Aconteceu na Véspera de Natal
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Essa fic é o meu presente do amigo secreto da comunidade TMJ - FanWorks para a Rúbiah.
Feliz Natal! Espero que goste.
Feliz Natal! Espero que goste.
Puxou a cordinha e saltou no ponto. Andou bufando em direção à casa da Mônica, passando por irritantes lojinhas decoradas com renas brilhantes daquelas que acenavam com a cabeça. Quem teria sido o cretino que inventou aquelas renas? As bichas eram uma das coisas mais medonhas que ele já havia visto na vida.
Não foi exatamente uma surpresa quando ele chegou ao jardim da Mônica e a encontrou carregando três das malfadadas renas. A surpresa maior foi ver que ela havia espalhado algodão por todo o gramado. — Mônica. Que idéia de jerico foi essa? — Ué, Cê, você não gostou? Achei que ficou fofinho, nessa vybe Natal e tudo... — Esquece, Mônica. Qual o caso? Você me chamou aqui por que mesmo? — Bom, sabe o que é, Cê? Meus pais sairam pra comprar os últimos presentes, e como hoje é véspera da Natal, decidi fazer uma surpresa pra eles. — Tá, e onde é que eu entro nessa história? — Bobo... Você vai me ajudar, é claro! É claro. Ele revirou os olhos. — Mô, não me leve a mal... Mas minha mãe já me encheu o saco com preparativos de ceia de Natal o dia inteiro. Estou cansado e irritado, tive que passar duas horas na fila do supermercado e voltar de buzu quando tudo o que eu queria era sentar em casa e jogar Guitarrero. Eu sinto muito, mas dessa vez eu passo. — Poxa. — Mônica fez biquinho — Eu te ajudo o ano inteiro e é assim que você retribui? Me negando um favor na época de Natal? Só você mesmo pra ficar de mau humor nessa época do ano, Cê. Cadê a sua boa vontade, seu desejo de confraternizar e ajudar o próximo? Pronto, era só o que faltava. Ela havia sido contaminada pelo espírito natalino. E se o havia chantageado, lembrando de toda a ajuda que ela havia dado ao longo do ano em negócios variados, é porque era realmente sério. Era melhor ele ajudar, porque as chances dela engrossar eram grandes; a coisa nunca terminava bem quando Mônica engrossava. — Beleza, beleza, eu ajud-- — Ótimo! Você vai cuidar da decoração e eu faço a ceia. Ceia? — Ceia? Mônica, você enlouqueceu? Ninguém mais cozinha essas coisas. Dá um trabalho desgramado, já ouvi minha mãe se queixando. Compra pronto e diz pra teus pais que foi você que fez, como qualquer pessoa comum! Ela balançou vigorosamente a cabeça e tapou os ouvidos. — Não vou deixar você estragar a magia do meu Natal, senhor enfezado. Qual a graça de pegar uma fila, pagar um monte de pacotes e simplesmente ver todo mundo comendo? Quando você sabe que é o fruto do seu esforço que está sendo servido, tudo tem muito mais sabor! — Meu Deus... Você pelo menos sabe fazer isso? Digo, já fez isso antes? — Não, mas basta seguir a receita que fica tudo bem, oras. As perspectivas não eram boas. Não eram nada, nada boas.* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Ele amaldiçoou sua rinite com toda a força. Estava espirrando que nem doido e seu nariz escorria sem parar; seus olhos ardiam e ele carregava as malditas caixas, entupidas de ácaro e de poeira, direto da garagem da família Sousa para a sala. Abriu a primeira caixa e retirou a velha árvore, tomando cuidado para não amassá-la demais, no espaço que Mônica havia aberto na sala. As três renas no jardim piscavam pra ele. Ele franziu a testa. Abriu a segunda caixa, onde estavam os festões. Esses eram bons de serem deixados por último. O trabalho com os enfeites demandaria mais tempo e mais cuidado; decidiu começar por eles. Os encontrou na terceira caixa: bolas de vidro coloridas, bonequinhos de madeira pintados à mão, delicadas estrelinhas de plástico. Admirou as decorações por um momento e estendeu a mão para começar... — CALAMB-- Latidos estridentes aproximaram-se numa velocidade assustadora. Antes que ele sequer percebesse o que de fato estava acontecendo, um cachorro atacado pulou na caixa. — AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH! OS ENFEITES! — Cê!? — Mônica veio correndo da cozinha — O que aconteceu!? Os aliens estão atacando!? — Aliens? Que aliens, Mônica!? — ele gritou de volta, apertando o lado esquerdo do peito e sentindo o seu coração acelerado. — Se não é uma invasão alienígena, por que você gritou? É o fim dos tempos? — Quase isso. É esse... essa... essa COISA. — ele apontou para Monicão, que abana o rabo alegremente e pulava nos... caquinhos de enfeites. — JESUSMARIAJOSÉ, OS ENFEITES DOS MEUS PAIS! — Exato. — Passa, Monicão, CHISPA! Meu Deus — Mônica ajoelhou-se ao lado da caixa, examinando o estrago — esses enfeites estão na família a gerações... — Estavam. — Você não está ajudando, Cê — ela o encarou, ameaçadora.
— Não está mais aqui quem falou então. — Mas e agora? — Mônica tocou os farelos do que antes eram os enfeites da família — O que a gente faz? — Bom — ele abriu as caixas restantes — Ainda tem um restinho dos enfeites aqui nessas caixas, também sobrou um pouquinho do ataque do cão das trevas. Eu decoro a árvore com o que a gente tem, depois saio e vejo se encontro algum enfeite baratinho pra gente tapar os buracos. Tá bom assim? Cebola nem acreditou no que estava dizendo. Ele estava realmente se dispondo a se jogar de corpo e alma na confusão natalina... E atrás de enfeites, não menos? Bom, qualquer coisa devia ser melhor do que ficar ali com a Mônica bafejando no seu pescoço. Pensando assim, umas horinhas tranquilas em uma fila de mercado não eram nada. — Uhm. Acho que tudo bem então. Trabalha aí que eu vou adiantando a minha parte do serviço, se eu terminar rápido, posso até ir com você. Droga! — Mas... Mas e aí, falta muito pra você terminar, Mô? — Na verdade... eu nem comecei — ela admitiu, embaraçada — Mas tudo bem, eu quero fazer coisa simples. Um peru, um chester, um pudim e uma farofinha com arroz, não deve levar tanto tempo assim. Cebola só teve forças pra encará-la. Não era possível uma pessoa ter tão pouca noção assim da realidade. — Mônica, não por nada. Mas quando minha mãe faz essas coisas, ela passa o dia inteirinho na cozinha. — Sério!? É melhor eu me apressar então — Mônica levantou-se, arrumando a saia — Que bom que meus pais vão passar o dia todo fora! Boa sorte aí com a árvore, Cê. Ele balançou a cabeça negativamente, desanimado. Sua amiga realmente não tinha noção de nada. Mas no momento aquilo não importava; vai que acontecia um milagre de Natal e ela acabava acertando a fazer as coisas. Decidiu concentrar-se na árvore e, em poucos minutos, o trabalho estava fluindo. Paz e tranquilidade, enfim. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * A calma não durou muito. Mal tinha colocado os festões e as lâmpadas e ele ouviu barulhos ensurdecedores de marteladas na cozinha. Teria Mônica desistido da ceia e resolvido redecorar a casa? Levantou-se e foi conferir o que diabos estava acontecendo. — Mônica? A cena que viu em seguida ficou gravada em sua memória por muitos e muitos anos. Ele nunca antes tinha visto algo assim. Mônica estava suada, vermelha, bufando, com o cabelo preso em um coque mal-feito, avental de babados e florzinhas, martelando um peru petrificado com todas as forças. — ESSA — PORCARIA — TÁ — TODA — CONGELADA! — ela gritou, compassando as palavras com o martelo. — Mônica, PÁLA! Assim você vai -- CRASH! -- arrebentar o peru... A força descomunal da moça havia partido a ave em pedaços. Isso sequer era fisicamente possível? Cebola não podia nem mesmo entender como havia se enfiado naquele absurdo. — Agora temos uma árvore careca, peru em cubinhos... e arroz queimado. — Ele apontou para a panela, que soltava nuvens de fumaça preta. — PUTZ, esqueci o arroz! Mônica precipitou-se para o fogão, desligando a boca; com a colher de pau, examinou o estrago. — Tá queimado e com gosto de defumado — lamentou-se, com a voz chorosa. Cebola foi para o seu lado e pôs a mão em seu ombro, solidário. — Calma, Mô. A gente vai dar um jeito. Vamos fazer assim. — seu cérebro trabalhou rápido, arquitetando um plano em poucos segundos — A árvore já está meio pronta. Você termina de arrumar a decoração enquanto eu vou no mercado, compro os enfeites baratinhos, um peru e ligo pra Magali; ela vem pra cá e te ajuda com a ceia. — Cê — Mônica sorriu em meio às lágrimas — Você faria tudo isso por mim? Assim, tão altruísta? — Depende da sua definição de altruísta. Eu não vou pagar nada, vai soltando a grana. — Seu canguinha! — A festa é sua ou não é? * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * — Entendeu qual é o ploblema, Magá? Se você não for ajudar, é capaz da Mônica envenenar os pais e o lesto dos convidados. Do outrou lado da linha, nenhuma resposta. Apenas risos histéricos. — \'Cê tá dizendo... que ela... tava MARTELANDO o peru? Pra descongelar? — Magá, não li não que o caso é sélio! Você vai ajudar? — Vou - ela afirmou, ainda um pouco sem fôlego — Tô indo pra lá agora. Vou ver o que dá pra adiantar enquanto o... - mais risos — o peru novo não chega. Cebola desligou o celular e bufou com impaciência. Aquilo tudo o estava irritando além da conta. Não entendia mais nem por que se sentia obrigado a ajudar a Mônica com essa maluquice dela. O supermercado do Limoeiro estava o verdadeiro mapa do inferno, e ele estava na fila rápida já fazia uma hora inteira. — FALAÊ, Careca! Qual é o grilo? — Cascão!? Aquilo era novidade. — Tá fazendo o quê aqui!? — Minha mãe me fez vir como castigo — Cascão respondeu, coçando a nuca — Não arrumei o quarto essa semana, aí ela me forçou a vir aqui comprar refrigerante. E você, fez o que de mal pra estar no supermercado em plena véspera de Natal? — Rapaz, a história é comprida. — Conta, eu acho que a gente vai ter bastante tempo pela frente. Depois de uma breve revisão da história, Cascão também estava rindo, às gargalhadas, em pleno mercado. As pessoas irritadas da fila olhavam torto para os dois e Cebola quis com todas as forças que o chão se abrisse para ele poder enfiar a cara dentro. Ou que ele tivesse uma sacola pra por na cabeça. Aliás não, ecobag, que era mais ecológico e moderno. — Cascão, pála com isso! — Foi mal, Careca... Mas putz, só você mesmo pra se meter numa situação ridícula dessas por causa da Mônica! — Tá insinuando o quê com isso, cabeçudo!? — Nada não, nada não! A fila se movia na velocidade da luz apagada e, uma meia hora depois, ele estava finalmente fora daquela multidão infernal. — Tá fazendo o que me seguindo, Cascão!? — Eu não vou perder o resto dessa epopéia por nada, maluco! — Perder o quê, gatz!? — os dois viraram-se para o lado de onde aparentemente o grito histérico havia vindo — E o que é \"epopéia\"? É uma rave? — Denise, não se mete — Cebola massageou as têmporas. Não estava com o mínimo saco pra aturar a amiga falastrona hoje — \"Epopéia\" é um tipo de aventura épica, mas o que diabos VOCÊ tá fazendo aqui? — Ai, gatz, não estressa! Até uma garota poderosa, vitaminada, antenada e modernosa como eu tem que ajudar a mamis na véspera de Natal, né? Até porque ela ameaçou embaçar na hora de entregar o meu presente e-- — Tá bom, Denise, tá bom! — Cebola revirou os olhos com impaciência. — Mas o que é que vocês fervidos e pão-com-ovo estão fazendo aqui? — Aaah! É uma história ótima! Saca só, deixa eu te contar... — CASCÃO! — ele não podia acreditar. Cascão ia dar com a língua nos dentes? Se o cara contasse pra Denise, só duas pessoas iriam saber sobre su mico épico: Deus e o mundo. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Seria fisiologicamente impossível morrer de vergonha? Porque se não fosse, ele devia estar bem perto de atingir esse nível no momento. Cascão e Denise estavam ao seu lado, no ônibus lotado, rindo às gargalhadas. — E aí... ele pegou... e foi... e foi... Foi pra cozinha... e a Mônica estava lá... ela... — Cascão contava a história, com lágrimas de riso nos olhos. — Dá plas duas mocinhas calalem a boca!? Vocês tão me estlessando, desse jeito a gente vai pelder o ponto! — Calma, Careca! Não precisa ficar \"ilitado\"! — Joga na roda, gatz! A Mônica é mesmo muito sem-noção! — Ô Cristo... Dai-me paciência... — seria aquele o princípio de uma enxaqueca, pela primeira vez na sua vida? De um jeito ou de outro, uma dor de cabeça matadora começou a se manifestar. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Cebola saltou do ponto, com os dois amigos ainda papagaiando nas suas costas. Com Cascão e Denise a fofoca atingia níveis periclitantes, e ele rezava para a tortura acabar. Ao longe, vislumbrou a casa da Mônica. Tocou a campainha e a porta foi aberta... por Xaveco? — Fala, Cebola! — Xaveco!? Que diabos você tá fazendo aí? — Ah, eu tava passando na rua e a Mônica me pediu uma ajuda... — Céus. — Sabe o que é, ela precisava de um CD de Natal e o PC dela não tem gravador de CD. Como você tava no mercado e não podia gravar um pra ela, ela me pediu pra correr até o tio da esquina e comprar um CD, saca? Ela vai botar ali no som agora...
\"VOCÊ NÃO VALE NADA, MAS EU GOSTO DE VOCÊ... VOCÊ NÃO VALE NADA, MAS EU GOSTO DE VOCÊ! b35;\" — Belo CD de Natal, Xaveco — Cebola não conseguiu evitar o comentário sarcástico. — Mas! O cara me garantiu que era o \"As Mais Belas Canções Natalinas\"! Xaveco correu para dentro, com Cebola, Cascão e Denise no seu encalço. Mônica estava ao lado do som, parecendo desconsolada. — Xaveco! Que miséria é essa!? Eu não posso botar esse CD na festa de Natal dos meus pais! \"GLAMOUROSA, RAINHA DO FUNK... PODEROSA, OLHAR DE DIAMANTE! b35; — Péra que eu volto lá na esquina pra falar com o tio, Mônica! Xaveco disparou pela porta. Mônica estava à beira das lágrimas e Cascão e Denise riam mais uma vez. — Calma, amiga — Magali tentava, desesperadamente, pôr panos quentes na situação — Vai dar tudo certo, você vai ver! — E a ceia? — Cebola perguntou. — Não deu certo, não dava tempo — Magá balançou a cabeça, com pesar — A gente ligou pra um buffet e encomendou tudo. — Pelo menos a decoração está bonita... — Cascão comentou, com pesar — Quando ligarem as luzinhas, vai ficar melhor ainda. — As luzinhas não vão ligar. Eu queimei todas quando tropecei na régua ligada na tomada — as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Mônica — Meu Natal vai ter ceia encomendada, luzinhas queimadas... — Mônica — Xaveco apareceu na janela — O tio da esquina disse que aquele era o último CD de Natal e que ele só vai poder trocar amanhã... Foi mal. — MINHA FESTA DE NATAL NÃO PODE SER AO SOM DE \"GLAMOUROSA, RAINHA DO FUNK\"! \"O HOMEM-MACACO CORRENDO ATRÁS DE MIM... O HOMEM-MACACO QUE NÃO TEM ALMA E NEM CORAÇÃO! b35;\" Aquilo era demais pra uma garota só. Ela caiu no choro. E, naquele exato momento, o Sr. e a Sra. Sousa chegaram das compras. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * — Ah, Mônica... Os pais a abraçavam, depois de explicada toda a confusão. — Me desculpa, pai... Me desculpa, mãe... Eu só queria fazer um Natal mágico pra vocês e acabei estragando tudo... — Filha — Dona Luísa sorriu — É a festa de Natal mais linda que nós já tivemos. — Mas... — Só de você estar aqui já faz essa festa um sucesso, meu amor — Seu Sousa também sorriu — Natal é tempo de estar com a família, com quem você ama. É isso que importa. — Mamãe... Papai... — Mônica lutou para enxugar as lágrimas que corriam pelo seu rosto e seus pai a beijaram. — Muito obrigada pela festa, querida. Nós adoramos. Crianças — Dona Luísa voltou-se para os amigos, que assistiam de longe, não querendo invadir o momento familiar — por que não vão chamar seus pais para comemorar com a gente? É um agradecimento por terem ajudado. — Muito obrigada, Dona Coisa! — É Luísa, Magali. — Cascão sussurrou para ela. — Valeuzão, Dona Lu! — Xaveco acenou, Seu Sousa e Dona Luísa acenaram de volta. — Denise, por que você tá indo junto? Você não fez nada pra ajudar. — Ah, Cê, deixa de ser mala. Se é ferveção eu tô colada, sacou? * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Mônica e Cebola estavam absolutamente destruídos. Sequer conseguiam curtir a festa como os outros. Sendo eles os que mais trabalharam o dia inteiro, decidiram simplesmente sentar sob a árvore e admirar os frutos do seu esforço. E, realmente, ver Cascão e Magali tentando dançar o funk do Homem-Macaco parecia vingança suficiente para a dupla da qual todo mundo tinha rido o dia inteiro. — Feliz Natal, Cê. — Feliz Natal, Mô. — Pena que não deu tempo de por a minha cartinha pro Papai Noel no correio. — Mônica puxou um pedaço de papel do bolso e o analisou, como um crítico que avalia uma obra de arte. — Você não tá falando sério, tá? — Por que não estaria? Totalmente fora da realidade. — Mônica, Papai Noel não existe. Seguiu-se um silêncio constrangedor. — Ah, estou cansada demais até pra te bater por ter arrasado meus sonhos infantis. Ela amassou o papel, jogou embaixo da árvore e aconchegou-se ao ombro de Cebola, onde caiu no sono. Ele observou a festa por mais uns dez minutos antes de pegar a bolinha de papel, desamassá-la da melhor maneira possível e ler. Era invasão de privacidade sim, mas e daí? Ele sentia que, depois dos acontecimentos do dia, Mônica lhe devia alguma coisa. \"Querido Papai Noel, Esse ano eu fui uma boa menina, tirei notas boas, me comportei, não fui pra baladinhas até tarde da noite, não bebi e tudo mais. Por isso queria pedir uma coisa singela, bobagem, aposto que você consegue me dar, sendo esse velhinho batuta que ajuda todo mundo todos os anos. Sabe, Papai Noel, pode parecer bobagem, mas tudo o que eu queria de Natal esse ano é o Cebola. Não precisa nem ser embrulhado pra presente, contanto que ele esteja comigo. Consegue fazer isso, Papai Noel? Por o Cebola embaixo da minha árvore na meia-noite do dia 25? Se conseguir, você será com certeza o velhinho mais bacana do mundo inteiro. Beijos e até o ano que vem, Mônica.\" Cebola não pode evitar sorrir. Pôs o braço em torno dos ombros da amiga adormecida, aquela garota sem-noção que o fazia ter tantos problemas e ainda conseguia um milagre de Natal no fim das contas. — Sua boba. Feliz Natal.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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