Academia de Coordenadores e Treinadores Pokémon
3 Capítulo 3
Notas iniciais
5:40h da manhã, Pretty View City.
*SOM DE ALARME*
"ACORDA!! DESLIGA ESSA MERDA DE DESPERTADOR!"
"JÁ ACORDEI, NÃO GRITA!"
"VOCÊ QUE TÁ GRITANDO, ESTRUPÍCIO!"
"NÓS DOIS ESTAMOS GRITANDO!"
"ENTÃO PÁRA!"
"Tá."
"Ai, que dor de cabeça! Mas hoje tem aula e meu pai não vai deixar eu faltar. Droga!" — Disse, me levantando da cama.
Eu tenho sono pesado, enquanto que meu pai tem sono leve e seu quarto é ao lado do meu, então minha rotina de estudante é o terror das manhãs dele. Depois de uma troca de "gentilezas" para começar o dia, pego uma muda de roupa, minha toalha, escova de dentes e vou tomar banho. Quando termino de me arrumar, desço para tomar café sozinho. Meus pais são divorciados, sendo que moro com meu pai, que só acorda lá para às 8:30h. Após lavar as vasilhas, pego a mochila, que já deixo no canto da sala, e vou para a escola.
Eu estou no primeiro ano do ensino médio de uma escola especial no centro da cidade. Minha casa fica bem longe, por isso, eu vou de bicicleta até o metrô, onde eu percorro cinco estações, e pedalo mais alguns quarteirões. E é no metrô que eu encontro todo dia o meu melhor amigo, Max. Chegando na estação, Max me cumprimenta entusiasmado:
"Fala, Rick! Animado pra escolher seu inicial?"
"Ah é! É hoje que ia rolar isso... E pensar que eu ia faltar justo hoje pela dor de cabeça."
"Ainda bem que você não faltou! Já estamos na segunda semana." — Max complementa.
"É..." — Que sono, eu penso.
Há um bom tempo atrás, as escolas passaram a entregar pokémons iniciais para os alunos que entram no ensino médio, usando o período do fundamental para preparar os futuros treinadores com todo o conhecimento necessário. Eu sei que meu pai recebeu o pokémon dele, um Magnemite (que agora já está evoluído em Magneton), bem como minha mãe (com um Vulpix, já evoluído atualmente), mas meus avós não receberam, eles só adquiriram um quando já adultos. Esse programa não existia ainda na geração deles, nem sequer as Academias existiam. Sim, Academias. A corporação que encabeçou a pesquisa e desenvolvimento dos pokémons, a Silph Corp., abriu academias voltadas para o ensino e estudo dessas criaturas, à medida em que fazia acordos com os governos para integrá-las em todo o mundo. Porém, antes disso, tudo o que se relacionava aos pokémons passou a ser disputado pelos criadores dos jogos e pela corporação, até que a ex-Rocket Corp. assimilou as empresas e funcionários da franquia Pokémon, tornando-os contratados e se rebatizando de Silph Corp. Já fazem 44 anos desde o incidente que criou o primeiro Pokémon, um Ditto, através do qual os cientistas obtiveram o DNA das demais criaturas. Agora, boa parte das espécies de Pokémon estão vivendo na natureza, coexistindo até certo ponto com os animais comuns.
Chegando na academia, as aulas começam normalmente. No primeiro horário, temos Biologia Pokémon com a professora Redwood, que retoma o assunto da nossa primeira aula: a biologia dos pokémons de Pedra.
"Bom dia alunos, espero que não estejam sonolentos demais para a nossa aula. Recapitulando o tema da aula passada, estávamos discutindo sobre a natureza dos pokémons do tipo Pedra." — O entusiasmo comovente da professora mal afeta os alunos, até que, com um movimento rápido, ela retira uma pokébola da bolsa em sua mesa. Os poucos alunos que prestavam atenção, eu incluso, ficam na expectativa, alertando os demais. A professora aperta o botão central e uma luz disforme sai da pokébola e vai tomando a forma de uma esfera com dois braços, se consolidando em um Geodude em segundos. O nível de atenção muda completamente e a professora sorri, satisfeita.
"Pronto, pronto. Assim é beeem melhor!" — Ela aponta para o pokémon e diz — "Este aqui é um Geodude que peguei emprestado do departamento de Educação Física. Voltando à nossa aula, estávamos vendo as teorias iniciais sobre a composição dos pokémons de Pedra. Os cientistas acreditavam que eles se tratavam de organismos baseados em silício, o outro elemento tão estável quanto o carbono para formar estruturas complexas, porém viram que são formados de carbono, como nós. O pulo do Meowth é que a quantidade e organização do carbono neles é totalmente diferente! Hahaha!"
"Cara, ela não tá pegando leve..." — Eu escuto um colega sussurrar para outro, atrás de mim.
Max aproveita meu momento de distração e pergunta baixo: "Rick, qual vai ser o seu inicial?"
"Não sei quais estarão disponíveis, mas quero um Litten ou um Mudkip." — Respondo.
"Nós temos que ser os primeiros a sair daqui. Tem cinco turmas no primeiro ano, cada uma com 30 alunos, cara..." — Sua voz me parece aflita, apesar do tom baixo — "Não quero pegar um pokémon bosta."
"Na real, o pokémon depende do treinador para ser bom ou ruim. Mesmo um Magikarp, se for bem treinado, vira um Gyarados." — Eu tento tranquilizá-lo, o que parece funcionar um pouco.
A aula vai passando e, faltando dez minutos para o intervalo, a voz do diretor ecoa pelos alto-falantes:
"ATENÇÃO TODOS OS ALUNOS. COMPAREÇAM ÀS QUADRAS ESPORTIVAS PARA A ENTREGA DO SEU POKÉMON INICIAL."
Finalmente, pensei. Todos estão agitados com isso, inclusive eu, apesar de estar com muito sono. Passei a noite em claro pensando na escolha que faria, até reduzir as alternativas para duas: Litten, o gato de fogo ou Mudkip, o anfíbio de lama. Seguimos para as quadras e nos deparamos com uma fila enorme. Sem hesitar, entramos na fila para a entrega, sendo os primeiros da minha turma Max e eu. Contando por alto, eu diria que as quatro turmas chegaram antes da nossa.
"Droga, eu te disse! Devíamos ter pedido para ir no banheiro antes do aviso..." — Reclama Max, decepcionado.
"Se isso te fizer se sentir melhor, pode ir primeiro." — Eu digo ao meu amigo — "Se eu não puder pegar os que escolhi, já tenho algumas escolhas alternativas em mente."
"Sério?! Valeu mesmo, apesar de achar que não vai adiantar muito."
Nos inclinamos para ver melhor. As pessoas escolhiam Charmander, Bulbasaur, Pikachu, Froakie, Litten, etc. Após meia hora mais ou menos, as pessoas que saíam da fila escolhiam pokémons diferentes: Ralts, Oddish, Sandile, Bounsweet, etc.
"Vixi, acabaram os iniciais!" — Max parecia desesperado — "Cara, já era! Sem chance de sobrar um Charmander."
Ainda faltam três pessoas até a vez dele. A espera nos mata de ansiedade, mas finalmente chega a nossa vez.
"Eu quero o Charmander!" — Max pede, quase que implorando.
"Você deu sorte, hein rapaz! É o último." — A senhorita do estande montado na quadra responde o desespero de Max com um sorriso e se abaixa para pegar uma maleta cinza-escuro. Em seguida, seleciona uma das pokébolas na estante atrás de si, com uma marca laranja na forma de uma chama, na prateleira identificada como "GEN 1". Com isso, aquela estante se torna completamente vazia. Após guardar a pokébola dentro da maleta e passá-la para o Max, ela acena para mim com a cabeça — "Próximo."
"Bom dia, ainda tem algum Litten ou Mudkip?" — Pergunto com certa expectativa.
"Ah, que pena! O último já foi-se há algum tempo... Temos outros pokémons, tipo: Pidgey, Poochyena, Grubbin, Croagunk, Zuba-"
"Você disse 'Croagunk'?" — Eu a interrompo, instintivamente.
"Ah, sim. Você quer ele?"
"Quero sim, obrigado!" — Minha empolgação não era à toa. Croagunk é um dos meus pokémons favoritos desde a infância, sendo que eu sou um consumidor assíduo de produtos da franquia Pokémon e meu jogo favorito é o Pokémon Platinum, onde não importando quantas vezes eu jogasse, eu sempre teria um Croagunk no time.
"Aqui está" — Disse a senhorita, entregando a mesma maleta cinza-escuro.
"Poxa Rick, sinto muito! Eu não sabia que o Charmander era o último inicial que tinham..." — Max parece chateado com seu sucesso.
"Tá tudo bem, afinal, fiquei com o Croagunk. Ele é excelente!"
"Hmm... Sério?" — Ele pergunta, meio cético.
"É. Bora tentar uma batalha, só pra ver?"
"Claro!"
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