Academia de Alquimistas
9 Capítulo 9 - Anjo Trator
Notas iniciais
— Droga, meus Pais! – eu corri até a cama pegando o celular.
— Não se preocupe – Charles apareceu deitado na cama – Eu já avisei que você está comigo, e que vou leva-la amanhã à tarde para conversarem.
— Você...
— Eles estão com um feitiço de proteção e de invisibilidade espiritual – Ele olhou para o celular – Esse troço aí só serve para o celular no quarto dos idiotas.
— Eles simplesmente aceitaram? – Perguntei colocando o celular na mesinha
— Eles já sabem o que você é e meu dever de guardião, então eles tiveram que aceitar
— Como foi que eles...
— Eu costumo explicar para os pais das reencarnações sobre essas coisas, em caso de envolvimento.
— Então eles estavam preparados... – sentei na cama exausta
— Eles são seus pais, afinal de conta, precisavam saber sobre possíveis ameaças.
Charles me explicou mais algumas coisas desse assunto, tipo como ele fez meus pais entenderem, e como os convenceu a não me contarem nada. Ficamos conversando por um tempo, até que me deixei cair nos braços de Morpheu.
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Um leve brilho do Sol me acordou naquela manhã, o quarto rustico e elegante iluminado pela luz do dia tinha uma sensação de paz e harmonia, que só era quebrada por um barulho horrível... o ronco de Kevin.
Eu sentei na cama e me deparei com Kevin coberto dormindo no sofá, fazendo mais barulho que um trovão.
A porta da sacada estava aberta, o que deixava uma leve brisa entrar, junto com Michael, que vinha nos acordar.
— Bom dia – falei coçando o rosto
— Vejo que dormiu bem – Comentou rindo da minha cara
— Como um anjo... – Kevin roncou extremamente alto dessa vez – Mas não como esse aí, ele parece mais com um trator enferrujado.
— Eu coloquei o café da manhã na mesa no outro quarto – disse enquanto colocava Kevin nos ombros – Vamos antes que esfrie.
Ao chegar no quarto deles o cheiro me estapeou. Haviam panquecas doces, café, pão caseiro, suco e um bolo de laranja.
Michael literalmente jogou Kevin no chão, indo em direção à mesa para comer, enquanto o trator se levantava um pouco tonto.
— Podia ter sido mais gentil – reclamou Kevin ao perceber a indelicadeza do outro
— Havia tudo isso na sala dos professores?
— Não, peguei a maior parte do refeitório, mas eu tive que preparar as panquecas e o pão – falou Michael enquanto servia o café – Hoje é sábado, e pelo que parece, foi feriado de eventos celestiais
— Você cozinha bem – argumentei comendo a panqueca
— O que significa o que você disse? – perguntou Kevin
— A escola estará fechada e vazia até segunda – Respondeu Michael – E obrigada... – acrescentou olhando para o outro lado.
A refeição seguiu boa e divertida, acho que estou fazendo amizade com os meninos, o que é bom, já que eles vão “cuidar da minha segurança” por bastante tempo.
Logo depois os avisei de que a diretora queria nos ver, e no período da manhã, por isso era melhor nos ajeitarmos.
Eu fui para o meu quarto tomar um banho enquanto os meninos faziam o mesmo, e.... Ah! Tomar banho é tão relaxante, principalmente depois de ser perseguida e quase morta várias vezes.
Só então pude tirar a roupa do hospital, e então percebi que era igual com Kevin e Michael, pois apesar de terem se livrado do jaleco durante a fuga, eles ainda estavam com as roupas de médicos... e rasgadas.
Mas a surpresa veio quando abri o guarda-roupas, pois lá dentro estavam vários vestidos de época (muuuuiiito antigos), desde vestidos de festas a de jantares clássicos, além de sapatos e acessórios.
E apesar disso, algo chamou minha atenção. Junto com todos aqueles vestidos elegantes, haviam calças adaptadas escondidas, além de camisetas masculinas mais finas.
Dentre essas roupas eu escolhi uma calça, obviamente usada para longas viagens, pois era super confortável, uma camisa simples e uma bota que eu encontrei, que também era adaptada para uma mulher usar.
Quando eu me vesti, e tudo aquilo coube, eu agradeci profundamente por meu eu do passado gostar do mesmo estilo de roupa que eu, o estilo confortável e sem adereços. E por mais velhas que aquelas roupas eram, eu fiquei parecendo uma pessoa normal do tempo atual.
Saindo do quarto, eu entrei no dos meninos, e estes estavam com dificuldades de se vestir. Kevin não sabia fechar o colete que escolhera usar e Michael não conseguia prender o cabelo em um rabo de cavalo.
Eles estavam usando suas calças normais, porém trocaram a camisa por uma antiga, que os dava um aspecto daqueles galãs do cinema antigo que cortejavam todas as meninas.
A maior diferença entre os dois, além do cabelo, era que Kevin usava um colete de couro simples, que o dava um ar mais inocente, enquanto Michael preferia ficar sem colete, com um ar mais maduro.
— Querem ajuda? – perguntei ao perceber que eles REALMENTE não conseguiam se arrumar
— Bottany~ — Choramingou Kevin
— Você parece um menino – Comentou Michael me olhando enquanto eu ajudava o outro
— Só se for um menino gay – brinquei terminando de arrumar o outro
— É Michael, lembre-se de que ela nos acha GOSTOSOS – provocou Kevin, e como vingança eu puxei sua calça para cima com força- Desculpaa ai!! – Implorou.
— Ótimo – falei sorrindo ao soltar, e apontei para uma cadeira – Michael sente-se aqui
— Eu não preciso da sua...
— Sente-se – Falei de novo o encarando, até que ele desistiu e se sentou frustrado – Obrigada, agora permaneça quieto.
Rapidamente eu prendi seu cabelo e penteei o do Kevin, o que não foi difícil já que eles tinham cabelos ondulados e eu sou acostumada com meu cabelo cacheado, cheio ainda por cima.
Logo nós saímos do quarto e fomos em direção a sala da diretora... Uma sala que os meninos conheceram muito bem em apenas dois dias.
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