Acertando as Contas com o Passado
13 Capítulo 13 – A beira do abismo – parte 1
Notas iniciais
Escutei um tiro. Não sabia se tinha sido McCallister quem atirara. Tive medo de conferir. Um tiro, naquela distância. Nem o Chefe sobreviveria.
Mas para o meu espanto, não fora o desgraçado quem atirara. O tiro fora dado em direção a ele. Mas quem diabos acertaria de tão longe? Foi quando ouvi o Chefe elogiando o atirador. Shepard. Quem diria! Ela sabe usar um rifle também!
No mesmo instante, vi que McGee e até mesmo Ziva, apareceram como se fossem dar cobertura. Já não era necessário. O que precisávamos era localizar a bomba e depois desarmá-la.
Quando todos se encontraram na frente do prédio vi que a Diretora – por que ainda a chamo assim? Ela não ocupa mais esse cargo! – vinha atravessando a rua com um rapaz todo imobilizado e com uma cara de que tinha levado uma boa coronhada na cabeça. Não queria, mas estou começando a gostar muito mais da Shepard agente do que da Shepard diretora.
— Chefe, você está bem? Ele chegou a disparar? – Ziva disse.
Por ele, ela se referia a um muito ensanguentado e raivoso McCallister que nos olhava com um ar de quem sabia que não tinha acabado e o que vai acontecer agora?
— Não, Ziva, está tudo bem. Agora me façam um favor. Preciso que McGee fique aqui e coordene com a unidade antibombas a localização do dispositivo que ele trouxe. – Aproveitando a oportunidade, o Chefe muito deliberadamente chutou o cachorro morto que segurava suas mãos unidas. – Caso não encontrem, eu estarei interrogando o nosso amigo para saber onde ele a colocou. Enquanto você e DiNozzo vão descobrir quem é aquele ali.
Aquele ali era nosso amiguinho amarrado, machucado e muito revoltado.
— Vocês acham que eu vou abrir a minha boca e contar alguma coisa? Estão muito enganados! Eu...
— Você já abriu a boca, babaca. Agora só falta falar as coisas certas, mas tenho certeza que os Agentes DiNozzo e David vão conseguir isso de você. – Jenny muita sarcasticamente disse para ele.
— Eu não vou dizer nem meu nome! – ele ainda esbravejava.
— Não precisa, temos a sua foto – McGee disse ao mesmo tempo em que tirava a foto do coitado – agora é só passar pelo escâner facial. Vai ser moleza descobrir quem você é!
O garoto só nos olhou atravessado. Ele sabia que estava ferrado. Mas podia ser pior, podia ser o Chefe o interrogando.
— Ziva! Tony! Subam com ele agora. Vocês sabem o que fazer!
— Sim, Chefe! É pra já! – Respondemos em uníssono.
E rumamos rapidamente para o elevador levando nosso amiguinho enrolado e ferido conosco.
—--------------------------------------
— Ora, ora, se não é o casal vinte dos agentes infiltrados? – Com esta saudação, McCallister, mesmo com as mãos furadas, conseguia nos irritar.
— Sentiu falta de nos ver em ação? Por isso bolou tudo isso?
Eu não podia resistir. Era muita tentação ver ele ali, no chão, machucado, sabendo que ele tinha orquestrado a minha morte.
— Eu queria os dois mortos.
— Mas nos tem vivos. E agora é você quem está na berlinda!
Minhas mãos coçavam para usar aquele rifle mais uma vez e acabar com tudo. E como eu queria, mas fui impedida.
— Vamos levá-lo para a sala de interrogatórios. Temos que conversar um pouquinho com ele. – Jethro me trouxe de volta a realidade.
— Vocês têm que me levar é para um hospital! Olha o que fizeram comigo!
— Desde quando terroristas podem exigir algo do NCIS, Jenny? – E começamos com o joguinho.
— Deixe me ver. Desde, ó, nunca! Será que ele se esqueceu disso, Jethro?
— Maldito o dia em que coloquei vocês dois na mesma operação!
— Se você diz. – respondemos em uníssono, enquanto carregávamos seu peso morto para o elevador.
Durante os poucos segundos em que ficamos dentro da caixa de metal, nosso ex contato resmungou e nos excomungou como quis. Como se isso fosse nos afetar. Quanto a nós, estávamos fazendo o que mais gostávamos, fingindo a não existência do suspeito, conversando amenidades.
Quando o elevador chegou ao destino, literalmente arrastamos McCallister andar a fora. A Agência estava vazia, ainda estávamos em alerta máximo para um ataque, portanto, ninguém iria ser testemunha do que estávamos fazendo.
Alguns minutos depois, jogamos o agente sênior em uma cadeira. Ele ainda exigia ver um médico.
— Tudo bem, você venceu! Vou chamar um médico para você, mas não prometo ser um que cuide de pessoas vivas. Mas dadas as circunstâncias, você não vai sobreviver por muito tempo mesmo. – para meu espanto, Gibbs concordava com um suspeito! E continuava – Ducky, eu sei que você ainda está aqui no prédio, você se importa de vir até a sala de interrogatório? E traga suas ferramentas de sutura! Não, estou bem, é outra pessoa que precisa da sua ajuda.
Eu o olhava com uma sobrancelha erguida. Jethro nunca fora de dar moleza para suspeitos durante um interrogatório. E isso me soava diferente.
— Não me olhe com essa cara, Shepard. Não podemos deixa-lo morrer aqui. – disse enquanto se postava atrás de McCallister, com as duas mãos no encosto da cadeira e me olhava. Seu olhar me mostrava que ele tinha um plano, e que Riley iria desejar estar morto ao invés de querer ajuda.
— Se está dizendo! O interrogatório é seu! Como você disse quando eu ainda era a Diretora: eu devo ter desaprendido as técnicas de perguntas e respostas. – disse a ele dando de ombros.
— Então está finalmente concordando comigo?
— Me rendo! É você o dono da sala de entrevistas, só vou ficar olhando! – disse levantando as minhas mãos em claro sinal de rendição.
— Sempre soube que você não era tudo isso mesmo. Que perda de tempo foi te treinar!
— Ha! Você não me treinou. Quando virei sua parceira sabia exatamente o que tinha que fazer, só que você tem seu próprio livro de regras.
— Vamos fazer isso aqui e agora, Shepard?
— Quem começou foi você, Gibbs!
McCallister olhava fascinado, nossa troca de farpas, mal sabia ele onde isso levaria.
— E eu sempre acreditei nos boatos que chegaram até mim! – ele ria vitorioso – Achei que eram imbatíveis, mas acho que só deram certo porque dormiam juntos.
Gibbs só levantou a sobrancelha na minha direção. Ele mordera a isca.
— Nem valeu tanto a pena assim. – soltei com ar de desdém — o que me leva a te perguntar, quem soltou estes boatos?
— Seu contato na Europa, Decker, ele era simplesmente fã de como vocês agiam.
— E passou tudo para você? Grande amigo, não se pode confiar em ninguém. – disse com um muxoxo.
— Mas ele estava errado. Vocês não são isso tudo. Mal conseguem entrar em um consenso sobre quem está no comando!
— Claramente eu estou no comando aqui! — Eu disse, com um certo ar de petulância.
— Não, não está! – Gibbs respondeu.
— Não disse, não conseguem entrar em um acordo! E acham que podem conseguir o que querem de mim!
Nesse momento Ducky bateu na porta da sala e, do seu jeito educado, se anunciou.
— Ducky, ainda bem, pode me passar os instrumentos da sutura que continuo daqui. – Jethro se adiantou.
— Mas Jethro! Você não sabe a extensão dos danos, eu tenho que dar uma olhada primeiro!
— Então que seja rápido! Não tenho tempo!
Ducky analisou as mãos de McCallister, e não gostou nada do que viu. Disse que os danos eram permanentes, mas precisava da opinião de um especialista para melhor análise. Quando estava para sair, me olhou e me cumprimentou:
— Seja bem vinda de volta, Jennifer! Espero que desta vez seja em definitivo.
— Bom te ver também, Ducky. E sim, espero ficar. – E o levei até a porta. Quando estávamos fora de alcance ele me pergunto:
— O que Jethro tem em mente com aquele kit de sutura?
— Ducky, é melhor você nem saber!! Deixe por nossa conta! — Disse enquanto me despedia deste que era uma figura paterna para mim.
Quando retornei à sala, Jethro havia trocado as posições, agora ele sentava de frente à McCallister enquanto arrumava muito cuidadosamente as agulhas e demais instrumentos na mesa. Na hora notei que meu lugar era nas costas de Riley, de frente para Gibbs. Isso iria ser interessante.
— Vai me ameaçar com isso, Gibbs? Se esqueceu que temos câmeras por aqui?
— Estão desligadas. – Ele foi lacônico.
— Tem uma testemunha!
— Quem? Ducky já se foi!
— Shepard.
— Eu não sei de nada!
— Como Diretora é o seu dever zelar pelo bem estar...
— Agora eu sou Diretora? Que conveniente!
— Ela não é Diretora.
— Você vai deixá-lo falar assim com você, vai deixá-lo te rebaixar? Você é melhor do que isso! – McCallister buscava a todo custo uma aliada.
— E o que você sugere? – questionei
— Você sabe. Um acordo! Eu conto tudo. Tudo o que sei, e ao final eu tenho uma boa redução de pena e você volta ao seu cargo como uma heroína. Vamos lá, Jenny! Eu sei que você quer isso!
— E o que exatamente você sabe? – Perguntei, como se estivesse ao seu lado.
— Não falo nada sem acordo!
— Mas para se ter um acordo, eu preciso saber se vale ou não a pena as informações que você tem!
Enquanto conversávamos, Jethro brincava com um pequeno bisturi. Rodava o objeto em sua mão e fazia pequenos círculos na madeira da mesa. Quanto mais perto estes círculos ficavam das mãos de McCallister, mais desesperado ele ficava.
— Eu sei informações sobre quem negociava com Zukov.
— Já temos isso. – Gibbs soou frio.
Com estas três palavras a vi o suor brotar na nuca de McCallister, isso estava ficando engraçado.
— E então, mais uma chance. — E sussurrando do ouvido do agente disse. – Você sabe que não posso segurá-lo para sempre, não é?
E quando terminei Jethro muito repentinamente cravou o bisturi na mesa. Hora de virar o jogo!
— Você tem uma chance! Ou começa a falar, ou esse buraco de bala feito nas suas duas mãos serão os menores dos seus problemas. – gritei em seu ouvido fazendo-o pular na cadeira.
McCallister tentou levantar da cadeira, no claro instinto de fugir. Mas eu o detive sentadinho ali.
— Vai ser o que?
— O que vocês querem que eu diga que vocês não sabem?! – Podíamos sentir o medo em suas palavras
— Por quê? – Dissemos juntos
— Poder!
— Não foi só isso! – Jethro deu um de seus sorrisos de canto, claramente não comprando a história.
— Eu queria usar o NCIS para dar cobertura para as operações da organização de Zukov; o plano era tirar as demais organizações do caminho e usar a Marinha e os agentes do NCIS como mulas para os carregamentos e entregas. O esquema era perfeito. Mas para isso eu precisava eliminar aqueles que eu sabia que seriam pedras no meu caminho.
— Os agentes da lista no computador de Dmitri Zukov...
— E os agentes da MCRT também, junto com a Abby!
Ele pediu pela reação de Jethro, ele mal pronunciara o nome dela, e o bisturi já estava cravado em seu pulso.
— Mais o que? – Pressionei, enquanto apertava muito deliberadamente um ponto em seu ombro.
— Eu tinha que limpar o NCIS dos agentes mais leais e comprometidos. Então enviei as listas para Dmitri. Mas alguns são difíceis...
— Não me diga... tem mais algum alvo além daqueles da lista? – Gibbs gritou.
— T...ttttem!
— QUEM? – E foi aí que Jethro basicamente acabou de arrancar a mão do traidor.
— O Secretário da Marinha. Secretário Davenport!
Nós não precisamos de palavras basta um olhar para saber que as coisas estão ruins! Muito ruins!
— E quanto a bomba? – Desta vez não tive piedade de praticamente jogá-lo da cadeira.
— Eu não sei! – Ele disse enquanto tentava tirar suas mãos e braços do alcance de Jethro.
— Não sabe? Como não sabe? – Peguei outro bisturi e mirei diretamente abaixo de seu olho direito.
— Sasha ficou responsável por escondê-la! Sasha!
— E Sasha seria nosso amiguinho atirador?
— Sim!
Quem poderia imaginar que o agente que nos enviou para a Europa há dez anos seria tão covarde a ponto de entregar um parceiro!
— Muito obrigada pela sua cooperação. – Respondi ironicamente, enquanto Jethro e eu fazíamos nosso caminho para a porta.
— Ah, McCallister – Gibbs disse – Regra nº 1!
— Regra nº1?
— Nunca ferre um parceiro! – Respondi vitoriosa.
— Essa ele vai levar para a vida inteira. – comentei com Jethro.
— Só se for para a vida em Guantánamo, porque é para onde ele vai.
E o deixamos a sós com sua consciência enquanto rumamos para a sala de observação, ver como Tony e Ziva estavam indo.
Fale com o autor