Notas iniciais
Depois de anos com essa ideia na cabeça e varias tentativas falhas de postá-la, por fim estou aqui para começar a colocá-la em pratica. Accies Aciest (Ancestrais Accies) é uma aventura em parte medieval, em parte de ficção, que vos contará da emocionante historia por trás de um reino de paz que passa por sua pior fase em anos e aproxima-se do seu fim. Prepare-se para sorrir e chorar com os guardiões do poder, torcer para eles nas batalhas e odiá-los em algumas escolhas individuais. Mas acima de tudo, prepare-se para ler algo diferente de tudo o que já imaginou! Espero que gostem!

Accies Aciest: O Começo

Prólogo.

No antigo e extenso cômodo voltado à realeza do castelo, um homem alto, robusto e cujo rosto mantinha em sigilo por trás de uma máscara um tanto negra que deixava vir a tona somente as esferas obscuras de seus olhos e a silhueta de seu riso sarcástico, andava de um lado para o outro sobre o elegante, todavia empoeirado tapete vermelho ao chão, enquanto exalava impaciência em sua respiração pesada repleta de ira. Por um instante, ele cessou os passos e fitou o relógio a badalar próximo de seu trono, preso a parede de mármore. Ainda faltavam minutos, minutos até demais, que o impediam de subjugar o seu poder sobre o resto do mundo. Descontou sua fúria contra o vagaroso passar do tempo na pobre e velha parede ao seu entorno, pela qual com apenas um só murro de punho fechado abriu um espaçoso buraco por onde se tornou possível ver o horizonte do céu de Accies tomado pelas trevas, fora do castelo.

Accies nem sempre teve aquele céu nebuloso sobrecarregado de nuvens acinzentadas que espalhavam veneno através do ar e deixavam a saúde dos moradores do reino em situação precária, árvores mortas e secas tomadas de um musgo toxico e rodeadas por pântanos profundos cuja imensidão ainda escondia criaturas horrendas, tempestades poderosas que despejavam sobre todos uma água tão contaminada a ponto de ser letal ou a falta de um sol quente e aconchegante que vivia por trás de uma esfera cor-de-sangue que lembrava a lua terrestre e era a única forma natural de luz daquele lugar. Décadas atrás, na época de ouro, conhecida como a época onde os Guardiões do Poder ainda existiam, o ar era respirável, o horizonte era azul e a água ainda estava presente e abrigava vidas nocivas. Os protetores do reino eram verdadeiros deuses para aquele povo que depositava neles toda a sua fé, fé essa que já estava morta na maioria das pessoas que ainda conseguiam sobreviver naquelas atuais circunstancias um tanto hostis. Afinal, os tais haviam sumido sem deixar qualquer rastro de vida há quase meio século, ouviam-se rumores de que tinham sido derrotados, haviam morrido, estavam presos em outras dimensões, dezenas de teorias que ainda assim não conseguiam explicar com avidez o porque do abandono dos guardiões àquela gente.

Sem ninguém mais para protegê-los da ira do rei, os próprios moradores decidiram se rebelar afim de uma condição de vida melhor. No entanto, os que não acabaram vindo a padecer nas batalhas travadas contra os lacaios de Worode e seus soldados, foram em grande parte escravizados e postos para trabalhar nas masmorras sob o castelo, escavando joias preciosas em poços cheios de lama envenenada apenas para que o rei se divertisse mais tarde as jogando no fogo e rindo ao imaginar todo o sofrimento que os rebelados passavam para encontrá-las. As pessoas já não tinham mais esperanças, não aguentavam mais tanta tortura, já torciam para que a majestade se cansasse daquele conto de terror que criara e desse logo um fim a tudo. Raros ainda eram os que seguiam esperançosos…

***

Bem distante do reino, numa área mais montanhosa, encontrava-se um jovem desafiando as leis da física com a ajuda de uma velha corda com a qual escalava uma colina bem íngreme. Com um árduo trabalho em grupo de suas mãos e pés ele conseguiu chegar ao topo da fortaleza num tempo ate inferior ao que imaginara quando começou sua escalada. Sem tempo para descansos, Kenory logo se pôs de pé sobre o vale a qual chegara, desprendeu o gancho de sua corda do chão e a enroscou com as mãos, guardando-a envolta dos ombros. Por um instante vislumbrou todo o percurso que tinha passado durante seus dois dias de caminhada desde sua fulga das masmorras do castelo, lembrou-se então que não estava a passeio, mas sim numa missão de esforço final para conseguir libertar seus amigos e os demais moradores daquele pesadelo e derrotar Worode de uma vez por todas. Precisava achar ajuda, ajuda mística, ajuda poderosa, e o mais rápido possível.

Voltando a focar em sua trajetória, olhou brevemente para a mata de Fiorencce a sua frente, constituída por arvores densas e uma escuridão aterradora, alem dos animais peçonhentos um tanto mortais camuflados em seus galhos, e andou para ela enquanto retirava e acendia uma pequena tocha de sua mochila. Ja havia estado ali outras vezes, então o caminho no interior da mata em si não era nenhuma novidade. Sabia perfeitamente onde passar, para onde seguir e o que provavelmente enfrentaria. Em pouco tempo e sem muitos imprevistos, o jovem Arciano voltou a ver a luz rubra da lua de sangue ao sair da mata pelo outro lado. Limpou o suor que escorria por sua testa ao passo que riu por um breve momento ao observar a pequena estrutura de pedra a alguns metros dele, que lembrava um antigo templo grego. Era ali que queria estar.

Da última vez que alcançou aquele ponto e pôde ver de relance aquele lugar, não teve o tempo necessário para explorá-lo — já que fora capturado assim que deixou a mata. Dessa vez, porem, tomou cuidado com possíveis armadilhas e seguidores, não seria tão fácil ser impedido ou apanhado. Sem perda de tempo, Kenory apagou a tocha em suas mãos em balançadas fortes contra o vento e seguiu para o templo. Foi impossível que não notasse as muitas escoriações e rachaduras espalhados pelas paredes do lugar. Uma boa porcentagem da estrutura ja havia cedido pelo tempo e se encontrava agora em pequenos amontoados de rochas pelo solo. Subiu a pequena escadaria de entrada em um só passo e passou os olhos rapidamente pela fachada sobre a entrada, feita de mármore. Viu a palavra GUARDIÕES esculpida ali e a fitou com desdém.

— Grandes coisas… — comentou num tom de deboche, como se toda a historia por trás dos protetores de Accies que viu seus familiares lhe contarem durante seus anos de vida fossem meras balelas. Kenory sabia que precisava de alguma ajuda sobrenatural para enfrentar e vencer Worode, como um livro de magia e encantos, amuletos mágicos ou derivados, mas se recusava a acreditar que os tais guardiões existiram algum dia ou pudessem estar vagando pelo mundo atual. Pra ele, sempre foram lendas e de lendas jamais passariam.

Rumou passos para dentro do templo afim de iniciar logo a sua caça ao tesouro, todavia não percebeu a silhueta que saíra a pouco dos arbustos pelos quais passou anteriormente, e que enquanto observava a fachada mantinha seus olhos sobre si.

***

No interior do casarão, nenhum sinal de nada alem de teias de aranha e restos da estrutura das paredes em montinhos pelo chão. Algumas estatuas deformadas pelo tempo ainda conseguiam se manter de pés, eram cinco. Cada uma amostrava uma pessoa diferente, no entanto, todas encontravam realizando o mesmo gesto: De mãos para o alto, segurando algum tipo de amuleto e com feições de estarem realizando algum feitiço. Ao encalço de cada uma delas jazia uma placa de pedra com o nome daquela pessoa, sua historia e tudo mais que os curiosos necessitavam saber, isso Kenory tratou de ignorar completamente.

— Vamos lá… — reclamou sozinho, revirando para os lados. — Não fiz essa jornada apenas pra encontrar essas estatuas idiotas… Tem que ter algum amuleto, livro ou qualquer coisa poderosa por aqui… — Repentinamente, sentiu um pequeno tremor momentâneo passar pelo templo e soltar mais algumas porções da estrutura do lugar, alem de criar novas rachaduras pelo teto e pelas paredes. — Já vi que a única coisa que vou achar aqui é um teto caindo na minha cabeça… Que droga!

Voltando-se para a saída, o jovem notou em seus reflexos alguma coisa dourada soterrada por escombros próximos da portaria do lugar. Com relativa pressa, dirigiu-se rumo ao objeto reluzente e o escavou num piscar de olhos, dando-se então com um livro colossal cujo peso ultrapassava excessivamente o que era comum de um livro pesar. Eram quase dez quilos de pura folha velha em suas mãos.

— Essa coisa deve ter umas 5 mil paginas! — falou enquanto se levantava. A sujeira sobre o livro era tanta que teve de assoprar para conseguir distinguir o letreiro do titulo. A poeira que se levantou da capa o fez tossir algumas vezes, contudo, assim que se recuperou, passou os olhos pelo titulo do livro e não ficou muito surpreso com o que viu, porem seu desaponto foi evidente. — “A historia dos Guardiões”. — Leu. Revirou os olhos ao passo que suas mãos o folheavam e seus olhos mantinham-se ativos para algum sinal de feitiço ou magia que pudesse estar escrito por aquelas folhas. Se viu desapontado quando chegou as ultimas paginas e se pegou segurando um livro totalmente em branco. — Droga! — o lançou para longe com impaciência. — Guardiões, guardiões e mais guardiões… Sempre atrasando o meu lado!

— E você sempre nos dando trabalho!— disse a voz um tanto rouca que estava ao seu encalço. Kenory sentiu um frio percorrer toda a sua espinha.

— Você… Não pode ser! — comentou, sentindo aquela estranha presença parada na entrada do tempo bem diante dele e recusando-se a acreditar que mais uma vez havia sido seguido pelos lacaios de Worode.

— Dessa vez farei questão de acabar com você assim que chegar naquele castelo! Será o exemplo vivo do fim que daremos aos demais escravos que optarem por fugir como você. Conversarei com o rei e pedirei para que te lance ao caldeirão em uma ocasião acompanhada por todos os moradores do reino e trabalhadores das minas. Será um espetáculo!

O rapaz então encarou a jovem pálida diante de si puxando sua adaga da mochila em suas costas.

— Não ira ser tão fácil me capturar dessa vez, Lylandra. — disse.

— Você ja foi capturado, querido. — contrapôs a garota com um olhar tão assustador na sua forma humana quanto o da sua versão transformada numa aranha gigante. — Apenas ainda não se deu conta disso.

Ao tentar mover o corpo para lançar um ataque à mulher, Kenory se viu inteiramente paralisado. Suas mãos e pés se recusavam a obedecê-lo, sentiu a adaga cair de sua mão sem poder fazer nada.

— O que… O que esta havendo? — perguntou, desentendido.

— As teias de aranha pelas quais passou na mata… Acha mesmo que eram meras teias? Elas ficaram presas ao seu corpo, assim como às pontas dos meus dedos. — a vilã mexeu com o polegar e os fios finos e quase que imperceptíveis a olho nu que amarravam os membros do rebelde ficaram ainda mais apertados. Ele arfou de dor. — Viu? Você ja chegou aqui capturado. Te resta apenas servir como aperitivo para este dia tão aguardado por Worode!

De repente, ouviu-se o badalar distante do sino presente no castelo do rei. Lylandra abriu um largo sorriso doentio em seu rosto.

— Finalmente meia-noite! — exclamou, animada. — Vamos, não podemos deixar o rei esperando nessa data tão especial, não é mesmo?

A mulher se virou para a saída e saiu a arrastar o jovem consigo, que ainda lutava inutilmente para se soltar das poderosas linhas que o amarravam por completo. Ao ver sua adaga ficando para trás, começou a perceber que estava tudo perdido. Deu-se por vencido ali, sem mais nenhuma esperança. Para ele e seus colegas tudo estava perdido, para os moradores do reino o que restava era a eternidade de sofrimento. Sua luta havia dado como encerrada. Foi então que, sem mais planos em mente, fixou-se na vilã e a perguntou:

— Afinal, o que o dia de hoje tem de tão especial? Não se trata apenas da minha captura, não é?

— Sua captura? — A aracnídea o encarou por alguns segundos e gargalhou ironicamente. — Sua captura não é nada, garoto, não hoje. Hoje é a data do fim do mundo! — findou. De olhos sobressaltados, o rebelde engoliu em seco com tamanho peso daquelas poucas palavras. Não fazia ideia do que a garota queria dizer com aquilo, mas sabia que não era coisa boa. Pra falar a verdade, sentia que realmente as coisas estavam perto do seu fim. Talvez estivesse mesmo começando o fim de tudo. E com ele caído, ninguém mais poderia salvá-los da morte. Será mesmo que os guardiões existiam? Bem, por mais que não acreditasse, eles agora eram a única esperança de tudo.

Abertura.

Notas finais
Quer ficar com um gostinho de "quero mais"? Só escutar essa aberturazinha e imaginar como sendo a da própria historia. (E não, essa abertura não é de minha autoria.) Próximo capítulo em breve! Obrigado a todos que se dispuserem a acompanhar a história!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.