Across Time
7 Capitulo 7
Notas iniciais

A aflição em seu peito não cedia, cada instante sentia como se meu coração fosse sair pela boca, toda aquela situação beirava o surreal, mesmo em vista de tudo que passamos até agora, porque justo ele? Parecia que sempre tinha algo perseguindo esse menino, para mim, era o que ele era, um menino, meu eterno menino, deitado em meio aos lenções, não conseguia parar de pensar naquele menino, sorriso, cabelos, tudo, parecia que tudo na sua vida, sempre lhe mandara em direção ele, por um tempo, achou que estava apaixonado por ele, o que mais explicaria essa preocupação insana? Esse sentimento de que sempre teria algo a espreita para feri-lo, não se lembrava desde quando tudo se tornara tão pessoal para ele, proteger esse garoto era tudo pra ele, tudo que ele tinha.
— Por quanto tempo vai ficar ai resmungando
Com um sobressalto, viu que era observado, como aquele ser conseguia ser tão diferente de si e tão igual ao mesmo tempo? Ele o olhava com reprovação, como se estivesse fazendo algo que não deveria.
—Não estou resmungando Sa
—Sim estava, e porque aperta tanto o centro do peito? Dói tanto assim? – disse lhe apontando no centro do peito.
Não havia notado que estava fazendo isso, minha camiseta estava completamente amassada e os nós dos meus dedos brancos, devia estar apertando com muita força, desde quando estava naquela situação.
— Irmão, você precisa deixar isso para traz, isso não vai de trazer nada de bom – Saga ponderou com um olhar amável, odiava que o irmão sofresse.
— Eu sei, mas não deixo de me preocupar neh, não sabemos o que pode acontecer com ele, e se Camus falhar? Deviam ter permitido que eu fosse em seu lugar, eu poderia.
— Você não poderia nada Kanon, coloque isso na sua cabeça que será melhor para você, Camus ama o Milo, e o que vocês tiveram ficou no passado, assim como o que eu tive com o Camus, já passou da hora da sua vida seguir o rumo- dito enfático, o irmão precisava ser chamado a realidade, ou apenas se machucaria cada vez mais.
— Eu sei, Eu sei, e não amo mais o Milo, bom, notei isso quando éramos namorados, eu não o amava, bom, eu o amava sim, mas não dessa maneira, e sinto que você viu o mesmo com o Camus.
— Então porque insiste em ficar sempre perto? Sempre se joga na frente quando é algo que diz respeito a ele?
—Eu não sei, apenas quero cuidar dele, sinto como se fosse minha missão, eu me preocupo entende?
— sim entendo, sinto o mesmo com todos aqui, fui o grande mestre por muito tempo, sempre protegerei esses meninos com a minha vida, mas não justifica esse seu sentimento.
— não sei saga, apenas não sei, apenas o quero de volta, são e salvo.
—Que Athena te ouça irmão.
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Camus estava estático, seu corpo inteiro doía, as viagens lhe tomavam muita energia, cada lembrança, cada lugar, tudo parecia lhe exigir muita cosmo energia, seu corpo estava exausto, chorava como uma criança desamparada, não aguentava mais aquilo, porque tinha que presenciar tudo isso, porque o destino insistia em machucar quem lhe era tão querido, tão amado, seu coração doía a cada passo, visualizada todos os ataques ao pequeno bebe, quedas, leite quente, por vezes o deixavam trancado em algum quarto chorando por horas, clamando por carinho e atenção, berrava de fome, o colocavam em banheiras com a agua fervendo, ou o deixavam completamente nu as margens de algum rio, e sempre Camus rezava para que alguém aparecesse e salvasse seu amor, sabia que tudo isso não lhe era infligido por mal, cada vez que Milo se encontrava longe do grande mestre, uma aura negra pairava ao seu redor e tomava o controle de quem estivesse perto, um brilho negro e uma expressão maligna tomava conta de suas feições, e se continuava a machucar o bebe, Milo era pequeno e estava cada vez mais fraco, por sorte Milo era destinado a ser um cavaleiro de ouro, caso contrário já teria sucumbido aos maus-tratos, seu pequeno corpo tinha tantas marcas, tantos machucados.
Camus não poderia usar seu cosmo para pedir ajuda, já tentara outras vezes, não conseguia, seu cosmo já não era percebido, não podia empurrar nada para chamar a atenção para onde estava o bebe, isso também já tinha falhado, era obrigado a assistir em silencio tudo que acontecia a seu amor, sem poder ajudar, sem poder lhe dar o carinho que tanto precisava, via o pequeno bebe esticar os braços em sua direção e chorar com toda a força que seus pequenos pulmões podiam se proporcionar, por vezes sentia que a criança podia vê-lo, seu coração doía tanto, queria tanto tomar aquele pequeno e lhe dar todo o amor que merecia, cada lagrima dele era com uma facada em seu peito.
Neste momento presenciava mais um ataque, desta vez Saga, apenas um garoto, dominado seja lá pelo que estava tentando machucar aquele que mais amava, o Garoto não tinha culpa, seus braços seguravam o pequeno corpo do bebe embaixo da agua da banheira, seu pequeno corpo clamando por oxigênio, pequenas lagrimas, escapavam pelos olhos de Saga, ele não podia controlar o que estava acontecendo, mas seu coração bom o alertava para o que estava acontecendo, Camus sentia o desespero tomar conta do seu corpo, sentou- se no chão e pôs se a chorar, não sabia o que fazer, mais uma vez ele via seu amado sofrer e o que ele podia fazer para salva-lo ? nada. Restava esperar para que os deuses enviassem a salvação para aquele que amava.
Dor, Medo, Angustia, Nada poderia definir o que sentia naquele momento.
— Sa sabe onde está o pa....- Kanon parou de súbito ao ver a expressão dolorosa e lagrimas lhe banharem a face, logo seu olhar se dirigiu para o que seu irmão estaria segurando.
Não soube dizer o que empurrou seu corpo para frente o jogando para longe da banheira, seu coração batia descompassadamente e o medo lhe permeou a alma, arrancou o bebe de dentro da agua, seu corpo estava perigosamente mole, e uma coloração roxa se fazia presentes nas faces do bebe.
Foi mais forte que ele, colocou o bebe no chão e se pôs a soprar grandes golfadas de ar na boca do pequeno enquanto lhe tapava o nariz, assoprou com força e lhe fez a massagem no peito, e repetiu o processo, pedia a deusa que salvasse o pequeno, não permitiria que o pequeno se fosse, algo no seu corpo vibrava como se cada célula sua dependesse daquilo, aquele bebe não podia morrer, ouvia ao fundo Saga chorando e pedindo perdão, o medo lhe permeava a espinha, como que por um milagre a agua saiu a boca do bebe e ele começou a chorar, a coloração rosada lhe voltando as faces, subiu o bebe até o colo e lhe aparou batendo de leve nas costas, aos poucos o pequeno parou de chorar e abriu seus pequenos olhos, eram de um azul tão intenso, parecia um anjo com aqueles cabelinhos dourados, sorrindo para ele, um anjo só podia ser, lhe sorriu de volta e lhe afagou a face.
—Irmão eu, eu não sei o que aconteceu, eu não queria machuca-lo, não queria- Saga dizia entre soluços arrependidos.
— Sa eu cuido dele a partir de hoje- disse fazendo carinho no rosto do bebe, sem olhar o irmão.
—que? Mas você saber as regras kanon, ninguém pode saber que você existe lembra? Você tem que ficar escondido- respondeu enquanto limpava o rosto das lagrimas, chorava apenas na frente de seu irmão e jamais permitiria que alguém o visse com o rosto inchado.
—então diga todos que você que está cuidando dele, mas serei que irei cuidar, ninguém vai contar, aposto que ele nunca vai dizer – disse enquanto fazia cocegas no rosto do bebe com o nariz- não é mesmo pequeno? — o bebe ria com o carinho.
—mas kan, ele vai crescer, ele também não pode saber sobre você- seu irmão sairia machucado dessa história, ele não podia se apegar ao garoto.
—Quando chegar a hora eu me afasto, e posso continuar olhando de longe, apenas o quero seguro, e isso não está aberto à discussão.
—Tudo bem, faremos o que for possível.
—Viu pequeno? Agora tudo vai ficar bem – Kanon acariciava o rosto do pequeno.
Camus não acreditava no que estava vendo, kanon tomou para si o cuidado de seu amado, isso explicaria toda aquela implicância sobre sempre querer estar perto do Milo, sempre presente, sempre querendo cuidar, sempre que Milo ficava doente ele era o primeiro a surgir com os remédios, como se sempre soubesse do que Milo precisava antes mesmo de precisar, Kanon salvou a vida de Milo, mesmo que ele não lembrasse disso, e isso explicava o laço tão forte que unia os dois, seu peito doeu, a dor do ciúmes, da inveja, não, não poderia se sentir assim, Milo já provara muitas e muitas vezes o tamanho do sentimento que os unia para que ele duvidasse de seu amor em um momento como esse, não podia fraquejar neste momento, seu amado precisava de ti.
Sentiu mais uma vez aquela energia o puxar, essa não, de novo aquela viagem, não queria ver mais coisas assim, o que perseguia seu amado, o que insistia em machuca-lo, porque nunca percebeu essa aura negra sempre o rondando, a força o vórtice o engoliu e sentiu seu corpo se partindo, dor, muita dor, seu corpo atingiu algo duro, então seu mundo apagou.
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Definitivamente aquele não era um dia bom , primeiro surgia no santuário sem mais nem menos, descobrira que estragara a vida do único, que ele sempre respeitou, deu um fim em uma cavaleiro de ouro, sem saber, porque sim, independente do que todos diziam, sim ele era o culpado, por culpa dele que o Milo tinha feito essa barganha, por culpa dele o mestre estava sumido, por culpa dele, todos estavam apreensivos com tudo que estava acontecendo, sim ele é o único culpado, será que mesmo morto ele só causaria problemas pro Mestre? E agora tinha que aguentar esse namoradinho do Hyoga na frente dele, não que o rapaz fosse alguém ruim, mas só a presença dele o enojava, lhe dava uma vontade imensa de lhe enfiar um “aurora boreal” na cara, toda essa educação, essa gentileza, e o jeito como o Hyoga olhava pra ele? Eca, sim definitivamente iria vomita, por que mesmo que ele tentou dar a vida pra salvar o colega, ah sim, amava o, e agora tinha que aguentar toda essa melassão na sua frente, queria congelar os dois na cadeira e não os olhar mais, cada palavra, cada gesto, tudo o irritava profundamente.
—Issac você quer mais frango? – Shun perguntou gentilmente.
—Não- respondeu ríspido, enquanto via Shun direcionar mais uma garfada para os lábios do loiro, serio isso? Por que tinha que ver isso.
— irmão você deveria comer- Hyoga se pronunciou de boca cheia.
— Amor, não fala de boca cheia – Shun bronqueou delicadamente enquanto aproximava o guardanapo nos lábios do outro.
Definitivamente iria vomitar.
— estou cheio, obrigado- sem dar tempo de resposta isaac se levantou deixando os dois confusos na cozinha.
— eu falo com ele- Hyoga se levantou e foi atrás do irmão.
Issac já tinha se direcionado ao quarto de hospedes aonde estava instalado, a casa de repente se tonara tão pequena, não existia oxigênio suficiente naquele planeta que pudesse ser capaz de o saciar, queria sumir, queria fugir, não poderia ter continuado morto? Assim não precisaria aguentar tudo isso, poderia viver feliz na ilusão de que em algum lugar do universo ele e Hyoga ainda estariam juntos, que poderiam se abraçar e se amar, queria voltar para aquele casebre em que treinavam, onde trocavam beijos escondidos de seu mestre, daria a vida pelo outro, mas a troca de que? Agora não havia espaço para ele, em um rompante, Isaac se pôs a chutar os moveis, sentia tanta raiva, de si mesmo, por que suportar tudo isso.
—Isaac? Irmão? Tudo bem? – Hyoga entrou apreensivo no quarto.
—IRMÃO É O CARALHO- explodindo de raiva jogando tudo que tinha no quarto, seu olhos vertiam lagrimas de ódio, como o outro podia esquecer tudo que eram um pro outro? Como se já não bastasse terem que batalhar no pilar de Poseidon, ele deu a vida por ele duas vezes, duas vezes, e como era retribuído, era trocado – ME DEIXA EM PAZ, NÃO QUERO VOCE PERTO DE MIM, NUNCA MAIS- gritava e jogava tudo do quarto na direção do loiro, Hyoga se desviou como pode e fechou a porta ouvindo o estrondo das coisas batendo na porta- EU TE ODEIO.
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—Não morra Camus, por favor, por favor não morra – Ouviu voz chorosa de uma criança-não me deixa sozinho, por favor- chorava baixinho dolorosamente.
Camus abriu seu olhos lentamente, e próximo a si, viu uma criança com as roupas sujas e rasgadas, havia manchas de sangue em suas pernas, seus cabelos estavam opacos e sujos, a criança estava ajoelhada ao chão abraçando, um pequeno gatinho do pelo avermelhado, seu corpo tremia a cada soluço, que balançava seu pequeno corpo, havia hematomas em todo seu corpo, chorava e implorava pela vida do felino, Camus reconheceu aquela criança, não tinha como não reconhecer, seu amado chorava pelo pequeno gatos em seus braços.
—Não me deixa Camus, pela Deusa por favor, Não me deixa- Chorava o garoto.
—Não vou meu amor, nem que custe minha vida, eu jamais vou te deixar- respondeu ao garoto com lagrimas nos olhos, mesmo que ele não pudesse o escutar.
—Aonde se esconde verme? – Camus viu o corpo do menino tremer, e parar de chorar, o viu apertar o frágil corpo do gato junto ao peito, e viu o brilho do medo passar por suas faces.
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