Acampamento Olympus

11 Cap. 10 - POV do Percy


Eu não podia acreditar que esse miserável do Tommy* estava aqui. Qual é, até aqui ele me perseguia? E o que significava isso? Como ele sabia do Nico? O miserável não parava de sorrir, isso já estava me aborrecendo.

— Tommy, o que significa isso?

— Ora irmãozinho, eu vim te fazer uma visita.

— O que você quer, miserável?

— Te dá uma liçãozinha. Afinal, não pude tocar na donzela porque a mamãezinha não deixou.

— Do que você está falando?

— Ora não se faça de desentendido, Perseu. Você sabe muito bem por quê.

— Se está falando daquele dia da festa, você mereceu o que o papai fez com você.

— Cala a boca, cretino, você vai me pagar por ter me dedurado.

Então ele se aproximou e me deu um chute nas costelas que me tirou o ar. Eu não podia me mexer, pois estava amarrado. Fiquei deitado tentando respirar.

— Isso é pra você aprender a não ser dedo duro. E tem mais se você contar para o papai eu farei pior. Entendeu?

Ele me deu outro chute dessa vez mais forte. Eu comecei a tossir e mais outro e então apaguei.

Quando acordei estava sozinho na caverna jogado no chão. Meu corpo todo doía. Cada respirada era uma dor terrível. Espero que não tenha quebrado nenhuma costela. Tentei me virar, mas as cordas atrapalhavam. Então, fiquei deitado de lado esperando a dor passar. Só depois consegui me sentar, me apoiando na parede. Então, lembrei daquele dia.

Lembrança on

Era um fim de semana. Tommy estava ansioso pra ir à festa na casa de um amigo, mas o meu pai tinha avisado que ele não saísse, porque teria que tomar conta de mim e do Tyson. Eu não precisava de babá, mas estava muito doente e por isso não podia olhar o Tyson. Meus pais precisaram sair, pois a mamãe ia ser homenageada pelo seu livro recém- lançado. No entanto, Tommy, assim que meus pais saíram, se mandou sem nem ao menos nos dizer nada.

Eu estava dormindo, e me assustei com uma trovoada. Estava muito escuro, me levantei meio cambaleante e fui tateando até a porta. Abrindo-a passei para o corredor e ao chegar perto do quarto do Tyson ouvi um choro. Abri a porta e chamei por ele:

— Tyson.

— Percy – chamou ele soluçando.

— Está tudo bem, eu estou aqui – falei para acalmá-lo. Sentei em sua cama e o abracei. Ele se agarrou em mim e disse:

— Tô com medo, Percy – falou com voz de choro.

— Foi só um corte de energia por causa da chuva. Já vai passar.

— Você fica aqui comigo?

— Fico sim.

Então ele foi se acalmando e perguntou:

— Cadê o Tommy?

— Não sei.

A tempestade estava parando e então a energia voltou. Eu chamei Tyson e fomos até o quarto de Tommy. Batemos na porta e ninguém respondeu. E então resolvi abrir. Ele não estava. Descemos até a sala e nada, cozinha, também não estava. Procuramos a casa toda e ele não estava. Tommy tinha fugido. O papai não ia gostar de saber disso. Tentei até o telefone. Estava fora de área. Suspirei e então Tyson me olhou e disse:

— Ele não devia ter saído. O papai disse pra ele não sair.

— É. Isso é problema dele. Vem, vamos subir não estou me sentindo bem.

Então, eu e Tyson voltamos para os nossos quartos. Eu dormi imediatamente, ainda estava sob o efeito do remédio.

No dia seguinte, mamãe veio me acordar.

— Percy, acorde meu filho.

Resmunguei alguma coisa e então abri os olhos. Vi o rosto de minha mãe sorridente. Levantei e sorri pra ela.

— Bom dia mãe.

— Bom dia filho. Como está? – ela pousou a mão na minha testa. — Parece que a febre baixou. Levante-se, tome um banho e venha tomar café.

Eu assenti e me levantei. Fui pro banheiro tomei um banho e fiz a minha higiene, troquei de roupa e desci. Todos estavam à mesa. Olhei pro Tommy que parecia estar de ressaca. Quando foi que ele voltou?

— Bom dia a todos – disse.

— Bom dia filho, como se sente? – perguntou meu pai.

— Estou um pouco melhor. A febre passou.

— Que bom. Espero que tudo tenha ocorrido bem ontem. Eu tentei ligar pra cá, mas o telefone estava fora de área por causa da tempestade.

— Estava trovejando muito e a energia foi embora, ficou tudo escuro – disse Tyson. — Eu fiquei com medo, mas o Percy ficou comigo – Tyson falou na maior inocência. Notei que Tommy ficou pálido.

— Ah, é mesmo? Me conte isso Percy – perguntou meu pai na maior calma.

Isso não era bom. Quando meu pai agia assim era porque logo não vinha coisa boa.

— Eu me acordei com uma trovoada e então notei que estava tudo escuro. Saí do quarto e fui até o do Tyson porque ouvi ele chorar. E então fiquei com ele até a energia voltar. E... depois fui pro meu quarto e dormi até agora de manhã – contei tudo sem nem olhar para Tommy.

Então meu pai olhou para Tommy, que estava calado. Minha mãe apressou Tyson com o café, pois logo o ônibus da escola chegaria. Eu tomei meu café em silêncio e depois que Tyson saiu eu fui para a sala e liguei a TV. Minha mãe tirou a louça do café e depois foi se juntar a mim na frente da TV.

Meu pai então se dirigiu a Tommy:

— Você tem algo a me dizer Tommy?

— B...Bem, eu...eu – gaguejou.

— Deixa eu adivinhar – falou meu pai, você dormiu feito uma pedra e não ouviu a tempestade e o choro do seu irmão e que por isso não percebeu o corte de energia, acertei? – perguntou sarcástico.

Tommy continuava mudo. De repente meu pai grita:

— RESPONDA!

— Eu não ouvi nada – mentiu.

— Você acha que eu sou algum otário? Acha que não sei que não estava em casa quando a tempestade desabou? Você foi pra festa daquele franguinho do Robert, não foi? Quando eu disse pra você não ir. RESPONDA!

— O que é que tem eu ir? Todos os meus amigos iam, por que só eu não podia ir? Por que eu tenho que ficar tomando conta desses pirralhos? – perguntou malcriado.

Papai respirou fundo. Nunca Tommy havia respondido desse jeito. Tommy já era quase adulto faltava pouco para seus dezoito anos, mas sempre agia como um adolescente de treze. Papai lhe dava responsabilidades, pois assim ele se tornaria um adulto responsável. No entanto, não era isso que acontecia.

— Por quê?, você pergunta. Eu vou lhe dizer por que. Primeiro, você é mais velho do que eles e por isso tem que cuidar de seus irmãos na ausência de nós adultos. Segundo, Percy está doente e por isso precisava que você o vigiasse. Terceiro, o Tyson ainda é uma criança que precisa de atenção, Percy estando doente não podia cuidar do irmão e por último eu te dei uma ordem e você, que ainda é menor de idade, me deve obediência. Quer que esclareça mais alguma coisa? Ah, sim, quando você pediu pra vir morar comigo eu deixei bem claro que se você não seguisse as minhas regras você voltaria pro mesmo lugar de onde veio, não foi?

— Vo...Você vai me mandar de volta para aquela possilga?

— O que acha? Achou que estava brincando quando falei isso?

— Você não pode fazer isso comigo – falou Tommy.

— Ah, não? Faça as suas malas porque hoje mesmo você vai sair daqui.

— Pai....

Meu pai virou às costas e saiu. Tommy ficou parado no meio da cozinha, as lágrimas rolando pelo rosto. Ele caminhou até a sala e então disse:

— Vocês devem estar contentes não é? Malditos.

— Não é nossa culpa – eu disse. Ele me olhou com ódio.

— Você seu dedo duro eu vou te matar – e partiu pra cima de mim. Minha mãe se meteu entre nós e então disse:

— Pare com isso Tommy, não dificulte ainda mais a sua situação. Percy não tem culpa de nada.

— Você vai me pagar por isso pirralho – disse e então subiu.

Eu sentei no sofá e respirei fundo.

— Eu não dedurei ele.

— Eu sei filho, ele está muito zangado e quer descontar em alguém.

— Como se eu fosse deixar.

— Esquece isso filho – disse minha mãe me abraçando.

Lembrança off

Desde então Tommy vivia me perseguindo. E agora aqui estou todo machucado. Forcei as cordas até que consegui soltar uma mão. Desatei o nó e consegui soltar a outra e depois tirei a corda dos meus pés. Precisava sair dali antes que ele resolvesse voltar. Olhei ao redor, a caverna ficava perto da praia de lá podia ver os alojamentos. Ótimo pelo menos não estava longe. Caminhei devagar até chegar perto de um dos alojamentos. Bati na porta e quem me atendeu foi o Frank. Ele me olhou e ia perguntar o que tinha acontecido quando eu disse:

— Poderia me ajudar a ir até a enfermaria?

— Claro – ele saiu e fechou a porta e então ele pegou um dos meus braços e colocou em volta do seu pescoço e fomos andando até a enfermaria.

Notas finais
*Tommy – Tritão. Até o próximo