Across The Universe
5 Algumas mentiras valem mais que algumas verdades.
Notas iniciais
Eu comecei a gritar no meio da loja e ela não estava nem aí.
–MILEY, VOCÊ NÃO PODE BEBER! VOCÊ ESTÁ ESPERANDO UM FILHO!
–Demi dá pra parar de gritar ? Eu nem quero esse bebê.
–Tá bom, o que você está falando agora ?
–É sério Demi. Não quero.
–Você quer matar o seu filho ?
–Eu não sei. Só não quero ele. Não agora.
–Você não pode estar falando sério.
–Eu não sei o que fazer, tá legal?! Esse filho vai acabar com a minha vida!
Miley pagou e pegou suas cervejas e foi em direção ao seu carro.
–Miley espera !
Fui atrás dela. Ela entrou no carro e bateu a porta com muito força e raiva. Entrei no carro logo em seguida, ela acelerou, abriu uma latinha e aumentou o som.
–Miley ?
Ela me ignorou.
–MILEY, FALA COMIGO!
–QUE FOI ?!
–O que você quis dizer com 'esse filho vai acabar com a minha vida' ?
–Nada Demi, esquece isso.
–Esse filho é do Liam, né ?
Ela virou a cabeça me ignorando, pisou no acelerador com mais força e colocou o volume do som no máximo.
–MILEY RESPONDE !
–Não, não é do Liam. Feliz agora ?
–E ele sabe disso ?
–Claro que não. E nem vai saber.
–De quem é ?
–Não te interessa.
–Miley...
–Eu não posso falar. Você não vai gostar de saber.
–Eu o conheço ?
–Como o seu próprio corpo.
–Eu não faço ideia de quem seja. Me diz ?
Ela mudou de assunto rapidamente. Me entregou um lata de cerveja. Fazia anos que eu não punha álcool na boca. Eu aceitei. Aquilo sempre me fragilizava. E tomei. E não parei. O assunto foi amenizado naquele momento.
Eram 14 horas. Estavamos sem destino algum. Paramos em um restaurante de beira de estrada, entramos e nos colocamos em uma mesa perto da porta. Fizemos nosso pedido. Ela não tocou na comida. Correu para o banheiro e parecia estar vomitando. Não demorou muito para voltar.
–O que houve ?
–Esse cheiro não me fez muito bem.
–Será o cheiro mesmo ?
–Demi, o ácool não faz essas coisas.
–Faz sim. Sabia que 6 meses é um período muito importante da gravidez ?!
–COMO VOCÊ SABE DISSO ? VOCÊ NÃO CHEGOU AOS 6 MESES! NEM ISSO VOCÊ FOI CAPAZ DE FAZER DIREITO!
Eu não podia acreditar que ela estava mesmo falando aquilo. Engoli o choro e não desmoronei. Mas aquilo machucou.
–Demi, me desculpa. Eu não deveria...
Antes que ela pudesse terminar eu me levantei da mesa. Eu precisava sumir daquele lugar. Aquilo machucou muito. Ela estava vindo atrás de mim. Entrei em uma banca que ficava junto ao restaurante e comprei uma caixa de cigarros. Eu ainda tinha o troco da conta do hotel, que Miley havia me arrumado. Entrei dentro do carro dela e comecei a fumar um cigarro atrás do outro. Fazia muito tempo que não sentia a sensação boa que o cigarro causava. Ela entrou no carro logo em seguida.
–Demi, por favor, me desculpa. Eu fui uma idiota. Eu fui não, EU SOU UMA.
–Tá tudo bem Miley.
Eu estava segurando o choro. Afinal, ela havia tocado em um dos assuntos mais frágeis que meu passado continha. Minha gravidez. Aos meus 15 anos eu engravidei de um cara que não dava a mínima para mim e nem para ninguém. Eu já não era tratada como gente pelo Robby. Ele já me maltratava.
Aos meus 4 meses de gravidez, eu perdi o bebê em uma festa. Sim, em uma maldita festa. Bebi fora da conta e peguei a moto do cara que se dizia 'meu namorado' na época. Eu ainda era muito nova para dirigir, mas Robby já havia ensinado a todos que moravam com ele a se viirar, fazendo comida, dirigindo, cuidando da casa e outras coisas.
Peguei a moto e sai desgovernada pela cidade. Como estava muito embreagada sofri o acidente. O ACIDENTE. Aquele que acabou com tudo. Perdi o bebê na hora, sofri graves lesões. Cuja uma, ainda prevalece. Uma lesão cerebral, que me deixa dependente de medicamentos contra transtorno de humor. Mas isso não vem ao caso agora.
Miley enfim decidiu dar a partida no carro. E recomeçamos nossa viagem. Eu não a culpava por ter dito aquilo. Nós, exclusivamentenós, falamos merda uma para outra. Foi sempre assim. E não mudaria isso agora. Prosseguimos ainda sem rumo. Eram 20 horas, resolvemos que iriamos para San Francisco. Faltavam apenas 90 Km.
22 horas. Estavamos exaustas. Viajamos quase 24 horas seguidas.
Entramos no primeiro hotel que vimos. Eu já havia esquecido do acontecimento do almoço. Resolvi deixar para trás. Agora era só eu e ela na 'jogada'. Precisava ter paz.
Nos hospedamos e saimos para comer algo. San Francisco, ah, San Francisco! Aquele lugar me fazia um bem tão grande. Quando meus pais ainda se amavam, e não havia brigas, eramos felizes em San Francisco. Isto era muito bom. Foi uma época muito boa. Mas infelizmente não durou para sempre.
Eu ainda queria saber o paradeiro de meus pais. Será que ainda estavam vivos ?
Entramos em um restaurante recatado. Nós não estavamos vestidas apropriadamente para ocasião. Na verdade, nunca estavamos. Mas isto não fazia diferença alguma, sentamos e esperamos alguém nos atender. Fizemos nosso pedido, comemos e partimos para o hotel novamente.
Miley se jogou na cama.
–Estou exausta!
–Digo o mesmo.
–Quer beber ?
–Acho melhor durmimos um pouco. Amanhã a gente bebe, pode ser ?
–Tudo bem...
Eu estava muito cansada. Precisava de um longo banho. Tirei minhas roupas e as coloquei sobre a cama. Entrei para o chuveiro.
Quando voltei, Miley estava falando com uma pessoa ao telefone.
–Espera um minuto. DEMI, DEMI ! CORRE AQUI !
–Que foi ? Quem é ?
–FALA AQUI !
Peguei o telefone para ver quem estava do outro lado.
–Alô... ?
–Deeemi !
Selena Gomez. Sim, Miley havia bisbilhotado em minhas roupas e achou o telefone de Selena. Conversamos por horas. E isto foi bom.
Depois de um bom tempo conversando, resolvi enfim perguntar.
–Por quê você sumiu ?
–Depois da morte de Taylor, eu não podia ficar naquela cidade nem por um minuto.
–E você está aonde agora ?
–San Francisco. Eu sei que vocês também estão aqui. Combinei com a Miley de nós três nos reencontrarmos amanhã.
–Certo...
–E você ? Por onde andou ?
–Eu passei esse tempo todo na prisão.
–Você foi presa ?
–Sim, fui. Sozinha. Sem cumplices.
–Mas você não o fez, sozinha.
–Eu sei bem disso. Mas eu fui a única que fiquei lá. A única que tentou ajudar.
–Demi, VOCÊ a matou.
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