Aceitação
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Bem, essa é mais uma one-shot da minha coleção de Mpregs. Já faz tempo que escrevi ela no caderno, mas á pouco tempo que a passei para o Pc e só agora, com a volta do anime eu resolvi postá-la. Aqui resolvi retratar como seria, no meu ponto de vista, como Kuroko contaria á seus pais. Tentei fazer uma coisa fofa, porém não sei se saiu muito bem.
Deixarei aqui o significado de algumas palavras que usei durante a fanfiction, caso alguém não saiba:
Eto: Hm, bem...
Okaa-san: Mãe
Otou-san: Pai
Gene: Eu me refiro a uma teoria que vi em uma fanfic em inglês, não me recordo qual, mas sei que é do fandom Sterek. Lá, o(a) escritor(a) dizia que anos atrás haviam descoberto homens podiam engravidar, através de um genes que estaria com ele desde o nascimento. Achei a explicação tão legal, que não poderia deixar de adaptá-la a essas drabbles/oneshots, e considerando a hipótese mais verdadeira que já vi.
Espero que gostem.
Aquela conversa prometia ser difícil, óbvio, não seria nada fácil Tetsuya chegar para seus pais e contar toda a verdade. Mas ele sabia que tinha um pilar para se apoiar, caso as coisas não forem boas para si. Kagami estava ao seu lado, encostado no sofá creme rigidamente. Ele também se sentia nervoso com o que iria acontecer.
Kuroko sentou ali, olhando os pais à sua frente e sem saber como começar.
— Então... — Seu pai começou a falar, incentivando o assunto, enquanto seus olhos iam de seu filho para Kagami. Se Tetsuya o conhecia bem, ele estava curioso e algo mais que ele não conseguia identificar.
— Senhor... eto*... — O ruivo endireitou sua postura, procurando as palavras certas para continuar.
Sua mãe, Makoto, até então quieta, se levantou e pediu para esperarem um momento, antes de sair do cômodo. Durante alguns momentos, o completo silencio reinou na sala. Ninguém ousava falar naquele clima tenso.
Quando ela voltou, carregava uma caixinha verde nas mãos. Não, não era apenas uma, eram duas. E imediatamente o ex-jogador da Teikou reconheceu-a. Eram as embalagens dos testes...
— É sobre isso que vocês querem falar, não é? — A mulher de aparência jovem perguntou, colocando os objetos em cima da mesa de centro, entre os dois sofás.
Taiga pegou um, analisando-o, enquanto o menor acenou com a cabeça positivamente. Então ele compreendeu. Por isso ela estava mais distante esses últimos dias.
— Você sabia, Okaa-san*? Otou-san*?
Seu pai confirmou suas suspeitos com o breve aceno.
— Sim, vi as embalagens em seu guarda-roupas na segunda-feira, enquanto procurava suas roupas sujas para lavar, já que você esqueceu de reuni-las e me dar. E eu tive que contar para seu pai. — Ela se virou para o ruivo. — Você é o outro pai, Taiga-kun?
Kagami pareceu enrijecer ainda mais, remexendo-se como se não pudesse se manter quieto. — Sim, senhora.
— Okaa-san, como sabia que deu positivo? Você só tinha achado as caixas...
— Ora, você anda mais pálido Tetsuya e eu te escutei vomitando alguns dias atrás. — Disse gentil.
— Suponho, que por estar aqui, vai assumir a responsabilidade, não é? — O homem mais velho pegou a xícara colocada lá por sua mãe, e voltou a atenção para Kagami, esperando a resposta. Keiji parecia calmo, julgando pela face. Mas Tetsuya não poderia saber com exatidão. O homem também sabia disfarçar seus sentimentos quando queria.
— Sim, senhor. — Taiga olhou para si, sorrindo. — Pretendo assumir e vim para pedir que seu filho venha morar comigo... — Tetsuya percebeu que uma parte da tensão saiu dos ombros de Taiga e ele relaxou visivelmente.
Bebericando o xá quente, Kuroko Keiji balançou a cabeça, assentindo, e voltou a falar.
— E vocês dois sabem o que isso significa, não é? Um bebê não é fácil de se cuidar. Terão muitas dificuldades daqui para frente e estão dispostos a seguir com isso?
— Estamos Otou-san... — Falou. Momentos depois ouviu um suspiro de sua mãe e quando a olhou, viu-a chorando. A mão tampando a boca e impedindo dos soluços escaparem. Virando para a mulher, Tetsuya a chamou, preocupado com a reação dela.
— Okaa-san?
— D-desculpa...— Suspirou, oferecendo um pequeno sorriso e tentando enxugar as lágrimas derramadas. — É que...eu já sabia, mas ouvir da sua boca a verdade é completamente diferente. Além disso, eu vou ser avó! — Ela riu, os olhos ainda úmidos, esses que pareciam tanto com os do filho, mas eram castanhos na cor.
Ouve uma pausa, um silêncio que se estendeu enquanto todos pensavam, até que o jogador n° onze da Seirin voltou a falar. Estava meio incerto, mas queria descobrir a resposta para a pergunta.
— Mas Okaa-san, Otou-san, vocês não tem um problema com eu gostar de... homens?
Seu pai voltou-se para ele.
— Não... bom, no começo quando nós percebemos, foi difícil aceitar. Sim, descobrimos. Somos seus pais afinal, Tetsuya... acha que não notaríamos? Mas ao longo do tempo também percebemos que isso se tratava de sua felicidade, então, estamos de bem com isso.
Tetsuya se sentiu um pouco ingênuo. Pensava que ele tinha escondido esse segredo de seus pais, mas no final de tudo, eles lhe leram perfeitamente. Porém, ele se sentiu surpreso e feliz por não estarem lhe julgando e ter aceitado. Sussurrando, ele agradeceu.
— Senhor, não vai dar um sermão ou algo assim? Não que eu esteja reclamando, é claro...— O ruivo perguntou, extremamente sem jeito. Era estranho para Kuroko ver Kagami se sentindo assim. O homem suspirou audivelmente enquanto pegava a xícara novamente e bebericava o líquido.
— Olha, eu poderia dar...mas não é certo para nenhum de vocês. Claro, vocês fizeram mal em não ter usado proteção, pois poderiam pegar alguma doença, ou algo assim, mas não seria justo por dois motivos: O primeiro se deve ao fato de que não sabiam que Tetsuya poderia engravidar, e segundo, eu não poderia ser tão hipócrita assim, eu fiz a mesma coisa quando era jovem. — Keiji, sorriu, lembrando-se de coisas do passado, e deu uma olhada para a mulher do seu lado. Ela fazia o mesmo. Aquele doce e gentil sorriso, um dos pontos pelo qual havia se apaixonado por ela.
— Tetsuya, sua mãe tinha quinze anos quando ficou grávida de você, quase a mesma idade que tem agora. Só o que posso fazer é lamentar não lembrarmos do que o médico disse antes de você nascer. Ele nos contou que tinha o gene*, mas com o passar dos anos esquecemos esse detalhe. Me desculpe, filho. Por causa da gente, você está passando por tudo isso... — Sussurrou pesaroso, largando a porcelana já vazia de volta no móvel de madeira. Seu olhar estava triste, e o número onze podia ver a verdade através dele.
O menor balançou a cabeça negando, para logo em seguida completar. — Estou feliz, pai. Não tem porque pedir desculpas. — Ele sentiu o toque da mão de Kagami na sua, envolvendo-a no calor reconfortante que o maior lhe proporcionava. Ele virou-se para Kagami, sorrindo.
Sim, era verdade. Estava feliz com o que tinha acontecido, apesar de que daqui para frente sua vida mudaria radicalmente. E não pode deixar de se sentir assustado também, mas para isso ele tinha o ruivo.
— Eu vejo. Sendo assim, eu lhes dou minha permissão. Você pode ir morar com Taiga-kun, Tetsuya.
— Obrigado, Otou-san...
— Senhor- — Começou Kagami, mas fora interrompido pelo pai de sua sombra.
— Me chame de Keiji. Senhor me faz parecer mais velho do que sou.
— Obrigado.
Sua mãe, que lhe observava já mais recomposta, tornou a falar. A voz soando baixa, num tom de sabedoria e tristeza. Ela entendia que seu filho estava crescendo, mas não conseguia assimilar que ele ia mudar-se de lá. Sentia um aperto no coração, mesmo estando contente com a ideia de ser avó.
— Tetsuya, eu quero que você saiba que se precisar estamos aqui. Pode vir falar conosco, certo?
O menor acenou positivamente, muito agradecido por tudo. A reação deles foi muito melhor do que esperava realmente. Céus, ele até mesmo estava preparado para ser expulso. O azulado acompanhou-a com os olhos, quando ela se levantou e agachou-se na sua frente.
— Até mesmo se for sobre a gravidez. — Completou-a, sempre gentil, colocando uma das mãos no abdômen de seu filho. — Logo os sintomas vão começar a aparecer e eu queria te ensinar algumas receitas e truques para amenizá-los.
Aquelas simples palavras foi tudo o que fez a barreira se romper. Talvez fosse parte dos hormônios também ou a aceitação, ou até mesmo tudo combinado, mas aquilo fez seus olhos lacrimejarem-se e as lágrimas começarem a cair cálidas, uma por uma.
— O-oi, Kuroko... — O ruivo ficou assustado. A mão de seu namorado agarrava a sua com firmeza, buscando forças nele.
— Deixe-o, são os hormônios, Taiga-kun... daqui para frente terá que aprender a lidar com eles. — A mulher falou, Kagami balançou a cabeça, mas ele não estava olhando para ela. Parecia mais preocupado com a forma como estava seu pequeno companheiro.
E talvez, tentando começar a aprender, ele envolveu o braço forte no ombro dele, puxando o menor para se apoiar nele. A cabeça de Tetsuya caiu sobre seu peitoral. De vez enquando, o ruivo sentia um soluço escapar dos lábios do menor, mas logo acalmando-se quando palavras eram-lhe sussurradas, baixas, em seu ouvido.
— Tudo vai ficar bem... Respire fundo... Estou aqui com você, ok? Eu te amo, lembre-se disso.
Quando já estava bem mais calmo, as lágrima secaram, o menor acenou, ainda deitado contra a massa de músculos que era Kagami. Essa confissão, conseguiu-lhe arrancar um sorriso dos lábios.
— Cuide bem deles, Taiga-kun, senão... — A ameaça foi implícita, mas o ruivo sabia que ela existia. Meio com medo pela expressão sombria que Keiji tinha no rosto, ele concordou. Uau, até nisso pai e filho se pareciam...
E Kuroko não poderia deixar de estar mais alegre. As pessoas que mais amava, estava dando seu apoio, ele não poderia pedir nada mais. O futuro – apesar de incerto – já não lhe era tão assustador como antes e tinha certeza que com sua luz brilhando tão forte, eles poderiam passar por isso.
Notas finais
Se puderem comentar expressando suas opiniões - construtivas - eu ficaria grata!
Avisando que eu ainda tenho algumas histórias prontas aqui, e se alguém quiser, é só pedir que eu posto-as.
Hasta la próxima!
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