Notas iniciais
Alohaaa! Então gente, tudo bem? Meu nome é Pâmela, e essa é minha primeira história terminada. Venho há tempos tentando fazer uma, mas nunca termino. E essa finalmente chegou ao fim. "Acima de nós" é nada mais nada menos que um conto de oito capítulos, onde eu irei contar a história de Ryan e Chelsea. Pelo percurso vocês encontrarão algumas "notas do autor", que é onde eu sugiro uma música para o momento. Quaisquer reclamações e dúvidas, podem falar! Como disse, é a primeira vez que posto, então provavelmente tudo certo eu não farei. Podem entrar em contato comigo através do ask.fm (poxapamy) também, além de é claro, deixar seu comentário. Eu ficarei muito feliz! Obrigada, e boa leitura.

Já não era a primeira vez que Ryan me pedia para cometer loucuras desse gênero. Ou melhor dizendo, loucuras. Loucuras desse tipo, nem eu sabia que ele era capaz de inventar. Ele sempre teve um jeito meio aventureiro e dinâmico de lidar com tudo, mas não era do tipo que gostava de arcar com os méritos. Era mais como algum herói anônimo que preferia não ser reconhecido, mesmo quando fazia travessuras para o bem.

Uma vez, na segunda série, ele furou a roda da bicicleta de um garoto porque ele havia molhado todo o material da garota nova com suco de melancia com hortelã. E a vez em que ele fez a gravação de garotos do ensino médio que se achavam valentões o suficiente para baterem em garotos indefesos, com óculos e que aparentemente comiam cola? Isso deu o que falar. Os “maus” do ensino fundamental queriam descobrir e dizimar seja lá quem fosse o destemido.

Mas, agora os anos eram outros. Estávamos mais próximos da realidade, ou pelo menos deveríamos estar. Eu, Chelsea, nunca fui muito corajosa como meu melhor amigo Ryan, admito. Pode-se dizer que às vezes em que ele nos pôs em encrenca foram tantas que eu nem consigo recordar. Mas o mais fascinante é que ele sempre conseguia nos tirar do fuzuê antes que o dia escurecesse, e eu entrava em casa com a maior cara lavada dizendo que estávamos estudando para a minha mãe. Deitava no travesseiro já afável de tanto que Andie rodava em círculos para deitar-se em cima dele assim que estivesse confortável, e antes de dormir pensava no dia cheio que havia tido, e como eu queria que isso durasse para o resto da minha vida.

Num dia desses, na véspera do feriado de ação de graças, eu e Ryan estávamos no McDonald’s comendo meu lanche preferido: McRoyal Deluxe. Eu era apaixonada por aquela carne. O queijo cheddar fundido então, nem se fala. Ryan sempre ria e dizia que eu precisava de um babador para comer, pois eu sempre ficava com resquícios de maionese aveludada pelo queixo. Estávamos fazendo exatamente isso, quando de relance, ele perguntou:

– Chel. – Disse depois de um longo gole do seu refrigerante. – Pra você, o que é liberdade?

– Bem – Eu nem fiquei muito surpresa. Ele adorava esses debates profundos e era muito objetivo, então, duas por três estávamos abordando assuntos do dia-a-dia. Ele é claro, melhor do que eu. – Ser livre? – Tentei fazer graça, mas dessa vez ele parecia querer uma resposta concreta. – Ah, não sei. Liberdade pode ser agir por instinto, impulso.

– Hum. – Ele pareceu estar ponderando minhas palavras. Adorava o semblante pensativo que ele fazia quando considerava algo. Sua testa enrugava e sua fisionomia por um momento parecia de alguém bravo, mas quando associava o “nome a pessoa”, levantava as duas sobrancelhas e sorria de canto, realçando aquela covinha extremamente fofa. De um lado só. Até nisso ele era diferente. Se for para ter covinha, então que seja dos dois lados! Mas não, o inusitado parecia já estar em sua genética. – Você se acha livre?

– Sim. Não. Talvez. – Refleti ligeiramente. – Acho que só vou ser livre quando cuidar do meu próprio nariz. E por enquanto, isso é papel dos meus pais. – Encaro faminta meu Deluxe e dou uma grande mordida. Ryan ri. – Falando nisso, como foi com a Maíra?

Ele riu mais ainda. Eu estava curiosa para saber o que havia acontecido, até que ele respondeu: – Um fracasso. – Suspirou parecendo lembrar-se. Vou assumir, me surpreendi. Ryan levava jeito com as garotas, e isso às vezes até me irritava. As garotas faziam filas para falar com ele. Uma vez criei uma conta naquele tal de ask.fm e fui obrigada a desativa-la. Só recebia perguntas do tipo: “Você e o Ryan tem alguma coisa?”, “Como faço para falar com seu amigo, Ryan?”, “Tira uma foto do Ryan sem camisa?”. – A gente tava lá no meu apartamento e tava rolando o maior climão, e quando fomos para as preliminares o Argos achou que era algum tipo de brincadeira, e bem, resolveu brincar também.

Eu comecei a rir, rir muito só de imaginar a cena. Tomei um pouco de refrigerante para desafogar, mas meus olhos já corriam água. Maíra, toda cheia de não-me-toque devia ter ido a loucura. Argos era o cachorro de Ryan, um labrador que tinha o dobro da minha altura. Eu era completamente apaixonada por aquele cachorro.

– É, tu ri por que não foi contigo. – Ryan tentou se segurar, mas minha risada pareceu ser tão contagiante que ele não conseguiu deter-se e logo caiu no riso também. – Ei, e o Ícaro? Ele ficou tão feliz quando você aceitou sair com ele que eu cheguei a sentir uma onda de euforia pelo cara. Ele tava na tua volta desde quando? Oitava série?

– Ah – Meu riso parece cessar só de lembrar. – Ele é muito apressadinho. E muito irritante. Mais irritante que você!

Ryan faz uma cara de ofendido. – Então o cara é irritante mesmo. – Ficamos em silêncio por alguns minutos, e em seguida que acabei meu lanche, Ryan foi pagar a refeição. Eu estava checando qualquer coisa em meu celular, mas ao olhar levantar meu olhar vi Ryan se aproximando com uma carinha de “preparado” que só ele sabia fazer. Eu devia estar preparada para qualquer coisa. Qualquer coisa.

Ele pegou seu chaveiro e enquanto chacoalhava no dedo indicador, eu pegava minha bolsa e meus livros espalhados pela mesa. Fomos andando até o carro dele – um Audi preto – conversando sobre qualquer coisa, até que ele me perguntou: – O que você pretende fazer nesse feriado?

Pensei a respeito disso pela primeira vez. Não era muito de criar planos; sempre davam errados. Então, eu simplesmente acordava e ligava para Ryan, e sempre ficava a critério dele qual seria a distração do dia. – Não sei! Me diga você: o que faremos amanhã?

– Você quer mesmo saber o que tenho em mente? – Assenti e no mesmo momento me arrependi. Boa coisa não era. Ainda mais quando ele sorria com a bochecha que não havia covinha.

Com certeza boa coisa não era.

Notas finais
Genteeee! E aí? Eu juro que revisei milhares de vezes, mas alguma coisa vai passar despercebido. Pretendo postar um dia sim e um dia não! Beleza? Um beijo, não se esqueçam de comentar! ♥