Academia da Aliança
2 Capítulo 2 - Surpresas e Mudanças
Notas iniciais
O uniforme padrão da academia era bem parecido com o de Hogwarts, blusa social branca, blazer preto, com bolsos bem discretos na frente, uma saia de prega e uma gravata preta, tanto a blusa quanto ao blazer tinha um pequeno símbolo bordado, que deveria ser o símbolo da escola e das famílias, era um lobo, uma águia, dois machados cruzados, um cardume, e bem no meio tinha uma arvore que se interligava com suas raízes, no tronco da arvore tinha duas letras A’s. Vesti o uniforme rapidamente, não queria fazer a diretora esperar, quando já estava vestida, reparei que tinha um par de meias 3/4 em cima da cama, que eu não tinha visto antes, coloquei as meias. Olhei para de baixo da cama onde eu estava deitada minutos antes e como eu esperava, havia um par de sapatos, na verdade era uma bota, com um pequeno salto, dei de ombros e me sentei na cadeira para calçar a bota, quando finalmente estava pronta, dei uma ajeitada no meu cabelo, tentando deixar menos bagunçado possível.
Abri a cortina com uma sensação que me faltava alguma coisa, mas não me lembra o que era. Quando saí reparei que tinha uma espécie de corredor um pouco largo, formado pelas pequenas cabines iguais a que eu estava, caminhei até o fim daquele corredor que me levou a uma grande porta dupla, do lado de fora estava à diretora junto com uma garota loira, com orelhas pontudas, seus olhos eram cinza, mas o que eu mais prestava atenção era o seu uniforme, era completamente diferente do que eu usava.
O uniforme era composto de uma camisa longa de manga curta branca presa no fim do antebraço, era usada como vestido. Para combinar com os punhos amarelos, usava uma gravata para combinar. Sobre a camiseta usava uma espécie de bolero amarelo com gola com detalhes brancos, curto na frente e comprido na parte de trás. Nos pés para completar o visual usávamos uma bota de cano longo de cadarços preto.
– Srtª Herondale quero que conheça a Ashe Levierre, da casa dos Sheherazade. Ela será sua guia hoje, já que me surgiu um pequeno imprevisto – disse a diretora apresentando aquela nova figura.
– É um prazer conhecê-la Laurel – disse estendendo sua mão. Era muito estranho ser chamado por esse nome, teria que me acostumar.
– O prazer é meu Ashe – disse apertando sua mão
– Bem meninas eu preciso ir – disse a diretora, caminhando para longe de nos
– Por acaso você é parente do Alois Levierre? – perguntei em quanto a seguia pelos corredores
– Sou filha dele – disse dando um sorriso orgulhoso
Ashe me levou até o dormitório da minha casa, ficava no quarto andar, em quanto passávamos reparei que a escola tinha poucos quadros e a maioria era de cenas de batalhas, na porta ou o que deveria ser uma, tinha um enorme quadro de uma mulher que deveria ser da época medieval, pelas roupas, ela corria dentro de uma floresta.
– Se você quiser que ninguém além de você entre no dormitório de sua família é só dizer uma senha para a Mulher Perdida – explicou Ashe – Mas como o dormitório estava fechado até a sua chegada, a diretora disse para você dar uma nova senha e depois dizer a ela.
Fiquei pensativa por alguns segundos, que senha eu colocaria? E será que deveria falar para o quadro com a Ashe do meu lado? Eu sempre fui muito desconfiada por causa da minha mãe, mas preciso agir normalmente nessa escola, darei um voto de confiança na minha prima recentemente descoberta.
– Corte das fadas – disse para a Mulher Perdida, que deu um sorriso e abriu a porta
– Bela escolha – disse Ashe dando um leve riso
– O que foi? – perguntei estranhando sua reação
– Sou descendente das fadas, da corte Unseelie – respondeu com um sorriso no rosto – Vamos! – disse pegando a minha mão, me puxando para dentro do dormitório.
O salão comunal era magnífico, não tinha aquele ar de luxo, mas parecia ser bem convidativo e aconchegante. De frente para a porta tinha uma enorme lareira esculpida em uma madeira bem escura, cheia de detalhes, era coberta com granizo e outro material, fosco, em cima tinha um quadro e em cima da lareira tinha alguns vasos de enfeite e outros objetos de decoração, dos dois lados da lareira tinha uma estante cheia de livros, no meio da sala tinha uma grande mesa de centro, atrás dela tinha um sofá, na mesa tinha outros objetos de decoração, mas tinha um livro que não parecia estar lá para decorar, deveria ser o catalogo que a diretora mencionou, do lado da lareira tinha duas poltronas de coro marrom e ao lado delas tinha uma pequena mesinha com candelabros e alguns pergaminhos. Do lado direito da sala tinha duas escadas, deveria ser para os quartos.
– Ual – disse eu e Ashe admiradas
– Mais confortável que o salão comunal da Hansen – comentou Ashe impressionada – Venha, precisamos conhecer o seu quarto.
Como o salão comunal, o quarto tinha as paredes de madeira escura, no quarto tinha cinco camas, todas cobertas com um dossel, as cobertas estendidas na cama eram de cor vermelha com desenhos dourados, os dossiês eram de uma cor parecida com marfim, no final das camas tinha um grande baú, onde colocaríamos nossas coisas, um pouco afastado das camas tinha uma porta, ela estava fechada, deveria ser ali o banheiro, pelo menos era o que eu imaginava. Fui para a cama do meio e me sentei. Antes que eu pudesse descansar a minha mente de tantas coisas registradas Ashe começou a falar.
– Como você vai ser apresentada somente no jantar, teremos bastante tempo para arrumar esse cabelo, mas levando em conta que serei a cuidar dele nem iremos demorar tanto. – disse em quanto esfregava as mãos ansiosa.
– Pera ae! Meu cabelo ninguém meche – disse colocando as minhas mãos no meu cabelo instintivamente. Depois de tanto resmungar falando que cabelo curto não ficava bem em mim e que um cabelo mais longo com um corte me deixaria mais bonita, eu resolvi ceder, só para ela calar a boca. – Esta bem, mas se algo der errado... – deixei a ameaça no ar, que foi entendida muito bem.
Acho que ela demorou uma hora com o meu cabelo, ela o fez crescer todo até o ponto de eu não ter mas uma franja, depois ela começou a cortar, usando feitiços capilares e estéticos, depois de deixar em um cumprimento bom ela usou outro feitiço, deixando meu cabelo um pouco encaracolado. Quando finalmente ela terminou, ficou admirando o trabalho que tinha acabado de fazer.
– Você parece outra pessoa – disse admirada – Vai arrasar corações aqui, só precisa melhorar essa palidez e começar a usar maquiagem – disse Ashe – Ah, vou buscar minhas maquiagens, não saia daqui. – disse em quanto saía correndo do quarto.
Quando fiquei sozinha no quarto, finalmente fui ver o que Ashe tinha aprontado, fui ao banheiro, que era bem simples, nada muito luxuoso, quando encarei o meu reflexo fiquei sem palavras, Ashe tinha razão, eu parecia outra pessoa, meu cabelo não estava muito longo e nem curto, estava mais brilhante e menos sedoso, eu tinha que dar meus parabéns a ela. Saí do banheiro e voltei ao quarto. Deixando todo o glamour de lado, em nenhum momento ela usou uma varinha, será que todos na academia não usavam uma varinha? Eu teria alguns problemas, teria que pedir ajuda da Ashe. Será que eu estava sentindo falta da minha varinha? Não era isso... O LIVRO!
– Como eu pude me esquecer dele! Se não achá-lo, meu disfarce estará perdido! – comecei a me desesperar – Vou ter que calcular que o dormitório dos Sheherazade fica longe o suficiente para que eu possa contatar o cavaleiro. – girei o anel duas vezes como ele tinha me instruído, dois segundos depois eu comecei a ouvir a voz dele na minha cabeça. – Isso é bizarro – comentei.
– Esta sozinha?
– Estou, tenho uma coisa para perguntar, onde esta o livro da minha família?
– Não se preocupe, você não deve ter preparado mas tem uma segunda pedrinha no anel que lhe dei, nele esta o livro, na menor forma possível é claro.
Suspirei aliviada, meu disfarce não estava perdido afinal, mas essa história de um anel guardar um livro daquele tamanho era estranho, por mais que eu já tenha visto coisas estranhas.
– Quando quiser convocar o livro é só girar o anel uma vez.
– Obrigada, por um momento achei que tinha o perdido.
– Um livro desses não tem como se perder facilmente.
– Uma coisa eu reparei, que desculpa vão dar pelo o meu sumiço em Hogwarts?
– Não precisa se preocupar com isso, a Roza esta cuidando disso, com o histórico do seu pai não será difícil eles cederem a sua guarda para um parente com um passado menos duvidoso.
– Humm, gostaria que pudesse me explicar a história que contou a diretora mas minha prima recém descoberta pode chegar a qualquer momento no quarto.
– Estarei esperando.
Com a despedida não pronunciada, finalmente pude respirar aliviada, mas era estranho esses artefatos mágicos, vai ser difícil me acostumar com tudo isso que anda acontecendo. Uns dez minutos depois Ashe apareceu, com uma pequena bolsa de bolinhas e segurava uma varinha nas mãos.
– Em quanto eu vinha para cá, acabei esbarrando com a diretora, ela me pediu para que eu entregasse essa varinha para você, disse que era sua – disse Ashe animada
Peguei a minha varinha e agradeci.
– Ashe? — chamei
– Sim?
– Vocês costumam praticar magia sem varinha? – perguntei
– Claro, não precisamos de uma varinha, ela serve como catalisador, e a maioria de nos não precisamos de um catalisador – respondeu – Pelo que eu pude deduzir você não largou a varinha, não se preocupe, te ajudarei nessa, mas antes eu preciso te maquiar – disse com um enorme sorriso, um sorriso de dar medo.
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