Notas iniciais
A partir daqui, a história será contada em primeira pessoa. Espero que gostem, e deem suas opiniões....

Acordei assustada com o barulho estridente do despertador ecoando em meus ouvidos.
Meu corpo estava dolorido e eu percebi que estava caída no chão frio do quarto.

"Mais um pesadelo", pensei, me levantando e indo ao banheiro.
Lavei o rosto com água fria e olhei no espelho por um instante.
Eu me sentia horrível. Eu estava horrível.

As olheiras escuras sob meus olhos e as rugas no rosto denunciavam-me que essa havia sido uma noite difícil, cheia de pesadelos obscuros que me atormentam desde muito tempo atrás. Como todas as outras noites.

– Tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem...- Eu repetia enquanto alinhava os cabelos castanho-avermelhados que me caiam no rosto bagunçadamente. Esse era o meu mantra. Mesmo que eu achasse que não funcionasse.

Comecei a pensar nos meus pesadelos. Eram sempre os mesmos. Eu estava com minha mãe. Gritos, desespero e escuridão. Sempre assim. Aparte boa é que pelo menos eu conseguia vê-la, matando assim minha saudade. Mas a dor no meu peito seguia, cada vez maior.

Ao fitar-me no espelho, percebi que estava chorando.
As lágrimas quentes escorriam pela minha face. Lágrimas de angústia. Ninguém jamais entenderia o que eu estava passando.

De repente, fui despertada de meus pensamentos pelas leves batidas na porta e a doce voz de minha tia, parecendo preocupada:

– Sammy, querida, tudo bem aí? — Mariane falava calmamente — Não vá se atrasar para o seu primeiro dia de aula, Ok?

Sem responder, limpei minhas lágrimas, lavei o rosto mais uma vez e saí do banheiro.
Era o primeiro dia de aula pois eu havia sido transferida do último colégio por mal comportamento e falta de atenção (por motivos óbvios) e agora, torcia para que fosse bem este ano...

Terminei de me arrumar (o colégio não possuía uniformes, então coloquei uma roupa casual), peguei minha mochila e saí, sem me despedir de Mariane.

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Andei alguns metros pela calçada até perder de vista o sobrado onde eu morava, e parei em frente à vitrine de uma loja.
Fiquei olhando os manequins distraidamente, pensando.....
Eu não estava nervosa para o primeiro dia em uma escola nova, eu só não queria ter de aguentar aquela mesma coisa de sempre. Não era a primeira vez que eu era transferida, então já estava acostumada com aquilo.As pessoas ficavam em cima de mim, querendo saber tudo da minha vida, os professores faziam cara de pena só por ouvirem minha história, tudo que eu fazia de errado era culpa da "falta de atenção por conta da saudade dos pais" e etc. Eu não aguentava mais.... então, conclui que eu não queria ir para o colégio.

Retirei minha mochila das costas e coloquei-a disfarçadamente entre uns arbustos que haviam ali perto e continuei a andar normalmente pela calçada. Era o que eu sempre fazia, essa era minha estratégia para matar aula.

Ao virar uma esquina, entrei em um bar que havia ali... "Freddy's", era o que dizia a placa.
Lá dentro havia algumas pessoas, a maioria delas eram homens, e todos estavam rindo e bebendo.
Eu nunca havia entrado ali antes, e o cheiro misturado de bebidas e cigarro adentrava minhas narinas, me deixando enjoada.

Olhei para o canto e notei que havia ali, encostado perto do balcão, um rapaz jovem, que parecia ter mais ou menos a minha idade e não combinava com os ali. Parecia até perdido no meio daquela gente. Como eu.

Olhando mais atentamente, percebi que ele olhava insistentemente com uma expressão indiferente. Para uma mesa atrás de mim.
Virei-me e percebi que nela estavam sentados 4 homens, e todos eles me encaravam com um sorrisinho disfarçado. Me devorando com os olhos.

Fiquei incomodada com aquilo e olhei para outro lado, tendo a sensação que eles ainda estavam de olho em mim.
Percebi um pouco tarde que, fora as garçonetes com cara de stripper's, eu era a única garota jovem e suficientemente bonita que estava ali, sentada em um banco em frente ao balcão com cara de idiota.

Pensamentos estranhos passavam pela minha cabeça. Eu tentava afugentá-los mas não adiantava.
Resolvi que eu tinha de dar o fora dali imediatamente. Na verdade, eu nem sabia porque tinha entrado.

Levantei-me do banco onde estava sentada e ao me dirigir para a porta, meu caminho foi bloqueado por um cara alto, que me sorria de lado:

–Onde pensa que vai, gatinha?

Nesse momento, eu percebi que estava com problemas.

Notas finais
Espero que tenham gostado ! o próximo capitulo não tem data marcada para sair...