Acordo Vital
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Erros? Me mandem um e-mail ou mensagem, por favor!
Boa leitura!
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Acordara estranhamente suada e ofegante. Relacionou seu estado com o estranho sonho que tivera. Esgueirou-se até a pequena bacia com uma mísera quantia de água, o suficiente apenas para lavar o rosto e espantar os vestígios de sono. Fez um rápido bochecho com as sobras do recipiente e dirigiu-se ao outro lado do pequeno aposento abandonado a fim de recolher seu véu e apanhar um pedaço de pão velho que conseguira na vila anterior. Comeu vagarosamente e, enquanto isso, deixou sua mente vagar.
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Ora, era uma hospedeira.
Sua mãe lhe dissera uma vez que quando havia nascido seu coração não batia — cruel destino para qualquer um-, mas todos sabem que uma mãe desesperada faz qualquer coisa para preservar o filho. A senhora Nakayama então, com coragem e amor sobre-humanos iniciou um ritual proibido, passado à sua família por gerações. O ritual da ressurreição.
A jovem mãe invocou um youkai de alto nível e barganhou com o demônio, propondo uma troca. — Que sua filha pudesse viver por algum tempo, assim a alma da jovem pertenceria àquele misterioso ser quando atingisse a maioridade — O youkai sorriu desdenhoso e acabou por ceder à proposta, afinal aquilo poderia ser divertido. “ Eu aceito seu pedido, humana” cuspia as palavras desdenhosamente “Mas não se esqueça...” seu sorriso escarnecedor aumentava a cada palavra “Daqui a dezoito anos eu voltarei para buscar minha recompensa.” E tão breve como apareceu, sumiu em meio a uma densa fumaça escura, com um familiar cheio amadeirado.
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Piscou várias vezes a fim de espantar os fantasmas do passado.
“Não é hora de recordar memórias de anos atrás! Pense no presente Rin! P-r-e-s-e-n-t-e! Hoje é seu aniversário de 17 anos, anime-se!” Dizia a si mesma a jovem morena, sem muita convicção.
Começou a andar em meio a construções abandonadas e pedregulhos, tomando cuidado para não tropeçar nas pedras menores. Parou em frente a um pequeno lago para examinar sua aparência – Ora, não era tão ruim assim! Seus finos cabelos castanhos cascateavam longos e soltos pelas costas, formando pequenos cachos nas pontas. Algumas mechas insistentes caiam-lhe a face, encobrindo seus grandes e penetrantes olhos amendoados que irradiavam vida e calor. Nunca gostou muito de seu nariz, achava-o muito arrebitado, fora os problemas de respiração causados pelo tempo seco de seu país. Seu sorriso, Ah! O sorriso, seu maior orgulho. Kaede-sama dissera uma vez que possuía o mesmo sorriso sincero e gentil de sua mãe, e que sempre exibia-o aos quatro ventos, sem razão aparente. Sorriu com a lembrança.
Pôs-se a analisar seu corpo. Mirrado, pequeno e sem curvas. Como queria ter peitos maiores! “Como os das dançarinas da cidade!” Pensou ela, inconscientemente levando suas mãos à altura do peito, desviando o olhar para aquela marca.
Na altura de seu coração jazia uma altiva cicatriz semelhante à lua crescente. Este era o sinal que simbolizava o acordo entre um humano e um youkai, marcando-o como seu escravo, ou alimento, pelo resto da vida. Este era o porquê de viver solitária. Sempre que chegava a um vilarejo, não demorava para que boatos se espalhassem, e logo a morena era afugentada por aldeões furiosos, cegos pelo medo, com estacas e cruzes em mãos.
Já estava acostumada com tais infortúnios. Não sentia mágoa dos aldeões, entendia o medo deles. As pessoas temem o que desconhecem. Mas também não tinha rancor algum pelo youkai que lhe ofereceu uma chance de viver, pelo contrário, era muito grata, e toda sua caminhada até hoje teve como propósito apenas uma coisa: encontrar o paradeiro de seu salvador.
“Okay, mais uma vila para procurar!” a menina pensava consigo mesma. Respirando fundo, passou a ajeitar suas vestes e seu véu, para que não houvesse chance de reconhecerem-na. Recolhendo sua velha bolsa e seu alaúde, dirigiu-se finalmente para a entrada do novo vilarejo, e sentiu, por alguns segundos, uma estranha sensação, como se alguém estivesse observando-a de longe, com olhares penetrantes. Ignorou imediatamente a sensação, assim que esta passou rápido, e adentrou a vila.
Notas finais
Espero que gostem, comentários são bem vindos, e críticas também!
Beijinhos e até a próxima.
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