Academia de Alquimistas
8 Capítulo 8 - ASS
Notas iniciais
POV's Bottany
Nós atracamos na pequena ilha formada pela árvore/academia, mas não consegui perceber se havia “terra firme” nessa ilha
“Não há terra, isso em que estamos pisando são raízes”
Obrigada por me lembrar que consegue ler minha mente
“De nada!”
Fazia um tempo que ele não falava diretamente comigo pela minha mente, eu já estava me acostumando com ele como uma “pessoa”.
A estrutura era realmente diferente das outas, ela era muito mais velha, dava pra perceber pela aparência da árvore, mas também haviam várias janelas, além de sacadas em vários andares, espalhadas de uma forma dinâmica e elegante.
— Sejam bem vindos viajantes! – Falou uma voz vindo da porta, esta que se abriu e mostrou uma linda mulher com vestido longo claro e um cabelo curto em um estilo Black Power que ficou incrivelmente bem nela – Bem vindos à Academia de Seres Sobrenaturais!
— Sigla, “ASS” – Brincou Michael
— É, acho que fui eu que criei mesmo – Falei rindo
“Você era criativa”
Finalmente disse algo positivo sobre mim, mesmo que não em voz alta
“Eu disse ERA, no passado”
Charles soltou um risinho, o que me fez olhar para o outro lado afim de ignora-lo, então voltei minha atenção para a Senhora na porta.
— Vocês vieram visitar ou entrar para estudar? – perguntou ela
— Eu os trouxe para estudar – disse Charles
— E você é....
— Me chamo Charles, Senhorita – falou agora com sotaque britânico enquanto beijava delicadamente a mão dela.
— En-encantada – ela disse sem jeito
— Bom! – disse apontando para nós – essa é Bottany, e esses são...
— Eu os conheço... – Suspirou a Moça – Eles conseguiram 5 pedidos de expulsão por parte dos professores em apenas dois dias...
— Nossa, Aron tinha razão... – Charles falou surpreso
— Foram 5? Achei que tivessem sido 7! – Comentou Kevin
— Teoricamente, o inspetor e a tia da cantina não são professores – explicou Michael calmamente
— Sério? – Falei surpresa – essa escola está ficando divertida
— Para nós sim – Concordaram os dois rindo
— Por tais razões, eu não acho que deva aceita... – A senhorita começou a falar, mas teve os lábios tampados pelos dedos de Charles, claro, da maneira mais delicada possível.
— Eles estão cuidando da minha pequena princesa... – Sussurrou perto do ouvido dela – Eles estão dentro.
— Tu-tudo bem... – Gaguejou a Mulher, que estava vermelha igual um camarão – Si-sigam me até os dormitórios...
Nós seguimos a Moça facilmente manipulada, que segundo Michael e Kevin é a vice diretora, mas que estava super parecida com uma guia turística.
Ela indicava a maioria das portas que eram importantes, explicava sobre como funcionava o refeitório e o toque de recolher, além de como obter nosso material de estudo.
— Agora, neste corredor temos o dormitório feminino, e naquele o masculino, vocês...
— Com licença senhorita – Cortou Charles rapidamente – Mas por questões de segurança, acho mais recomendável que ela durma perto do quarto deles...
— Ora, nada disso! É contra as normas e, além do mais, a escola é totalmente segura! – argumentou a guia
— Acho que não me entendeu... – Charles se aproximou dela – Eu sei que existem dois quartos separados do dormitório, um quarto em dupla, para eles, e um sozinho, para a senhorita.
— Como você... – Começou a moça – Aqueles quartos são para ocasiões especiais, não para alunos quaisquer!
— Essa é uma ocasião especial! – Relatou Charles – Afinal, A Flor Venenosa que uma vez murchou, está pronta para desabrochar novamente.
— O que isso significa?
— Significa que a Rainha finalmente voltou para seu Reino – Disse uma Senhora que apareceu no corredor – E ela deseja seu trono de volta.
— Diretora! – Gritou a outra
— Diretora? – Perguntei surpresa, afinal ela parecia mais nova que a vice-diretora.
— Vanessa! – Exclamou Charles abrindo os braços para abraça-la – Como você cresceu!
— Charles, que saudade... Mas diga, por que resolveu voltar aqui depois de tanto tempo?
— Ah... A pirralha se envolveu com magia – Suspirou cansado – E dessa vez foi de uma forma perigosa...
— Oh! Então a horda de Demônios avistada nas redondezas estavam atrás dela?
— É, ela vai ter que aprender a lutar de verdade... E quem melhor para ensina-la do que você? Afinal, ela te passou tudo... Ah, eles são os guardas costas.
— Dois Comissários? Nessa Escola?
— Foram eles que salvaram ela... E eles mantém contato com o Aron...
— Hu, guardas costas ou umas desculpas?
— Então o resto fica com você Vanessa! – Charles mudou de assunto, logo se virando para nós – Você, mente aberta, vocês dois, espada à alerta.
Onde você vai?
"Eu também canso sabia"
Mas...
“Qualquer coisa me chama ok”
— Bye Bye! – disse antes de desaparecer no ar.
A diretora, Vanessa, nos olhou com calma dessa vez, e parecia interessada e curiosa sobre mim, já com os meninos, bom, pelo visto eles já se conheciam.
Com um sinal de dispensa para vice-diretora, ela ordenou que marcasse um hora com o alfaiate, para amanhar pegar nossos uniformes.
Nós a seguimos quietos até o local, que estava em um outro corredor, separado do dormitório, assim como Charles disse.
— Este era o quarto utilizado por Charles e Aron – disse apontando para a porta à esquerda – E este pela sua outra encarnação... – Falou olhando para mim e apontando para a porta à direita.
— Espera, aqueles dois trabalhavam juntos? – questionou Kevin
— Da melhor forma possível – falou a diretora
Os meninos abriram o quarto deles, revelando um espaço amplo, mobilhado com duas camas, dois guarda-roupas, dois criados mudos, luminárias, uma estante com livros, uma mesa para quatro e um banheiro ao lado, além de uma porta para a sacada situada entre as duas camas. Tudo em um estilo rustico e elegante.
— Uou! – Exclamou Kevin – Olha! Temos uma sacada!
— Sintam-se à vontade, enquanto isso eu conversarei com Bottany em seus aposentos, e a sós. – disse antes que eles se movessem para perto.
O meu quarto seguia o mesmo modelo rustico do deles, mas com uma cama só, apesar de grande, um guarda-roupas exagerado e uma luminária, não havia criado mudo, nem mesa, ao invés disso havia um sofá e uma poltrona com uma mesa de centro em frente à minha cama, além de uma bancada com coisas de prataria em cima.
Também havia uma sacada, na parede direita do quarto, e estava na mesma direção da dos meninos, e bem próxima também.
— Então criança... – começou Vanessa sentando no sofá – Conte-me sobre o que aconteceu e o que você sabe...
Aquilo foi estranho, mas poder desabafar depois de tanto, foi a melhor coisa que aconteceu, então eu contei, contei desde o meu dia perfeito que foi uma merda até Charles seduzindo a Vice-diretora.
Eu contei como não entendia nem metade do que estava acontecendo, principalmente o fato do Ancião, que deveria me dar respostas, queria me matar, ou o fato de tudo ter ligação com vidas passadas, das quais eu não tenho memória.
— Não se preocupe – Falou me acalmando – A partir de amanhã vocês começarão a entender as coisas, e aos poucos, tudo se tornará mais claro – disse abrindo a porta – Ah! Se acontecer alguma coisa, há uma linha direta para o quarto dos seus amigos – Ela apontou para um celular antigo em cima da cama – Amanhã é sábado, então não haverá aula, por isso tirem um tempo e visitem minha sala, se possível de manhã.
Ao sair, ela deixou a porta entreaberta, mas logo foi fechada por Kevin e Michael, que entraram apressados segurando várias sacolas.
— O que é isso?
— Comida! Duvido que aquele chocolate tenha matado sua fome – Sorriu Kevin
— Eu... – mas antes que pudesse falar, meu estomago roncou alto, fazendo com que os meninos rissem – É, acho que Aceito.
— Tome, uns salgadinhos – me deu Michael espalhando a comida pela mesinha, haviam biscoitos, bolos, batatas, salgadinhos, barras de chocolate e uma garrafa de refrigerante.
— Onde conseguiram tudo isso?
— Assaltamos os estoques da sala dos professores – Michael tinha um sorriso malicioso no rosto – Nada que nunca fizemos antes!
Quando terminamos de comer e conversar, Kevin caiu no sono jogado no sofá e Michael começou a cochilar na poltrona, e então eu me lembrei de algo muito importante.
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