Aconteceu Você...
20 Contramão do mundo?
Notas iniciais
Beijos e boa leitura. Tentarei postar novamente no meio da semana.
As coisas mudaram muito depois que eu e o Cê fizemos as pazes; ele tinha se reaproximado da turma, trazendo a Irene como nova integrante, já que naquele dia, depois dele se desculpar comigo e com o DC ele saiu correndo atrás dela e acabou a pedindo em namoro, ela obviamente aceitou e ainda veio me agradecer pelo incentivo, quem diria! Eu e o meu namorado lindo, Deus grego e excessivamente sexy estávamos maravilhosamente bem, estudávamos juntos quase todos os dias e até fizemos um dueto na aula de música.
Logo o final da semana chegou e com ele chegou a hora dos pais do DC voltarem pra Itália; eu, o DC e o Nimbus fomos levar eles no aeroporto e a despedida foi muito emocionante. Os meninos choraram muito, e a mãe deles ficou até doente. Depois de dar um milhão de recomendações os pais deles embarcaram e nós voltamos pra casa. Passamos o caminho todo em silencio, o DC com a cabeça no meu colo e eu acariciando seus cabelos, dava beijinhos, afagava suas costas numa tentativa de consolá-lo. Eu sabia que ele tinha ficado no Brasil por minha causa e sabia que por mais que ele quisesse ficar, era muito difícil se separar dos pais dessa maneira. O voo tinha uma duração média de 11 horas, então eles só estariam na Itália pela manhã. Minha mãe convidou os meninos para jantar e eles ficaram lá em casa mesmo para não passarem a noite sozinhos, dormiram no quarto de hóspedes, e dessa vez não rolou visitas ao meu quarto durante a madrugada, o astral do DC estava péssimo.
Como os pais deles viajaram na sexta-feira à noite, no dia seguinte não teve aula. Nimbus saiu logo cedo, após os pais telefonarem para dizer que já estavam em terra firme e que tinha corrido tudo bem no caminho; ele foi para o centro com o amigo comprar os materiais que estavam faltando para a loja e depois foi encontrar uns amigos num barzinho. DC ficou na minha casa, minha mãe estava de folga e ficou com a gente. Ele estava mais tranquilo depois de saber que os pais já estavam na casa da avó e nós ficamos fazendo as atividades da escola de manhã e fizemos o almoço, ou melhor, ele fez. Eu só cortei os temperos. Minha mãe ficou impressionada com a habilidade dele na cozinha e já foi o convidando para cozinhar mais vezes para a gente. De tarde chegaram umas amigas da minha mãe e nós resolvemos sair para dar uma volta e deixar elas mais à vontade. Passamos na casa do DC para ele tomar banho e trocar de roupa; quando ele saiu do banheiro eu estava na sala assistindo tv.
_ Pronto, minha gata. Agora o seu namorado está limpinho e cheiroso pra você.
_ Você sempre está cheiroso, meu amor._ Levantei e coloquei meus braços ao redor do seu pescoço, puxando-o pela nuca e o beijando._ Te amo, meu mestiço lindo!
_ Te amo, minha baixinha linda!_ Ele deu um beijo na minha mão e me conduziu até o sofá, fazendo-me sentar no seu colo._ E aí, quer ir pra onde?
_ Ah... Com você aqui eu não tenho vontade de ir a lugar nenhum. Só queria passar a tarde assim, nós dois juntinhos, agarradinhos e aquele monte de “inhos” que eu nunca imaginei que fosse gostar de falar. Já percebeu que nós somos um casal bobo e clichê? Isso é inacreditável._ Nós rimos e ele começou a fazer carinho nas minhas costas, como se desenhasse padrões aleatórios.
_ Eu também não estou com vontade de ir a lugar nenhum e realmente, é muito estranho a gente ficar nessa, mas é tão bom!_ Ele me deu um selinho._ Por você eu me tornaria um mocinho chato e clichê desses romances água com açúcar, que atira pedrinhas na janela da amada e faz serenatas ao luar._ Ele piscou.
_ Mas eu não quero nenhum mocinho desse tipo de romance! Quero você! Esse cara estranho que é sempre o oposto dos outros caras, que toma suco com ketchup, diz “tchau” quando é pra ser “oi” e que sabe ser quente e doce ao mesmo tempo. Foi por esse cara que eu me apaixonei._ Falei passando a mão no seu maxilar. Seu sorriso era apaixonante e seus olhos brilhavam como nunca.
_ Mônica, eu sou o cara mais infeliz do mundo por não te ouvir dizendo isso. Te odeio! Você é a pior coisa que já me aconteceu.
Por um momento eu me assustei, mas seu sorriso esclareceu tudo. De volta às origens! Genial! Resolvi entrar na brincadeira.
_ Eu também te odeio, Do Contra. Você é o cara mais feio, mais imperfeito e mais fedorento do mundo!
Seu sorriso se iluminou e ele me abraçou, beijando-me avidamente em seguida. Quando perdemos o fôlego ele passou a distribuir beijos e mordidinhas pelo meu pescoço e ombro, passando as mãos pelas laterais do meu corpo e apertando levemente a minha cintura. Ficamos nessa por um tempo, até que ele parou ofegante e sorriu.
_ Lembra de uma vez que nós passamos o feriado na casa de praia da Marina e apareceu uma menina lá e todos os meninos ficaram atrás dela?_ Assenti com a cabeça. É claro que eu me lembrava da piriguete da Amanda._ Lembra que ela ficou atrás de mim e eu não queria conta, fiquei jogando xadrez com a Ramona e ela se revoltou?
_ Lembro. Aquela nojenta!_ Falei, contraindo a mandíbula.
_ Ei, calma! Ainda tem ciúmes dela a essa altura do campeonato?
_ Tenho!_ Falei fazendo bico e cruzando os braços, parecendo uma criança.
_ Não acredito que você ainda tem ciúmes da menina por causa do Cebola!_ Ele falou visivelmente irritado, seu tom de voz se alterou._ Eu pensei que...
_Quem falou no Cebola?_ O Interrompi._ Eu tenho muita raiva daquela piriguete sim, principalmente pelo fato dela ficar cheia de más intenções pro seu lado e daquela tentativa de tirar sua camisa na praia! Aquela garota é muito abusada! Naquela época eu já queria esganar ela, imagine se fosse agora que eu namoro você? Ela tinha saído de lá sem nenhum fio de cabelo! Ou, melhor, nem teria saído!
_ Ah, bom! Pensei que tudo isso era ciúmes do Cebola!_ Ele falou fazendo biquinho. Não resisti lhe dei um selinho, ele riu descontraindo.
_ Meu namorado é você. Quem tem que sentir ciúmes do Cê é a Irene. Mas me diga logo, o que fez você lembrar daquela piriguete agora?
_ Eu encontrei ela essa semana._ Ele respondeu e eu olhei pra ele irritada.
_ Posso saber aonde?
_ No shopping, naquele dia que eu fui comprar meu tênis e as baquetas novas.
_ Aquela vaca deu em cima de você denovo?
_ Calma, amorzinho! Você tá quase tendo um ataque!
_ Isso é problema meu!_ Falei com uma certa grosseria, minha voz estava mais alta e ele me olhou surpreso._ O que é que aquela... garota veio procurar com você?
_ Ei! Calma! Eu só me bati com ela no shopping e ela não estava nem em condições de dar em cima de mim Mônica! Relaxa amor!
_ Tá._ Respirei fundo._ Vou tentar me controlar, mas aquela...
_ Ela tá grávida, Mô!
_ O quê?_ Olhei pra ele surpresa.
_ É isso mesmo. Quase que eu não a reconheço, ela que veio falar comigo. Ela deve estar com uns quinze quilos a mais do que o que tinha naquela época e tá com uma aparência bem estranha, parece triste. Eu entrei numa loja pra comprar uma camisa e ela estava na sessão infantil, quando me viu veio falar.
_ Nossa! Grávida? E ela falou o que com você?
_ Veio perguntar se eu lembrava dela, como é que estava o pessoal, etc. Depois , me falou que tinha se mudado pra um bairro próximo daqui e que estava grávida de sete meses. A situação dela tá bem complicada...
_ Claro, quantos anos ela tem? 16,17? Enfrentar uma gravidez nessa idade é difícil... Nem consigo me imaginar assim...
_ O problema não é só esse, Mô!_ Ele fez uma pausa._ Ela não sabe quem é o pai do bebê e a mãe dela botou ela pra fora de casa. Está morando de favor na casa de uma tia...
_ Que situação, DC! E vocês conversaram mais o que?
_ Ah, não conversamos muita coisa. Ela só me falou o nome do bebê, essas coisas... E perguntou se você estava menos nervosinha._ Ele riu e eu apertei os punhos._ Eu contei que nós estávamos namorando e ela falou que percebeu que eu não tirava os olhos de você lá na praia.
_ É... Parece que só eu não percebia isso._ Sorri.
_ Pois é. Já pensou em fazer exames neurológicos?_ Ele falou com ironia, piscando em seguida.
_ Nhénhénhé, engraçadinho._ Mostrei a língua.
_Nhénhénhé, gostosinha._ Ele imitou o meu gesto e o meu tom de voz, fazendo-me corar._ Own, ela ficou vermelhinha._ Ele falou me agarrando, enquanto eu cobria o rosto com as mãos. Deu uma mordidinha no meu pescoço._ Fica mais gostosa ainda.
_ Para DC! Eu fico sem graça.
_Que mal há em chamar minha namorada de gostosa? Tudo bem que eu sou Do Contra, mas tem coisas que eu não posso contrariar!_ Ele riu e me beijou em seguida.
Começamos num beijo tranquilo, mas logo ele foi esquentando e em pouco tempo eu já estava deitada no sofá com o DC em cima de mim, perdidos num beijo intenso e ardente. Coloquei as mãos na barra da sua camisa e fui subindo na tentativa de tirá-la. Nesse momento o portão foi aberto e ouvi risadas um pouco altas vindas da entrada, parecia que havia mais de uma pessoa. DC suspirou resignado e levantou, ajeitando a camisa e revirando os olhos, com uma expressão de frustração. Sentei no sofá e ajeitei a minha roupa, minha barriga estava completamente descoberta; aí a porta se abriu e o Nimbus entrou, agarrando uma menina por trás, pela cintura e mordiscando a sua nuca e pescoço, ela só ria. Ele empurrou a porta com o pé, ainda agarrado à menina e sussurrou algo em seu ouvido. Ela gargalhou e empurrou-o mais pra dentro da sala. Eles pararam de súbito quando perceberam que eu e o DC estávamos parados na sala olhando a cena e então eu reconheci a garota: era a Marcela da aula de música, a menina dos cabelos vermelhos e aparência infantil que já tinha tido um lance com o Jeremias. Perto do Nimbus, aquele mestiço alto e forte, ela parecia uma menininha pré-adolescente. Usava um vestido leve e florido, que já estava com uma das alças arriadas e a mão do Nimbus, que estava em sua coxa, fazia com que ele subisse um pouco. Ela ficou pálida e abaixou a cabeça, visivelmente constrangida. Nimbus deu uma risadinha nervosa e coçou a nuca, exatamente como o DC fazia quando estava constrangido.
_ Ér... Eu não sabia que vocês estavam aqui._ Coçou a nuca novamente.
_ Relaxa, a gente já estava de saída não é, Mô?_ DC falou, segurando o riso.
_É._ Olhei para a menina._ Oi Marcela.
_Oi Mônica, oi DC._ Ela acenou brevemente, com um sorriso envergonhado no rosto.
_ Vocês se conhecem?_ Nimbus perguntou intrigado.
_ Eu estudo com eles.
_ Hum... Bom, isso nos livra de apresentações, né?_ Nimbus falou com um sorriso brincalhão.
_ E vocês se conhecem de onde?
_ Ah, mano... Longa história. Ela é prima do Bernardo, já nos conhecemos de longa data, né Mamá?
_ Peraí! Mamá?_ DC falou ligeiramente surpreso._ Aquela?_ Ele deu uma olhada sugestiva pro Nimbus, que gargalhou assentindo com a cabeça.
_ Exatamente._ Piscou.
_ Uau! Bem... Não vamos atrapalhar vocês._ Ele me olhou e falou, segurando o riso._ Vamos amor?
_ É... Sim. Vamos._ Percebi uma troca de olhares entre o Nimbus e o DC e fiquei curiosa._ Tchau cunhadão, tchau Marcela.
Dei um beijinho no rosto dos dois e peguei minha bolsa, que estava no sofá, esperando o DC pegar a carteira e se despedir dos dois. Saímos da casa e ele não falou nada, continuava com a expressão surpresa e um ligeiro sorriso esboçado no rosto.
_ Então, sem querer me meter, mas eu tô curiosa. O que foi que te deixou tão surpreso? Garanto que não foi o fato de ver o Nimbus trazendo uma garota pra casa!
_ Isso pra mim não é nenhuma novidade!_ Ele gargalhou._ Ele sempre traz uma, ou duas..._ Olhei pra ele assustada e ele riu, me abraçando por trás e beijando minha nuca._ Mas a Marcela é realmente uma surpresa pra mim... Eu já conhecia ela há muito tempo, só não reconheci lá na escola. Até achei um pouco familiar, mas o cabelo vermelho dificulta um pouco. Ela era loira e usava aparelho na época que eu me lembro dela, além de ser mais baixinha e magrela.
_ Mas ela também não te reconheceu lá na escola. Vocês se conhecem de onde?
_ Ah, é porque no tempo que a gente tinha contato eu era bem mais novo e usava aquele cabelo. E eu também não tinha muita aproximação com ela, só via às vezes. Eu nunca fui muito próximo dos amigos do meu irmão, mas a Marcela foi meio marcante._ Ele riu._ Ela foi lá na minha antiga casa algumas vezes com o Bernardo, primo dela, que é amigo do Nimbus. No começo eles eram novinhos, tinham uns 12 anos e implicavam um com o outro, mas depois foram crescendo e a coisa mudou...
_ Sério? E aí?
_ E aí que ele se apaixonou por ela, ficou todo chato e esqueceu que eu existia!_ Ele falou um pouco enciumado, eu ri._ E essa foi a única menina que ele gostou até hoje.
_ Ah, que legal! E o que aconteceu com eles dois? Não lembro de ver o Nimbus com uma namorada.
_Eles brigaram feio e até hoje eu não sei o motivo, pararam de se falar e depois de um tempo ela se mudou pra Minas Gerais e eles perderam o contato.
_ Que bom que eles se reencontraram agora, né? A coisa tava quente ali, eles atrapalharam a gente, mas também foram atrapalhados por nós, estamos quites._ Nós dois gargalhamos.
_ É, mas ali a situação é outra. Ela foi... ahn... a “primeira” dele, entende?_ Ele falou fazendo aspas com a mão.
_Nossa! Chegou a esse ponto?
_ A esse e a mais alguns que não valem a pena serem mencionados._ Ele riu._ Hum... fiquei com fome agora. Vamos comer alguma coisa?
_ Sim. Me deu vontade de tomar milk-shake de Ovomaltine, topa?
_ Ovomaltine não, o meu eu quero de jabuticaba!
_ Ih, começou!_ Eu ri, beijando o pescoço dele._ Me explica uma coisa?
_ Tudo o que você quiser.
_ Por que você vive na contramão do mundo, mas comigo não é assim?
_ Eu não vivo na contramão do mundo! Vivo de acordo com o que eu gosto, com o que eu acredito e com o que eu acho que é certo. Claro que tem umas coisinhas que são manias mesmo, mas eu faço o que eu quero sem tentar ser igual a ninguém! E quanto a você eu não sei... Acho que é porque de todas as coisas do mundo, a única que eu não consigo contrariar é o meu amor por você. Nunca consegui, apesar de já ter tentado algumas vezes._ Ele estava pensativo e fez um biquinho, como se tivesse magoado._ Quando você ficava atrás do Cebola, por exemplo. E eu tinha que ficar na minha, sem falar nada. Era difícil..._ Ele olhou pra cima e suspirou.
_ Mas já passou, agora eu só tenho olhos pra você, só quero você e só amo você! Meu esquisito, roqueiro, lindo, charmoso, estiloso e revolucionário namorado!_ Falei, dando um monte de beijinhos nele, fazendo-o desmanchar o bico e sorrir.
Chegamos à sorveteria e sentamos numa mesinha que ficava num canto mais reservado. A garçonete veio nos atender.
_ Boa tarde, posso ajuda-los?
_ Sim, um milk-shake de Ovomaltine pra ela e um de jabuticaba pra mim._ Eu ri e a garçonete fez uma cara do tipo “esse menino é louco?”.
_ Desculpe mas não temos esse sabor. Aliás, acho que não tem em nenhuma outra sorveteria do mundo!_ Ela falou rindo._ Só temos morango, Ovomaltine, chocolate, napolitano, prestígio, banana e brigadeiro.
_ Ah, que sem graça!_ Ele falou com desdém._ Mas tudo bem, eu não queria mesmo! Traz um prestígio então.
_ Ok. Volto em dois minutinhos.
_ “Eu não queria mesmo”._ Falei imitando sua expressão e rindo em seguida._ Você não muda, hein?
_ Você quer que eu mude?
_ Definitivamente não!_ Ele abriu um sorriso lindo e pegou a minha mão, afagando-a._ Como foi que você começou a ser Do Contra? Sempre tive curiosidade sobre isso.
_ Nossa Mônica, eu achei que não íamos ter que conversar sobre isso tão cedo, mas tudo bem..._ Ele fez uma expressão de preocupado e eu fiquei um pouco tensa com isso._ Bom, quando um homem e uma mulher se amam e querem ficar juntos pra sempre acontece uma coisa muito especial entre eles e aí o homem bota uma sementinha na barriga da mulher..._ Ele falou com ironia e eu saquei na hora._ E aí depois de nove meses a cegonha traz o bebê e deixa ele na porta, dentro de uma cestinha! Simples assim._ Ele piscou e eu mostrei a língua, jogando um guardanapo nele.
_ Eu sei como são feitos os bebês, seu palhaço! E caso você não saiba não é assim._ Falei com malícia, ele riu._ Agora me fala, como foi que você começou a ser assim.
_ Já falei! Na hora que meu pai botou a sementinha na barriga da minha mãe! Eu nasci assim.
_ Como assim?
_ Diz a lenda que eu era o bebê mais estranho do berçário. Eu dormia quando os outros estavam berrando e acordava quando os outros dormiam, aí fazia escândalo, acordava todos ele e ia dormir tranquilo e feliz!_ Eu ri. Isso era bem a cara dele mesmo._ Aí eu fui crescendo e essa minha... Sei lá, característica, foi se acentuando. Eu gostava de brócolis, engatinhava pra trás, só dormia quando botava heavy metal e não tinha medo de nada.
Nisso a garçonete chegou trazendo nossos milk-shakes e os colocou na mesa.
_ É você era um bebê estranho._ Gargalhei, enquanto ele tomava o milk-shake._ Mas devia ser a coisinha mais linda e fofa desse mundo!
_Ai eu entrei na escola, continuei com essas coisas e meus pais passaram a me chamar de Do Contra, e assim é até hoje.
_ Interessante... Mas agora fiquei imaginando um bebê com essa sua carinha..._ Suspirei._ Já pensou um bebê nosso? Uma mistura perfeita da menina forte e autori..._ Ele levantou a sobrancelha._ Tá certo, mandona._ Revirei os olhos._ E do menino lindo que faz tudo ao contrário?
_ Vai ser uma princesa linda, forte e mandona que nem a mãe, mas ao invés de usar sapatinho de cristal vai usar all star e tomar milk-shake de jabuticaba! Vai ser baterista, tocar guitarra e espancar o filho do Cebola!_ Ele gargalhou e eu acompanhei.
_ Ah, mas eu pensei num menininho lindo que nem o pai! Com aquele cabelo de franjinha, esses seus olhos lindos..._ Afaguei seu rosto, ele pegou minha mão e a beijou.
_ Eu te amo tanto...
_ Eu também te amo, mais do que eu imaginei que podia amar alguém.
Ficamos com o olhar preso um no outro por alguns segundos e quando ele foi se aproximando para me beijar o meu celular tocou. Ele respirou fundo e se encostou novamente na cadeira, cruzando os braços enquanto eu pegava o celular na bolsa. Era a Magá.
_ Oi Magá!
_ Oi Mô, tá ocupada?
_ Não, tô na sorveteria com o DC. E aí, o que é que manda?
_ Ah, é que eu fiz um bolo aqui e queria saber se você tava a fim de vir experimentar. Chama o DC também pra ele conhecer os filhotinhos do Mocotó.
_ O Mocotó não era macho?
_ Aff, Mônica! Ele continua a ser macho! Mas ele teve oito filhotinhos com a gata da vizinha e ela os deixou aqui em casa porque a mãe rejeitou os pobrezinhos!
_ Ah, bom! Que susto!_ Nós duas rimos._ Tá bom, a gente vai fechar a conta e daqui a pouco aparecemos ai.
_ Certo, vou tirar logo o bolo do forno antes que queime! Beijo, amiga.
_ Beijo, até daqui a pouco.
Desliguei o celular e vi que o DC já estava pagando a conta. Quando ele se virou pra mim eu o surpreendi, beijando-o. Ele correspondeu imediatamente, puxando-me pela nuca e aprofundando o nosso beijo. Mas não foi um beijo ávido, como os últimos que tínhamos dado; foi delicado, doce, calmo e com sabor de milk-shake (Hahaha). Quando nos afastamos ele sorriu e levantou, oferecendo-me a mão para me ajudar a levantar.
_ Casa da Magá?
_ Sim, ela quer que a gente experimente um bolo e quer que você conheça os filhotes do Mocotó.
_ Mocotó? Aquele gato que eu fiquei brincando no “Cafelino” e que não tinha parte da cauda?
_ Esse mesmo.
_ Ah, aquele gato é o máximo! Pena que meus pais nunca me deixaram ter bichinho em casa.
_ E você gosta de bicho? Não sabia.
_ Gosto sim! Já tentei ter um ornitorrinco, uma coruja, um lêmure, um urso panda..._ Arregalei os olhos e ele deu com os ombros, como se não tivesse falado nada de mais._ E meu sonho era ter um dinossauro, quando era criança, mas acho que esse aí é impossível!
_ Você é um doido mesmo!_ Eu ri._ Mas o Mocotó é um gato! E gatos são animais perfeitamente normais!
_ Mas ELE não é normal! É um animal diferente, não tinha a cauda e ninguém ia querer ficar com ele. Isso fez com que ele fosse especial pra mim, o fato de ver que as pessoas só não gostavam dele por esse mínimo detalhe. Um gato sem cauda continua sendo gato!
_ Acho que agora entendo porque você gosta tanto de mim!_ Gargalhei._ Só porque os outros meninos me esculhambavam, colocavam aqueles apelidos e aprontavam comigo.
_ Nada disso. Eu gosto de você porque apesar deles fazerem isso com você, você sabia que era brincadeira e continuava a ser amiga deles. Sempre demonstrou força, caráter e determinação, desde muito cedo. Isso me encantou desde o primeiro dia que eu te vi. Seu senso de justiça, de amizade... Você sempre foi uma pessoa maravilhosa, independente do que os outros digam e façam.
_ Você que é maravilhoso._ Falei emocionada e abracei-o enquanto caminhávamos. Ele beijou o topo da minha cabeça.
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