Aconteceu Na Velha Roma
4 Quatro
Notas iniciais
Reyna ficou impressionada com o trabalho de seu amigo. A armadura era linda.
O peitoral reluzia em ouro. Tinha uma camada mais espessa na região do abdomen, para nivelar com os seios de Reyna. Se ela realmente queria se passar por um soldado, os mínimos detalhes eram importantes. Apesar disso, o peitoral não era pesado. O saiote de couro com detalhes em ouro iam até os joelhos sobre uma camada de tecido. As mangas chegavam aos cotovelos, com ombreiras em couro. O capacete tinha uma “crina” vermelha, assim como todos do exército. Cobria a cabeça inteira, rodeava os olhos e a boca. As bochechas ficariam embaixo de triângulos de metal e uma faixa descia protegendo a parte de cima do nariz.
— Eu projetei ela para se ajustar completamente ao seu corpo, vai te proporcionar imensa proteção, mais do que as comuns do exército. Ela também vai esconder todos os… ahn, seus traços femininos.
— Obrigada, Leo. Isso é muito importante para mim.
— Sim, eu sei. Você vai hoje?
— Talvez. Assim que tiver a chance. Eu não vou sumir para sempre e muito menos irei me esquecer de você.
— Assim espero. — Ele conseguiu dar um sorriso fraco. — Vai embora sem despedir de mim?
— Eu vou tentar ir até você. Mas em todo caso… Adeus, Leo Valdez. Muito obrigada. Por tudo.
Ele sorriu.
— Foi um prazer, princesa. Quero que leve mais uma coisa…
Ele estendeu a ela um pedaço de pano dourado conectado por um fio de mesma cor de um lado ao outro. O que chamaríamos de bolsa.
— O que…?
— É encantada. Sim, me agradeça depois. Aparentemente, você não é a única abençoada pelos deuses. De qualquer modo, você vai poder colocar praticamente qualquer coisa aqui dentro. É claro, sem exegeros, mas coisas como roupas e armas por exemplo… Você poderá tirá-la dai colocando a mão e pensando no objeto.
— O-Obrigada, Leo. Eu realmente não sei como agradecer.
— Que tal um beijo? — Leo levantou as sobrancelhas e abriu um sorriso. Talvez fosse a última vez que ele a veria. Não desperdiçaria a chance.
Ela se aproximou rapidamente dele e beijou a região bem próxima da sua boca, mas sem encostar nos lábios do garoto.
— Contente-se com isso, Valdez.
Ela, que já havia colocado a armadura toda dentro de sua bolsa, correu para fora do lugar segurando o tecido dourado na mão (que não adquiriu peso), deixando para trás o garoto corado.
Ao fechar a porta de seu quarto, já estava escurecendo. Ela precisaria colocar a última parte do seu plano em prática: Se quisesse entrar para o exército, precisaria de uma carta de recomendação.
Ela foi até um baú próximo e vasculhou-o até achar uma folha e tinta.
A parte mais díficil viria a seguir. Ela teria que conseguir uma carta de recomendação para fazer uma “cópia”.
Esgueirou-se até os aposentos do pai. Ele deveria estar trabalhando, ou jantando àquela hora.
Revirou cuidadosamente o baú do Imperador. Tinha que ter uma carta ali. Sempre tinha.
Reyna viu um envelope dobrado embaixo de tudo. Puxou, e, para sua sorte, viu que aquela era uma. Provavelmente seu pai a entregaria nos dias que seguissem. Se tudo desse certo, ela não saberia.
Quando estava fechando o baú, escutou o barulho de alguém se aproximando. Sem pensar, Reyna enfiou-se dentro dele e recolheu todo o tecido de seu vestido que ficara para fora. Fechou-o deixando apenas uma fresta para observar.
Viu seu pai entrar no quarto com sua toga e a coroa de louros na cabeça. Ele aproximou-se do baú. O corpo de Reyna contraiu-se. O que ela diria se ele abrisse a caixa e visse-a lá? Julian colocou a mão na tampa e fez menção de abri-la, fazendo o pânico invadi-la. Mas, por sorte, ou destino, ele agaixou-se e pegou seu anel que estava no chão, ao lado do esconderijo da menina. O Imperador de afastou rapidamente e bateu a porta. Ela soltou um suspiro aliviado e saiu do baú. Pegou a carta e tratou de dar o fora para ter certeza que não teria mais um encontro inesperado.
Reyna nunca quis admitir, mas sempre fora muito boa em cópias. Na mesinha de seu quarto ela imitava com perfeição a letra de seu pai.
Ela precisava escolher um nome diferente, não podia se passar por homem e chamar-se Reyna. O primeiro nome que veio a sua cabeça foi Rômulo. Sim, aquele nome seria bom. Tinha tornado-se um nome comum para os romanos, por motivos óbvios.
Ela finalizou a carta com a assinatura de seu pai e colocou-a num envelope identico ao da carta original.
Correu para colocar o carta de recomendação no lugar. Cuidou para que ficasse praticamente no mesmo lugar.
Era hora de testar mais uma vez a bolsa que Leo havia lhe dado.
Reyna foi até seu closet, selecionou aleatoriamente uma de suas togas e colocou uma das alças dentro do pedaço de pano. Imediatamente, a toga e sugada para dentro da bolsa. Não há mais vestígios dela. Colocou em seguida várias togas, ela não sabia porque exatamente fazia isso, mas era melhor prevenir do que remediar. Colocou algumas sandálias, jóias e seu dinheiro.
Prendeu a pequena bolsa em seu cinto de ouro. A toga branca que ia até o joelho tinha um cinto tipico. Reyna pegou uma capa com capuz preta. Vestiu. Ela lhe cobria totalmente: Braços, pés, cabeça... Com isso, misturaria-se facilmente com a escuridão da noite.
Ela tinha tudo que precisava. Com um sorriso, olhou para a janela que lhe daria a liberdade.
Fale com o autor