Acaso?
8 Capítulo 8
Notas iniciais
-Também te amo... –Marcelo disse se ajeitando na cama sem prestar atenção no que o amigo acabará de dizer. –Pera, o que você disse? – Ele disse tomando um susto e sentando ao perceber.
-Você escutou... –Hugo disse sem se mexer.
-É verdade? – O grandão falava com um enorme sorriso no rosto.
-Marcelo, por favor, não me faz repetir. Boa noite. –O moreno disse ainda sem se mexer.
-Boa noite... –Marcelo se deitou novamente, porém sem um pingo de sono, o sorriso em seu rosto estava maior. –Há...
-Boa noite, Marcelo! –Hugo o interrompeu.
-Ta bom, boa noite. –Agora sim, Marcelo estava completamente satisfeito, seu dia não poderia ter acabado melhor.
Como alguns já diziam, a noite é uma criança, mas para os dois, ela foi mais do que uma eternidade, nem Hugo, nem Marcelo, conseguiram pegar no sono de imediato, já era mais de quatro horas da manhã quando Hugo finalmente conseguiu dormir. Apesar da proximidade dos dois, ambos permaneceram imóveis, Hugo coberto com o seu lençol e Marcelo encarando o teto com um grande sorriso, ele não sabia o que fazer, aquela atitude seria a última da qual o maior pensava que o moreno iria fazer .
...........................................
Hugo acordou quando o sol já estava iluminando todo o quarto, encandeando o aposento com a luz matinal, sua visão foi se ajustando a luz até ele perceber uma figura que estava imóvel ao seu lado, o moreno tomou um susto quase caindo da cama, por sorte não era um ladrão ou a morte avisando que estava na sua hora.
-O que você esta fazendo? –Hugo falava enquanto arfava fundo por conta do susto.
-Te observando. –Marcelo respondeu com um sorriso no rosto.
-Ei, calma lá! Também não é assim, eu só disse que eu “acho” que gosto de você. –Hugo tentou fazer com que o maior parasse com aquela loucura toda.
-Pelo menos já é um começo. –Marcelo falava animado.
Hugo lançou um olhar penetrante em Marcelo, não de raiva, e sim de “hã?”.
-Ta bom, parei. –O grandão falou se levantando da cama e erguendo aos mãos pro alto, mas o sorriso permanecia no seu rosto.
Hugo se levantou com cuidado da cama sem parar de olhar para Marcelo como um modo de prevenção a uma loucura súbita do maior, apesar do moreno achar a situação do grandão vir correndo em sua direção assim como um cachorro vem correndo ao seu dono por ter conseguido pegar a bolinha de tênis, engraçada, Hugo preferiu se prevenir até que conseguisse entrar no banheiro.
.................................................................
Finalmente era o dia da apresentação de Diana, o dia estava muito alegre, apesar de estranho pelo fato de Marcelo fazer tudo pra Hugo, como levar o prato que o moreno acabara de comer, para a pia e lava-lo –coisa que ele nunca tinha feito no apartamento antes- arrumar a cama entre outras coisas que Hugo classificou como “esquisitas”.
-Marcelo, vem cá um minutinho. –Hugo falou para Marcelo enquanto ele lavava a louça do almoço.
-Já estou acabando aqui. –Ele disse lavando um dos últimos copos.
-Ainda bem que você está dividindo apartamento com alguém prestativo como Marcelo. –A senhora Duarte apareceu na cozinha para pegar um copo de água para Diana que estava em meio de uma crise. No caminho ela deu uma pequena palmadinha nas costas de Marcelo que soltou um pequeno sorriso.
-Você não sabe o quanto, mãe. –Hugo falou enquanto a sua mãe já estava saindo da cozinha.
-Pronto, acabei. –Marcelo disse secando as mãos no guardanapo que estava no seu ombro. –O que você queria falar?
-Aqui não, melhor agente ir pro meu quarto.
-Ta bom.
Marcelo entrou depois de Hugo e fechou a porta.
-O que é que você esta fazendo? –O moreno estava serio.
-Nada... –Marcelo respondeu tentando ainda entender a pergunta.
-Desde quando você é tão prestativo assim, porque pelo o que me lembro você só come e dorme. –Hugo estava com os braços cruzados.
-Eu só estou fazendo gentilezas, o que tem de errado nisso? –Marcelo já perguntava um pouco alterado.
-Não, não tem nada demais, mas quero que você pare. –O grandão agora estava com os braços cruzados esperando que Hugo terminasse de falar.
-Tudo bem. Se você quer assim. –Marcelo abriu a porta e saiu do quarto deixando o moreno sozinho no aposento.
.......................................................................
-Vamos mãe! –Diana falava em meio ao desespero, faltava 40 minutos para a sua apresentação.
-Calma minha filha. Nós vamos chegar em tempo. –A senhora Duarte falava enquanto prendia as pequenas presilhas no cabelo da filha.
Todos já estavam arrumados, exceto Jonas que tentava pentear seu cabelo totalmente sem sucesso, assim que viu, Hugo foi ajudar o irmão que soltou um enorme sorriso em frente ao espelho para que o moreno visse.
-Todos pronto? –Perguntou o senhor Duarte abrindo a porta da frente.
-Sim. –Todos responderam.
-Acho que vai dar todo mundo... –O senhor Duarte falou olhando pro carro de passeio que estava na garagem da casa.
A viagem foi apertada até a escola da garota, havia luzes de pisca-piscas espalhadas pelas paredes no colégio, e o auditório estava enfeitado com laços grandes de cetim, havia flores artificiais por todo lado.
As cadeiras para as famílias dos alunos já estavam reservadas, mas a senhora Duarte conseguiu que a diretora arranjasse mais dois espaços, já que ela não sabia se Hugo e Marcelo realmente iriam à apresentação.
..................................................................
Todos já estavam sentados quando as luzes se apagaram e uma leve luz azulado começou a iluminar o palco onde havia uma pequena garotinha sentada com o seu tutu. Logo a mãe e o pai de Hugo começaram a aplaudir, era Diana, ela fazia o papel de cisne branco.
Diana estava graciosa, corria de um lado para o outro no palco com a leveza de uma pluma, Hugo estava no meio entre Marcelo e sua mãe, tendo o grandão á sua direita.
No meio da apresentação, Hugo estava nervoso, sabia que a parte em que Diana estava interpretando, era difícil mesmo para profissionais com anos de palco. Em um ato de surpresa, sua mão agarrou a de Marcelo que estava em cima do braço de sua cadeira, ele olhou para as mãos e percebendo o que acabará de fazer, retirou a mão, mas Marcelo após sentir o toque gelado da mão do amigo, levou sua mão de encontra novamente com a de Hugo e a segurou bem forte. O moreno abriu um meio sorriso e olhou para Marcelo que estava expondo um delicado sorriso em contraste com o seu, o moreno apertou a mão do grandão e voltou a olhar para o palco, e assim ficarão até todos os pequenos bailarinos aparecem para cumprimentar o publico.
Uma onda de aplausos ecoou pelo auditório. Diana estava sorridente, após a apresentação, ela correu em direção de Hugo que abraçou forte, tirando a garota do chão.
-Você estava linda, Di! –Ele falava rodando a menina.
-Que bom que você gostou! –A garotinha falava com os olhos fechados para não ficar tonta.
O resto da noite foi dedicado a Diana, a sua família não para de dizer coisas como “Você estava ótima”, “Nossa pequena bailarina” entre outras mais.
Depois da janta Hugo se dirigiu ao quarto e sentou na sua cama que ficava encostada na parede onde havia uma janela que estava aberta. Ele olhava a noite, a lua estava com seu tom prateado cobrindo o quintal da casa, ele tirou o pequeno chaveiro do bolso e começou a olhar para o gatinho de pelúcia que estava com os pelos arrepiados, assim que ele escutou a maçaneta da porta girando, ele enfiou o gatinho de volta no bolso da calça.
-Que dia... –Marcelo falou entrando no quarto e se sentando perto do amigo.
-Que dia... –Hugo respondeu.
Marcelo pegou na mão de Hugo, mas o moreno tirou a mão.
-Por que você reluta tanto em deixar eu te tocar? –Marcelo perguntou calmamente, as cortinas balançaram com o vento.
-E que... – Hugo tentou encontrar uma desculpa.
-Ta vendo? Você não tem motivos. –Marcelo falou tentando segurar na mão do moreno mais uma vez, e recebendo uma outra esquiva.
-Isso é difícil pra mim... –Hugo falou olhando para além da janela.
-O que tem de difícil nisso?! –Marcelo falou segurando o queixo do amigo com a ponta dos dedos e olhando fixamente para os olhos de Hugo que brilhavam com a luz que vinha da lua, deixando que os impulsos falassem mais alto que à própria razão.
Fale com o autor