Accepting Love
5 What do you feel?
Notas iniciais
Rick, Glenn, Hershel e Daryl enfrentam a escuridão de trevas, ao se aprofundarem cada vez mais no interior da prisão.
A esperança mais árdua do xerife é encontrar a enfermaria e a despensa do lugar ainda estocadas, com os utensílios de sobrevivência que seu grupo tanto necessita. Seu revólver Colt Python estava sob mira, bem à frente do corpo, e a lanterna nos lábios, alerta a tudo.
Daryl apontava sua crossbow para a frente, ofegando um pouco com a adrenalina. Sua lanterna, posicionada do mesmo modo como a de Rick estava, nos lábios, iluminavam seu caminho. Seus pensamentos se perdiam em visões de Carol em perigo, longe de seus braços, o modo grosseiro como ele a tratava em alguns momentos, e a possibilidade de jamais poder pedir perdão à ela.
Glenn se perdia em pensamentos de uma vida melhor, se a tal missão de tomar a prisão desse realmente certo. Ele, Maggie, Beth, Hershel e os outros: Sua nova família. Se realmente a criação do filho que Lori esperava desse certo, naquele lugar, talvez até Maggie poderia ter um.
A preocupação de Hershel era para com todos. Maggie, Beth, Lori, Carl, Carol... O medo de perdê-los era insuportável; A missão dele, Rick, Glenn e Daryl, podia sair terrivelmente errada. Seria possível para ele e sua família acharem um lar seguro outra vez, em meio aquela confusão no mundo criado por Deus?
“Mas quando Cristo prometeu a ressurreição dos mortos, eu só pensei que ele teria algo um pouquinho diferente em mente”. Isso não era nada como dizia os ensinamentos da Igreja. O homem mais velho, apenas queria poder nutrir a velha esperança que todos compartilhavam: Uma vida nova, longe da morte.
O odor de sangue, morte, mofo e podridão deixavam a face dos quatro homens, atordoada. A escuridão, mesmo sendo combatida com a luz das lanternas, era quase palpável, de tão densa.
Em uma bifurcação, que tinha como opções um túnel com o final não visível à esquerda, e um corredor de administração, com várias portas a serem desvendadas, à direita, os homens trocaram olhares significativos, e partiram em direção à direita.
Na caminhada silenciosa e cautelosa, o grupo avançou pelo espaço vasto que tinham à disposição para explorar.
Ao chegarem nas últimas portas do final do corredor, vários errantes aparentemente mortos, estavam jogados ao chão; Alguns jogados sem parte dos membros ou as entranhas à mostra, alguns sentados , com as costas apoiadas à parede fria.
Rick liderando a caminhada, Daryl logo atrás, com Glenn ao seu lado, e Hershel em seu encalço, passaram direto pela visão terrível dos corpos mutilados ao redor.
Em um deslize, Hershel passa bem próximo a um errante, que os homens achavam que tinha sido executado, e recebe uma mordida na panturrilha direita.
O grito do idoso verbera pelo ambiente despovoado do corredor.
Daryl e Glenn se viram abruptamente, observando a cena com horror, enquanto o errante sacia sua fome, rasgando a pele de Hershel.
Sem pensar mais nem um minuto, Daryl dispara uma flecha de sua crossbow no crânio do maldito cadáver, que afrouxa os dedos podres da panturrilha de Hershel, e finalmente falece.
O som dos gritos de Hershel, e do desespero dos demais, atrai um quantidade significativa de errantes.
Em desvantagem, eles tem de levar o mais velho para longe do campo de vista dos mortos que vem com a fome insaciável na direção dos mesmos.
— Por aqui! — Grita Rick, abrindo uma das portas, dando para uma espécie de refeitório, enquanto sustenta o corpo de Hershel, com a ajuda de Daryl e Glenn.
Ao passarem, Daryl fecha a grande porta, que bate com estrépito, enquanto os errantes batem inutilmente, rosnando e babando do outro lado, forçando a entrada.
— Merda, eu preciso de ajuda aqui! — Daryl grita, desesperado, usando o corpo para bloquear que os walkers invadissem o lugar.
Glenn vem em seu auxílio, numa guerra inútil de manter a porta fechada.
Rick está dentro de uma batalha interna, sobre o que fazer.
— Só há um modo de salvá-lo. — O xerife sussurra, para si mesmo. — Desculpe por isso, Hershel. — Completa em seguida o homem, estendendo a mão para o machado que Glenn tinha em mãos.
— Rick, o que você... — Antes que o jovem termine a frase, Rick aplica vários golpes na perna mordida de Hershel, na intenção de cortá-la, logo abaixo do joelho, para impedir que o vírus se espalhasse.
Os golpes não são especialmente violentos, até porque a situação é para o bem de Hershel, mas os golpes de machado cortando a carne, enchem os ouvidos dos homens, numa sinfonia macabra.
Após a parte da decapitação da perna do mais velho, Rick respira com dificuldade, atordoado, olhando para o sangue em suas mãos, e o sangue que esguicha da perna de Hershel, com rapidez e abundância.
— Acho... acho que ele está fora de perigo. — Rick olha para Daryl.
— Se abaixe. — Diz Daryl, muito baixo, em resposta, apontando sua arma para algo além de Rick.
Atrás de uma grade que havia por cima de uma grande barricada, separando o ambiente, quatro homens com roupas de presidiários, observam a cena monstruosa que acabara de acontecer.
Quatro homens corpulentos; Dois negros, um bem alto e forte, com expressão mortal, e o outro um tanto magricela, com vários centímetros a menos que o primeiro. Os outros dois homens, com características bem diferentes também: Um, bastante malhado e alto, com várias tatuagens, e o outro, louro e baixo, aparentemente inofensivo.
— Minha nossa! — Exclama o louro, bastante horrorizado e enojado, observando os estranhos.
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— Quem são vocês? — Daryl se aproxima dos homens, com a arma ainda apontada na direção dos homens. — Que tal saírem daí? — Ele completa com o olhar mortal.
A porta, fora temporariamente contida com o machado de Glenn entre as maçanetas, contendo os batimentos frenéticos dos errantes famintos, dando assim, liberdade para Daryl se aproximar sorrateiramente do perigo atrás da barricada.
Assim que os quatro homens passam a dividir o mesmo espaço que Rick, Glenn e Hershel, sem nenhuma barreira, Daryl segura a arma com mais firmeza, pronto para atira, caso necessário.
— Vocês tem suprimentos médicos? — Glenn corre em direção à sala pela qual os homens saíram, procurando desesperadamente por algo que posso auxiliar o sogro.
— Onde você pensa que você vai? — O homem tatuado diz, grosseiramente, ao ver o koreno passar em disparada. — O que aconteceu com o velho? — Ele questiona.
— Ele foi mordido. — Diz Daryl, impaciente e grosseiramente para o homem.
— Mordido? Que diabos isso quer...?
Glenn revira vários espaços, achando uma pequena mesa de metal com rodinha nos pés, e retorna, rapidamente colocando Hershel deitado sobre ela, numa espécie improvisada de maca.
— Temos de ir agora! Ele já perdeu sangue demais! — O koreano os apressa, desesperado. — Rick, abra a porta!
Rick retira o machado do mesmo da maçaneta da porta, abrindo-a, se preparando para a invasão dos mortos que batiam atrás.
Eram sete deles, que Rick abateu com dificuldade, mas enfim, os executou com sucesso.
O xerife e o koreno quase atravessavam a porta, quando um deles percebeu que Daryl não saira do lugar.
— Daryl, vamos logo! Deixe-os aí! Voltaremos em seguida para resolver. — Vendo que o caçador não se mexera, acrescentou. — Hershel precisa de nós!
Daryl saiu do transe em que permanecia enquanto os presidiários, e seguiu Rick, sem dar as costas ao perigo em nenhum momento.
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— Oh meu Deus!
O grito agudo de Beth pôde ser ouvido com clareza por no mínimo, todos os habitantes da prisão, e arredores, quando viu a cena terrível de Glenn, Rick e Daryl empurrando a pequena mesa de rodinhas, com seu pai sangrando muito, chegando no bloco D.
— O que aconteceu? — Maggie diz, entre as lágrimas, desesperada, também gritando.
— Ele foi mordido, Mag. — Glenn diz, cauteloso, para a namorada.
— Eu amputei a perna dele, para que o vírus não o transformasse. — Rick diz, assustado.
À essa altura, Carol, Lori e Carl chegaram mais perto, e ficaram igualmente chocados.
— Rápido, temos que fazê-lo parar de sangrar! — Carol vai para dentro da cela de Hershel, em disparada, sendo seguida por Daryl e Rick, que transportam o idoso para a parte de baixo do beliche.
— Oh, céus. Foi muito sábio da sua parte, Rick, isso definitivamente o salvou. — Carol diz, totalmente concentrada em estancar o ferimento de Hershel, sendo observada pelos olhos atentos de todos.
A mulher sabia exatamente o que fazer, agindo com agilidade e competência, inconsciente da presença dos demais.
Após o que parecia uma eternidade, Carol consegue , com sorte, estancar o sangue que jorrava sem parar da perna de Hershel, mas ele ainda permanecia inconsciente.
Maggie e Beth se acomodam ao lado do pai, fornecendo apoio, enquanto que Carol busca um ar do lado de fora.
Rick, Glenn e Daryl, explicam a Lori e Carl, sobre o novo perigo que havia no interior da prisão: os presidiários.
Carol chega a tempo de ouvir a última parte da conversa.
Lori fica bastante nervosa com a notícia, e Rick a conforta.
— Daremos um jeito, querida. — Rick a abraça de lado, juntamente com Carl. — Vamos lá para cima. — Rick diz, a conduzindo para cima.
Carl os acompanha, e Glenn se junta à Maggie e Beth, na cela onde Hershel ainda permanece desacordado.
— Você foi incrível hoje, Carol. — Daryl diz, deixando todo o medo de lado.
A competência da mulher para com Hershel, salvando-o da morte por perda de sangue, foi algo impressionante.
— Já ouvi isso antes, há menos de uma semana. O que houve com você? — Diz Carol em resposta, erguendo as sobrancelhas.
Daryl engole em seco.
— Eu... eu não sei, mulher. Eu só estou te parabenizando. — Daryl diz, em defesa, já nervoso.
Carol chega mais perto, agora a menos de vinte centímetros do caçador.
— Ah, é? E por quê? — Carol sussurra, com a voz envolvente.
Daryl mal ousa respirar.
— Oras, porque você foi... porque você foi brilhante... — Daryl diz, meio desesperado para sair daquele olhar envolvente, mas percebendo, tarde demais, que não queria sair.
Carol estava querendo a dias um tempo a sós com o caçador, para descobrir de uma vez por todas o que realmente acontecia entre os dois. Mas ele sempre fugia, ou destruía o momento, ou alguém os interrompia. Mas agora, Carol não hesitaria, tinha que procurar por suas respostas.
Ela depositou sua mão no rosto confuso, que para Carol, era absurdamente atraente e seduzente.
— O que você sente, Daryl? — Ela acariciou com os dedos trêmulos, sua bochecha, fazendo-lhe carinhos.
Eu não vou negar, que sou louco por você, mulher.
Você traz felicidade que eu tanto precisei. A paz que eu preciso pra sobreviver.
Um louco alucinado, sim, talvez.
Os momentos que me perco em teus olhos, me tiram do mundo a qual pertencemos.
Um caso complicado de se entender... Mas, maldita seja a minha covardia, não sei te dizer isso.
Merda
Daryl não conseguia soltar o ar de seus pulmões, não conseguia dizer nada, não conseguia recuar, nem prosseguir. Apenas conseguia pensar em como aquele toque era absurdamente bom, em seu rosto. Fazia-o pedir por mais.
Carol foi se aproximando muito lentamente, com medo de assustá-lo.
O coração da mulher estava batendo malditamente rápido, e ela se amaldiçoava por isso.
Cada vez mais perto, o casal não percebeu que Rick havia retornado, e estava com o rosto em brasa, por ter interrompido.
— An... é... Daryl, precisamos encontrá-los, e resolver a situação, agora. — Rick diz, olhando para o chão.
E assim, mais uma vez, o encanto se quebra. Carol esconde o rosto corado, olhando para outra direção, enquanto que Daryl se recompõe, assumindo a barreira que Carol à poucos segundos estivera à um triz de ultrapassar e desvendar.
Rick se afasta, já indo em direção ao portão principal, sendo seguido por Daryl, que ia mais atrás, quando Carol o impede, segurando sua mão.
— Te vejo depois? — Ela diz, com um sorriso, que não passava de uma máscara de segurança, que a mesma tentava manter, quando o medo da rejeição a corroía por dentro.
Daryl se vira, e olha para Carol.
— Pode ser... — Ele diz, se dando ao luxo de abrir uma brecha n’A Barreira, e sorrir timidamente para ela.
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