Acaso?
5 Capítulo 5
Notas iniciais
–Malu!- Hugo fala surpreso ao ver na porta do seu apartamento, sua melhor amiga do colegial.
–Nossa! Olha o quanto que você cresce! –A garota de mexas vermelhas falava enquanto entrava no apartamento, mal passou pelo portal, foi recepcionada com um abraço de urso do amigo que ela não via há tantos anos, capaz de levanta-la alguns centímetros do chão.
–Também... To feliz... Em te ver, agora me solta!- A garota falava tentando achar uma maneira de escapar do abraço de Hugo.
–Desculpe. –O moreno falou sem jeito. –Quanto tempo... – Hugo falou com brilho nos olhos, havia mais de 5 anos que ele não tinha contato com a amiga. –Pelo visto, você ainda continua com as mexas vermelhas. –Ele disse pegando em uma das várias mexas da moça.
–Eu prezo pelo meu estilo. –Malu falou soltando uma piscadela para Hugo, que logo abriu um sorriso enorme. – Então, o que temos pra comer? – A garota disse olhando para as rosquinhas e os pães que Marcelo tirava dos sacos.
–Pelo visto, você não “evoluiu” nos seus modos nos últimos anos. –Hugo disse dando um tapinha não mão da moça que tentava pegar uma das rosquinhas.
–Eu bem que ia comprar meu café lá na padaria... –A moça disse fazendo biquinho. – Mas aquele jovem cavalheiro. –Ela falou fazendo uma pequena reverência á Marcelo. –Me chamou para tomar café aqui.
–Nem me olha com essa cara! –Marcelo falou colocando as mãos acima do peito com as palmas viradas para Hugo em sinal de que ele não tinha culpa enquanto o amigo o encarava com um pequeno sorriso no rosto.
–Já entendi tudo, você aproveitou a bondade do Marcelo, pra filar boia grátis, não foi? –Hugo fala em tom de brincadeira.
–Não é a toa que fomos melhores amigos. –A moça concorda com um sorriso malicioso no rosto.
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–Então, Malu, o que você está fazendo pras bandas de cá? Você não estava morando fora? –Hugo falou enquanto colocava seu suco de laranja no copo.
–É, tava, mas cansei de Londres. –Ela sorriu e os dois meninos riram brevemente. –Tava atrás de algum canto pra montar meu ateliê, respondendo a sua pergunta.
–Ateliê?! –Hugo e Marcelo, falaram quase ao mesmo tempo em um tom de surpresa.
–É, porque? Vocês achavam que eu tava em Londres á passeio? –A moça respondeu indignada com a surpresa dos amigos.
–Era! –Os dois responderam ao mesmo tempo.
–Quem dera! –Malu falou tomando um gole de café e pegando uns biscoitos que estavam em um pote em cima da mesa. –Agora sou uma artista formada. –A garota de mexas vermelhas falou fazendo pose. –E vocês dois, o que estão fazendo de bom?
–Treinando pras estaduais de vôlei. –Falou Marcelo eliminando um suor da testa inexistentes.
–E você, Hugo? –Falou a garota curiosa.
–Eu to me matando de dançar em uma companhia de balé para uma apresentação importante.
Malu começou a rir, achava que Hugo estava fazendo uma piada com relação ao balé, ao ver que os dois amigos não á acompanhavam nas suas gargalhadas, ela parou percebendo que Hugo não estava brincando, suas gargalhadas sumiram tão rápido quanto tinham começado, totalmente envergonhada, Malu se concentrou nos seus biscoitos.
Eles conversaram por mais um breve momento, depois Malu se despediu alegando que precisava bater ainda muita perna antes de achar um lugar que poderia vir a ser seu ateliê, Hugo já não estava tão animado com a novidade da volta da amiga, quanto antes.
–Você esta bem? –Marcelo perguntou ao se sentar no sofá enquanto Hugo estava tirando a mesa do café.
–To sim. –O moreno falou com a voz deprimida que não convenceu o amigo de sua resposta.
–Qual é Hugo, eu te conheço como ninguém, o que foi? –Marcelo insistiu.
–É que... –Hugo falou juntando os últimos itens da mesa e guardando nos seus respectivos lugares e deixando o olhar cair para o chão. –Marcelo, você já tem muitos problemas pra lidar, para se preocupar com os meus. Qualquer coisa, to no meu quarto. –Hugo falou indo em direção ao corredor e o amigo só o acompanhou com os olhos.
O pior, era que Hugo estava certo. Marcelo não havia dormido na noite anterior, já namorava com Alan, há mais de 1 ano para esquece-lo em menos de quarenta e oito horas.
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–Onde que ta meu casaco... –Marcelo falava enquanto bagunçava suas coisas atrás do casaco, já estava atrasado para o treino de vôlei.
Depois de revirar seu quarto de ponta á ponta, foi na lavanderia checar se Hugo não havia posto seu casaco pra lavar, mas não o encontrou.
Foi na porta do quarto de Hugo e deu três batidas com os nós dos dedos.
–Hugo? –O moreno falou, mas não obteve resposta, ele começou então a girar a maçaneta da porta bem devagar para evitar qualquer ruído que fizesse o amigo acordar.
Hugo estava dormindo com os fones nos ouvidos, provavelmente as musicas já haviam acabado, o aparelho não emitia som nenhum.
O moreno estava dormindo totalmente pelado, a sua coberta cobria suas pernas até a cintura, deixando seus pés e seu tronco do lado de fora.
Marcelo foi caminhando bem devagar até a cama do amigo para checar se ele realmente estava dormindo, mas ficou olhando para as feições de Hugo quando se aproximou, o moreno estava encantado pela beleza do menor, era muito difícil ver Hugo sem camisa, no entanto, o corpo do amigo era bem definido, os músculos tímidos ameaçavam saltar de seu corpo, a serenidade com que Hugo dormia, fez com que Marcelo entrasse em um transe hipnótico, não era capaz de se traduzir o que Marcelo estava sentindo, ele simplesmente, sentia. Porem, logo o transe foi quebrado com o toque do telefone de Hugo.
O toque do aparelho foi o suficiente para que Hugo despertasse, meio atordoado ele se sentou na cama, foi só então que ele reparou na presença do amigo, sua primeira reação foi puxar o sua coberta para que cobrisse suas partes intimas que ameaçavam ficar de fora, Hugo ficou olhando para o amigo esperando uma resposta para o que ele estava fazendo em seu quarto, ou melhor, porque que estava olhando pra ele enquanto ele dormia nu.
O celular de Hugo estava em cima da cômoda, na qual estava de trás de Marcelo, o maior pegou o telefone do amigo, olhou no visor e entregou o telefone do amigo, totalmente sem graça ele disse “É a sua mãe”, Hugo ainda encarava o amigo com a boca aberta e os olhos semicerrados, ele atendeu o telefone, mas o olhar permanecia fixo em Marcelo.
–Alô? –Hugo respondeu ainda encarando Marcelo que agora estava de cabeça baixa.
–Hugo, meu filho, como você está? – Uma senhora falava do outro lado da linha rapidamente.
–To bem, mãe. Como vão as coisas por aí? –O moreno fala olhando para o relógio da sua cabeceira. Eram oito horas da manhã em ponto.
–A Diana está desde ontem tentando falar com você... –A voz da mulher some do outro lado da linha e se inicia a de uma garotinha que aparentemente estava chorando.
–Hugo, por favor, vem pra cá, por favor! –Diana chorava do outro lado da linha.
–Di, calma... –Hugo tentava acalmar a garota.
–Por favor! –Diana continuava insistindo aos prantos. –Eu preciso de você aqui, Hugo! –A menina falava entre soluços.
–Hugo? –A senhora Duarte havia tirado o telefone das mãos da garota. Era possível escutar Diana chorando ao fundo.
–Mãe, o que houve com ela?! – Falou Hugo preocupado, Marcelo que ainda continuava parado próximo á cama do amigo, notou a alteração na voz do amigo e se atentou a conversa, estava ficando preocupado com a expressão no rosto de Hugo.
–Eu não sei meu filho, ela está assim desde ontem, não tem como você vir para cá? –A mãe pergunta aflita enquanto a menina chorava.
–Mãe, não sei... –Hugo fala olhando para Marcelo que já estava pronto para ir ao treino, mas permanecia próximo ao amigo com o olhar preocupado.
–Ta bom meu filho, pode deixar que eu dou um jeito de acalmar ela por aqui, tenho que desligar, o Jonas ta tentando pular da mesa de jantar, se cuida meu filho.
–Ta bom mãe, te amo. –Hugo falou preocupado.
–Também meu filho. –Antes que ela desligasse o telefone, Hugo ouviu sua mãe reprimir Jonas de pular da mesa e finalmente desligou.
–O que houve? –Marcelo falava preocupado enquanto Hugo colocava o celular na cômoda do lado de sua cama.
–A Diana... –Hugo colocou as mãos na cabeça e começou a olhar para o teto.
–O quê que tem ela? – Marcelo perguntou sentando-se na beira da cama.
–Minha mãe disse, que desde ontem ela não para de chorar...
–O que você vai fazer? –Marcelo falava tão preocupado quanto o amigo, tinha um carinho muito especial pela família do moreno.
–De uma coisa eu sei, tenho que ir pra casa! Você pode me dar licença pra colocar uma roupa? –Hugo falou apontando para a porta, sua voz estava irônica e ele parecia um pouco irritado.
–E como você vai pra lá? –Marcelo continuava sem ligar para a tentativa de tira-lo de dentro do quarto. –São mais de 3 horas de carro!
–Eu ainda tenho algum dinheiro. –Hugo falou esperando que o amigo se retirasse.
–E a sua companhia? –Marcelo continuou ignorando a resposta de Hugo.
–Que se dane a companhia! Minha irmã vem em primeiro lugar! –Hugo continuava com o braço erguido apontando para a porta.
–Mas... Mas... Mas você não pode ir sozinho! – Marcelo indo em direção ao amigo e segurando no seu braço. Marcelo apertava o braço de Hugo como uma criança birrenta que a mãe se recusará a dar o brinquedo que ela queria.
–E claro que eu posso! –Hugo falou tirando a mãe de Marcelo do seu braço. Mas Marcelo permaneceu com a mão fixa, Hugo o encarou por alguns segundos até que Marcelo se tocou do que estava fazendo e o soltou o mais rápido possível como rosto completamente vermelho.
–Não, não pode. –Marcelo falou com a voz baixa, olhando fixamente para o chão, não teve coragem de encarar o amigo. Só então que Marcelo saiu do quarto de Hugo, fechando a porta.
Hugo ficou paralisado com a atitude do amigo, a boca ficou entre aberta por alguns segundos mas logo ele voltou a si e correu para o seu guarda-roupas, vestiu qualquer coisa, pegou um mala que ficava em cima do seu armário e começou a encher de roupas, colocava com pressa de qualquer jeito, quanto antes estivesse em casa, melhor.
Assim que Hugo saiu do quarto e foi em direção da sala, encontrou Marcelo sentado no sofá, do seu lado se encontrava uma mala um pouco menor do que a de Hugo.
–Você não vai sozinho. –Falou Marcelo pegando a mala que estava no seu lado.- Já liguei pro técnico e ele me cedeu essa semana de folga e tomei a liberdade de ligar para Elo, avisando que você teve uns problemas em casa e não vai poder ir aos ensaios essa semana, ela concordou em avisar todo mundo.
Hugo estava surpreso com a preocupação de Marcelo, a raiva que sentirá do amigo minutos atrás desaparecerá e tomou o lugar de um sentimento de agradecimento.
Marcelo estava inquieto, a sua preocupação era visível, porem, em alguns momentos, ele deixava escapar alguns pequenos sorrisos que logo desapareciam do seu rosto. As malas foram colocadas no bagageiro e os dois entraram no carro de Marcelo.
–Marcelo, preciso falar com você. –Hugo falava enquanto o amigo colocava a chave na ignição.
–Pode falar.
–Aquilo no meu quarto.. . –Hugo falou sem jeito. –Só queria falar que não me importo se você é gay ou não, mas cara... Eu não curto, ok? –Hugo falou olhando para Marcelo.
–Entendi. –Marcelo não olhou para Hugo, somente continuou a olhar para frente e suas mãos seguraram o volante com força á ponto de deixar suas mãos parcialmente sem sangue.
Os pequenos sorrisos que apareciam no rosto de Marcelo, desapareceram, no lugar, surgia em alguns momentos um olhar triste misturado a uma expressão seria, aquela viagem seria uma viagem muito longo, especialmente para Marcelo.
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