Notas iniciais
Aqui vamos com a segunda adaptação.

"Meu Deus..."

Takeshi vê algo se movendo lentamente atrás da fumaça provocada pela explosão. O corpo de Seiji jaz no chão, coberto pelo jaleco de Akira, que olha espantado em direção à fumaça.

"O-o que é a-aquilo, Takeshi?"

Dando um passo em direção à fumaça, Takeshi responde — "Não sei... mas acho que está vivo."

"Cuidado..." — Akira alerta, inconscientemente se afastando.

Takeshi segue em frente. A fumaça não o deixa ver nada além de uma silhueta borrada e ondulada, como uma massa disforme. Ele tem uma ideia e ruma até a mesa de trabalho para pegar o controle do ar condicionado.

"Akira, abra a porta." — Diz, já com o controle em mãos.

Akira olha sem entender para o subordinado, que aponta para o controle que segura e para a fumaça, logo em seguida. O supervisor entende e, assim que abre a porta, Takeshi liga o ar condicionado e a fumaça começa a se dissipar aos poucos. Ele começa a ver melhor — a coisa tem a forma de uma ameba e é roxa... Não, rosa. De repente, a coisa vira-se para ele e... Sorri! Sim, aquilo sorri e ele se assusta, mas sente que não oferece perigo. Ele toma a coisa nos braços com muito cuidado e a contempla por alguns segundos, até que Akira chega ao seu lado e se espanta, mas não fala nada. Eles permanecem calados por um tempo, enquanto a coisa olha, tentando entender o silêncio.

"O que faremos com isso?" — Akira questiona, porém Takeshi nada diz.

"O que houve aqui?" — Uma voz ofegante vem da porta do laboratório. Um segurança com uma expressão que mistura espanto e cansaço espera pela resposta dos cientistas. Eles não repararam que o alarme havia disparado, em parte pois Takeshi está perdido nos acontecimentos e na criatura em seus braços, enquanto que Akira teve um dos tímpanos rompidos pela explosão.

"Eu chamei os bombeiros..." — O segurança tenta tranquilizar ambos, até que repara no corpo coberto de Seiji — "Ele está m-morto?"

"Está..." — Diz Takeshi, em um tom seco.

O segurança continua: "Mas... E então, o que houve?"

"Estávamos no meio de..." — Akira começa porém é cortado pelo colega.

"O painel explodiu... Akira, vamos continuar a pesquisa no outro laboratório, por enquanto. Com os acontecimentos de hoje, mais da metade da pesquisa já está concluída."

O supervisor tenta se impor, com dificuldade por ter perdido parte da audição: "Mas e o Seiji..."

"São 4:00 da manhã!!! A família dele está dormindo agora! Nosso centro fica nas montanhas e demora três horas até a ambulância chegar. Até amanhecer, a gente faz os exames necessários. "

"Entendi..." — Ele precisa ocupar a cabeça com algo... e eu também, Akira pensa.

Com esse grito de Takeshi, o assunto se dá por encerrado e levam o corpo de Seiji para um freezer, para preservá-lo até o amanhecer. Ambos levam a criatura para outro laboratório para examiná-la.

—--------------------Quebra de tempo----------------------

"Esse ser é incrível... Possui um DNA altamente instável, parece até que ele se reconfigura a cada segundo. Como isso é possível?" — Diz um Akira abatido, porém surpreso.

"Não sei... mas eu tenho a sensação de já ter visto esse ser..." — O outro diz coçando a cabeça, confuso. — "Ele me lembra de algo sobre o meu filho."

Akira olha para a criatura sob a luz da bancada e diz, pensativo: "Ele me lembra TV..."

"Quê?! TV... Ah! Eu já vi 'ele'!" — Diz Takeshi, lembrando-se de um dos vários momentos em casa, onde via seu filho entretido com a TV.

"Quando?! Onde?"

"Isso é um Pokémon! Meu filho é fã de Pokémon, e me pedia para assistir Pokémon com ele durante o almoço. E esse Pokémon já apareceu em um dos episódios... um Ditto, se não me engano."

Confuso com a possibilidade, seu colega pergunta: "Bom, mesmo que você esteja certo... Como 'isso' é possível?"

"Hmm... de fato. Nosso experimento visava criar uma nova espécie bombardeando uma massa orgânica com os íons comuns à teoria da "Sopa Primordial", mas as chances de criar exatamente um Pokémon são infinitamente nulas... a não ser que... O cartão!!"

Dizendo isso, Takeshi sai correndo em direção ao laboratório avariado, e Akira o segue sem entender nada. Cobrindo o braço com o jaleco e enfiando a mão na máquina ainda fumegante, ele busca pelo objeto perdido mais cedo.

"Onde está? Cadê?"

Vasculhando todos os cantos até que sentir algo pequeno, chato, quadrado e morno, ele retira o objeto: um cartão quadrangular carbonizado, metade do tamanho de um cartão de crédito.

"Achei!" – Disse Takeshi, mostrando o objeto para Akira.

"Um cartão fumegante, o que isso tem a ver? Não, não... 'Aquele' cartão que você havia perdido! Seiji morreu, temos um "Pokémon" no laboratório e você está preocupado com um cartão de videogame todo ferrado!!!

"Você quer uma explicação, assim como eu, mas tudo o que consigo pensar é que o cartão caiu dentro da máquina antes de irmos tomar café e, quando a ligamos, os dados do jogo podem ter interferido nos dados da máquina e sobrecarregado o painel."

"Não consigo pensar em nada melhor..." — Diz Akira, frustrado.

Takeshi olha em seu relógio e avisa com certa melancolia: "São 6:58 da manhã... Está quase na hora."

Compartilhando do humor do colega, o supervisor constata: "Hoje é domingo, esqueceu... Nós é que estávamos fazendo hora extra. A Kato só deve se levantar lá para as 9:00h."

"Temos em torno de duas horas, então vamos terminar logo." — Com os dizeres de Takeshi, seguiram com a análise, aproveitando para pesquisar sobre a criatura na internet. Perto de concluírem a bateria de exames, a ambulância chega ao centro de pesquisa para levar o corpo de Seiji. O enterro se dá no dia seguinte às 10:00h, organizado e custeado pela empresa que contratou os pesquisadores, a Rocket Corp. Kato, a mulher de Seiji, não parou de chorar, enquanto abraçava seu filho. Após o enterro, Takeshi e Akira vão falar com ela.

"Kato, nós sentimos muito. Estamos todos arrasados com a morte del..."

Takeshi interrompe Akira sem hesitar: "Nós criamos algo ontem à noite, Seiji fez parte disso e precisamos que saiba que ele não morreu em vão."

Kato, confusa, enxuga as lágrimas e pergunta: "O quê? Como assim? Meu marido nunca me falava nada do trabalho."

"Nós também não podemos falar muito, assinamos um termo, mas saiba que vamos terminar essa pesquisa! Por ele!" — Dizendo isso, Takeshi faz uma reverência em respeito à viúva. Sua voz, naquele momento, dava à Kato a sensação de confiança e revolta.

Sem saber muito o que dizer, ela apenas agradece, com certa angústia.

"Obrigada..."

Notas finais
Os capítulos 1 e 2 foram a introdução à história, o 3 será o oficial...