Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????
6 Como pode não mais valer a pena os próprios sentimentos?
Notas iniciais
—Não vai se despedir Adrian? — A voz suave de Rose ecoou.
Olhei impassível, já não me importando mais com tudo a minha volta. Eu tinha um ódio mortal de mim por deixá-la ainda mexer comigo.
—E por que deveria?
—É serio isso? Nós não vamos mais conversar como duas pessoas normais mesmo? — Magoada ela passou as mãos no cabelo que ricocheteavam no vento.
—Nós não somos normais minha cara- sorri irônico — Eu sou um moroi. Um ser místico para os humanos, onde me alimento de seu sangue, uso capa, esconder-me nas sombras e transformar-me em morcego, é como vivemos! — Revirei os olhos — Já você é só mais uma prole da mistura de minha raça com a deles. Não somos normais, nunca fomos e não é agora que seremos. Ou prefere que vivamos outra mentira? — Virei à cabeça de lado, arqueando a sobrancelha enquanto ela me olhava com lágrimas nos olhos.
Rosemary Hathaway iria chorar na minha frente, por culpa minha. Sorri em satisfação. Pelo menos agora eu não era o único magoado.
—Não era uma mentira Adrian. Enquanto estivemos juntos foi real! — Revirei os olhos de novo cruzando os braços. Já estava cansado daquela ladainha de sempre.
—Ok Rose. Adoraria ficar aqui discutindo nossa inexistente relação, mas realmente tenho coisa melhor para fazer. Preciso ir, cansei daqui e de todos!- coloquei um pé pra dentro do carro sentindo a leve brisa trazer o seu cheiro até mim. Fechei os olhos por alguns segundos, me controlando.
—Eu até diria que foi um prazer te conhecer, no entanto, não sou muito fã de mentiras então... Passar bem guardiã Hathaway. Cuide-se!- acenei levemente vendo-a abrir a boca pra pronunciar algo, mas se calando em seguida. Ao longe vi uma cabeça de cabelos loiros esvoaçantes se aproximar. Ela sorria ternamente pra mim, que retribui com certo aperto no peito.
—Vai sair Adrian?
—Oi princesa- sorri abrindo os braços pra um abraço caloroso. — É, estou saindo Jill.
—E aonde vai?- engoli em seco.
Talvez Jill Mastrano Dragomir fosse a única coisa á qual eu realmente sentiria falta. Seus grandes olhos me olhavam esperançosamente e sorri fraco em volta. Não queria falar na frente de Rose que nos olhava com pesar, então a puxei mais perto do carro, longe dos ouvidos da guardiã.
—Estou indo em uma viagem longa Jill, uma viagem que não sei se haverá volta.
—Por quê?- seus olhos brilhavam ameaçando deixar algumas lágrimas rolarem. Apertei gentilmente seus ombros enquanto respondia:
—Por que eu preciso. Mas não se preocupe, sempre estarei de olho em você. – Pisquei sorrindo. — Eu preciso partir agora. Prometa-me que ficará bem e se cuidará.
Ela assentiu concordando e me abraçou novamente. Sentiria falta dela e realmente espero que ela fique bem. Dei-lhe o último beijo na testa e entrei no carro que rugiu ao ser ligado. Parti rapidamente dali e nenhum dos guardiões me olhou, apesar de eu esperar isso dá certa forma.
Não me atrevi a olhar pra trás. Eu tinha acabado de deixar meu passado todo ali. Sabia que elas estavam paradas lá, como naquelas cenas de filmes hollywoodianos, me olhando partir pra nunca mais voltar.
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Seguimos em uma viagem calma por mais meia hora até o aeroporto particular da corte. Agradeci mentalmente por meus guardiões não terem se pronunciado durante o caminho. Precisava daquele tempo a sós, apesar de um olhar de compreensão ser o que eu esperava.
O piloto era um velho- velho mesmo- conhecido meu. Acenei quando ele cumprimentou e me joguei na poltrona em seguida. Tudo aquilo tinha sido exaustivo demais.
Á minha espera já estava um copo de uísque e um maço de cigarros. Olhei em volta estranhando o presente, mas ninguém parecia suspeito. Dei de ombros e tomei tudo num gole só.
—Hum hum- ouvi alguém pigarrear mais atrás. Por cima do ombro vi Isaac.
—Senhor, temos uma sala preparada para sua alimentação. Quando for de seu desejo, ela estará á disposição- falou com asco na voz. Agradeci seguindo para lá.
Fazia dias que não me alimentava direito, tendo apenas o álcool como amigo. Tive que me controlar pra não acabar com a vida daquela pobre garota, tamanha a sede. Em nossa próxima escala teríamos que providenciar mais algumas pra viagem, já que esta seria longa.
Voltei ao meu assento reclinável de couro bege e me deixei relaxar. Agora a ficha começava a realmente cair. Eu Havia abandonado tudo. Meus pais, Lissa, Jill, Mia, Rose. Finalmente tinha tomado alguma decisão em minha vida.
Estava na hora de fazer algo por mim. Chega de ficar sempre á sombra de todos. Acabei por adormecer ali, o copo abandonado sob meu peito.
Já não estava mais no avião ou mesmo na corte. Era um lugar desconhecido agora.
O vento soprava forte e o chão sob meus pés era escuro e duro, como uma rocha. O cheiro de enxofre invadia o ar e a paisagem não melhorava muito em seu estender. Eu Estava na boca de um vulcão que borbulhava incansavelmente á ponto de quase explodir ali ao meu lado. Mas por que diabos eu estava ali? Minha echarpe verde voou e quando me inclinei para pegá-la uma mão foi mais rápida.
Era eu.
Fiquei atônito me olhando. Eu sorria para mim mesmo, enquanto esticava a echarpe. Era um sorriso debochado, que de certa forma me assustou. Peguei com receio o que ele me oferecia e a coloquei no lugar. Sua postura impecável me olhava esperando.
Esperando pelo que exatamente?
—Quem... Não, o que é você?
—Eu sou você!
—Sim eu sei, mas... — eu não sabia como elaborar uma pergunta decente. O que eu deveria perguntar exatamente? Suas feições mudaram de repente, deixando com ar mais sombrio. Seu sorriso irônico ainda estava ali, porém o resto não.
Eu tinha olhos esbugalhados e grandes olheiras, meu rosto estava mais pálido que o normal e o corpo mais magro. Uma bolha de lava estourou ao nosso lado me fazendo saltar.
—O que significa isso? Quem é você?
—Eu sou você!
—Não, não é!- protestei.
—Sim sou. Sou você amanha!
Neguei firmemente. Aquilo era loucura, não é mesmo? Eu não poderia estar daquele jeito, não mesmo! Eu parecia tão consumido, tão cansado. Olhando a nossa volta de repente entendi. Nós estávamos dentro de mim, um lugar de estrutura questionável, insólita, á ponto de explodir. Eu era aquele ser consumido pelas sombras.
Acordei num salto, ouvindo meu próprio coração bater forte em meus ouvidos. Minha respiração era instável e eu tremia. Serena me olhava preocupada sentada na ponta de minha cadeira reclinável.
—Está tudo bem senhor, é apenas uma tribulação. — sua mão pousava delicadamente sob minha perna, lançando formigamentos por toda ela. Então não era eu que tremia, era o avião. Suspirei passando as mãos no cabelo enquanto me ajeitava no assento.
Serena se levantou e foi se sentar no banco ao lado, apertando firme o cinto.
—O piloto avisou que faremos escala em Frankfurt em meia hora por causa do temporal que se aproxima.
Olhei pela janela e vi as negras nuvens relampearem ao nosso redor. Suspirei fundo novamente, estranhamente cansado. A guardiã olhava pra frente e suas mãos apertavam as laterais do assento, deixando brancas as articulações.
—Tem medo de altura?
—Não!- respondeu ela tremulamente, fechando os olhos em seguida durante um pequeno salto da aeronave. Sorri negando.
—Está tudo bem, é apenas uma tribulação!- repeti sua fala a fazendo rir nasalmente. — Onde estão os outros?
—Jantando. Se o senhor quiser posso ir chamá-los!
—Não, tudo bem. – falei vendo-a pular mais uma vez. Levantei e fui sentar-me ao seu lado, pegando uma de suas mãos e a apertando forte. Intrigada e surpresa ela olhou nossas mãos, mas não afastou-se.
—Pode apertar minha mão se sentir medo, eu não me importo com a dor. Não mais!- sorri sincero pra ela que continuava a me olhar surpresa. Sua mão era quente e macia, e o cheiro de baunilha vindo de seus cabelos enchia o ar. Passamos um tempo assim, enquanto ela se acalmava assim como a tempestade. Nenhum dos dois falava, entretanto isso não era algo ruim.
—Porque não mais?- ela quebrou o silêncio.
—O que?
—Por que não se importa mais com a dor?- Serena me olhou intrigada.
Dei de ombros fitando o painel branco á nossa frente antes de falar:
—Não vale mais a pena.
—Como pode não valer mais a pena os próprios sentimentos?
Antes que eu pudesse responder o alto falante soou anunciando nossa decida na pista do aeroporto. Serena largou minha mão e passou a olhar pela janela enquanto as luzes da cidade brilhavam através dela. Era provavelmente duas da manhã de um sábado, o que fazia da cidade um ótimo lugar para se “perder”.
E foi o que decidi fazer assim que o piloto falou da possível demora em cuidados e o abastecimento da aeronave. Segui com os três em meu encalço pra uma badalada boate da cidade, que como esperado estava lotada.
A música alta e as luzes holoblásticas rodopiavam ao redor, ressaltando os corpos suados das pessoas que dançavam ali. Eu estava casualmente vestido assim como fiz meus guardiões. Não era um humano normal, mas não custava tentar imitar um.
—Misturem-se!- falei aos guardiões enquanto pegava a primeira bebida da noite. – Podem ficar no perímetro, mas ajam como pessoas normais. Ou pelo menos tentem!
Dei de ombros saindo dali deixando três guardiões ansiosos olhando ao redor. Misturei-me a multidão que se esfregava ao som de uma batida forte e envolvente, gritando por vezes pra conseguir se comunicar. Eu ria dessas distrações deles, pegando um atrás do outro, os drinks oferecidos.
Umas duas horas já tinha passado e tudo ao meu redor começava a rodar levemente, me trazendo a já conhecida sensação de dormência. Álcool!
—Ah me desculpe!- uma moça de cachos ruivos falou ao esbarrar em mim.
Ela estava vestida com um vestido preto curto de muito brilho, deixando á mostra grossas coxas com o começo de uma tatuagem na lateral.
—Muito prazer, sou Lana!- ela estendeu a mão sorrindo. Sorri em volta percebendo que aquilo seria com toda certeza um prazer.
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