Academia de Alquimistas
14 Capítulo 14 - Em algum Lugar além do Arco-Íris
Notas iniciais
POV's Charles
Acho que, depois de passar um dia inteiro bancando a babá, e pior: dos pais da garota azarada, tenho certeza que mereço um descanso, e talvez uma folga animada, isso se eu conseguir anima-la...
— Você deveria bater antes de entrar na casa de alguém – Aron falou enquanto arrumava uns potes na cozinha – Eu ainda irei te bater quando fizer isso.
— Nós dois sabemos que você não irá – Debochei, logo sussurrando – Mas até que seria uma boa ideia...
— Eu ouvi idiota.
— Então sinta-se desafiado – Falei sentando na poltrona de sua sala. Logo ele terminou o que estava fazendo, vindo se sentar na sala, mudando de uma expressão amena para séria.
— Por que veio aqui agora?
— Ora, não posso visita-lo mais? – Falei fazendo cara de ofendido, sendo ignorado enquanto ele começou a me servir chá.
— Você parece cansado...
— Estou usando minha energia ao invés da dela. – Suspirei recebendo um olhar de repreensão – Ela ainda não está forte o bastante para que eu utilize, mas só preciso descansar um pouco...
— E por isso veio aqui? Para descansar?
— Fazer o que se você me acalma. – Falei recebendo um sorriso tímido – Você se lembra da Vanessa?
— A garota que adotamos há muito tempo atrás? Acho que agora ela é diretora daquela escola. – Aron falou pensando.
— Isso mesmo, ela cresceu bem, é forte e inteligente...
— Mas parece que algo aconteceu... – Ele me encarou bem – Seu semblante parece preocupado, o que houve?
— É que... – Eu suspirei em exasperação – Ela testou o nível de poder dela para decidir aonde começaria... Mas para isso acessou memórias bloqueadas com um feitiço...
— E agora a garota vai começar a lembrar de tudo? – Ele completou pegando o meu pensamento.
— Pelo menos dessa vida atual... – Falei soltando o chá e levantando.
— Isso é ótimo! – Exclamou – Assim ela poderá passar para as outras vidas e usar os poderes!
— Mas ainda está fraca... Seus meninos conseguiram salvá-la, mas se for uma lembrança muito forte ela...
— Ela vai conseguir! Ela tem que conseguir! – Ele levantou se virando de costas – Mas parece que você não quer tentar...
Eu queria... Eu quero tentar, mas ela está morrendo de mais... Aron não consegue entender, pois não se apegou a ela em suas incontáveis vidas, apenas para vê-la morrer tentando usar tal poder...
Enquanto me movia pela sala percebi um violão no canto dela... Ele está na casa desde aquele tempo, quando a academia foi criada, eu costumava toca-lo para acalmar os ânimos deles.
Até mesmo naquela época eles acabavam discutindo, isso quando ela não se aliava a ele para implicar com a pequena Vanessa, que acabava ficando com raiva e chorando...
Uma música era o suficiente para acalmar e curar as feridas, fazendo todos se juntarem para cantar e apreciar...
Apenas uma música...
Então eu me sentei na poltrona e chequei o instrumento, que ainda continuava em perfeito estado, cuidado constantemente por “Aron não irei tomar conta das suas coisas”, e comecei a tocar aquela música... Era “Somewhere Over the Rainbow” de IZ, uma canção que trazia paz até para mim...
Percebendo o que eu estava fazendo, Aron aproximou-se e sentou ao meu lado, fazendo o que sempre deixava a todos surpresos...
“Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dreamed of
Once in a lullaby”
Começou a cantar a música ao meu lado...
“Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dreamed of
Dreams really do come true ooh oh”
Sua voz não era nem fina nem grossa de mais, era no tom certo.
“Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top
That's where you'll find me
Oh, somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
And the dream that you dare to,
Oh why, oh why can't I?”
— Quando aprendemos essa música? – Aron me perguntou de surpresa.
— Em nossa viagem para o Havaí...
— Por que não fica aqui hoje? – Mudou de assunto de repente.
— Não irá atrapalhar o sono do vovô? – Debochei vendo seu rosto mudar para desgosto.
— Você é mais velho que eu seu irritante...
— Mas não sou eu que sou chamado de “Ancião” – Brinquei – Nem tomei a face de um cara de 60 anos.
— Minha aparência lhe incomoda agora? – Foi sua vez de implicar
— Se você mudou com ela, então sim, mas se continua o mesmo... — Eu estava me aproximando após parar de tocar, quando recebi um chamado. – Argh!! – Senti minha cabeça doer com a voz de Bottany gritando meu nome desesperada.
— O que houve? – Aron perguntou preocupado me segurando
— Algo está acontecendo com a garota – Me limitei a dizer enquanto tentava me recompor – Deve ser as memórias, preciso ir.
— Você está bem? – Seu olhar era mais preocupado do que triste.
— Sim... – Falei me levantando com calma – Mas eu volto...
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