Aconteceu Você...

5 Passeio, novidades e momento "emo"!


Notas iniciais
Oi gente! Desculpem o atraso mas a minha semana foi bem corrida! Voltei a-ca-ba-da do Festival de Verão (e olha que eu só fui um dia), fiquei com uma dor de cabeça tenebrosa e ainda tive que encarar um concurso público hoje. Enfim, esse dias não tem sido nada lights! Mas, pra compensar o meu atraso vou postar dois capítulos seguidos, porque este capítulo ficou gigante e ainda assim não couberam todas as minhas idéias, aí tive que dividir em dois!
Espero que aprovem! Boa leitura!!! :D

Após um banho demorado, muitas lágrimas, mil trocas de roupa, música alta pra espantar o estresse e pizza ao invés de comida, sentei no sofá para esperar o DC. Ainda eram 14:30 e eu estava estranhamente ansiosa para sair com ele. Que estranho! Isso nem passava pela minha cabeça ontem, nesse mesmo horário. Tudo o que eu pensava era “Cebola, Cebola, Cebola”. Não vou ser hipócrita e dizer que esqueci o Cebola e passei a gostar do DC do dia pra noite, nada disso. Apenas resolvi me aproximar mais de quem gosta de mim, quem me faz sentir bem e quem sabe posso até dar uma chance a essa pessoa tão especial que faz tanta questão de estar comigo. Tentar não custa nada, e não é nenhum sacrifício ficar tão próxima do DC. Ele é lindo, inteligente, engraçado, charmoso, educado e... Ele chegou!

Fui abrir a porta e ele estava parado, de costas pra mim e parecia meio nervoso, balançava a perna com inquietação e passava a mão nos cabelos. Cheguei perto dele, ele parecia não ter percebido a minha aproximação, e resolví fazer uma gracinha pra descontraí-lo:

_ Búúú! _ Falei bem alto, estava quase colada nas costas dele, mas ele não havia notado.

Ele virou-se instantaneamente, quase esbarrando em mim por estarmos tão próximos, com um sorriso de tirar o fôlego. Estava vestindo bermuda jeans, camisa azul e all star preto, uma combinação que caiu muito bem nele. Eu ia arriscar um assovio, tipo “fiu-fiu” mas resolvi deixar pra lá, ia parecer que eu era um pedreiro tarado!

_ Oi, minha fantasminha linda! Se eu soubesse que sua casa era tão bem assombrada viria mais vezes.

_ Para DC, assim você me deixa vermelha! _ Falei, escondendo o rosto com as mãos.

_ Já falei que você fica mais linda ainda quando está vermelhinha? _ Deu “aquela” piscadinha matadora, que quase me fez enfartar e beijou minha mão.

_ Tá bom, tá bom..._Revirei os olhos_ Vou pegar meu celular e a gente sai, é bom que eu arranjo um tempinho pra regularizar a minha respiração e a tonalidade do meu rosto. _ Ele riu e eu entrei.

Peguei o celular e resolvi tomar um copo d’água antes de sair. A tarde ia ser longa. Arrisquei dar uma olhada para fora e ele ainda estava lá, parado no mesmo lugar em que eu o havia deixado, olhando para a rua com uma expressão de alegria e tranquilidade. Saí, tranquei a porta e virei pra ele.

_Vamos?

Ele ofereceu a mão, eu a segurei e começamos a caminhar em direção ao portão. De repente ele parou, olhou pra mim e perguntou:

_ Mô, posso te fazer uma pergunta meio, sei lá, que não é da minha conta?

_ Deixa eu me preparar psicologicamente antes. _ Respirei fundo_ Pergunte!

_ Você tá namorando alguém?

_ Não, por quê? _ Meu coração começou a acelerar, lá vem! Ai meu Deus, e se ele pedir pra namorar comigo? O que eu vou fazer?

_ Nada não. Só é... bom... saber disso. _ Ele ficou vermelho e eu dei um suspiro de puro alívio. Não sei se estou preparada pra enfrentar uma declaração do DC.

Nos minutos seguintes não falamos nada. Fechei o portão da minha casa, voltamos a caminhar de mãos dadas e ele só voltou a falar depois que saímos da minha rua.

_ E aí, o que rolou aqui no Limoeiro enquanto eu estava fora?

_ Ih DC, tanta coisa... Já te falei do namoro do professor Licurgo, né? Teve também o Toni, que teve um rolo com a Carmem, ninguém nem acreditou quando viu os dois mudarem o status no facebook! Ficaram juntos uns três meses, mas terminaram porque o Toni tava tendo um caso com Denise e Carmem pegou os dois no flagra no banheiro do clube.

_ Uau! _ A boca dele se abriu num “O”_ E o que ela fez?

_ Saiu arrastando a Denise pelos cabelos; virou uma garrafa de refrigerante dentro do short de Toni; empurrou os dois na piscina e jogou uma mesa neles enquanto eles tentavam sair; gritou, esperneou, xingou todo mundo e foi embora. Mas elas já fizeram as pazes.

_ Nossa! Quem diria... A Carminha Frufru envolvida em um barraco. E o que mais?

_ A escola criou uma atividade extracurricular bem legal, vale pontos extras para ajudar os alunos que participam a passar, caso eles estejam com dificuldades. Se você tiver indo bem nas matérias e não precisar, ganha uns pontinhos simbólicos e quando rola competição pode ganhar prêmios. Ano passado eu ganhei um secador de cabelos, o Cê ganhou uma bola e a Marina ganhou uma reserva num restaurante com direito a acompanhante. Saíram outros prêmios, mas só lembro-me desses.

_ Que legal! Vou querer participar disso. No que consiste?_ Perguntou, enquanto estávamos chegando à pracinha, onde sentamos perto do parquinho em que algumas crianças brincavam.

_ É uma atividade de canto, chama-se “Expondo emoções” e serviu pra estimular a redução do índice de brigas na escola. O professor dá um estilo musical ou um artista e a gente tem que montar uma apresentação que expresse uma emoção que você esteja vivenciando no momento através da música. Às vezes montamos duetos ou grupinhos. No começo não foi bem aceito, mas agora quase todas as salas querem participar. Na nossa turma quase todos participam. Nem sempre o estilo é o que você quer, mas tem funcionado bem. _ Ele ouvia com atenção, resolvi continuar. _ O legal é que acaba servindo pra nos desestressar, o clima é quase sempre bom. Sempre rola uma declaração de amor, ou uma indireta pra alguém.

_ Poxa Mô, pode ter certeza que eu vou participar. Tô precisando mesmo expor algumas emoções. _ Deu uma risadinha e suspirou.

_ Vá mesmo! É muito bom, se quiser eu mesma falo com o professor amanhã pra colocar seu nome na lista. Podemos fazer até um dueto, o que acha?

_ Vai ser uma honra cantar com você, minha linda. _ Suspirou._ Bom... o que você queria saber da minha estadia na Itália mesmo?

_ Ah DC, me conta como foi, o que você fez por lá, se você conheceu pessoas legais...

_ Foi chato na maior parte do tempo, senti muito a sua falta e não via a hora de voltar pro Brasil. Eu estudava, ajudava na empresa da minha avó e nunca fiz muita questão de conhecer ninguém. Depois da primeira semana eu já estava farto de falar italiano e comecei a falar português. Ninguém entendia nada! _ Gargalhei.

_Só podia ser você mesmo! Por isso que te chamam de Do Contra! _ Gargalhei novamente e dessa vez ele me acompanhou.

_ No meu tempo livre eu saia com o Nimbus, ele fez umas amizades por lá e ficou com umas meninas, mas nada sério. Saí com uns primos também, visitei cidades vizinhas e tomei um porre inesquecível. Fiquei quase uma semana com dor de cabeça e minha mãe queria me levar ao médico achando que eu estava com alguma doença grave. _ Riu e balançou a cabeça. _ Minha avó tem uma rede de hotéis, são quatro na Itália, dois na França, um na Espanha e um na Áustria, então era uma correria; apesar de ter parentes administrando esses hotéis sempre tínhamos que viajar. Nimbus ficou na França por um mês, voltou de lá falando com biquinho e eu o mandei parar de viadagem e virar macho logo. Ele disse que teve um caso com duas gêmeas francesas, mas eu duvido um pouco dessa história._ Nós dois rimos e eu não resisti.

_ E você passou o rodo por lá, né? _ Pisquei.

_ Pode ter certeza! Passei muito rodo por lá limpando saguão de hotel e quarto de hóspede! _ Gargalhou.

_ Fala sério DC! Você gato desse jeito, não deve ter ficado sozinho!_ Ops! Eu chamei ele de gato? Se eu pedir só um raiozinho na minha cabeça nesse momento, é pedir muito? Só unzinho?

_ Eu sou gato, é? _ Falou com um sorriso convencido, levantando a sobrancelha.

_ Ih, vai começar a se achar!_ Revirei os olhos_ Sério, não namorou ninguém por lá?

_ Não. Não namorei ninguém. _ Ele me olhava sério, sem desviar os olhos dos meus.

Fiquei desconcertada e resolvi mudar de assunto.

_ E a escola? Foi legal?

_ Bom, como lá o sistema de ensino é diferente do nosso eu não fui pra escola, tive aulas particulares pra não confundir tudo quando viesse pra cá. Por isso estou na mesma turma que você, é como se eu tivesse cursado o ano passado normalmente.

_ Ah, nem tinha pensado nisso.

Nesse momento o Cebola passou por nós, me olhou com uma expressão de hostilidade, encarou o DC por uns segundos e virou o rosto. Nem sei o que senti, fiquei num misto de apreensão e tristeza. DC percebeu o meu incômodo, segurou minha mão e a afagou, depois suspirou pesadamente e disse:

_ Você ainda sente algo por esse cara, né?_ Não respondi, apenas baixei a cabeça_ Olha Mô, eu sei que nada do que eu vou te dizer agora vai mudar o que quer que você esteja sentindo por ele, mas eu só quero que saiba que eu estarei sempre aqui pra você. Desde criança eu vejo a forma que ele te trata e já sofri muito por isso; por ver você apaixonada por um cara que só queria te sacanear, se aproveitar dos seus sentimentos e te deixar esperando eternamente por ele. Não sei como ele pôde fazer isso com uma garota tão forte e decidida como você por tanto tempo, mas eu sei que quando se trata de amor nem sempre a gente age da mesma forma que age em situações normais. Você merece uma pessoa que te faça feliz... _ Ele me abraçou, de forma que a minha cabeça ficasse encostada no peito dele e beijou o topo da minha cabeça. _ Ah, Mô... Como eu queria poder fazer isso por você...

_ Fazer o quê? _ Meus olhos já estavam úmidos com as lágrimas que insistiam em brotar e a minha voz transpareceu isso. Ele beijou novamente a minha cabeça antes de responder.

_ Te fazer feliz...

Não tive palavras, apenas joguei os meus braços ao redor da sua cintura abraçando-o como se ele fosse partir a qualquer momento. As lágrimas que eu vinha tentando segurar saíram como uma enxurrada, e ele alisava as minhas costas e o meu cabelo enquanto dizia:

_ Calma meu anjo, tudo vai ficar bem. Você vai ver, não precisa chorar. Eu estou aqui e vou fazer de tudo pra te fazer feliz, se você deixar.