Acampamento Meio Sangue, sabedoria e poesia.
2 Capitulo 1
Notas iniciais
Point of view Angel
O Garoto era o máximo! Ele só disse para o cão ir embora e puf, se foi. Pude reparar nele assim que mandou Cerberus (ou algo assim) embora, seus cabelos estavam um pouco acima do ombro, castanho escuro como seus olhos que mostravam um tom de superioridade, não era lá um atleta hiper alto e musculoso, mas tinha curvas masculinas visíveis. Usava roupas pretas, uma camiseta, jaqueta aviador, calça jeans e um coturno, começamos a seguir ele direção oposta à nossa casa, queria saber mais sobre ele, mas claramente não o seguiria tanto.
— Devíamos ir pelas sombras.. — murmurou.
— Onde vai nos levar? — Perguntou Blair.
— já falei, acampamento, não sei porque mandaram a mim e não algum sátiro. — Sussurrou a última parte, arqueei uma sobrancelha com os deboches que ele soltava.
— Por que? Que acampamento? Não vamos te seguir. — Avisei parando abruptamente — Olha, todo aquele lance do cachorro foi legal e tudo mais, porém, não vamos seguir alguém que acabamos de conhecer, temos família sabia?
— Então fique aí e seja atacada por algo pior que o "cão" — Retrucou Nico ainda andando — Preciso conversar com vocês melhor.
— Vem Blair, vamos para minha casa, pode dormir lá essa noite se quiser, deixa ele ir sozinho para o tal "acampamento ".
— Ah.. Na verdade An, deveríamos ir com ele.. Saber o que era aquilo.
— Pelo menos alguém inteligente! — Nico zombou se virando para nós.
Tinha acabado de perceber: Ele não foi com a minha cara.
— Então senhor "eu sou superior a vocês " vamos para minha casa, você nos explica sobre tudo isso e amanhã quando estivermos certeza de que você não vai nos matar vamos ao acampamento.
— Melhor do que seguir um "estranho " é convidar ele pra sua casa?
— Vou chamar o Spencer ok? — Perguntou Blair interrompendo nossa discussão — Assim ele nos protege caso Nico nos ameace ou coisa assim.
Acenei que sim e começamos a andar em direção a minha casa. Blair e eu moramos em Manhattan, a casa dela é exatamente um quarteirão depois da minha, nós somos bem parecidas, cabelos loiros e olhos azuis, pele bem clara, apesar de eu ser cinco meses mais velha Blair é a mais alta.
Spencer é irmão mais velho de Blair, temos dezesseis anos (apesar de as pessoas sempre acharem que eu tenho 13/14) e ele dezenove, Spencer é exatamente como Blair. O que me fez crushar o irmão da minha melhor amiga por muito tempo.
Eu também tenho um irmão, seu nome é Henry, ele tem cinco anos e a nossa diferença é que seus olhos são verdes e seus cabelos pretos — apesar de não ter ninguém de olhos verdes na nossa família — Minha mãe, Marie tem cabelos e olhos castanhos e trabalha como escritora além de ser âncora do jornal das 19:00, meu pai foi embora com outra mulher quando eu nasci, não sei muito dele além de que ele é bem parecido comigo, o pai de Henry também abandonou ele e a mamãe e logo depois ela casou com Scott, nosso padrasto é super legal, trabalha em uma das maiores empresas de los Angeles, estão casados a quatro anos.
— Chegamos. — Anunciei parando em frente o portão de casa.
Meu lar não era o mais humilde da região, suas paredes eram douradas e tinha um enorme jardim que deveríamos atravessar para entrar na sala, que era decorada apenas com móveis rústicos modernos e coloridos como o resto da casa. Destranquei a porta e esperei que os dois entrassem.
— Mamãe. — Gritei — Blair e um amigo estão aqui, vamos ficar no meu quarto.
— Tudo bem filha, desçam para comer depois. — Gritou de volta.
— Pode pedir para Spencer subir quando ele chegar?
— Oh que ótimo que ele também vem, se divirtam crianças!
Entramos no quarto com a pequena placa escrito "Angel", arrastei um puff para frente da cama e me sentei na mesma com Blair, o estranho se sentou a nossa frente.
– Qual o seu problema com cores diferentes de rosa?
Meu quarto ocupava metade de um andar, era grande mas eu não me importava tanto com coisas materiais, as paredes eram rosas, o piso branco, o tapete que cobria o meio do quarto também era rosa e tinha uma TV e duas poltronas brancas, a mesa do meu computador alguns puf's espalhados ao lado direito e por fim duas portas, uma levava ao closet e a outra ao banheiro.
— Já cheguei a comentar que ela é a maior patricinha? — Blair perguntou a Nico.
— Não mas só de olhar eu percebi.
— Eii eu não sou patricinha! — Resmunguei.
— Tá bom marrentinha vou fingir que acredito. — Nico disse revirando os olhos.
Quando ia retrucar Blair interrompeu. — Pode começar a explicar Nico.
— Conhecem algo da Mitologia grega ou romana?
— Sim..- Blair e eu nos olhamos.
— Tudo isso é real, parece loucura mas os Deuses realmente existem.
— Surpreendente. — Disse Blair — Acabei de realizar um desejo!
— Ah claro, porque é ótimo saber que um dos meus pais não é verdadeiro. — Murmurei Ainda brava. — Provas de que isso é real?
— O simples fato de verem um cão enorme já prova, mas não parecem surpresas.
— já acreditávamos mais ou menos nos Deuses Nico, e depois de hoje tudo só comprovou que é verídico, mas enfim, alguém te mandou até aqui?
— Quiron é quem cordena o acampamento, ele me pediu para acha-las, Cerberus fez todo o trabalho farejando vocês na verdade.
Spencer entrou no quarto e como sempre fizemos o nosso toque e ele se sentou em forma de índio no chão, com Henry ao seu lado, fiz as devidas apresentações e contamos a Spencer sobre tudo, para ele aquilo era loucura ou apenas uma brincadeira.
— Me chamaram aqui pra contar histórias?
— Spencer não são histórias. — Falei com a voz mais fofa possível. — Acredita na gente por favor!
— Desculpa An mas é meio impossível.
— Deveria acreditar.
— Spenceeeer. — Falou Blair emburrada.
— Pois eu acredito. — Disse meu irmão sorrindo.
— Sua opinião não vale, mas agradecemos por acreditar. — Disse Nico aparentemente fazendo um toquinho com meu irmão. Odiei a intimidade.
— Spencer precisamos da sua ajuda! — Quase gritei. — Olha, vamos provar que tudo é real, amanhã mesmo vamos sair, passar uns dias fora, nossos pais não podem saber de jeito nenhum, distraia eles, diga que saímos para casa de alguém, sei lá, apenas invente e cuida do Henry tá bem?
— Tenho certeza que amanhã ainda estarão aqui, mas tudo bem, vou indo cansei de ouvir bobeiras. Blair vou avisar o papai que não vai dormir em casa hoje, certo? — Ela confirmou um tanto triste e o irmão dela saiu do quarto junto com o meu.
— Ele estava zombando de nós? Que droga! -Falei indignada.
— Eu sabia que isso ia acontecer, mas de qualquer forma, ele e o Henry não poderiam entrar no acampamento meio sangue, só no Júpiter, mas isso é meio impossível.. A não ser que...
— Ah não ser que..? — Incentivei.
— No acampamento Romano, que tá mais para uma cidade.. Vivem semideuses maiores de 18 onde podem seguir suas vidas, fazer faculdade, casar e ter filhos, ser normal entende? E no acampamento meio sangue não recebem maiores de 18 e menores de 7.
— E também não sabemos se eles são semideuses. — Pensou Blair.
— Nossos pais sabem, devíamos arriscar perguntar.. — Resmunguei — Isso tudo ainda parece surreal para mim..
— acho difícil falarem a verdade. — Opinou Nico — Você se acostuma com o tempo An.
— Ei, não rouba o apelido que eu dei a ela. — Blair chiou esboçando um sorriso. — Para que mãe ou pai perguntamos primeiro?
— Qual diria a verdade primeiro?
— O pai da Blair, eu acho. — Falei.
— Quer ligar para o seu pai, loirinha? — Perguntou Nico.
LOIRINHA?? QUAL É..
— An melhor você falar com a sua primeiro. — Ela disse apreensiva.
— Minha mãe nunca vai dizer a verdade, ela preza mais do que tudo a nossa família, se ela contar vai ficar estranho do que já está, mas podemos tentar.
Descemos as escadas até a sala, mamãe assistia alguma novela mexicana.
— Oi mamãe. — Disse dando um beijo estalado em sua bochecha. — Podemos conversar?
— Claro minha bonequinha.
Nico se apresentou a minha mãe e Blair à comprimentou, fomos até a cozinha onde mamãe nos deu leite e muffins cor de rosa.
— Sua fixação por rosa é assustadora. — Ouvi Nico dizer quando estávamos já ajeitados na mesa.
— Sobre o que quer falar filha? Só não me diz que está namorando..
Blair tentou não rir colocando a mão sobre a boca.
— Claro que não mãe! Eu só quero saber uma coisa sobre você. — Falei corando até os fios do cabelo. — Eu sou realmente sua filha? Digo, somos tão diferentes tanto aparência quanto na personalidade, e o papai? Você pode me contar sobre ele?
— Ora mas que pergunta! Lógico que é minha filha! Por que isso agora? Angel você nunca quis saber sobre teu pai, que curiosidade é essa do nada, aconteceu alguma coisa?
— Desculpa tia não queríamos dar essa intenção, é que estávamos falando sobre uma coisa e surgiu a dúvida, obrigada por responder. — Blair me salvou, sorrindo e dando um abraço na minha mãe.
Mamãe sentia tanta afeição por Blair que a tratava como um filha e Blair retribuía agindo como tal.
— Dona Marie seus Muffins são realmente incríveis, os melhores que já comi! — Nico elogiou subindo as escadas, mamãe sorriu e agradeceu.
— Eu não acredito que ela não me disse! — Bufei irritada.
— Ela vai dizer alguma hora, sei que estão surpresas com tudo isso, até mesmo eu estou, o acampamento nunca foi de mandar semideuses atrás de outros a menos que fosse extremamente necessário, e se eu estou aqui é porque é preciso.
— Vou tomar banho, amanhã resolvemos isso. — Falei entrando no closet e pegando algumas roupas.
— Eu também. — Disse Blair. — Vou no banheiro de baixo.
— Vou esperar vocês aqui.
Assim que terminei, coloquei minha camisola branca de seda, sequei os cabelos e sai do banheiro. Nico estava deitado na minha cama jogando algo no MEU celular, Blair ainda não havia saído do banho.
— Vai ter de jogar isso fora antes de sair daqui.
— Meu celular? Então semideuses não podem mesmo usar celular?
— Não, mas pode ser útil por enquanto.
— Quer tomar banho? — Perguntei me sentando ao seu lado, isso ainda era muito novo para mim, um garoto no meu quarto, dizendo que eu sou uma semideusa, me vendo depois do banho, enquanto minha melhor amiga, que também é uma semideusa deve estar pensando sobre como interrogar o pai dela amanhã.
— Sim. — Disse pegando sua mochila — que até aquele momento eu ainda não tinha notado — e entrando no banheiro.
* * *
Deitei — me ao lado de Blair que já havia dormido, dormiria-mos na minha cama de casal e Nico em um colchão ao lado.
A porta se abriu e Nico saiu vestido com roupas que eram o dobro de seu tamanho. — Sua mãe não se importa com um garoto aqui? Nem o seu padrasto?
— Mamãe já sofreu demais com homens, ela não se importa se eu trazer um garoto para o quarto com tanto que eu esteja feliz.
— Você entende que se seu pai é um Deus, foi por isso que ele a deixou, certo?
— Sim Nico.. — Bocejei alto e me deitei. — Meu padrasto chega de viagem amanhã cedo, então ele não vai te ver aqui hoje.
Ele acenou, e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, eu já havia caido no mundo dos sonhos.
Fale com o autor