O veneno que escorreu pelo meu rosto

— há anos -

É o mesmo que escorre agora.

É veneno de suicídio,

É dor de convívio.

E já não existe alívio

Que o faça parar de cair.

O veneno que escorreu pelo meu rosto

— há anos -

É o veneno mais mortal.

É veneno para o outro,

É veneno que me toca.

É veneno que me condena.

Veneno que me mata aos poucos.

O veneno que escorreu pelo seu rosto

— à pouco tempo -

É fajuto, meu amor.

É veneno sem dor,

É veneno sem marca, sem cicatriz.

É veneno de culpa, e não de perda.

Se não te mata, desapareça.