Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????
2 Fuso de Espirito
Notas iniciais
Estávamos no jardim de Sônia. Ele ainda continuava extremamente florido, chegando a fazer doer meus olhos pela quantidade de cores vibrantes nas mais diversas flores que nos rodeavam. Eu estava atrás de uma arvore gorda, não sei dizer de que tipo por que eu simplesmente não sabia e não me importava. Ela estava lá também, como na maioria dos meus sonhos ultimamente. Por mais que eu tentasse bloqueá-la, eu sempre acabava em seus sonhos, o que era muito frustrante e dolorido.
Rose estava numa luta animada com- eca- Dimitri Belikov, seus cabelos longos e castanhos balançando entre seus ombros e rosto. O rubor pelo esforço da luta deixava sua pele brilhando, mas ela não parecia se importar. Deus, ela ficava tão linda naqueles jeans pretos! Na verdade ela ficava linda em qualquer roupa, o que era uma droga.
Mexi-me brevemente apenas pra trocar o apoio do pé, meu ombro sendo cutucado por escamas da arvore enquanto eu acendia mais um cigarro de menta e observava a felicidade do casal. Eu sentia tanta raiva dela. Sua forma de se mover, falar, rir e beijar o espetacular guardião Belikov me enojava. Como ela pode ter me enganado por tanto tempo? Como me deixei levar por aquelas palavras ilusórias de Rosemary Hathaway? Bufei soltando a fumaça no ar, que rapidamente foi carregada pelo vento quente.
Rose e seu príncipe então pararam de lutar e eu já sabia o que vinha a seguir, por que durante todos esses dois meses em que a observava tudo terminava igual. Os dois se deixavam levar um nos braços do outro, com beijos apaixonados e todo o resto. Bufei novamente, o que também já não era novidade e joguei o cigarro ainda fumegando pro canto. Seria hilário se algo acontecesse e atrapalhasse o casal não é mesmo? Uma chuva, ou mesmo um animal selvagem aparecendo e quebrando o clima. Sorri com o pensamento não percebendo o fogo aumentar ao meu lado num arbusto pequeno. O vento soprava forte e enquanto caminhava sem rumo por entre algumas arvores, tentava não olhar ou sequer pensar nos dois deitados ali, a 10 metros de mim, vivendo o amor tao desejado deles. Virei-me uma ultima vez antes de sair dali e acabar com aquela palhaçada quando escutei o grito esganiçado da pequena Dhamphir.
Ela estava rodeada pelo fogo, que cada vez mais aumentava em seu redor, formando um circulo alto de labaredas. Merda! Dimitri estava do lado de fora da roda de fogo olhando assustado e tentando de alguma forma a puxar pra fora, coisa que eu tinha certeza que não demoraria muito pra ela fazer por si própria. Me aproximei correndo exasperado, olhando ao redor procurando por algo que apagasse as labaredas altas e laranjas. O céu que antes era azul e sem nuvens e brilhava sob a luz de um sol que não me machucava, agora tinha sido substituído por grandes e negras nuvens pesadas. Elas vinham com pressa, nos cercando e trovoes ecoavam de minuto em minuto. Outro efeito de meu humor.
–Adrian!!- Rose gritou me olhando meio assustada e irritada- acabe logo com essa merda!
Eu parei sem saber o que fazer, olhando de um para o outro. Como eu paro isso? Cadê a maldita água desse lugar?
–Adrian!- ela choramingou em meio a um grito estrangulado e começou a tossir, inalando a fumaça cinza que nos rodeava.
–Eu... eu não sei como parar isso!- gritei em volta correndo ao seu redor e tremendo.
Eu vou mata-la!
Os sonhos de espirito eram reais, tão reais quanto um encontro corpo a corpo, e eu a estava queimando viva. Olhei pra ela que já não estava mais em pé e sim de joelhos e prestes a desmaiar, o fogo se aproximando cada vez mais de seu corpo. Entrei em desespero.
Rose não. Minha pequena dhamphir não!
Comecei a jogar terra por cima do fogo em uma tentativa falha de apaga-lo, seus suspiros cada vez mais sufocados e minha visão mais e mais borrada por causa da fumaça preta que agora cobria toda a cena. As flores a nossa volta começaram a murchar, suas pétalas antes vibrantes e coloridas agora negras e parcialmente secas, caindo aos poucos no chão. O vento tinha aumentado a velocidade e sua fúria consideravelmente, rodopiando ao nosso redor e fazendo uivos. Me concentrei em fazer as plantas ao nosso redor crescer e assim de alguma maneira apagar o fogo. Qualquer coisa que a tirasse dali!
As aulas com Lissa há muito já não progrediam, mas o pouco que sabia estava colocado em minhas forças nesse momento. Segundos sufocantes se passavam e nada acontecia, Rose já desmaiada no centro do circulo de fogo. Meus olhos marejavam pelo esforço e eu sentia minhas pernas vacilarem, não conseguindo entender por que não estava funcionando. Não percebi meus olhos estarem fechados com força ate que a gola do meu terno foi puxada pra cima, os olhos furiosos de Dimitri me encarando.
–ACABE LOGO COM ISSO!- ele gritou e então tudo se apagou e eu sentei ofegante em minha cama.
Meus cabelos pingavam suor, assim como o lençol e minha blusa estava encharcada. Passei as mãos pelos cabelos, a visão ainda turva e suspirei fundo antes de levantar. Fora apenas um sonho.
Me levantei e segui pra uma ducha fria e demorada, não sem antes virar duas doses de wiskye.
Fumei mais quatro cigarros enquanto me vestia ainda atordoado pelo o que acontecera mais cedo.
Eu precisava tomar o controle, isso não poderia acontecer novamente. Nunca fora assim, tão... assustador. Eu sempre conseguia voltar e tomar controle da situação, por menor que fosse. Um calafrio tomou meu corpo e eu desci as escadas, parando na cozinha e olhando ela vazia. Graças a Deus, eu não suportaria ter que ver a cara de minha mãe. Alias, não falo com ela desde que descobri que ela mantinha- talvez ate mantenha ainda- um caso com Ambrose, e foi uma (quase) responsável pela morte de tia Tatiana.
Dei um salto ao ouvir o estrondo da porta abrir e bater contra a parede . Olhei pra trás sendo pego por um direto de Rose. Aquilo fora real, tão real que cheguei a ver estrelas antes de me apoiar na bancada central de mármore da cozinha pra não cair no chão.
–Você está maluco Adrian? Colocar fogo em mim?- ela gritou partindo pra cima de mim novamente, estapeando minhas costas com tapas ardidos.
–Eu entendo que esteja magoado, agora jogar baixo assim? Eu sinceramente não esperava isso de você!- ela falou ofegando quando finalmente parou de me socar.
Meu maxilar doía, assim como meus braços e costas onde ela havia socado. Olhei serio pra ela, limpando o canto de minha boca que sangrava.
– Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer isso Rose? Acha que eu colocaria sua vida em risco por estar me sentindo... rejeitado?- falei sem pensar e totalmente indignado, meu coração mais uma vez sendo partido por ela. Ela estava suada, o que me fez pensar que ela correu ate aqui, e totalmente aterrorizada, mas isso não tirava sua beleza.
–Eu... ah... eu já não sei o que pensar Adrian.- ela falou cabisbaixa, brincando com a ponta da blusa q saía de dentro da calça.
–Você não fala mais comigo, apenas me ignora quando me vê e sai de fininho quando tento me aproximar... eu... eu sinto sua falta Adrian!- ela segurou o olhar em mim e eu me segurei pra não socá-la. Como ela dizia isso? Como ela era capaz de dizer que sentia minha falta e deitar praticamente todas as noites com o super/poderoso guardião Belikov? Bufei cruzando os braços, olhando-a com indiferença.
–Isso é algum tipo de brincadeira?
–O que?
– Isso tudo... Oh pequena dhamphir, você sente minha falta?- falo ironicamente com meio sorriso no rosto, mas o coração com o aperto característico de quando a via.
–Eu sinto Adrian...- ela falou se aproximando e eu recuei, deixando claro que não a queria por perto.
– Nós... Nós poderíamos ser amigos não é mesmo? Não precisamos acabar assim?- gargalhei a ouvindo falar. Amigos? Como ela ousa...
– Claro, por que não? Eu adoraria me tornar seu amigo pra você me iludir com palavras bonitas e promessas furadas Rose, seria uma honra!- falo sorrindo, mas logo fico serio a encarando. Me aproximo devagar sentindo seu cheiro característico de suor e sabão de coco.
–Adrian...
–Eu quero que saia da minha casa agora guardiã Hathaway. Vá procurar algum saco de pancadas que não seja meu coração!- falei serio olhando em seus olhos suplicantes.
–Adrian...
Suspirei fundo e apontei a porta. Ela abriu a boca pra falar algo novamente, mas eu neguei fazendo com que ela entendesse. Ela se virou com os ombros ligeiramente caídos e saiu fechando a porta atrás de si. Passei as mãos nos cabelos, frustrado e peguei o copo que estava ao meu lado na bancada, tacando-o contra a parede e vendo ele se estilhaçar em mil pedaços minúsculos e brilhantes. Peguei a garrafa de wiskye e bebi no gargalo, sentindo arder pela minha garganta e estomago enquanto descia. Voltei para o quarto
batendo a porta que não sei como ainda resistia em pé, e sentei de frente pra janela bebendo todo o restante do liquido enquanto observava a neve rasa cair. Merda, merda e merda!
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