Acampamento Olympus
5 Cap. 4 - A Ameaça
Notas iniciais
Ao ler a mensagem fiquei paralisado. Então olhei ao redor pra ver se conseguia localizar o meliante. Não consegui. Seja quem for estava no acampamento. Merda. Não faltava mais nada acontecer na minha vida.
Desliguei o celular e voltei pro meu lugar. Enquanto a música rolava tentei imaginar quem poderia ser a tal pessoa. Olhei para cada rosto em potencial. Será a Clarisse? Não. Ela, se soubesse, viria logo debochando e tirando sarro. Eu não teria sossego, pode ter certeza. E eu duvido que ela tenha algum interesse no Percy.
A Drew? Talvez. Ela e suas patricinhas, embora não tirem os olhos de cima dele, não mandariam mensagens ameaçadoras, mas espalhariam a fofoca por todo o colégio. Aí sim, eu estaria ferrado. Não. Não acho que tenha sido ela. Até por que ela tem uma queda pelo Jason.
Calipso? Bom, eu soube que ela arrasta as asas pra cima dele. Mas pelo o que eu soube das fofocas da Drew, ele não dá a mínima. Mas duvido que ela saiba de mim. Ela não parece o tipo de pessoa que faz ameaças. Ela faz o tipo carente de atenção. Então, ela está fora.
Annabeth. Ah, essa sim. Essa é perigosa. A famosa sabe-tudo. Egoísta, mandona, chata, insuportável. Ela é totalmente o contrário de seu irmão, Malcolm, que apesar de ser igualmente inteligente, gosta de ajudar as pessoas quando o procuram pra tirar algumas dúvidas. Ele é muito paciente. Ao contrário da irmã que é intolerante. Pode ser ela? É bem capaz. Eu já notei que ela fica com raiva quando Reyna está perto do Percy. Seus olhos cinzentos ficavam tempestuosos. Vou ficar de olho nela.
Terminada a cantoria voltamos todos para os alojamentos. Entrei e me deitei na cama e fiquei pensando. Acabei adormecendo, nem vi quando o Jason entrou.
No dia seguinte, acordei mais cedo do que o habitual. Eram 5: 00h, ainda estava escuro. Levantei e fui ao banheiro tomar banho, fazer minha higiene. Depois me vesti e fiquei esperando o dia amanhecer. Fiquei matutando até ouvir o Jason se mexer na cama. Ele estava acordando. Deu um bocejo imenso e me olhou.
— Bom dia, Fantasminha. Já de pé?
Só o Jason me chamava de Fantasminha.
— Bom dia, Superman. Dormiu bem?
— Como um anjo. E você?
— Normal – disse distraidamente.
Jason me olhou e perguntou:
— Tudo bem, cara?
— Sim. Por que não estaria?
— Eu te conheço, Nico. O que é que tá acontecendo?
— Nada de mais.
Ele levantou uma sobrancelha não acreditando. O Jason era o meu melhor amigo, sempre que eu precisava dele, ele estava por perto e vinha me ajudar. Ele tinha uma paciência de Jó. Apesar de ter sofrido horrores nas mãos da madrasta, ele estava sempre sorrindo. Nunca o vi chorar ou mesmo se queixar da vida. Ele é um ano mais velho do que eu. Mas no momento não queria falar do assunto com ele. Não agora.
— Sei. Tudo bem. Mas você vai ter que me contar, viu?
— Tá.
— Me espera?
— Ok.
Ele me olhou novamente e suspirou. Levantou e foi ao banheiro.
Fomos ao refeitório que já estava cheio. Parece que todos caíram da cama. Pegamos nosso café e sentamos a uma mesa vazia. Eu estava de costas para a entrada e Jason de frente. Quando notei que ele sorriu. Então, perguntei:
— O que foi, viu algum passarinho verde?
— Vi sim. E ele está vindo pra cá.
Olhei pra ele desconfiado e ia virar, quando o tal passarinho “pousou” ao meu lado e perguntou:
— Bom dia, posso sentar aqui com vocês?
Essa voz rouca. Eu olho pro dono da voz e não consegui falar nada a não ser um...
— Amm.... mm.
Patético, eu sei, mas Jason veio em meu socorro.
— Claro que pode, senta aí.
Ele sentou ao meu lado. Estava lindo como sempre e tinha um cheirinho de brisa do mar delicioso. É. O meu dia começou bem. Obrigado Senhor!
Ele engatou uma conversa com o Jason. Falavam sobre seus respectivos esportes e outras coisas que eu nem prestei atenção de tão absorto que eu tava ouvindo aquela voz rouca e brincalhona. Sua risada. Ah, essa risada! É música para os meus ouvidos. Ó meu Deus, como pode existir criatura tão perfeita? Voltei à realidade quando senti uma cutucada no meu pé. Olhei com a cara distraída pro Jason.
— O que? O que foi?
— O Percy tá falando com você.
Senti meu rosto esquentar.
— Desculpe, estava distraído. O que você perguntou?
— Eu perguntei o que você vai fazer hoje.
Olhei sem entender.
— A atividade.
— Ah, eu ainda não escolhi. E você?
— Eu vou ao lago de canoagem. Por que você não vem comigo?
— Ah. Eu não sei. Eu tenho medo de água.
— Sério?
— É que eu não sei nadar e por isso tenho um pouco de medo.
— Não se preocupe, eu estarei lá pra te salvar.
Ele deu um sorriso lindo. Corei. Senti o Jason me cutucando de novo.
— Tudo bem. Eu vou.
— Legal.
— E o seu irmão? – perguntei pra disfarçar.
— Ah, ele vai fazer outra coisa. Então, vamos?
— Tá. Vamos.
Levantamos. Olhei pro Jason sem acreditar. Ele me deu um sorriso de incentivo.
Fale com o autor