Acampamento Olympus
43 Cap. 42 - Parando Pra Pensar
Notas iniciais
Do outro lado da rua um carro preto estava parado com o seu ocupante no volante. Ele observava a movimentação na casa em frente.
Viu quando sua primogênita Bianca chegou e abraçou o irmão que se jogara em seus braços. Como sentia saudades da filha. Bianca é muito parecida com a mãe, de estatura alta, magra, sempre com um sorriso nos lábios. Tinha a personalidade calma de Maria. Viu quando alguns jovens entraram, viu o anfitrião, um garoto de cabelos escuros e pele pálida recebê-los com abraços, mas um em especial lhe deu um beijo no rosto. Paolo suspirou. Maria tinha razão, ele não tinha o direito de se envergonhar do filho que tanto negligenciou, Nico não tinha culpa dos seus problemas. Ao saber da gravidez de Piera e da pressão de Donatela, ele passou a se fechar, deixando de lado sua obrigação como pai e marido, já que se afastou até mesmo da esposa. Ele via a si mesmo em Nico, por isso passou a tratar o filho friamente, como se quisesse punir a si mesmo pelo crime que cometeu, descontava em Nico toda a sua frustração. Quanto a Maria, fazia de tudo para apaziguar os dois, pois Nico o tratava da mesma forma, ambos eram como estranhos. Por isso o garoto voltava-se sempre para a mãe que era a única que lhe dava atenção e se preocupava de verdade com ele.
Desde que Maria lhe contou que já sabia da sua falta que ele passou a tentar se aproximar do filho, mas Nico sempre se esquivava não dando chance a ele de fazer o que queria. Quando chegava da escola, subia para seu quarto e só saía de lá para comer e depois voltava pra lá. Paolo percebia que o menino não queria conversa e quando queria conversar procurava a mãe. Era sempre assim.
Na ida para a escola era a mesma coisa, Nico passava a viagem toda com o fone de ouvido não abria o bico. Quando o carro parava imediatamente saltava e corria sem nem olhar para trás. Assim como ele mesmo fazia. Paolo ainda ficava parado observando o filho ser abraçado e beijado pelo o outro garoto e depois de mãos dadas entravam na escola. Ele ia embora e voltava para casa onde o clima não era dos melhores. Maria também o evitava, ou ela estava ocupada na cozinha ou não estava em casa, quando chegava passava direto para o quarto tomava seu banho e rumava para a cozinha fazer o almoço ou o jantar. Os três na mesa comendo em silêncio, vez em quando mãe e filho conversavam sobre o dia de Nico na escola, nem sequer o envolviam na conversa, era como se só tivessem eles dois ali. Conversavam animadamente e o nome de Percy sempre vinha à tona.
Paolo já não aguentava mais essa situação, então foi conversar com Maria.
— Maria, precisamos conversar.
— Se é sobre aquele assunto já está mais do que esclarecido.
— Não é sobre isso – disse ele – É sobre... eu tô me sentido mal com tudo isso, estou arrependido eu.... você e o Nico praticamente me ignoram.
— Ora, então está se sentindo ignorado? Não é o que você costumava fazer conosco? Principalmente com o Nico? O que você esperava que tivéssemos sorrindo com toda essa situação? Seu filho ficou muito triste com o que você disse, se antes ele já te tratava como um estranho, agora mesmo é que você não vai conseguir nada dele.
— Nico é meu herdeiro, ele pelo menos poderia se interessar pelos negócios, o fato de ele ser.... gay, não mudará nada.
— Ora, então você já se conformou com a condição de seu filho? Que bom. Já se perguntou se Nico quer seguir a mesma carreira que você?
— ... – ele a olha de cenho franzido.
— Pois é, você nunca se interessou em saber o que o seu filho quer ser na vida. Lembra quando ele foi lhe pedir ajuda porque estava confuso com seus sentimentos e você o mandou as favas? O menino veio chorando me contar. Desde ai ele nunca mais o procurou. Lembra?
Paolo continuava calado.
— Então querido, não espere que agora você consiga alguma coisa com ele. Logo agora que ele tem alguém com quem compartilhar seus interesses.
— Eu sou o pai dele ele precisa me ouvir.
— Tarde demais querido, Nico não é mais uma criança é um adolescente que sabe o que quer. Mas, se você quiser tentar vai em frente.
Ela pega sua bolsa pronta para sair.
— A propósito, dê um jeito de sumir no fim de semana. Nico não quer você aqui no dia da festa dele. Até mais tarde.
Ela sai e Paolo fica no meio da sala com o cenho franzido. Agora refletindo em tudo o que fez, ele percebia que estava perdendo sua família, primeiro o filho que o tratava como um estranho, a esposa que não queria mais que ele a tocasse e agora a filha que provavelmente já estava sabendo o que fez. Sua vida virou de cabeça para baixo da noite para o dia e ele estava totalmente sozinho. Ele ligou o carro e voltou para o hotel.
No dia seguinte quando volta para casa não encontra ninguém, provavelmente Maria e Nico ainda dormiam. Os vestígios da festa ainda eram evidentes. A sala ainda estava desarrumada, o bolo pela metade ainda estava sobre a mesa tinha uma vela na forma do número dezesseis sobre ele. Paolo suspirou, seu filho fez 16 anos e ele nem pôde estar presente. Nico geralmente não gostava de comemorar seu aniversário, era muito introvertido, não gostava de se misturar, no entanto com o passar do tempo Nico havia mudado. Ele cresceu, ficou mais falante e até sorria. Tudo por causa desse rapaz, Percy.
Ele baixou a cabeça e subiu as escadas, andou silenciosamente pelo corredor parou em frente a porta do quarto de Nico pôs a mão na maçaneta e girou. O quarto ainda estava na penumbra, adentrou o quarto aproximou-se da cama onde o filho jazia. Nico dormia abraçado a um peixe de pelúcia, provavelmente presente de aniversário. Sorriu, não pôde deixar de notar o quanto Nico era parecido consigo. Quando pequeno Paolo tinha um urso marrom com o qual dormia abraçado até a adolescência. Depois que se tornou adulto abandonou o brinquedo guardando-o dentro de um baú. Mais tarde ele doou a um orfanato. Nico era parecido consigo até mesmo no gosto por vestimentas pretas. O menino só gostava de se vestir de preto, ele tinha poucas roupas de cores diferentes por insistência de Maria, assim como ela fazia consigo. Ele saiu do quarto e fechou a porta. Respirou fundo e entrou no seu quarto onde a esposa dormia.
Maria devia estar cansada, pois ela costumava madrugar, por isso deixou a sacola de roupas encima de uma cadeira e saiu do quarto silenciosamente. Desceu as escadas e foi direto para seu escritório onde deu início ao seu trabalho.
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