Notas iniciais
Essa frequência foi achada num bosque pequeno na Holanda:

Quisera eu poder definir as cores dos teus olhos como defino as cores dos tecidos deste picadeiro. Poder descobrir em suas feições monocromáticas diversas cores enigmáticas, perdidas em definições distantes. Queria poder definir os sentimentos como se fossem cores, como as cores dos narizes vermelhos destes palhaças que dançam em folia. Como o negro exuberante da cartola daquele mágico, ou a juba dourada reluzente do pobre leão domado.

Queria poder ver seus lábios com uma intensidade color exorbitante, e não como os avisto, mórbidas centelhas em preto e branco, jaz perdidas a muitos nos lábios de outrem que lhe arrancou a coloração com ilusões apaixonadas em cor de anil. Quisera eu poder, no momento que te via dançar, dar uma cor para cada um dos teus sorrisos, cada um dos teus saltos, jorrar na tua pirueta o laranja das alegorias. Se te pintaram com cinza em cada uma das suas entregas desvairadas, deixe-me redescobrir o lilás que ainda há em seu voi lá enquanto estou ali parado, no meio do círculo de nuances da tenda do circo, apresentando o elefante e seu adestrador. Queria eu adestrar meu coração como se adestra um animal selvagem, para que assim sua coloração descolorida não me machucasse tanto.