Acaso?
4 Capítulo 4
Notas iniciais
O caminho até a boate foi pesado, Alan não dirigiu uma palavra á Marcelo mas tentou puxar assunto com Hugo para o surpresa do mesmo, ele não corresponde a tentativa de Alan e dizia coisas básicas como “Sim” e “Não”, após a tentativa frustrada de conversar com Hugo, o loiro se calou, os únicos sons que chegavam aos ouvidos dos rapazes era o da chuva que começará a cair e das buzinas dos veículos que estavam parados no trânsito.
–Ingresso por favor. –Um homem alto, moreno e de terno barrou Hugo, Marcelo e Alan na porta da boate, sem se importar se estava chovendo ou não em cima deles.
–Só um minuto... Aqui. –Marcelo falou tirando três ingressos do bolso do casaco. Já era possível escutar a alta música que vinha de dentro da boate. Foram dadas a eles três pulseiras verdes em troca dos ingressos.
A música alta invadiu os ouvidos de Hugo assim que ele adentrou no recinto na companhia de Marcelo e Alan.
–Hugo ,volto já. –Marcelo falou puxando Alan com uma cara um tanto preocupada e sumindo no meio das pessoas que dançavam na pista.
–Ok... –Hugo falou tão baixo que era possível ver somente sua boca se mexendo.
Hugo se dirigiu a um extenso balcão iluminado por luzes neons branco, o balcão servia como um bar com varias outras luzes neons iluminando garrafas de bebidas que ficavam nas paredes como decoração.
–O que vai querer? –O barman perguntou á Hugo que acabará de se sentar em um dos banquinhos enfileirados.
–Só uma água, por favor. –Hugo pediu desanimado, estava tenso pela aparente briga de Marcelo e Alan, pensamentos como “Será que eles brigaram por minha causa?”, “Acho que to exagerando”, “Pensando bem, eu mal conheço o cara...” vinham á tona na sua mente enquanto ele bebia a sua água.
–Com licença. –O barman falou tirando atenção de Hugo do copo d’água. –Aquela moça, mandou pra você.
Hugo corou assim que o barman empurrou a ele um pequeno copo de vidro com um líquido de cor amadeirado. O moreno olhou para onde o barman apontava, uma mulher de pele marrom claro, com os cabelos cacheados bem volumosos que não caiam no seu rosto por estarem presos com uma tiara.
A mulher acenou para ele, era muito bonita, a pele aparentava ser macia e a boca carnuda que estava vermelho escarlate, os olhos eram negros e o sorriso perfeitamente branco. Hugo acenou de volta e tomou a bebida que a estranha o mandará e foi até o banco onde ela estava sentada.
–Obrigado. –Disse Hugo erguendo o copo a altura da cabeça que já estava vazio.
–De nada. –A moça falou sorrindo.
–Hugo Duarte, prazer. –Ele falou estendendo a mão com a palma virada para cima.
–Sabrina Jheiner. –A moça falou repousando sua mão em cima da de Hugo que gentilmente se curvou e deu um breve beijo na mão de Sabrina da mesma forma que era feito antigamente com as damas. Sabrina ficou sem graça e soltou uma breve risada.
–Quer dançar? – Hugo perguntou com um largo sorriso no rosto vendo que sua cantada tinha dado certo. Ainda segurava a mão da morena.
–Claro. –Sabrina abriu um lindo sorriso e se levantou de onde estava sentada seguindo Hugo pela multidão de gente que dançava ao som da batida da música.
–Eu adoro essa música! –Sabrina disse enquanto uma nova música iniciava.
Hugo se envolveu pelo balanço da música e pelo balanço da morena quando luzes estroboscópicas começaram a piscar freneticamente.
Hugo já não ligava para mais nada que estava pensando antes de se encontrar com Sabrina, em casa flash, ele podia ver os olhos da moça de encontro aos seus, o sorriso malicioso que ela exibia e os lábios... Os lábios que tanto chamaram sua atenção, ele não podia se controlar mais, a cada flash ele se encontrava mais perto do corpo macio da morena, cada vez mais perto, até que seus lábios se encontraram.
As mãos da morena se fecharam atrás da nuca de Hugo, os lábios ao primeiro toque hesitarão um pouco, mas logo se renderam ao calor que os consumia vindo daquele beijo, a mão de Sabrina desceu pelo peitoral um pouco malhado por causa do balé, enquanto isso as mãos de Hugo iam descendo vagarosamente em direção as nádegas da moça.
Os flashs foram se intensificando, o coração de Hugo batia cada vez mais rápido, em meio aos flashs, Hugo viu um homem correndo em direção à saída, ele o reconheceu imediatamente, era Marcelo, poucas pessoas no local tinham a altura do moreno pra que Hugo se confundisse.
Atrás de Marcelo, vinha outro homem que provavelmente era Alan, Hugo saiu do transe do beijo de Sabrina e correu em direção á saída.
A noite estava fria e a chuva estava mais pesada do que quando os três chegaram, Marcelo estava no meio da calçada quando Hugo conseguiu sair da boate.
–Você não podia ter feito isso comigo! –Marcelo berrava olhando diretamente para Alan que se encontrava um pouco a frente de Hugo que estava paralisado com a cena. As roupas de Marcelo começava a ganhar a tonalidade mais escura do que o normal, a água circulava de forma perfeita do seu rosto para dentro de sua camisa.
–Será que você pode me escutar?- Alan falava sem se importar com a chuva ou com as poucas pessoas que saiam da boate e presenciavam a cena.
–Para que? Pra você mentir outra vez? –Marcelo falava com desprezo em cada palavra que saia da sua boca.
Hugo já estava completamente encharcado como Marcelo e Alan, ele teve a sensação de estar sendo vigiado e olhou para trás, em direção a porta da boate, parada ali se encontrava Sabrina com um olhar um pouco preocupado, Hugo correu em direção a morena.
–Desculpe, mas não vou poder ficar mais, de qualquer forma, foi um prazer conhece lá... –Hugo falou da forma mais gentil possível.
–Panaca! –A moça falou se virando e entrando na boate. Hugo parou na porta sem saber o que fazer, não esperava essa reação da moça, mas voltou rapidamente a si e para a briga de Marcelo e Alan.
Um dos seguranças que estavam na porta chamou á atenção de Hugo, um deles cochichava pro outro “Esses veados tinham tudo que morrer”, “Que coisa ridícula”, “Aquele ali não é o camisa 20 do... Não, acho que não...”, mas logo sua atenção foi atraída novamente para a discussão.
–Marcelo, por favor, me escuta! –Dizia Alan quase implorando.
–Não, chega! Eu não tenho mais nada com você... –Marcelo falou com raiva, mesmo na meia-luz do poste, era possível ver a raiva no semblante do moreno.
–Dane-se! –Alan falou mudando repentinamente o seu tom de voz. –Quer saber?! To me lixando pra você. – Ele deu as costas a Marcelo para voltar a boate apesar de estar ensopado.
Marcelo estava de punhos fechados, olhava furioso para Alan, sua respiração estava pesada e a chuva engrossará.
–E tem mais uma coisa. –Alan falou parando no meio do caminho e se voltando de frente novamente para Marcelo. –Pode ficar com essa coisa vagabunda. –Ele disse tirando uma pequena aliança prata do dedo e jogando em uma poça escura d’água.
Ao ver aquela cena, Hugo lembrou que o amigo estava usando uma aliança igual a bem mais de um ano e quando perguntará, ele disse que havia á encontrado enquanto voltava para casa.
Na frente da boate, existia uma pracinha com alguns bancos, um balanço, duas gangorras e algumas árvores, estava muito mal iluminada.
Marcelo se manteve firme até o momento em que Alan entrou na boate, Hugo foi em direção ao amigo que começava a desmoronar aos poucos.
–Marcelo... –Hugo disse ao chegar ao amigo.
Marcelo olhou para o moreno, estava triste, não falou nada, apenas atravessou a rua e se sentou em um dos únicos banquinhos que estavam iluminados na pracinha e começou a encarar o nada, as lágrimas se confundia com a água que estava descendo pelo seu rosto, ele não demonstrava qualquer tipo de expressão, da sua boca não saia som.
Hugo sentou ao lado de Marcelo, não sabia o que falar, não sabia como reagir, e acompanhou o olhar do amigo. De vez em quando ele olhava para o amigo, mas o mesmo continuava sem esboçar emoção, e ele acabava por voltar a olhar o nada.
Os pingos de chuva que não paravam de cair, adquiriam a cor alaranjada assim que passava nos limites de luz do poste, a noite esfriara mais.
–Nos vamos acabar pegando uma pneumonia... –Hugo brincou e Marcelo abriu um meio sorriso rápido.
–Eu não ligo. –Marcelo falou voltando a ficar serio. Ele começou a girar a aliança no dedo, alguns segundos depois ele tirou e a jogou longe, o pontinho prata se perdeu na escuridão.
–O que aconteceu?... –Hugo perguntou se aproximando mais do amigo.
–Ele tava me traindo esse tempo todo... E eu descobri da pior forma possível, pela boca da própria pessoa que ele me traía. –Marcelo falou triste, não virou o rosto pra falar diretamente com o amigo. Mas alguns minutos de silêncio se passaram.
–Obrigado... –Marcelo falou virando a cabeça para o amigo.
Hugo exibiu um sorriso docê e gentil ao passar o braço por cima do ombro do moreno, foi só aí, que Marcelo soltou um pequeno riso, mesmo que fosse um simples sorriso.
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–Ai meu nariz! –Hugo falou reclamando enquanto fungava. –Cadê aquela vitamina C... Achei. Quer uma, Marcelo? –O moreno falava enquanto abria um frasquinho laranja que estava dentro da caixa de primeiros socorros e tirava uma pílula branca.
–Não, obrigado. –Marcelo falou meio pensativo enquanto olhava pra televisão, mas o que via não o atraía.
Hugo se sentou do lado do amigo com um copo de água e dentro a pílula de vitamina C que começará a efervescer. “Ai, ai! O que eu digo?” Hugo pensou.
–Você ainda gostava dele? –“Que pergunta idiota Hugo, é claro que ele ainda gostava dele!” Hugo se puniu depois de fazer a pergunta da qual ele já sabia a resposta.
–Isso não importa mais. –Falou Marcelo mudando de canal. –Desculpa por ter deixado você... Desse jeito. –Ele falou em um tom de culpa.
–Que isso! –Hugo sorri. –Isso não é nada, o que seria da vida sem um nariz entupido? –O moreno brinca.
Marcelo mostra um sorriso de animo e se levanta do sofá batendo nas pernas.
–Bom de qualquer forma, a vida anda, vou lá na padaria comprar alguma coisa pra gente comer e para me desculpar com o seu nariz. –Marcelo brinca colocando as chaves da porta do apartamento no seu bolso.
–Ele agradece se você trouxer algumas rosquinhas açucaradas. –Hugo fala fazendo cara de “Mãe, compra pra mim”.
Marcelo solta um pequeno riso e sai em direção ao elevador.
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–Bom dia, seu Lorenzo. –Marcelo fala ao entrar na padaria que exibia uma grande bandeira da frança em cima do balcão principal e várias outras bandeiras menores espalhadas pelo local. Atrás do balcão estava um senhor de meia idade com cabelos grisalhos e um avental.
–Bom Journo ! O que posso fazerr porr voccê? — O homem falou com um forte sotaque francês.
–Bom, eu quero meia dúzia de rosquinhas açucaradas e meia dúzia de pãezinhos franceses, por favor.
–Sórr um minutinho. –O sotaque era realmente muito forte.
–Tudo bem. –Marcelo falou enquanto olhava as outras coisas que estavam de amostra no balcão.
–Marcelo? –Uma voz feminina falou atrás do moreno.
Ele se virou e tomou um grande susto. Era uma pessoa que ele não via já fazia muito tempo.
–MALU!
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