Notas iniciais
não foi betado, qualquer erro, favor avisar.

Como cheguei aqui? Não sei. Lembro-me vagamente de luzes, sons altos. Meu corpo dói. Muito. Não consigo me mexer. Abro os olhos, e encaro a copa das árvores. Está anoitecendo, é bonito ver esse céu alaranjado sobre as folhas verdes.

Olho para o lado e vejo um pequeno corpo, crio forças e me levanto, surpreendentemente, paro de sentir dor. Corro até a criança e checo o pulso. Não sei quanto tempo passei desacordado, mas o corpo do pequeno está frio. Mais uma vítima da morte. Quando me viro para olhar o cenário do acidente, vejo o meu corpo. E a criança transparente ao lado do carro.

Sim. Lembrei o que houve. Esse pequeno ser era meu filho, estávamos a viajar de carro para o litoral, afinal, ele nunca tinha visto o mar. Foi um pedido dele. Não sei o que aconteceu, mas vejo agora outro carro, em estado igual ou pior ao meu. Abraço o meu filho, não o corpo, a alma. Infelizmente ele não tinha conhecido o mar. Nós dois perdemos a vida nesse acidente. Peguei-o no colo e fui andando até a estrada.

-Sinto muito, não te mostrei o mar antes de morrermos.

Eu sabia que era uma coisa que ele sempre quis, e eu estava realmente arrependido por não ter feito o suficiente para ele.

-Papa, ainda podemos ver o mar?

Me surpreendi com meu filho perguntando isso, mas dei um sorriso.

Com ele no colo saí andando pela estrada, não sentia cansaço, sono, ou qualquer necessidade humana. Eu não estava mais vivo para sentir algo.

Depois de algum tempo de caminhada, acho que no fim do terceiro dia, vi a pequena cidade a qual eu tinha reservado um quarto de hotel para passarmos uns dias lá.

Não fui para o hotel, não tinha motivos para isso. Fui até a orla e coloquei com carinho meu filho no chão. Demos as mãos. Momento pai e filho, nosso momento de felicidade, pois estávamos juntos, como uma família.

Ouvi um pequeno murmúrio de agradecimento com a voz do meu filho e o abracei.

Fechei os olhos com um belo sorriso no rosto, e sentei ao lado dele. Pude ouvir ao longe uma voz exclamando algo, mas não prestei atenção. A hora de ir embora chegava, e me virei. Encarei uma garota a me olhar assustada. Sorri gentilmente, e ouvi meu filho pedir um favor a ela.

‘Poderia escrever o que aconteceu? A mamãe ficaria feliz em saber que eu conheci o mar...’

Notas finais
Curtinho e como sempre com morte e drama. E o mesmo tipo de escrita de todos os outros. Não consigo escrever algo grande e alegre, mas estou tentando. Qualquer erro avise, eu acho que não cometi erros gramaticais graves.....
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!