Academia da Aliança
7 Capítulo 7 - Que as Aulas Comecem
Notas iniciais
A noite foi divertida para a Benetti-Keller, não esperava fazer amigos logo de cara, suas expectativas foram superadas, o que a agradou muito, após o jantar a diretora deu um pequeno aviso para os novatos, como a Laurel.
— Agora que todos estão satisfeitos e prontos para voltar aos seus dormitórios, gostaria de ressaltar um pequeno aviso. – sua expressão era seria em quanto falava passava seus olhos pelos alunos olhou rapidamente para a Benetti-Keller deixando claro que o aviso era para ela – A floresta no terreno da escola é de entrada proibida, só é autorizado quando um professor esteja acompanhando. Como os alunos mais velhos sabem, a floresta é perigosa por vários motivos, o maior deles é as criaturas que lá vivem e que não toleram a entrada de estranhos, e nem que profanem seu solo sagrado.
— Ótima forma de dizer, fique bem longe de lá! – comentou o ruivo.
— Shiu! – pediu Ashe prestando atenção na diretora.
— Para aqueles que desobedecerem as regras sabem que o que lhe esperam será muito pior do que a expulsão desta escola – sua face era seria por algum motivo ela encarou o ruivo e as gêmeas na mesa dos Benetti-Keller – Por hoje é só, tenham uma boa noite e não fiquem acordados até tarde, amanhã será um longo dia.
Todos se preparavam e seguiam seus monitores para serem levados aos seus dormitórios, mesmo a Herondale já tendo decorado o caminho, ainda se sentia meio perdida no meio de tantas pessoas, sabia que no dia seguinte não seria nada fácil, em quanto esperava o salão esvaziar ficou imersa em seus pensamentos. Muita coisa tinha mudado, descobriu um segredo de família, foi obrigada a ir para uma escola desconhecida, passou a desconfiar nas pessoas que deveria confiar, mas não era nada com o que teria que passar, afinal não tinha nenhum aliado, ninguém para lhe ajudar, teria que fazer algo que nunca imaginou, teria que confiar em alguém, esperava tomar uma boa decisão, ou tudo o que foi feito para mantê-la em segurança teria sido inútil.
Com a ajuda de um professor com no mínimo vinte e sete anos, com cabelos maravilhosos, todo arrumado com belas roupas trouxas, com direito a um sobretudo lhe mostrou o caminho para o seu dormitório a deixando bem na entrada, agradeceu e foi direto para o seus quarto, precisava se trocar e ter uma bela noite de sono, a energia que gastou no dia finalmente estava sendo cobrada.
No baú no fim de sua cama havia dois uniformes, os dos novatos e os que estavam separados em suas devidas casas, mas não havia nenhuma roupa além dessas, sem muitas escolhas teve que dormir com as roupas de baixo, no dia seguinte teria que dar um jeito em conseguir roupas novas, mas pensaria isso no dia seguinte. Antes de se deitar achou velhas folhas de pergaminhos no fundo do baú, junto com penas e tintas, em um segundo tinha se decidido, escreveria as loucuras que lhe estavam acontecendo naquele estranho mundo.
***
No dia seguinte acordou com a claridade em seus olhos, olhou para o relógio do lado da cama e viu que ainda tinha um bom tempo antes do café, esfregou os olhos e se espreguiçou, saiu da cama se arrastando até o banheiro, fez sua higiene matinal e depois tomou um banho. Arrumou-se rapidamente. Desceu as escadas e colocou um dos seus livros na mesa, queria testar alguns feitiços que sua mãe tinha lhe ensinado há muito tempo, estava meio enferrujada pelo tempo e não conseguiu praticar muito em Hogwarts.
Puxou velhas lembranças de volta a sua mente, lembrava-se de um feitiço, sabia as palavras que deveria falar, mas era difícil lembrar qual era o efeito dele, sabia que deveria tomar cuidado, lembrava de sua mãe dizer sobre uma condição para o feitiço se realizado, mas não lembrava o que era.
— Vou arriscar – algo que puxou de sua mãe, era impulsiva – Aquele que se esconde deve aparecer – a mão que empunhava a varinha estava firme em quanto à outra estava aberta, apontada para o teto – Sobe a ordem de quem profere – a condição entrava bem no final do feitiço, mesmo se forçando não conseguia lembrar — Hur! – urrou irritada, não podia continuar sem a condição, pegou seus livros e deixou o salão, indo rumo ao salão principal.
Ashe e Sejuani estavam em suas mesas quando as viu da porta, conversavam alegremente com seus colegas, cogitou em ir até elas, mas mudou de ideia no meio do caminho, caminhava para sua mesa quando foi abordada pelo ruivo.
— Bom dia! – cumprimentou Morrel de bom humor
— Bom dia – Cumprimentou de volta, não sabia como alguém conseguia ter bom humor tão cedo.
— Vi que estava indo para sua mesa, por isso vim te levar para a mesa mais alegre do salão – disse pegando sua mão e a arrastando até a mesa dos Sheherazade – São um bando de tagarelas e metidos a espertos, mas são ótimos quando você esta a procura de diversão – piscou.
Quando chegaram à mesa as conversas pararam por dois segundos, depois todos começaram a falar e apontar para a aluna nova. Foi constrangedor, mas seus novos amigos a fizeram esquecer introduzindo em uma nova conversa.
— Que aula as meninas terão hoje? – perguntou Morrel em quanto pegava algumas panquecas e jogava uma calda verde por cima.
— Eu e Seju teremos História da Magia em dupla com os Hansen – respondeu Ashe animada, até demais.
— Em Hogwarts odiávamos essa aula, nosso professor era um fantasma tedioso – comentou entrando na conversa.
— Nosso professor não é um fantasma, e suas aulas são sempre animadas – falou Sejuani.
— E o professor é um gato – riu Morrel, apontando para a mesa dos professores – Conheça o professor Jaime Rider, o professor mais novo do corpo docente de Alaiyans.
O professor Rider era bem bonito como Morrel tinha afirmado, seus cabelos eram loiro escuro, ondulados e jogados para trás, usava uma blusa social manga cumprida roxa, calça preta, seus olhos eram castanhos, pele perfeita sem nenhuma marca. Seu sorriso encantava seus colegas e alunos. Laurel ficou encantada pelo professor, conhecia alguns homens bonitos, como seu tio, mas alguma coisa nele a atraía.
— Isso acontece com todas – comentou em contra gosto, o ruivo – Ele é meio veela, qualquer garota é atraída por sua beleza – explicou depois de ter dado um belo gole em seu suco.
— Homens também ficam atraídos por sua beleza – comentou uma voz atrás do ruivo, que fez seu humor ficar ainda pior.
— Bom dia professor Reynold – forçou um sorriso em quanto o encarava.
O professor era um homem na casa dos cinquenta, seus cabelos eram grisalhos pela velhice, seus olhos eram de alguém que presenciou muita coisa ruim na vida. Vestia roupas bruxas de tom vinho e preto.
— Bom dia, Frey – cumprimentou o professor com um sorriso forçado – Srtª Herondale, esses são os seus horários – disse entregando um pedaço de papel – Se me derem licença – disse se retirando.
— Que matéria ele ensina? – perguntou Laurel curiosa.
— Runas – respondeu Sejuani – A matéria que o ruivo aqui mais tem dificuldade.
— Ele não sabe ensinar! – defendeu-se Morrel
— Por que você não presta atenção! – exclamou Sejuani – Soube que você cochila a maior parte das aulas dele.
— Se fosse bom professor eu não seria atentado a dormir – justificou o ruivo indignado.
Ashe e Laurel observam a pequena briga aos risos.
— Qual é a sua primeira aula, Laurel? – perguntou Morrel mudando de assunto.
— Minha primeira aula será... – olhou para o papel –... De feitiços com a casa Anfrith — respondeu
— Com a minha casa! – sorriu – Os novatos não possuem muito controle de sua magia, por tanto tenha cuidado Laurel e sente-se perto da porta! – avisou serio.
— Se você diz.
A aula de feitiços foi agitada, a professora Maya fez a lista de chamada e depois fez sua introdução aos novatos.
— Sou a professora Maya, em minha aula aprenderam dos feitiços mais simples aos mais complexos.. – seu discurso demorou mais alguns minutos até pedir para pegarem suas varinhas, para a surpresa de Laurel – Como alguns já sabem não usamos muito nossas varinhas, já que ela é um catalisador para a magia, mas nem todos os bruxos a deixam de usar, todos os alunos dos primeiros anos usam, alguns não precisam mas se quiserem aprender a focar sua magia devem usa-la. Agora peguem suas varinhas, não usaremos ela agora, primeiro precisam aprender a dizer o feitiço. – Todos os alunos prestavam atenção em sua professora, muitos animados em aprender, outros só animados em poder usar magia – Esse é um feitiço simples de iluminação, repitam comigo, Lumos!
— Lumos! — repetiram os alunos.
A professora fez repetirem o feitiço três vezes antes de começarem a usar suas varinhas. Quando começaram a usar as varinhas muitos não conseguiram nem um pontinho de luz, só dois alunos conseguiram um fiapo de luz que logo se apagou.
— Não vai tentar? – perguntou o menino do seu lado, seus cabelos cacheados e seus olhos azuis eram o que mais lhe chama atenção e sua pose confiante.
— Vou, só esta observando – respondeu virando o rosto e encarando sua varinha. A verdade era que tinha praticado tantos feitiços mais difíceis em Hogwarts que algo simples como o Lumos parecia até ridículo – Lumos! – pronunciou – o feitiço foi feito perfeitamente.
— Muito bem srtª Herondale, cinco pontos para sua casa – elogiou a professora.
— Eu também consigo fazer – disse o menino de forma competitiva – Lumus! – uma claridade enorme saiu de sua varinha, machucando os olhos de quem estava perto.
— Ai! Acho que fiquei cega – disse uma menina do seu lado – Ah! Não, já esta voltando.
— Não aponta essa varinha na minha direção seu idiota! – reclamou Laurel tampando os olhos.
— Desculpa! – pediu arrependido
— Usa o feitiço Nox para apagar sua varinha, senhor Smith – instruiu a professora.
— Professora? – chamou Laurel com a voz baixa
— Você esta bem srtª Herondale? – perguntou a professora Maya preocupada.
— Não quero alarmar ninguém, mas eu não enxergo – disse tirando suas mãos dos seus olhos.
— É melhor leva-la para a enfermaria – informou a professora – Smith! Ajude-a sua colega a chegar à enfermaria.
Quando chegaram à enfermaria a medibruxa foi correndo saber o que tinha acontecido, Smith explicou de forma desesperada o que tinha acontecido.
— Todo ano! – reclamou a medibruxa – Pode voltar para suas aulas sr. Smith.
Foi guiada pela medibruxa até uma cama, na qual ficou minutos sendo examinada.
— Não é muito ruim, o efeito é temporário lhe darei uma porção que fará o efeito ser mais rápido, poderá assistir à próxima aula – disse a medibruxa.
Escutou passos se afastando, imaginou que ela estaria buscando a porção. Por um segundo sentiu seu corpo gelado, já tinha sentido aquela sensação antes, quando um fantasma a atravessou uma vez.
— É falta de educação atravessar as pessoas – falou irritada.
— Nem reparei que estava aí – disse o fantasma, sua voz era fina e delicada – Ah! Obrigada pela companhia, sua amiga é muito encantadora – agradeceu o fantasma.
— Que amiga? – perguntou, mas não obteve respostas.
— Estava falando com quem? – perguntou a medibruxa curiosa.
— Um fantasma apareceu – respondeu pensativa, queria saber de quem ela estava falando.
— Alguns costumam sempre passar aqui, fazem se lembrar de como a vida é frágil – comentou a medibruxa em um tom triste – Cabeça para cima! – pediu, pingou uma gota em cada olho, o liquido era gelado, mas refrescante. – Deixarei o vidro da porção aqui na mesinha, deve usar de hora em hora, até o fim do dia. Quando sua visão começar a voltar poderá voltar as suas aulas. — informou
Quando sua visão começou a voltar chamou a medibruxa e a mesma a liberou, com a ajuda de um quintanista que também saia da enfermaria conseguiu achar a sala da sua próxima aula. Como Hogwarts a noticia de um aluno segando uma aluna na aula de feitiços já tinha chegado nos ouvidos de todos, Narcisse a abordou preocupado e perguntando se estava bem, antes que precisassem responder o professor de transfiguração apareceu e mandou todos se sentarem.
Todas as outras aulas foram tranquilas e sem mais nenhum inconveniente, na hora do almoço para sua surpresa a primeira a perguntar sobre o que tinha acontecido foi a Sejuani.
— Um aluno chamado Smith usou o Lumos na minha direção, e a intensidade foi muito forte – respondeu Laurel.
— Eu avisei! – disse Morrel com um sorriso no rosto, que desmanchou assim que viu a expressão assassina da amiga.
— É você avisou – disse em contra gosto.
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