Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????
4 Devo partir?
Notas iniciais
Três dias haviam se passado desde minha conversa com Lissa. Era difícil não pensar em sua proposta, porém toda vez que eu via Rose caminhando pelos corredores, jardins e salões da corte a ideia me parecia cada vez mais aceitável.
Livrar-me dela de uma vez, da dor de vê-la com Dimitri Belikov parecia ser a coisa certa a ser feita. Assim eu poderia voltar a ter o controle sobre minhas ações, o controle sobre o espírito novamente. Aquilo realmente estava me deixando maluco. Cá estava eu, na mesa de sempre, no bar de sempre, com o mesmo copo, ponderando minhas opções.
Pensar no futuro nunca foi comigo. Até por que eu tenho uma eternidade pra isso ainda. Mas continuar aqui não estava me levando a nada.
Tomei o ultimo gole da noite, que por incrível que pareça era o segundo copo de uísque, e me dirigi á saída. Era noite no mundo humano, por volta das onze calculo eu. O céu estava mais brilhante do que normalmente era, apesar de que fazia tempo que não parava pra admirá-lo.
—Lindo né!- ouvi uma voz rouca murmurar.
Eu não lembrava, de ter a conhecido antes, mas por suas roupas brancas e pretas sabia que era uma guardiã. Ela era bonita. Tinha traços fortes, mesmo com o maxilar travado e a postura durona, dava pra perceber que era sensível.
—Sim, muito. Fazia tempo que não parava pra vê-las, elas meio que se apagaram pra mim!- cruzo os braços fitando uma única estrela.
— Talvez seja ao contrário. Talvez, você tenha se apagado pra elas!- ela deu de ombros- Temos esse costume quando deixamos que os problemas tomem o controle da situação. Nós olhamos, mas paramos de ver!
A olhei intrigado. Aquilo não fazia sentido e ao mesmo tempo fazia. Sem perceber estava sorrindo, o que á muito tempo não fazia.
—Tem razão... Olhamos mas não vemos! Infelizmente estamos cercados de mentiras e pessoas que falam demais. Geralmente é inevitável fazer com que as estrelas brilhem novamente— suspiro fundo e a olho de canto, vendo que ela faz o mesmo enquanto seus cabelos balançam na brisa leve do começo da primavera.
—Só queria mais amigos! Mais sorrisos e mais amores, quem sabe. Apenas a verdade, e só.
—Qual o seu problema no momento?- por que ela estava sendo tão invasiva e de forma tão casual? E por que aquilo não estava me incomodando?
— Meu problema sou eu! Eu acho!—falo olhando pro chão dessa vez— Tenho o dom de me apegar ás pessoas que não se apegam a mim.
Depois de algum tempo de silencio não constrangedor, apesar de eu estar me sentindo exposto, ela disse que entendia e se retirou devagar. Não sabia quem ela era ou o que queria conversando comigo, porém estranhamente me senti bem em conversar com quem não conhecia.
Fiz meu caminho de volta para casa quando avistei minha mãe á cerca de cem metros conversando com Ambrose.
Aquela traidora! Como ela ainda tinha coragem de vê-lo mesmo depois de tudo que se passou? Como ela sorria dissimuladamente pra ele em plena luz do dia- bom, pelo menos em pleno horário de pico para os Morois? Senti meu sangue subir e minha postura ficar mais tensa vendo eles praticamente se pegarem com os olhos, no canto daquele prédio.
Olhei-os por algum tempo até que minha mãe por fim pegou sua mão, assim como uma adolescente apaixonada faz e a balançou. Só faltava ela dar pulinhos de euforia. Era o fim pra mim!
Segui a passos firmes para lá, furioso com o descaso de dona Daniela Ivashkov com o nome que carregávamos.
— Como ousa?- sibilei contra eles enquanto prendia Ambrose na parede.
—Adrian?- minha mãe falou assustada- o que faz aqui? O que pensa que vai fazer com ele?
— O que penso não Daniela, o que eu vou fazer com ele!- disse furioso encarando seus olhos com força. Sentia minhas juntas doerem, tamanha a força que fazia para segurar no colarinho de seu terno barato.
—Seu meretriz de sangue de uma figa. Eu me contive antes, mas agora não vou ter a mesma bondade!- percebi alguns galhos e trepadeiras se mexerem ao nosso redor e sorri.
Elas avançavam mais e mais, o olhar assombrado dele só me incentivava a continuar. Quando elas o pegaram pelo pé e começaram a se enrolar nele, fazendo ficar suspenso no ar e o soltei.
—Adrian, por favor, pare com isso!- mamãe agarrou meus braços, entretanto não a olhei. Sentia-me com um poder incrível o vendo impotente daquela maneira, me fazendo querer mais. Um ramo de trepadeira subiu lentamente até seu rosto, começando a cercá-lo assim como uma serpente pronta para o bote. Ela se enrolava e seus olhos ficavam arregalados de medo e por falta de ar.
O tempo todo eu sorria, alienado aos gritos abafados de minha mãe. Ambrose já começava a ficar roxo e prestes a perder a consciência quando senti algo me bater fortemente nos ombros, jogando meu corpo para o lado.
—O que é isso?- gritei pra que Jeanine Hathaway me soltasse. Ela prendia meus braços atrás das costas, mantendo meu corpo preso ao chão e o rosto afundado na grama.
—Adrian pare com isso logo... Ele está morrendo!
—Mas é isso que ele merece! Esse meretriz dos infernos!- sibilei tentando me levantar, em vão.
—É isso mesmo que quer Adrian? A morte de um inocente em suas mãos?- ela apertou mais meus braços me fazendo arfar de dor. Eu queria isso mesmo? Acalmei-me aos poucos percebendo o que eu estava fazendo.
Minha mãe me olhava aterrorizada de um canto, as mãos na boca tapando o choro. Ambrose estava caído na grama, tossindo em busca de ar. Meu Deus o que eu estava fazendo? Senti os braços de Jeanine vacilarem e aos poucos me soltarem. Levantei-me a tempo de ver os últimos galhos se afastarem rastejando e recebi o olhar furioso e amedrontado de todos ali. Suspirei fundo passando as mãos nos cabelos e sai dali o mais rápido que consegui com a cabeça girando a mil.
Entrei em casa batendo a porta e fui direto pra adega procurar algo forte pra beber. Que merda eu estava fazendo? E como tudo aquilo aconteceu tão rápido? Como me deixei dominar daquela forma? Apoiei a cabeça na estante de madeira do porão tentando entender tudo aquilo.
Eu era um perigo!
—Adrian- uma mão fria encostou-se a meu ombro, o que me fez pular.
Era ela. Minha mãe, Daniela Ivashikov e toda sua hipocrisia.
–Está tudo bem agora querido, já acabou!- ela tentou se aproximar, porém me afastei. Não queria nada dela. Nem seu falso carinho.
—Adrian, pode conversar?- sua voz era urgente, diria até assustada. Ela tinha medo de mim?
—Eu não quero falar com você!
—Por favor, não faça isso!- deu mais um passo em minha direção que eu rapidamente descontei voltando um pra trás. Seu queixo tremia ameaçando chorar, não me deixei levar por isso.
—Adrian querido, temos que conversar!
—Como posso falar com você se é uma traidora e tem medo de mim?
—Eu não tenho medo de você filho!
—Não minta pra mim, posso ver sua áurea!- gritei apontando pra ela que se encolheu de olhos arregalados. Eu podia sentir o poder começar a voltar, fervilhando pelas minhas veias. Não queria me descontrolar perto dela. Apesar de tudo ainda era minha mãe e não sabia onde poderia chegar se me deixasse levar pelas sombras novamente.
—Eu preciso ir!- disse por fim, dando uma ultima olhada pra ela e saindo dali. Só havia um lugar onde poderia estar e resolver isso de uma vez por todas.
—Aceito sua oferta... Quero partir!
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