferentes. Enquanto caminhavam as roupas simples desapareciam, poupando somente os enfeites ao pescoço como penas, sementes, pérolas, pois os adornos femininos faziam parte da personalidade de cada um. Foram banhados por água com desinfetantes, os piolhos desapareceram das cabeças, e um xampu deixou as cabeleiras sedosas como nunca. Trajaram uma roupa diferente, e os cabeleireiros começaram o cansativo trabalho de ensinar às damas a fazer uma trança. Depois a enrolar as tranças de variadas maneiras. Por último as orelhas ganharam brincos, que doeu com a picada no lóbulo, um robô injetou-lhes no pescoço uma agulha com alguma coisa, e outros robôs lhes fizeram maquiagem definitiva. Depilaram sobrancelhas, colocaram cílios longos, pintaram bocas, e finalmente ganharam joias. Eva, que chegara com seus colares de pérolas brancas, escolheu uma pulseira no braço que combinasse com elas, dois anéis e brincos pequenos de pérolas cor marfim. Ela só não gostou dos sapatos. Dava dor nos pés. Agora, amou seu vestido azul marinho, que se ajustava ao seu corpo realçando cada curva com notoriedade, e adorou os brincos, que brilhavam tanto quanto seus colares.

Assim que Adão a viu com essa pinta afrodisíaca, teve vontades de violentá-la ali mesmo, como um canibal. Eva frente ao homem mais belo do planeta e mais bem penteado, cabelos para trás, roupa preta da cabeça aos pés, quis beijar. E se beijaram longamente, para todos saberem que eram casados pela eternidade, e ninguém podia tentar os separar. Em seguida caminharam abraçados, e de vez em quando Adão deixava cair à mão para baixo para apalpar as nádegas, rindo descaradamente. Outras vezes dava um beijo furtivo no pescoço, que estava impregnado com um perfume erótico sob a pele. Mexia as sobrancelhas, em forma esquisita, e Eva ria dele. Imaginavam-se puxando a roupa dentro de um dormitório e gargalhavam mais alto ainda.

Quando a nave entrou no aeroporto espacial, uma comitiva de mestres os esperava em frente de um edifício gigante. Todos os novos alunos desceram, formando uma fila para ouvi-los, e com telepatia e a viva voz, o diretor do Ensino Básico os recebeu com palavras breves e sucintas, falou-lhes que estudariam pelo tempo de seis anos lunares. Seriam avaliados periodicamente com notas entre “um” até 20. Quem reprovasse todas as matérias, seria devolvido ao planeta. Quem estudasse e aprovasse todas as provas entraria na Escola Superior. E por último, os alunos brilhantes, os gênios, iriam para as Universidades. A carreira de Espiões interespaciais ficava como último patamar. Como uma especialização posterior, enfatizando que só pessoas muito aplicadas chegavam nela. Por tanto, quem estava com a esperança de ser Espião, o conselho era estudar, estudar e estudar. Acrescentou que não seria aceito o nudismo, nem ficar em casa repousando, ou, dormir em sala de aulas, e muito menos faltar o respeito aos mestres. Estavam ali para aprender. Podiam dançar nas inúmeras casas de festas, assistirem filmes nos cinemas, e havia parques naturais com pequenas lagoas para fazer piquenique e matar as saudades de casa. Mas sexo explícito em público, tampouco seria permitido. Os casados viveriam em casas apropriadas, com todo o conforto. Solteiros viveriam sozinhos, em quitinetes de um ambiente, com um robozinho que cuidaria da limpeza. E não havia como fugir dali. Teriam que encarar.

Assim que o Diretor terminou o discurso, Eva percebeu que amigas de infância choravam. E Adão viu amigos com cara enrugada. Eles se ponderavam baixinho: — Mas que droga! E se abraçavam e falavam, mais baixo ainda: — São só seis anos lunares, cara, embora ninguém ainda soubesse o que era um ano lunar.

Em seguida casados subiram nos carros azuis, e solteiros, que eram a grande maioria, em trens. Enquanto os carros empreendiam o voo, o trem subiu em trilhos que serpenteavam entre os edifícios, subindo e descendo como uma montanha russa de um parque de diversões, de outro planeta.

Eva e Adão desceram no terraço de um arranha céu, em cujo lugar existia um jardim encantado e uma piscina grande no telhado. Várias pessoas, estendidas sobre cadeiras infláveis, em trajes mínimos, acenaram para eles com a mão e lhes mostraram o elevador.

Desceram admirando o que havia em cada andar. No último andar encontraram um restaurante com robôs garçons. Nos andares seguintes lojas com roupas. Mais embaixo danceterias, ou casas para jogar boliche, sinuca, e vídeo games. Na sequência estavam os cinemas, as salas de espetáculos de teatro, danças, e exposições permanentes de arte e artesanatos. E mais embaixo estavam os apartamentos. O deles era no décimo andar, apartamento número 7. Abriram a porta, pois nesse mundo chave não existia, e viram os sofás, as cadeiras, a cozinha adjunta, e um dormitório com um guarda-roupa generoso, pois havia trajes muito variados para ambos. No centro estava a cama redonda, e havia uma banheira encostada numa parede onde cabia um casal apaixonado, e mais lá uma patente para fazer cocô dentro de um cubículo prateado. Na sacada encontraram um jardim, alguns passarinhos voando, além de borboletas, um ninho de abelhas, mosquitinhos, moscas, pernilongos, e toda a bicharada menor que mora perto dos vergéis.

Enquanto Eva admirava a cidade em pé nessa varanda, pois a civilização tinha seus encantos, Adão abraçou-a por atrás, beijou pescoço e começou a abrir o zíper do vestido.

E puxar as roupas não foi tão complicado assim. Terrível foi desmanchar o penteado de Eva. Eram quatro tranças enroladas, cruzando sobre a cabeça em forma artística. Adão puxava os grampos do cabelo com delicadeza, mas mesmo assim doía. Quando todas as tranças estavam desenroladas, Eva estava com uma baita dor de cabeça e seu couro cabeludo avermelhado. Entrou na banheira, submergiu a cabeça, virada para baixo. Conseguia flutuar, com os braços estendidos. Sentiu o malandro sobre ela mordendo seu cangote, beijando-a, e se aprontou a ser amada mais uma vez.

E os dias e noites se sucederam. Afinal, estavam numa Lua que girava tão rápido, que os dias e noites iam e voltavam sem ninguém saber do porquê.

Mas, os mestres eram pessoas sábias. Sabiam que a rotação do planeta era lentíssima, pois era um gigante, e marcaram as aulas conforme o horário dele, para não alterar o relógio interno dos recém-chegados, por esse motivo a sirene da escola tocou alto, depois de oito dias lunares. O mínimo de tempo que os casados necessitavam para namorar e ficarem satisfeitos.

Adão sentiu a sirene escolar chamando para aulas, chateado. Soltou Eva e falou-lhe:

– Faça um buraco nas calcinhas, e use somente vestidos amplos. Saias volumosas. Eu vou colocar uma bermuda. Vamos sentar nos jardins, e enganaremos a todos esses mestres. Não vou conseguir viver sem sexo por tanto tempo.

Eva caiu na gargalhada. O que ia ser deles dali em diante? No planeta mal ficavam desgrudados para catar frutas e legumes do chão. E o que era pior ainda, nessa escola homens e mulheres estudava em salas apartes. E falou:

– Amor, sua memória é fotográfica. Como vai evitar aprender tudo o que eles falam? Você não vai conseguir os enganar! Nunca vamos ser reprovados!

– Hum... Esqueceu-se das provas? São em frente a robôs... E é só falar: — Eu não sei! Venha, vou fazer suas tranças.

– Só me faz uma nas costas, e bem solta, meu querido.

E saíram abraçados, se beijando, até chegar ao elevador de luz, onde levitavam até o último andar.

No térreo encontraram um salão de café com cinco robôs vestidos como garçons. Beberam um copo de suco de laranja, uma bolacha de mel, e a seguir caminharam pelas ruas, abraçados, até chegar em frente ao educandário. Entraram na fila que se dirigia aos refeitórios, para fazer o desjejum. Um banquete. Mesas com coisas que cheiravam delicioso. Pães doces e salgados em formas pequenas, redondos, quentinhos, recém saindo do forno. Ovos mexidos com ervas finas, ou com tomates, ou com uma coisa, que ninguém sabia o que era, mas de sabor gostoso. Gelatinas com frutas. Pudim com calda de caramelos. Tortas salgadas com legumes, aos centos, já outras eram de frutas com cremes e caldas de chocolates escorregando. Chocolate quente e fumegante para beber com bastante leite. Chãs em inúmeras chaleiras. Manteiga para o pão. Queijos. Marmeladas. Enfim. E Adão comeu de tudo. Seu estômago doía de tão inchado.

A seguir foram conhecer as salas, os ginásios, os banheiros, pois a primeira coisa que aprenderam nesse dia, era que fazer cocô era obrigatório. Ou então atrofiariam os intestinos, o reto, e ficariam doentes. As patentes lhes desintegrariam as fezes, lavariam a bunda e as secariam, passariam talco perfumado, ou pomadas.

Uma gargalhada geral invadiu o ambiente. Amigos de Adão falavam baixinho:

– Viemos até aqui para aprender a cagar, cara...

E riam em coro, mais alto ainda.

Depois se entrou na sala de anatomia, em cujo lugar corpos artificiais mostravam-lhes as partes internas de pessoas e de bichos. A seguir conheceram a estufa onde germinavam sementes, mais além os laboratórios de química onde se observava seres invisíveis nos microscópios, depois foram até os telescópios a mirar para as estrelas, percorreram as salas de artes, onde se pintava, fazia cerâmica, se teciam tapetes a mão. Finalmente as salas de música com alunos tocando melodias divinas, as salas de balé, onde se dançava na ponta dos pés, as salas de teatro onde se encenavam coisas engaçadas, e por último viram as cabines individuais onde o aluno estudava sozinho com audito-nos nas orelhas. Eram idiomas, de uns 50 planetas diferentes.

E para fechar o dia, foram levados ao templo. Uma pirâmide grande com um espelho na parede, onde os alunos podiam ver a família, ou, ver as vidas passadas, ou ver o futuro, ou falar com as almas. Mas, tudo isso só acontecia em silêncio, com a concentração da mente, e com o controle emocional. Se um deles chorasse em frente à imagem da mamãe, a figura desapareceria.

Mais uma risadinha generalizada.

Mesmo assim, os mestres concentraram suas mentes potentes, e o planeta ficou ao descoberto como numa tela de cinema. Adão viu Belzier e seus potros, Eva viu suas panteras, que ficaram rondando as aldeias, esperando-os um dia ver regressar. Depois viram seus pais, irmãos. Os amigos de infância que se encontravam junto choraram quais bebezinhos. Afinal, cada um, via coisas diferentes, conformes seus interesses. A sua mãe, ou, irmãos amados, ou, seus bichos de estimação.

Saíram do templo em silêncio, pois a saudade de casa doía na alma. E caminhando quais robôs, entraram nos refeitórios para o último banquete do dia. Enquanto limpavam as mesas de suas gostosuras como trogloditas selvagens, eles escutaram seus nomes, um a um, e o que cada um iria a aprender no dia seguinte. Tinha os que iniciariam com as artes, já outros com idiomas, outros com biologia, e o único momento em que estariam todos juntos seriam nos ginásios esportivos, durante as tardes.

E finalmente correram de volta ao lar, com Adão febril, pois passaram três dias lunares de mãos dadas, sem sequer dar um beijo de línguas. Entraram no apartamento, afoitos, atracaram-se contra a parede, e a paixão tomou conta, durante cinco dias lunares, até o instante que a sirene os tirou da cama, para mais um período de estudo.

Adão começou a estudar biologia, enquanto Eva era levada aos teares de tecelagem.

Já no laboratório, Adão viu um boneco de jacaré, enquanto os mestres explicavam o nome dos órgãos, sua utilidade dentro do organismo, como se tudo fosse uma máquina perfeita. Também aprendeu como funcionava o cérebro do bicho, como ele pensava, como se comunicava com seus semelhantes, como os repteis liam a mente de outros seres do reino animal, e seu lugar na escala da evolução.

O mestre interrompeu para saber se alguém sabia falar com animalejos. Adão imediatamente levantou a mão. Contou como Belzier era seu amigo, seu camarada, e que haviam vivido juntos muitas vidas. Na encarnação anterior ele fora um Pégaso que voava, e antes disso, em outras vidas passadas, um unicórnio gigante.

Metades dos amigos riram até engasgar, pois isso já todos eles sabiam desde crianças e ninguém acreditava nessas narrações. Mas quando o mestre falou que as bestas evoluíam, e que um dia Belzier seria homem como eles, os pessoais se entreolharam com olhos arregalados. Nossa! Nem dava para acreditar. Mas, os mestres eram sábios, gênios. E como telepáticos os alunos também sabiam que não existia lugar para enganações, telepatia, afinal, tinha múltiplas virtudes, e a ausência de engodo era uma delas.

O mais complicado dessa aula, porém, foi ter que fazer contato telepático com filhotes vivos de jacarés. Pior ainda ter que pagá-los no colo, fazer carinho como se fossem bebezinhos, colocar comida na boca, pois até esse dia ninguém sabia que bicho era telepático, pensava, e sentia emoções, e muito menos que um jacaré muito amado era qual um gato de estimação. Manso, mexia a cabeça com alegria, faziam carinho nos pés dos calouros, e corriam cada vez que alguém lhe oferecia uma guloseima e lhes dava na boca. Afinal, eles engoliam tudo. Adoravam pedaços de pão, bolo e bananas.

Longe de Adão, Eva teve que construir um tear primitivo. Até parecia uma piada. O tear que existia na sua aldeia possuía uma lançadeira que corria sozinha com a força mental. Este aqui não tinha nada de nada. Apenas fios na vertical. Teve que pegar martelo, serrote, pregos, e depois de pronto uma agulha com lã, e foi entrelaçando fio a fio manualmente, até dar dor nos dedos. E os mestres eram rigorosos. Faziam desmanchar, ou começar tudo de novo, pois além de tecer havia que misturar linhas para formar figuras.

Quando Eva terminou seu décimo tapete ela foi promovida para outras matérias e suas obras foram levadas para exposição de trabalhos, no salão principal dessa escola. Nos dias subsequentes ela aprendeu a tocar flautas, a dançar na ponta dos pés, e a ler e escrever.

Nas aulas de culinária, Eva descobriu finalmente para que servisse o que tinha dentro de casa, pois aprendera a ler fogão e a usar o fogão. Depois lia liquidificador e lhe era explicado como ele funcionava. Lia forno e colocava neles frutas com recheios diversos e assava. Mas para Eva, o mais difícil foi aprender a ler as embalagens dos alimentos em idiomas de outros mundos. Caixas congeladas com nomes como recheio ou massa de tomate, ou açafrão, os havia em 10 idiomas diferentes, numa listagem interminável de exercícios. No fim das aulas Eva estava com dor de cabeça, pois mente fotográfica era exclusividade de Adão. Ela só memorizava após muitas repetições mentais, anotações em cadernos, leituras e persistência. Não havia como preparar um banquete nessas aulas sem escolher os componentes certos.

Mas se nas aulas matutinas a mente trabalhava, durante as tardes o corpo se desenvolvia. Entravam nos ginásios vestidos de branco, todas as mulheres com malha sobre os cabelos, e faziam ginástica, saltos, corridas, ou jogavam bola. Também davam patadas, ou socos contra sacos de areia, e no fim do dia, havia lutas de mulher contra mulher e homem contra homem.

Assim que a sirene marcava o fim de todas as aulas acontecia uma algazarra generalizada. Tomavam banho nas piscinas desse ginásio, em seguida jantavam nos refeitórios, e por último saiam correndo, pois o regresso ao lar era o melhor momento do estudo. Casados a namorar como loucos e solteiros a uma festa, sempre na tentativa de que tudo terminasse em sexualidade.

Adão e Eva se beijavam pelo caminho. E assim que abriam a porta de casa, se atracavam contra a parede ainda vestidos. Beijavam-se, acasalavam, e caiam nessa cama gostosa para fazer uma única coisa, namorar até desmaiar.

E finalmente chegou o grande dia dos testes gerais, de todas as matérias aprendidas.

Adão fez cálculos matemáticos, e falou para Eva dar as respostas certas a cada cinco perguntas. Nas demais questões ela deveria fazer cara de ignorante. Mas necessitava ser convincente. Encenaram um em frente do outro, pois os robôs liam nos olhos dos mentirosos. Se o plano dava certo, logo seriam devolvidos para o mato, onde cavalgariam nus, e Adão receberia sua fertilidade, para engravidá-la de uns 30 filhos. Afinal, nesse mundo todo homem ficava estéril aos seis anos através de um toque demolidor nos testículos. Algo simples, que os próprios pais faziam para que jamais um filho colocasse um neto no mundo, fora da harmonia de uma união estável.

Eva sentou em frente a um robô examinador, e este lhe perguntou:

– Nome, por favor...

– Eva, esposa de Adão, e filha de João e Dina.

– Altitude e latitude de sua aldeia, por favor.

– Hum... Sei lá!

– Então está condenada a ficar nesta Lua para sempre! Não vamos saber onde é seu lugar no dia que tivermos que a devolver ao planeta! Agora, tente quebrar meu braço esquerdo com firmeza.

Eva pegou o braço, empurrou e empurrou até conseguir mexe-lo uns cinco cm. para esquerda. O robô falou-lhe rindo às gargalhadas:

– Como é que você sobreviveu até agora? Sua força física é igual a uma criança de três aninhos. Agora, por favor, olhe para meu olho direito e diga quanto é 50 vezes 8.000.

– Hum... Quatro! Mas com muitos zeros à esquerda! Não! À direita! Isso!

E desta vez o robô riu com vontades. Esses calouros sempre o divertiam com a sua ignorância.

Depois de meio dia de perguntas e respostas hilariantes, o robô lhe deu um abraço e falou-lhe:

– Dê um abraço na sua mãe! Sua nota média é três!

O que Adão e Eva nem suspeitavam, era que havia os mestres incógnitos que ninguém conhecia. Eles deambulavam em todo canto, se fazendo passar como alunos universitários, e cumprimentavam os calouros nos diversos idiomas que estavam estudando. Fotografavam calouros lendo embalagens em supermercados, perguntavam sobre as coisas que estavam levando, e puxavam conversas sobre matemática, biologia, e outras matérias, sempre com intenções de ajudá-los em tudo. Esclarecendo questões difíceis. Amigos maravilhosos, que estavam por ali para socorrê-los. Depois dos testes com os robôs, os mestres examinadores descobriam mentirosos como Eva e Adão nas primeiras provas. E imediatamente eram recomendados para a Universidade. Nos anos seguintes tentavam descobrir todo o potencial do casal, com mil truques e artimanhas. Afinal, essa Lua estava cheia de espiões.

Depois dos exames, chegaram às merecidas férias.

Todos os calouros subiram numa nave, voaram para outra Lua, onde havia castelos encantados com lagoas, jardins exuberantes, cachoeiras, dentro de redomas tão grandes, que cada uma delas cobria um décimo da terra lunar. Receberam roupas maravilhosas, maiôs para tomar banho, remos para cruzar as lagoas em barcaças de madeira, e uma suíte onde havia assentos para fazer amor, piscina interna, e em cujo lugar todas as paredes eram de vidro espelhado, para ver o mundo lá fora, e manter a intimidade do casal.

Notas finais
Eva sentou em frente a um robô examinador, e este lhe perguntou: — Nome, por favor... — Eva, esposa de Adão, e filha de João e Dina. — Altitude e latitude de sua aldeia, por favor. — Hum... Sei lá! — Então está condenada a ficar nesta Lua para sempre! Não vamos saber onde é seu lugar no dia que tivermos que a devolver ao planeta! Agora, tente quebrar meu braço esquerdo com firmeza. Eva pegou o braço, empurrou e empurrou até conseguir mexe-lo uns cinco cm. para esquerda. O robô falou-lhe rindo às gargalhadas: — Como é que você sobreviveu até agora? Sua força física é igual a uma criança de três aninhos. Agora, por favor, olhe para meu olho direito e diga quanto é 50 vezes 8.000. — Hum... Quatro! Mas com muitos zeros à esquerda! Não! À direita! Isso! E desta vez o robô riu com vontades. Esses calouros sempre o divertiam com a sua ignorância. Depois de meio dia de perguntas e respostas hilariantes, o robô lhe deu um abraço e falou-lhe: — Dê um abraço na sua mãe! Sua nota média é três!