Acaso ou destino
6 Capítulo 5 - O lobo diante da lua
Jacob atravessou a floresta antes que o segundo uivo terminasse.
A transformação aconteceu durante o salto. O corpo humano se desfez e, no instante seguinte, as quatro patas do enorme lobo avermelhado atingiram o solo úmido.
As vozes dos outros membros da matilha invadiram sua mente.
Sam estava próximo à fronteira norte, acompanhado por Paul e Jared. O cheiro de um vampiro surgira entre as árvores poucos minutos antes e avançava em direção ao território quileute.
Não era o mesmo odor do invasor destruído naquela manhã.
Havia outro frio na floresta.
Ele não está tentando atravessar, Sam informou através da ligação mental. Está nos atraindo para longe da aldeia.
A compreensão atingiu toda a matilha simultaneamente.
Sarah.
Jacob aumentou a velocidade.
Volte para a fogueira, ordenou a Sam.
Você está mais perto do rastro.
E ela está sem proteção.
Billy e Ateara estão com ela.
Eles são humanos.
A ansiedade de Jacob se espalhou pela mente coletiva com tamanha força que os outros lobos sentiram como se pertencesse a todos.
Embry e Quil já estavam retornando para a praia, mas Jacob não conseguiu diminuir o ritmo. O imprinting transformava qualquer ameaça contra Sarah em algo intolerável. Não importava que houvesse outros protetores perto dela. Uma única pergunta dominava todos os seus pensamentos:
E se não fossem suficientes?
Preste atenção! A voz mental de Sam o atingiu. Ele está mudando de direção.
O odor adocicado se tornou mais intenso.
O vampiro também corria para a aldeia.
Jacob alterou a rota e atravessou uma área de vegetação fechada. As árvores passavam ao seu lado como borrões escuros, e a chuva tornava o solo escorregadio.
Então a criatura surgiu.
O vampiro saltou do alto de uma árvore e atingiu o dorso de Paul, fazendo com que o lobo prateado fosse lançado contra uma formação rochosa.
Jacob não teve tempo para verificar se o amigo estava ferido.
Avançou.
Suas presas se fecharam no braço do invasor. O vampiro reagiu com rapidez, girando o corpo e atingindo a lateral de Jacob com a mão livre.
A força do golpe o arremessou contra o tronco de um cedro.
Uma dor intensa atravessou suas costelas.
Jared atacou por trás, mas a criatura o lançou para longe. Era mais forte e experiente do que o primeiro invasor. Não parecera surpreso ao encontrar os lobos.
Sabia que eles estariam ali.
— Onde está a mulher? — perguntou o vampiro.
Sam avançou antes que Jacob pudesse reagir.
O grande lobo negro atingiu o peito da criatura, derrubando-a. Os dois rolaram pelo chão, destruindo a vegetação ao redor.
A menção a Sarah anulou qualquer controle que ainda restava em Jacob.
Ele se levantou e atacou novamente.
O vampiro percebeu a ferocidade diferente em seus movimentos e sorriu, mesmo enquanto tentava manter os lobos afastados.
— Então é você — disse. — O guardião.
Jacob cravou as presas em seu ombro.
A criatura gritou e atingiu as costelas já feridas do lobo. Uma das unhas cortou profundamente sua lateral, abrindo a pele.
O cheiro de sangue se espalhou.
A dor não foi suficiente para fazê-lo recuar.
Sam e Jared imobilizaram o vampiro, enquanto Jacob arrancava seu braço. Paul, recuperado do impacto, avançou sobre as pernas.
Poucos segundos depois, a criatura estava dividida em partes.
Não queimem ainda, Sam ordenou. Precisamos saber se há outros.
Os lobos mantiveram os restos separados. O vampiro ainda conseguia falar, embora sua cabeça estivesse distante do corpo.
— Vieram juntos? — Sam perguntou depois de retornar à forma humana.
A criatura riu.
— Nunca estamos sozinhos.
— Quantos estão na floresta?
— Mais do que podem enfrentar.
Jacob se transformou e caminhou em direção à cabeça do vampiro, ignorando o sangue que descia por sua lateral.
— Como soube que ela havia chegado?
Os olhos vermelhos se fixaram nele.
— O cheiro.
O corpo inteiro de Jacob ficou tenso.
— Que cheiro?
— O sangue dela despertou quando retornou a estas terras. Agora todos podem senti-lo.
— Você não esteve perto dela.
— Não precisamos estar perto. É como uma chama no escuro.
Jacob sentiu o medo crescer dentro dele.
Se aquilo fosse verdade, esconder Sarah seria muito mais difícil do que imaginavam.
— Os Volturi enviaram você? — Sam perguntou.
— Os Volturi não precisam enviar ninguém. A recompensa oferecida por aquela mulher é suficiente para trazer cada caçador deste continente até vocês.
— Que recompensa?
— Um lugar na guarda.
Sam e Jacob trocaram um olhar.
Os Volturi estavam transformando Sarah no prêmio de uma caçada.
— O que eles pretendem fazer com ela? — Jacob exigiu.
O sorriso do vampiro se ampliou.
— A mesma coisa que vocês. Descobrir o que acontece quando a lua toca aquilo que já está morto.
Jacob pegou a cabeça da criatura.
— Resposta errada.
— Matá-lo não impedirá os outros.
— Mas impedirá você.
Ele lançou a cabeça sobre os demais restos. Poucos minutos depois, o fogo começou a consumir o vampiro.
Jacob observou as chamas enquanto pressionava a mão contra o ferimento.
A pele ao redor do corte já começava a se fechar, mas as costelas levariam mais tempo para se recuperar.
— Você precisa voltar — disse Sam.
— Vou até Sarah.
— Foi isso que quis dizer.
Jacob olhou para ele.
— Embry e Quil estão com ela?
— Sim. Nenhum outro rastro surgiu perto da praia.
Paul se aproximou, ainda mancando levemente.
— O frio chamou você de guardião.
— Eu ouvi.
— Parece que a lenda sabia sobre o imprinting.
Jacob fechou a expressão.
— Não comece.
— Só estou dizendo que...
— Paul.
O aviso de Sam foi suficiente para fazê-lo se calar.
Jacob começou a caminhar.
— Você não vai aparecer diante dela coberto de sangue — Sam advertiu.
— Não tenho tempo para tomar banho.
— Então pelo menos vista alguma coisa.
Jacob olhou para a própria bermuda rasgada e para o ferimento aberto na lateral.
— Ela é médica.
— Isso deveria tranquilizá-la?
— Provavelmente não.
Na praia, Sarah permanecia ao lado da fogueira quase extinta.
As famílias haviam sido conduzidas para suas casas depois do primeiro uivo. Apenas Billy, Ateara, Embry e Quil continuavam com ela.
Os dois jovens se posicionaram em lados opostos da área, atentos à floresta.
Sarah percebebera a mudança neles assim que Jacob desaparecera entre as árvores. A descontração havia sumido. Embry e Quil pareciam escutar sons que ela não conseguia ouvir e, em determinados momentos, trocavam olhares como se mantivessem uma conversa silenciosa.
— Eles também são protetores — Sarah afirmou.
Ninguém respondeu.
— Não foi uma pergunta.
Ateara colocou outra manta sobre os ombros da neta.
— Existem verdades que precisam ser mostradas, não apenas contadas.
— Estou começando a me cansar dessa frase.
Billy tentou tranquilizá-la.
— Jacob explicará quando voltar.
— Se voltar.
— Ele voltará.
A certeza na voz de Billy fez Sarah olhar para ele.
— Como pode saber?
— Porque meu filho pode ser imprudente, mas é muito difícil derrubá-lo.
Antes que Sarah perguntasse o que aquilo significava, Embry se virou em direção à floresta.
— Eles estão voltando.
Ela não ouvira nada.
Poucos segundos depois, galhos se quebraram entre as árvores.
Jacob surgiu na área iluminada pela fogueira.
Sarah se levantou imediatamente.
Havia sangue em seu peito e na lateral do corpo. A bermuda estava rasgada, e uma das mãos pressionava um ferimento próximo às costelas.
— Meu Deus.
Ela correu até ele.
— Estou bem — Jacob afirmou.
— Tire a mão.
— Sarah...
— Tire a mão do ferimento.
O tom profissional não admitia discussão.
Jacob obedeceu.
O corte era profundo, mas não sangrava na intensidade esperada. As bordas da lesão pareciam estar se aproximando diante dos olhos dela.
Sarah tocou a pele ao redor.
Recuou imediatamente.
— Você está queimando.
— Minha temperatura é mais alta.
— Quanto mais alta?
— Quarenta e dois graus, mais ou menos.
Ela o encarou.
— Uma temperatura de quarenta e dois graus deveria causar danos neurológicos graves.
— Para humanos.
O silêncio se formou entre os dois.
— O que atacou você?
Jacob olhou para Billy.
— Um dos frios.
— Um vampiro?
— Sim.
Sarah respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.
— Precisamos levá-lo ao hospital.
— Não.
— Essa ferida precisa de pontos, exames de imagem e antibióticos. Você pode ter fraturado as costelas.
— As costelas já estão se recuperando.
— Isso não é possível.
Jacob retirou completamente a mão da lateral.
A ferida estava menor.
Sarah tocou as bordas do corte. Diante de seus dedos, a pele continuava a se fechar.
Ela recuou.
— O que você é?
A pergunta não saiu como acusação.
Saiu como medo.
Jacob sentiu algo se romper dentro dele.
De todas as reações que imaginara, o medo de Sarah era a única para a qual não estava preparado.
— Não vou machucar você.
— Não foi isso que perguntei.
— Eu sei.
— Seu corpo está curando uma lesão profunda em minutos. Sua temperatura é incompatível com a vida humana, você correu para a floresta depois de ouvir um uivo e voltou ferido por uma criatura que deveria existir apenas em histórias.
Sarah olhou para Embry e Quil.
— E eles sabiam que você estava retornando antes que qualquer pessoa pudesse ouvi-lo.
Ninguém respondeu.
Ela voltou a atenção para Jacob.
— A lenda fala de guerreiros capazes de entrar nos corpos de grandes lobos.
— Não é exatamente assim — disse Billy.
— Então explique.
Jacob tomou a decisão antes que o pai pudesse responder.
— Eu vou mostrar.
Ateara ficou tenso.
— Tem certeza?
— Ela precisa saber.
Sarah cruzou os braços, embora suas mãos tremessem.
— Saber o quê?
Jacob apontou para a floresta.
— Não posso fazer isso perto das casas. Existe uma clareira a poucos minutos daqui.
— Você espera que eu entre na floresta com você depois de admitir que não é humano?
— Eu sou humano.
— Seu ferimento acabou de se fechar diante de mim.
— Ainda sou humano. Apenas não sou somente isso.
Sarah olhou para o avô.
— O senhor sabia?
— Sabia.
— E minha mãe?
— Provavelmente.
Outra omissão.
Outra verdade escondida.
Sarah se sentiu cansada de descobrir que todos ao seu redor conheciam partes de sua história que ela própria ignorava.
— Eu vou — decidiu.
— Minha querida...
— Preciso ver.
Billy fez um gesto para Embry e Quil.
— Acompanhem os dois.
— Não — Jacob respondeu. — Apenas Sarah.
— Jake...
— Se houver muitas pessoas, ela se sentirá cercada.
Sarah percebeu que, mesmo naquele momento, ele pensava em como suas decisões a afetariam.
Isso não diminuiu o medo.
Mas foi suficiente para fazê-la segui-lo.
A clareira ficava mais perto do que Sarah imaginara.
A lua surgia entre as nuvens e lançava uma luminosidade pálida sobre a vegetação molhada. O som da praia já não podia ser ouvido, embora as luzes da aldeia ainda fossem visíveis entre algumas árvores.
Jacob parou no centro do espaço aberto.
Sarah permaneceu perto da entrada da clareira.
— O que acontece agora?
— Preciso me afastar um pouco.
— Por quê?
— A primeira transformação pode assustar.
— Minha primeira transformação?
— A primeira vez que você me vir transformar.
A correção não a tranquilizou.
Jacob caminhou para trás.
— Não corra.
— Não estava planejando.
— Se sentir medo, permaneça onde está. Não vou me aproximar até você permitir.
— Jacob...
— Confie em mim.
Sarah quase riu da contradição.
Ele pedia confiança enquanto se preparava para revelar que podia se transformar em alguma coisa que ela ainda não compreendia.
Mesmo assim, assentiu.
Jacob recuou até alcançar a parte mais escura da clareira. Retirou a bermuda e a prendeu ao redor da perna, rápido demais para que Sarah pudesse reclamar.
Então o corpo dele começou a tremer.
A transformação aconteceu em menos de um segundo.
O homem desapareceu.
Em seu lugar surgiu um lobo gigantesco de pelagem castanho-avermelhada.
Sarah recuou instintivamente.
O animal era maior do que qualquer lobo existente na natureza. Suas patas afundavam levemente no solo úmido, e a cabeça chegava quase à altura dos ombros dela.
Os olhos, porém, eram os mesmos.
Negros.
Profundos.
Jacob.
O lobo permaneceu imóvel.
Não rosnou nem tentou se aproximar. Apenas a observou, esperando.
Sarah sentiu o medo percorrer seu corpo. Seu conhecimento científico procurava desesperadamente uma explicação, mas nenhuma mutação, doença ou alteração genética poderia justificar o que acabara de testemunhar.
Um homem havia se transformado em lobo diante dela.
A lenda era verdadeira.
Os frios eram verdadeiros.
E sua marca também fazia parte de alguma coisa que ultrapassava tudo o que conhecia.
— Foi você — murmurou.
As orelhas do lobo se moveram.
— No meu sonho. Era você.
Jacob inclinou levemente a cabeça.
Sarah deu um passo à frente.
O lobo permaneceu no mesmo lugar.
— Você não vai me machucar?
Ele abaixou o corpo até se deitar sobre a relva.
O gesto era quase uma reverência.
Sarah caminhou lentamente em sua direção.
Quando estava a poucos centímetros, estendeu a mão, mas hesitou antes de tocá-lo.
Jacob fechou os olhos.
Ela pousou os dedos sobre a pelagem avermelhada.
Era quente.
Macia e quente.
Uma corrente percorreu o braço de Sarah e alcançou seu peito. O pingente aqueceu no mesmo instante, mas, dessa vez, não queimou. A sensação se espalhou pelo corpo como um pulsar tranquilo.
O lobo abriu os olhos.
Por alguns segundos, nenhum dos dois se moveu.
Sarah deslizou a mão pela lateral do rosto de Jacob.
— Então era isso que estavam escondendo.
Ele soltou um som baixo, semelhante a uma reclamação.
— Não me olhe assim. Ainda estou com raiva.
As orelhas dele abaixaram.
Apesar de tudo, Sarah sorriu.
— É difícil discutir com você desse jeito.
Jacob se levantou e se afastou em direção às árvores. Poucos instantes depois, retornou à forma humana, já vestido com a bermuda.
Sarah tentou não demonstrar o desconforto provocado pela rapidez daquela mudança.
— Agora sabe — ele disse.
— Sei que você se transforma em um lobo.
— Metamorfo.
— Existe diferença?
Um sorriso surgiu no rosto dele.
— Foi exatamente o que o vampiro perguntou.
— E qual foi sua resposta?
— Que, para nós, a diferença é importante.
Sarah permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Você nasceu assim?
— A transformação é ativada pela presença dos vampiros. O gene permanece adormecido até que os frios se aproximem de nossas terras.
— Todos aqueles rapazes...
— Sam, Paul, Jared, Embry, Quil e Seth. Existem outros mais jovens, mas tentamos mantê-los afastados dos confrontos.
— Vocês conseguem se comunicar?
— Quando estamos transformados, compartilhamos os pensamentos.
Sarah recordou os olhares silenciosos e a forma como Embry soubera que a matilha retornava.
— E foi por isso que você ouviu o uivo de tão longe.
— Sim.
— Também é por isso que se cura tão depressa e possui essa temperatura.
— Sim.
Ela respirou fundo.
— Há mais alguma coisa?
Jacob soube imediatamente o que ela realmente perguntava.
— Sobre o vínculo?
— Sobre nós.
A palavra pareceu alterar o ar entre eles.
— O que aconteceu quando você me viu? — Sarah perguntou.
Jacob desviou os olhos para a floresta.
— Chama-se imprinting.
— O que isso significa?
— É raro. Acontece quando um de nós encontra uma pessoa que se torna... essencial.
— Essencial como?
— Depende do que ela precisa.
Sarah franziu a testa.
— Não compreendi.
— O vínculo não obriga você a nada. Eu posso ser seu amigo, alguém da sua família ou qualquer coisa que escolher permitir. A única certeza é que não conseguirei ignorar quando precisar de mim.
— E se eu não quiser você por perto?
A dor atravessou o rosto dele antes que pudesse escondê-la.
— Vou tentar respeitar.
— Tentar?
— Estou sendo honesto.
Sarah caminhou alguns passos pela clareira.
— Isso aconteceu porque sou a mulher da lenda?
— Não sei.
— A lenda fala sobre um protetor ligado a ela.
— O imprinting também aconteceu com outros membros da matilha. Nenhuma das mulheres era marcada.
— Então pode ser coincidência.
— Pode.
— Mas você não acredita nisso.
— Não.
Sarah voltou a encará-lo.
— O que você sente por mim?
A pergunta o deixou imóvel.
— Sarah...
— Preciso saber.
Jacob demorou a responder.
— Tudo.
— Isso não é uma resposta.
— É a única que tenho.
Ele se aproximou, mas parou a uma distância segura.
— Sinto que deveria conhecê-la desde sempre. Sinto falta quando não está perto, mesmo tendo encontrado você ontem. Quando alguma coisa ameaça sua segurança, não consigo pensar em outra coisa. E, quando sorri...
Jacob interrompeu a frase.
— Quando eu sorrio?
— Esqueço que estava tentando lutar contra isso.
Sarah sentiu o coração acelerar.
— Você ainda está lutando?
— Contra você, não.
— Contra o quê, então?
— Contra a parte de mim que quer organizar sua vida inteira sem perguntar o que deseja.
Ela quase sorriu.
— Pelo menos reconhece o problema.
— Estou tentando.
— E eu não sei o que sinto.
— Não precisa saber agora.
— Tudo isso me assusta.
— Eu sei.
— Vampiros estão me caçando, posso carregar um poder impossível dentro de mim e um homem que conheci ontem se transforma no lobo dos meus sonhos.
— Quando coloca dessa forma, parece complicado.
Sarah soltou uma risada curta.
— Parece?
O sorriso de Jacob surgiu novamente.
Dessa vez, ela não tentou esconder a forma como aquilo a afetava.
— Preciso de tempo — disse.
— Terá todo o tempo que quiser.
— E respostas.
— Darei todas que puder.
— Sem fugir.
— Sem fugir.
Sarah estendeu a mão.
Jacob a segurou.
O contato produziu novamente aquela corrente quente entre os dois. A marca no ombro dela pulsou, e o pingente brilhou discretamente sob a luz da lua.
Nenhum dos dois percebeu.
Na extremidade da clareira, escondida entre as árvores, uma figura pálida os observava.
Os olhos vermelhos acompanharam as mãos unidas.
Depois se fixaram em Sarah.
O cheiro do sangue dela atravessava a floresta como uma chama.
A criatura recuou silenciosamente antes que Jacob pudesse perceber sua presença.
Não atacaria naquela noite.
Já encontrara o que procurava.
Agora precisava apenas levar a notícia aos outros.
A Filha da Lua estava em La Push.
E o guardião havia despertado.
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